domingo, 18 de agosto de 2013

Agosto nostálgico

O Porto é sempre agradável em Agosto. As temperaturas são amenas, há nevoeiro ( que eu adoro), noites frescas em que se dorme sem dificuldade. Gosto de voltar ao meu quarto, à minha cama baixinha, abrir a janela e respirar o ar puro que vem dos jardins aqui à beira.

Estive quase quinze dias sem TV. Desabituei-me de a ver. Não me fez falta, havia muito mais que fazer ao serão... e estar no jardim a olhar as ondas do mar e a ouvir música no meu Ipod é um prazer que não dispenso e que só a nortada me pode roubar.

Vivi com mais oito pessoas durante estes dias e agora sinto um vazio estranho que já há muito não sentia. O meu filho partiu para mais uma viagem. Os meus netos também vão com os avós para fora. Fica-me uma certa nostalgia e um desejo de que venha Setembro.

Continuo com grandes dificuldades motoras, que me impedem de andar pela cidade, passear ou mesmo fazer compras num shopping. Preocupa-me muito ficar imobilizada, com este joelho a negar-me uma vida normal.

Mas não é tudo mau. Ficam sempre as memórias de duas semanas muito belas a ver os meus netos a crescer, as suas personalidades a desabrochar. Não sei quando teremos de novo a possibilidade de estar




juntos nas férias...felizmente, eles moram aqui perto e estamos sempre em contacto.

A vida continua....e as imagens belas não se apagam....

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mudança de visual

Inspirada pelos dias de férias maravilhosos que ainda martelam a minha memória visual com imagens, sons, cheiros  e tactos alapados no meu ecran mental, resolvi mudar a imagem do cabeçalho para algo mais humano e mais belo.

Estas são figuras que povoaram os dias que passei na Luz...nunca saberei quem são, nem o que ali faziam.... estavam felizes porque é impossível não estar feliz naquele local, aquela hora. Só por isso merecem ficar aqui durante os próximos meses, até o calor do sol desaparecer e o outono chegar a sério.

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Hoje fui ao cinema matar saudades do Arrábida shopping...muita criançada com os pais em férias. Nada têm a ver com as crianças livres que vi a saltar e a correr na Luz.

O filme não valia nada...é incrível como o nome Coppola se pode deteriorar a este ponto. Nem sequer me dou ao trabalho de o criticar.
É um mau filme supostamente sem querer fazer moral, nem ensinar nada.
Limita-se a retratar a sociedade de Hollywood e os bonecos  superficiais, irritantes, mal desenhados, sem ponta por onde se lhe pegue. Uma fraude. Dos piores filmes que já vi este ano. Não aconselho.




Back home

É difícil, mas reconfortante voltar para casa.

São 4.30 da manhã e acordei subitamente sem sono e com necessidade de distracção pois as dores no joelho me impedem de pegar no sono de novo.

Vêm-me à memória os dias gloriosos que passaram, sinto-me longe de muitas coisas que amo, o sol , o espaço e o mar, esse imenso azul e transparente em que mergulho todos os dias com prazer indescritível.

Ontem a água estava de sonho, talvez o dia com temperaturas mais simpáticas e com a água mais bela.

Custou-me a despedida....é sempre um regresso ao trabalho, mesmo quando ainda estamos em férias.

Os meus netos vieram bem na viagem com uma paragem na Meta dos Leitões, onde já não ia há uns doze anos, desde que deixámos de ir a Lisboa pelo Natal. Comemos bem mas muito caro.....

Chegadas a casa, é tudo familiar e agr



adável....gosto de me reencontrar nos meus objectos quotidianos, nas minhas pinturas que estão expostas nas paredes, no meu televisor gigante....o meu sofá....

Mas sinto a falta daquela imensa visão do horizonte....a perder de vista ....

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Sair do Paraíso

O dia de hoje vai-me ficar na memória....


Está um daqueles prenúncios de sueste, quente, calmo, sem pinga de vento....uma beleza esta visão daqui de casa. Como é possível gozar plenamente a natureza assim oferecida a nossos pés?

Já vim muitas vezes para aqui só com a minha filha e ambas sabemos que amamos as mesmas coisas e somos sensíveis à beleza e à descoberta todos os anos. Sem "desfazer" no resto da família, penso que ela e eu nos identificamos mais com este local e somos mais felizes aqui ( como em Leeds, por exemplo), podendo disfrutar de tudo com uma plenitude que não está ao alcance dos demais. Vir com mais família é um pouco mais frustrante, mas tem outras vantagens.

o efeito da água e da areia
Há desiquilíbrios,  há desilusões, há sensibilidades à flor da pele, momentos menos bons, mas também há outros que compensam duplamente, porque sabemos que para os mais pequenos estas férias serão uma recordação que nunca mais sairá das suas memórias...mesmo quando eu já não estiver por cá....

algas que baloiçam com a corrente
Hoje mais uma vez contemplei as incrustrações da fauna na geologia desta área. É uma simbiose perfeita, "unha com carne", como se o barulho, os passos, os gritinhos , as dicussões familiares, os ralhetes ou as palavras amorosas lhes "caíssem em saco roto" e estivessem imunes aos desconfortos da espécie humana hé muitos séculos.

Vi peixes grandes ali na ponta, junto às rochas e pensei. Seria incapaz de comer estas belezas a cintilar na água transparente, fugindo ao menor ruído ou movimento que pressentem.

a água transparente e cristalina
Isto é único e não me canso de dizer um privilégio.

Obrigada.


formação natural de mexilhões na areia


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ultimos dias

Esta semana já quase passou e na 5ª já vamos partir de novo.

Para mim, pessoalmente dez dias são suficientes para descansar do Porto, depois começo a ter saudades da minha vida normal, da cidade, do campo alegre e sobretudo do meu sossego televisivo. Vejo o que me apetece, não vejo os desenhos animados barulhentos que são hoje em dia parte integrante do dia a dia de muitas crianças, vou ao meu Botânico, ao cinema, por vezes a exposições...

Aqui o ramerrame é sempre o mesmo, com intervalos como o de ontem, a festa de anos da minha nora, festejado dum modo especial com bolo e serão musical, onde não faltou sequer um pezinho de dança de fazer rir e chorar por mais. Todos os da 2ª e 3ª geração presentes mostraram as suas qualidades artísticas , que me fez lembrar tempos idos, em que os jovens como eu se reuniam numa destas casas com uma guitarra, tocavam e cantavam a plenos pulmões as músicas dos anos 60. Muitas destas canções nos trazem memórias de tempos que já não voltam e aqui ou acolá uma lágrima pela juventude que se foi.
A vista da varanda da nossa casa ( com a piscina dos vizinhos)

Os jovens de hoje são mais competentes na música - falo da minha família - e não a dispensam. O meu neto faz as delícias de quem o ouve, tal é a sua sensibilidade a tocar.

Fica aqui uma das canções que é um must nos nossos encontros familiares:

domingo, 11 de agosto de 2013

A força do mar


Continua o sueste pálido, que é próprio dos meses de Agosto em que a nortada leva sempre a melhor e ao fim de três dias as ondas acabam por se dissolver.
Enquanto dura, é uma alegria para os jovens e menos cómodo para os mais velhos, que volta e meia, acabam por desistir de lutar contra a rebentação, capaz de atirar um ex-Presidente da República ao chão ( só uma onda de sueste seria capaz disso:))).
Ontem até o Correio da Manhã estava aqui na Luz, tentando sacar uma notícia que nada tinha de sensacional: o ex-presidente JS foi atirado ao chão por uma onda mais forte. O que me admira é que o dito senhor ainda tenha paparazzi à volta, nem sei porquê, pois que eu saiba nada fez de extraordinário, excepto o ter andado no mesmo colégio que eu e no liceu onde fiz o meu estágio para professora ;-) (esta é a minha modesta opinião:))).

Também eu ontem caí ali em baixo, depois de ter levado uma sova de rebentação, felizmente a minha filha estava perto e deu-me uma mãozinha para me levantar....nada que não me tivesse acontecido já e até em condições mais difíceis. Mas felizmente nenhum paparazzi se importou com isso!!

Lembro-me que quando tinha uns 13 anos, passei um mau bocado na praia da Carcavelos durante umas marés vivas. Com a mania de imitar os mais velhos fui para o meio deles e perdi o pé rapidamente. Sabia nadar , mas as ondas puxavam a valer. Um amigo do meu irmão que tinha 16 anos "salvou-me" e ajudou-me a sair dali. Já só engulia água....escusado será dizer que lhe fiquei eternamente grata ( e até um pouco enamorada por ele) a este herói de circunstância.

Adoro o mar, mas tenho-lhe muito respeito, pois quando se enfurece, é impossível dominá-lo. Daí admirar tanto os surfistas que pululam agora em todas as praias. Estão aqui algumas fotos que lhes tirei nas mais diversas praias em sua homenagem.

Castelejo 2008
Ofir Maio 2013



Ofir, Maio 2013

Ofir , Maio de 2013
Matosinhos Julho 2013

Ofir 2013

sábado, 10 de agosto de 2013

Voltou o sueste

Acordamos com o ressoar das ondas, batendo com estrépito nas rochas.

É o célebre sueste,  sempre antecipado por um dia de calmaria quase irreal aqui na Luz.

Subitamente, o galo da igreja, imperial quase sempre virado ao Norte, dá uma volta e insiste em virar-se para África donde sopra o Levante, quente e seco.




A maresia é inebriante, à noite pode-se estar cá fora a ouvir as ondas sincopadas e a olhar as estrelas. Uma experiência quase mística.

Na praia os miúdos deliram com o sueste, pois, com cuidado, podem divertir-se à grande, atirando-se contra as ondas e fazendo "carreirinhas" com as suas mini pranchas. Volta e meia são enrolados nas ondas e apanham sustos, mas a adrenalina fá-los voltar com mais vontade.

Encontrei uma canção que se chama Vento de sueste de Cesária Évora.
Nada tem a ver com o nosso , mas é bela.


Tem sido assim durante mais de 40 anos: nortada/sueste/nortada/sueste, a luta titânica entre os ventos aqui neste Algarve do nosso contentamento.....sempre variado, sempre excitante, sempre nosso....

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A fauna marinha.....

Não há muitos specimens por aqui: apenas lapas, mexilhões, alguinhas, anémonas, crustáceos tudo agarrado às rochas....como se a elas pertencessem.

Os efeitos destas pedras habitadas é fenomenal.

Fascina-me tirar fotos que mais parecem pinturas abstratas das mais variegadas cores. Será que alguma vez conseguirei pintar assim?

Fica aqui um poema de Sophia, que como eu amava o mar acima de todos os outros elementos da natureza.








Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Fim de tarde dourado

as falésias banhadas pelo sol poente



Poucas praias são feias ao fim da tarde. Mesmo aquelas que parecem banais adquirem tons em tudo especiais.

Há os amantes do pôr do sol como há os amantes do nascer.

a praia e a despedida
Pertenço ao primeiro grupo. Em tempos  via o nascer do sol mas estava sempre demasiado stressada a preparar-me para as aulas para o apreciar. Na cidade, o nascer do sol nada tem de especial. Queremos é luz.

Esta praia chama-se Luz.

gaivotas mirando-se no espelho de água
Por alguma razão lhe deram este nome e quanto mais não seja, basta olhar para ela ao fim de uma tarde de verão para compreender o  seu significado.

Hoje, antes do jantar, resolvi  ir  tirar umas fotos à praia grande, pois já ontem vira os reflexos maravilhosos das falésias nas poças que a mare cheia deixa…e não tinha levado a máquina comigo. Hoje agarrei nela antes de sair.

Valeu a pena.

Fica aqui uma música a acompanhar estas fotos tão poéticas.

miudo a correr feliz
Muse

Privilégios da nossa Calheta


,A Calheta- pequena baía recortada que fica em frente às nossas casas e que dá o nome à rua ( Rua da Calheta) é um pequeno paraíso daqueles que abundam aqui nesta zona, onde a água é duma transparência total, lindíssima quando o vento está de norte, fria para os amantes de águas cálidas mas revigorante para os que, como eu, tomam banhos todos os dias e depois do primeiro embate, por ali ficam a nadar horas esquecidas.
É um dos maiores prazeres que tenho na vida. Mergulhar nestas águas, vendo os meus pé no fundo, todas as alguinhas e peixinhos, nenhum resto de piquenique ou de vestígios de humanidade....:)
A água tem cambiantes que nenhum pintor conseguiria imitar até porque se move e ao mover-se as cores mudam. Se o sol brilha sobre ela, mais bela se torna.

Mergulhar com óculos foi sempre para mim um enorme gozo, respiro bem pelo tubo e vejo tudo o que se passa no fundo, uma vida selvagem que ninguém adivinha. Os peixes parecem enormes dentro de água, se os apanhasse, ficaria desiludida quase de certeza....prefiro vê-los no seu habitat natural, felizes na água fria.

As rochas servem de praia na maré cheia e são muitos os mirones que espreitam da fortaleza para este recanto, embasbacados com a piscina que o mar oferece deste lado.


Hoje fui tomar banho sozinha pois a família resolveu dar um passeio até à Ria Formosa, onde estive há dois anos num meeting dos meus amigos do Woophy. É um local lindíssimo e aconselhei-o aos meus filhos.
O dia tem estado tão sossegado, que até estou a estranhar, mas é bom ouvir o silêncio....ir até lá abaixo, mergulhar e voltar para cima, poder estar ao sol sem ouvir as vózinhas agudas dos miudos. Por muito que goste deles, há momentos em que a solidão relativa nos sabe bem.

Tenho estado a ouvir música também...o que é divinal com este panorama à frente.