quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Intemporalidade

Intemporais são:  a Arte, a Música, a Fotografia, a Cultura.

Hoje unidas num evento que revela a vontade de suplantar as barreiras e responder à necessidade de algo mais que nos eleve e nos dê sentido para viver.





O Espaço Vivacidade começou o ano "lectivo" em beleza com uma Colectiva de Pintura, já anunciada neste blogue, cuja inauguração se transformou num encontro extremamente acolhedor e revelador das qualidades da pessoa que dirige o Espaço,  Adelaide Pereira, congregando pessoas dos 10 aos 80 anos, capazes de vibrar ao som dum violino tocado por uma criança, dum "senhor" a recitar Gedeão e duma artista ( que não quer ser crítica) introduzindo dum modo sábio e simples algumas das obras expostas.

Não me esquecerei tão depressa deste momento.





Os meus dois quadros estavam muito bem colocados e ainda melhor acompanhados.

Obrigada a todos! Bem hajam!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Colectiva de Pintura - INTEMPORALIDADE

Vai-se inaugurar amanhã, às 17 horas,  no Espaço Vivacidade, uma Colectiva de Pintura, com nomes conhecidos aqui do Porto e não só. Tenho a honra de estar entre estas personalidades que contribuem para a exposição.

Durante a vernissage, o meu neto Daniel tocará cinco peças para violino, o que muito me orgulha,  e serão lidos alguns poemas a propósito do tema que é Intemporalidade. 

Já há muito que não exponho quadros e agradeço à Adelaide Pereira, alma do Vivacidade esta oportunidade de estar no meio de alguns artistas de renome.




terça-feira, 3 de setembro de 2013

Os blogues e o tédio

Há semanas que não leio nada de interesse na net.

O verão parece que veio para ficar e com o calor as ideias desvanecem-se , derretem e desaparecem, dando lugar a conversa de chacha, a comentários politicamente correctos sobre as rentrées e o recomeço do ano lectivo. Não há uma entrada que me interesse, me faça pensar, nem sequer reflectir. Não há um blogue de jeito....( desculpem lá!). Verdade seja que o meu tb anda desinspirado de todo:)




Lembro-me de princípios de anos lectivos do meu tempo de professora que nos enchiam de entusiasmo. Gostava de conhecer novos alunos, de planear o ano, de preparar aulas diferentes. Ainda me lembro do ano de 2001, quando fomos apanhados desprevenidos pelo 9/11, e tivémos de mudar as estratégias, dado que os alunos estavam sintonizados para aquele acontecimento fulcral para a cultura anglo-saxónica.
Consegui passar para transparências as opiniões dadas por vários adolescentes sobre os acontecimentos - alguns com verdadeiro sentir da tragédia e depoimentos comoventes - e os alunos aderiram muito bem aqueles textos novos e directamente ligados à actualidade. O manual ficou em casa.



Sempre fiz manuais - desde 1983 - mas nunca achei que os manuais fossem "be all and end all" como dizem os ingleses. O professor, a sua criatividade, motivação e fé move montanhas. E se era importante movê-las logo no início do ano! Uma vez " apprivoisés" , os alunos convertiam-se ao inglês, amavam as aulas, colaboravam, criavam ideias novas e projectos inovadores.

Tive alunos excepcionais nas escolas por onde andei, mesmo na mais remota vila como a Sertã. Era difícil ensinar nesses locais porque tudo era novo para mim e às vezes incorria em erros devido ao choque cultural com uma população completamente diferente da de Lisboa ou do Porto. Tive de me adaptar, mas eles próprios se sentiam homenageados pelo facto de eu ser efectiva e vir da capital...

Tenho saudades desses tempos...ensinar era uma aventura....sem papeladas, com uma pequena caderneta que continha tudo, sem tabelas, nem excels, nem pcs, nem tecnologias avançadas.....

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O calor

Como é possível gostar-se tanto do calor, andar a pedir aos céus que o sol venha em catadupas, a praia, o mar, as viagens,  as idas cansativas até à costa e as vindas ainda piores?



Já estou na cidade há quinze dias e estou farta de sol. Apanhei suficiente nos dias em que estive de férias, embora só numa das semanas a água estivesse a uma temperatura sofrível. Houve nortada, tardes frescas, mas pelo menos respirava-se. Nunca gostei de  água quente para banhos de mar. Não revitalizam, nem refrescam...

Hoje andei pela cidade de autocarro para ir buscar os meus exames radiológicos à Boavista - são 10 minutos de autocarro e outro tanto a pé e fiquei alagada. Dentro do hospital estava uma temperatura maravilhosa, no autocarro havia ar condicionado, em minha casa estão 24º, mas sinto-me sempre a suar, a suar, a suar. Só me apetecia estar dentro dum tanque frio.....

Confesso que o Verão para mim é longo demais...e depois faz-me impressão ver as plantas quase mortas, cheias de sede, a estiolar....as buganvílias já murcharam , os agapantos estão de luto, as dálias completamente secas....não é justo.

Venha a chuva, por favor, dois diazinhos de bom chover para apagar esses fogos malditos e limpar as poeiras. Sinto-me como as plantas, choro como elas.

Fica a qui o poema de Florbela Espanca, que me fez arrancar um 16 no exame de Teoria da Literatura, uma das melhores notas que tive na FLUL. Inspirador!

Árvores do Alentejo
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte 
A planície é um brasido... e, torturadas, 
As árvores sangrentas, revoltadas, 
Gritam a Deus a bênção duma fonte! 

E quando, manhã alta, o sol posponte 
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas, 
Esfíngicas, recortam desgrenhadas 
Os trágicos perfis no horizonte! 

Árvores! Corações, almas que choram, 
Almas iguais à minha, almas que imploram 
Em vão remédio para tanta mágoa! 

Árvores! Não choreis! Olhai e vede: 
- Também ando a gritar, morta de sede, 
Pedindo a Deus a minha gota de água! 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

Tema(s): Natureza Ler outros poemas de Florbela Espanca 

sábado, 31 de agosto de 2013

No dia seguinte

Hoje festejei os anos da minha filha Luisa. 34.

Há anos que vamos à feira do Artesanato das Festas de S. Bartolomeu da Foz.

Desta vez não démos um passeio até ao farol como de costume, pois o meu joelho continua a doer-me imenso e não consigo andar mais de 5 minutos , sem ter de parar quase a seguir.. Fui vendo as tendinhas

  com coisas magníficas vendidas ao preço da chuva, é impossível o dinheiro pagar aquela delicadeza de mãos, a paciência, o talento. Temos artesanato lindo, faianças, cestos, bordados, velas, imagens em gesso, barro....e depois os produtos maravihosos da serra da estrela, os doces das várias regiões, o leitão da bairrada, o pão quente...





São momentos que tanto eu como a Luisa adoramos....embora desta vez me parecesse que estava tudo muito morno, muito desértico. Vim um pouco triste , mas com tudo o que queria para a ceia de anos da minha filha.

De manhã fizémos o bolo que fez as delícias dos meus netos. Bebemos champagne a acompanhar. E vimos futebol na TV. Tudo normal. Tudo feliz.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

37 anos

Há 37 anos tive o meu primeiro filho, depois de várias tentativas furstradas e muito sofrimento.

Mas ele aqui está vivo e cheio de energia, com uma família linda e muito amor para lhes dar.

Hoje fomos jantar ao Real Indiana, um dos seus restaurantes preferidos. Só a vista vale o jantar.

Estávamos todos um pouco cansados e nervosos, mas correu bem.....



Ficam aqui algumas fotos desta cidade à noite, linda de morrer......







É impossivel não amar esta cidade.....

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A melancolia dos dias


Quando se sai da rotina e da cidade, os nossos sentidos parece que despertam e da nossa mente desaparecem todos os fantasmas e demónios que por aí andam a querer desfazer o que é belo, o que é genuíno e o que não pretende mais do que olhar para o mundo com outros olhos, como este blogue.

Nunca pretendi enaltecer o meu ego, pessoalmente tenho reservas quanto às minhas capacidades e talentos, mas sei bem apreciar o mundo que me rodeia e acho extraordinária a paleta de cores que a todo o momento desfila diante dos meus olhos. Amo a Vida.

Ainda sinto o cheiro inebriante da alfazema que cobria anteontem um muro em São João da Pesqueira, à mão de qualquer transeunte que por ali passasse...ainda sinto a emoção que as vistas das encostas coroadas de vinhas , bem verdes, desenhadas a compasso e esquadro, em mim despertaram.

Estive este ano nos Açores, na Madeira, em Leeds, em Ofir e na Luz. Não trocava nenhum destes locais por uns dias passados numa grande cidade como Paris ou NY, Rio de Janeiro ou mesmo Praga, que amo incondicionalmente.

A civilização, por muito cuidada que seja, não se compara com a natureza quase virgem de locais intactos onde não me importaria de morrer. Nela liberto-me, vivo, respiro, na certeza de que ninguém me quer mal ou me deseja ruindade. Não desejo museus, desejo árvores, montes, vales, o mar....

Este mundo dos blogues só é são quando as pessoas sobrevivem às perseguições e invejas de que são alvo. Há muita gente ruim por aqui e infelizmente só as detectamos tarde demais. Mas não nos queimam, nem sequer chegam a chamuscar....

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O nosso Douro

Passei o dia no Douro do nosso contentamento com os meus dois filhos rapazes.


Saímos de manhã. Com o meu filho mais novo ao volante, percorremos os kms até à Régua sem grande problema. A partir daí, a estrada desenha curvas e contra-curvas, sempre a subir em direcção a São João da Pesqueira, vila a 800 kms de altitude e comarca onde ele vai viver durante dois anos. Nunca lá tinha ido e até agora praticamente ignorava a sua existência. Mas, de repente, essa vila passou a fazer parte da minha vida, por razões familiares, de modo que quis saber  como era in loco.


As minhas expectativas eram pessimistas, habituada que estava aos locais onde vivi nos primeiros anos de casada, anos 75-79, obrigados a habitar casas de magistrados degradadas, que todos nos invejavam mas que caíam de podres, não tinham água quente na cozinha, nenhum aquecimento nem possibilidade de o ter, falta de gaz butano,  mobílias velhas e com falhas em zonas geladas como a Sertã e Chaves, enfim,  com desconforto até dizer basta. Sobrevivíamos, mas foram anos de muita privação, que nunca esquecerei.

As surpresas ontem foram totais e inesperadas.
O Tribunal
Tudo excelente, inclusivé o Tribunal, edifício lindíssimo numa avenida soalheira, um apartamento para arrendar que já vem de outro juiz,  lindo, moderno, minimalista e funcional por uma renda módica, numa vila simpática com cinemas, cafés e restaurantes, população activa, lojas, e em tudo nada inferior ao que vemos por aqui.





Mas o meu espanto foi a beleza da região. É impossível não ficar extasiado perante tal paisagem, que, infelizmente, as estradas perigosas não nos deixam fotografar como quereria. As curvas são seguidas e a estrada estreita - é impossível construir estradas mais largas no meio dos socalcos vinhateiros que se estendem por kms e kms. Lá em baixo o rio, azul, verde, lindo, lindo.





Jantámos num local onde não ia, creio eu,  há 60 anos.
Fui aos 7 anos, com os meus Pais ao Marão e almoçámos, se bem me lembro, no Zé da Calçada em Amarante. Varanda magnífica ao fim da tarde sobre o Rio Tâmega. Repleto de turistas, encantados.
Rio Tâmega
Estou muito feliz. O meu filho mais novo merece isto depois de anos de trabalho intensivo como juiz estagiário em comarcas complicadas à roda do Porto.

Vai passar frio e calor,  trabalhar muito, viver um pouco mais isolado, mas a sua nova morada promete. E será um pretexto para finalmente, eu viajar no comboio da Régua até ao Pocinho.....admirando mais uma vez este nosso rio, que nos orgulha, e deve ser um dos mais lindos da Peninsula Ibérica.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

As tricas dos blogues

Tenho meditado e pensado bastante no que ontem ocorreu no blogue citado na entrada anterior. O seu autor que tinha os comentários abertos - tanto que eu escrevi um a defender a minha posição e a censurar a sua - fechou-os pouco depois, não sendo possível comentar tão vil entrada.

Isto revela o tipo de pessoa que é - já o conheço há mais de doze anos, o bom e o mau - e o receio que tem de ter aberto uma caixa de Pandora, sujeitando-se ele próprio a críticas dos seus leitores.

Hoje vou passear para o vale do Douro....graças a Deus. Não terei a laptop durante todo o dia....poderei desligar.

E é o que vou fazer....à bientôt.

domingo, 25 de agosto de 2013

As sensibilidades e os blogues

Se fosse mais nova faria um estudo sobre os blogues com carácter pessoal, aqueles que, em geral, falam da própria pessoa, da sua vida, do seu dia-a-dia e também tecem considerações sobre o que se vai passando, com maior ou menor interesse. As motivações dos seus autores são as mais dispares, mas encontro um elo comum a todos eles, quererem focar a atenção dos leitores neles próprios, uma espécie de narcisismo camuflado, que é hoje apanágio de muitos programas dos media, romances ou páginas do Facebook.

Poucos blogues leio, nem meia dúzia, e só me interessam verdadeiramente uns três, ou porque sou amiga dos autores ( caso da minha Amiga Regina ou do meu Amigo Pedro) ou porque admiro um pouco a pessoa em questão ( HSC) ou porque têm óptimas fotografias, algo que muito aprecio, quase independentemente da pessoa que o escreve. De resto ignoro a blogosesfera e tenho pouco tempo para lhe dedicar. A maioria são "hinos ao ego". O meu também o será.


Costumo ler um blogue chamado Assim na Terra como no Céu, cujo autor já foi meu Amigo, mas deixou de o ser de pé para a mão, e aprecio nele, em especial, as fotos magníficas que coloca com esmero e cuidado, dado que é um fotógrafo exímio e possui uma câmara de alto gabarito, segundo o próprio me descreveu. Nem sempre compreendo os textos ou os acho interessantes. Deixei de os comentar por uns tempos.

Há dias resolvi escrever-lhe um email, criticando, ironicamente, mas sem maldade, as suas andanças por Paris descritas no blogue. O email era mais que privado, algo que nunca escreveria no seu blogue, pois não interessava a mais ninguém. Mas o visado resolveu expor-me e publicou o email para que os leitores possam aferir do meu discernimento.

Emails não são para se publicar em blogues. Fazê-lo só revela falta de ética e de senso, um certo narcisismo, "fishing for compliments" ( grangear de adulação), que não esperava de tal pessoa.

Lamento muito que o tenha feito.

Sei que não me vai responder aqui, nem sei se publicará o meu comentário no seu blogue onde assumo ter escrito o que escrevi ( duvido muito),  mas aqui fica o reparo.

A blogoesfera tem destas coisas. Há que estar atento.