domingo, 15 de setembro de 2013

Domingos sem história

O meu domingo resume-se a momentos....nada de extraordinário, não foram as dores nas costas que me assolam desde manhã e que me impediram de ir até Matosinhos com a minha filha.

Nada fiz de especial a não ser acabar um página de vocabulário para o meu projecto - tem por base pesquisas no dicionário online - ver um jogo da Premier League, Chelsea-Everton , em que o Mourinho perdeu (será que está perder qualidades, o Special One :))? e depois contemplar o meu neto lá em baixo sozinho no pátio a bater bolas contra a parede com uma persistência notável ( como faz tudo em que se mete).









Pensei em dormitar, mas acabei por ir pintar....não sei se vou aproveitar a aguarela que tentei fazer das paisagens que ultimamente me têm assombrado -o Douro vinhateiro, por onde anda o meu "menino". Já só passaram 15 dias desde que ele lá está e parece-me um século...

Há pouco resolvi ir ao Botânico, onde não ia há semanas. O Verão castiga este jardim impiedosamente e neste momento só se vèem flores esporádicas, uma hortense perdida aqui, uma rosa acolá, um lírio que resistiu à seca....e os nenúfares, sempre lindos com os reflexos do que os rodeia...nunca me canso de os ver na água agitada pelo vento.

Uma serenidade relativa, muitos miudos brincam no jardim, que agora parece estar na moda. Bebi um chá de frutos vermelhos e comi dois scones, que me souberam pela vida. É o que se leva deste domingo sem chuva, cheio de sol, mas igual a todos os outros. Antes assim...salvam-se as fotos.....

sábado, 14 de setembro de 2013

O meu blogue

Em tempos tinha quase 500 leitores todos os dias. Isto foi noutra era quando o meu primeiro blogue obteve grande sucesso e foi divulgado em sites como o Woophy, que é internacional. Neste momento tenho cerca de 100, muitos deles dos EUA, Rússia e Brasil, que não sei bem quem são e adoraria conhecer...

Quanto a mim , a abertura do novo blogue foi difícil e o contacto com esses leitores ter-se-à perdido, apesar do título ser quase o mesmo. Neste momento estou a atingir os 20.000 leitores em dez meses...

Não tinha sido eu a desenhar o primeiro blogue, confiei no meu irmão mais novo e ele , depois duma rixa estúpida familiar, bloqueou-me o blogue, como se alguma vez pudesse cortar-me o pio ou impedir-me de exprimir o que quer que fosse à vontade. Era preciso não me conhecer...

Em 1 de Janeiro deste ano enchi-me de coragem e criei um novo blogue , que quanto a mim ficou muito melhor que o anterior, não só graficamente, mas também em termos de conteúdos, dado que não me cingi só aos temas artísticos, e passei a escrever sobre o que me vai na alma....ou seja, introduzi um carácter mais reflexivo nas minhas entradas.

Graficamente, então, mudou muitíssimo. Resolvi aproveitar o espaço à largura para aumentar o tamanho das fotos, que são uma das marcas do meu blogue.Todos os dias tiro fotos, componho fotos, recordo momentos em que as tirei e pasmo com a nitidez das paisagens no ecran.

Também gosto dos textos, leio amiúde textos que já escrevi há meses.

Já há algum tempo que não pintava, mas hoje resolvi experimentar os meus novos lápis aguarela Carand'ache, que comprei antes de ir de férias. São lindos e pode-se pintar de um modo diferente, mais original, paisagens mais leves e oníricas. Pinta-se a lápis e depois retocam-se a pincel com água.

Sempre gostei de aguarelas, mas as que pintei são poucas.



 Eis o que pintei hoje....chamei-lhe Fim do Verão , expressa bem o que me vai no espírito....

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Blue Jasmine de Woody Allen

Um filme de Woody Allen.

Está tudo dito. Ou não?

Qualquer semelhança entre este filme e outros que vi deste realizador é pura coincidência.

Podia ser um acontecimento real....poderia ser um episódio dos Casos da Vida da TVI...se não se desse o facto de a história se passar em S. Francisco e em NY e da actriz principal ter o carisma de



Cate Blanchett.

Uma mulher, uma diva, uma actriz com classe, distinção, humanidade, brilho e sentido de acting. Não faz demais , nem de menos, como muitas das nossas actrizes. É sóbria , mas convincente. Concentra à sua volta 90m de filme, sem pausas, com um ritmo apropriado, flashbacks bem inseridos, suspense até ao fim. A história duma mulher. Como muitas, em tempos de crise.

Belo filme. Mesmo que não seja o melhor de Allen.

Fica aqui o trailer:




A cidade e as serras

A cidade vai-se enchendo aos poucos. E a vida retoma o seu ritmo frenético.

Noto, sobretudo, os ruídos que sobem da rua para a varanda e da varanda para a sala quando as janelas se abrem para arejar nestes dias cálidos, que teimam em não terminar.

Os autocarros sobem e descem vertiginosamente o Campo Alegre, agora mais amiude do que no Verão, os carros apitam, os condutores andam nervosos com a hora de chegada aos seus empregos ou de entrada dos filhos para a escola.
A vida no Porto começa pelas 6, já há movimento aqui na rua praticamente de noite.

Do outro lado da casa são os cães a ladrar, as gaivotas e as crianças do Colégio em childreada, numa toada quase orquestral.

A cidade, hoje em dia, é  quase só ruído e por vezes, torna-se cansativa....massacrante....demasiada gente...demasiadas vozes, demasiados escapes, ambulâncias, apitos,  estudantes....e também drogados que gritam solitários durante a noite.


os socalcos já preparados para as vindimas
Lembro-me da sensação estranha que experimentei, esta segunda feira, quando o táxi nos deixou 45m antes da hora no apeadeiro da Ferradosa. Uma experiência quase mística.

O silêncio era total. Nem o rio azul a correr para o mar lá longe se sobressaltava. Os montes verdes de mato, vinha  e pomares quedavam-se , mirando-se nas águas espelhadas; a linha do comboio fazia lembrar aqueles trilhos dos filmes americanos no meio do nowhere...à espera dum comboio que nunca chega...




Quase não falámos.

Estávamos unidos, como se nunca tivesse havido um ontem...
e como se não houvera um amanhã.....






terça-feira, 10 de setembro de 2013

O romantismo do rio azul - sem palavras








Do "Diário - XII" de Miguel Torga:


"O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. 



 Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta." 





sábado, 7 de setembro de 2013

Abstracto ou figurativo?

Primavera
Depois de ter estado na inauguração da exposição Intemporalidade, deu-me para reflectir se o meu gosto pelo abstracto - feito por mim ou por outrem - se mantém ou se deveria optar pelo figurativo.

Nesta exposição, os quadros são quase todos figurativos, muitos com figuras humanas, alguns naive, outros reflectem a Natureza, poucos são abstractos.

Escadinhas- Porto
Dum modo geral, aprecio os quadros de paisagem mais do que de pessoas ou retratos. Na era da fotografia digital, é difícil conseguir pintar algo muito realista que nos atraia, a não ser que as cores sejam apelativas, a luz diferente, os contornos indefinidos, o fundo contrastante...mas há pintores que conseguem transformar a realidade em .....algo artístico e captam a nossa atenção pelo pormenor.

Também há quadros abstractos que, sem terem formas ou objectos definidos, são infinitamente mais atraentes, pois há neles uma constante
Waves, 2010
mutação, o relógio não pára naquele momento em que a cena foi pintada, não há tempo....o tempo é eterno....

Tenho quadros de ambos os estilos nas paredes da minha casa.

Canso-me mais dos figurativos, embora sejam poucos e sempre de paisagens um pouco etéreas.
pôr do sol - caixa 2012



Os abstractos falam-me sempre mais alto.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Intemporalidade

Intemporais são:  a Arte, a Música, a Fotografia, a Cultura.

Hoje unidas num evento que revela a vontade de suplantar as barreiras e responder à necessidade de algo mais que nos eleve e nos dê sentido para viver.





O Espaço Vivacidade começou o ano "lectivo" em beleza com uma Colectiva de Pintura, já anunciada neste blogue, cuja inauguração se transformou num encontro extremamente acolhedor e revelador das qualidades da pessoa que dirige o Espaço,  Adelaide Pereira, congregando pessoas dos 10 aos 80 anos, capazes de vibrar ao som dum violino tocado por uma criança, dum "senhor" a recitar Gedeão e duma artista ( que não quer ser crítica) introduzindo dum modo sábio e simples algumas das obras expostas.

Não me esquecerei tão depressa deste momento.





Os meus dois quadros estavam muito bem colocados e ainda melhor acompanhados.

Obrigada a todos! Bem hajam!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Colectiva de Pintura - INTEMPORALIDADE

Vai-se inaugurar amanhã, às 17 horas,  no Espaço Vivacidade, uma Colectiva de Pintura, com nomes conhecidos aqui do Porto e não só. Tenho a honra de estar entre estas personalidades que contribuem para a exposição.

Durante a vernissage, o meu neto Daniel tocará cinco peças para violino, o que muito me orgulha,  e serão lidos alguns poemas a propósito do tema que é Intemporalidade. 

Já há muito que não exponho quadros e agradeço à Adelaide Pereira, alma do Vivacidade esta oportunidade de estar no meio de alguns artistas de renome.




terça-feira, 3 de setembro de 2013

Os blogues e o tédio

Há semanas que não leio nada de interesse na net.

O verão parece que veio para ficar e com o calor as ideias desvanecem-se , derretem e desaparecem, dando lugar a conversa de chacha, a comentários politicamente correctos sobre as rentrées e o recomeço do ano lectivo. Não há uma entrada que me interesse, me faça pensar, nem sequer reflectir. Não há um blogue de jeito....( desculpem lá!). Verdade seja que o meu tb anda desinspirado de todo:)




Lembro-me de princípios de anos lectivos do meu tempo de professora que nos enchiam de entusiasmo. Gostava de conhecer novos alunos, de planear o ano, de preparar aulas diferentes. Ainda me lembro do ano de 2001, quando fomos apanhados desprevenidos pelo 9/11, e tivémos de mudar as estratégias, dado que os alunos estavam sintonizados para aquele acontecimento fulcral para a cultura anglo-saxónica.
Consegui passar para transparências as opiniões dadas por vários adolescentes sobre os acontecimentos - alguns com verdadeiro sentir da tragédia e depoimentos comoventes - e os alunos aderiram muito bem aqueles textos novos e directamente ligados à actualidade. O manual ficou em casa.



Sempre fiz manuais - desde 1983 - mas nunca achei que os manuais fossem "be all and end all" como dizem os ingleses. O professor, a sua criatividade, motivação e fé move montanhas. E se era importante movê-las logo no início do ano! Uma vez " apprivoisés" , os alunos convertiam-se ao inglês, amavam as aulas, colaboravam, criavam ideias novas e projectos inovadores.

Tive alunos excepcionais nas escolas por onde andei, mesmo na mais remota vila como a Sertã. Era difícil ensinar nesses locais porque tudo era novo para mim e às vezes incorria em erros devido ao choque cultural com uma população completamente diferente da de Lisboa ou do Porto. Tive de me adaptar, mas eles próprios se sentiam homenageados pelo facto de eu ser efectiva e vir da capital...

Tenho saudades desses tempos...ensinar era uma aventura....sem papeladas, com uma pequena caderneta que continha tudo, sem tabelas, nem excels, nem pcs, nem tecnologias avançadas.....

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O calor

Como é possível gostar-se tanto do calor, andar a pedir aos céus que o sol venha em catadupas, a praia, o mar, as viagens,  as idas cansativas até à costa e as vindas ainda piores?



Já estou na cidade há quinze dias e estou farta de sol. Apanhei suficiente nos dias em que estive de férias, embora só numa das semanas a água estivesse a uma temperatura sofrível. Houve nortada, tardes frescas, mas pelo menos respirava-se. Nunca gostei de  água quente para banhos de mar. Não revitalizam, nem refrescam...

Hoje andei pela cidade de autocarro para ir buscar os meus exames radiológicos à Boavista - são 10 minutos de autocarro e outro tanto a pé e fiquei alagada. Dentro do hospital estava uma temperatura maravilhosa, no autocarro havia ar condicionado, em minha casa estão 24º, mas sinto-me sempre a suar, a suar, a suar. Só me apetecia estar dentro dum tanque frio.....

Confesso que o Verão para mim é longo demais...e depois faz-me impressão ver as plantas quase mortas, cheias de sede, a estiolar....as buganvílias já murcharam , os agapantos estão de luto, as dálias completamente secas....não é justo.

Venha a chuva, por favor, dois diazinhos de bom chover para apagar esses fogos malditos e limpar as poeiras. Sinto-me como as plantas, choro como elas.

Fica a qui o poema de Florbela Espanca, que me fez arrancar um 16 no exame de Teoria da Literatura, uma das melhores notas que tive na FLUL. Inspirador!

Árvores do Alentejo
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte 
A planície é um brasido... e, torturadas, 
As árvores sangrentas, revoltadas, 
Gritam a Deus a bênção duma fonte! 

E quando, manhã alta, o sol posponte 
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas, 
Esfíngicas, recortam desgrenhadas 
Os trágicos perfis no horizonte! 

Árvores! Corações, almas que choram, 
Almas iguais à minha, almas que imploram 
Em vão remédio para tanta mágoa! 

Árvores! Não choreis! Olhai e vede: 
- Também ando a gritar, morta de sede, 
Pedindo a Deus a minha gota de água! 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

Tema(s): Natureza Ler outros poemas de Florbela Espanca