quinta-feira, 14 de novembro de 2013

24 horas no paraíso ( bem perto de si) - I

O meu filho mais novo fez ontem 33 anos e sendo no meio da semana seria impossível vir ao Porto, de modo que fui eu lá com a minha filha.

Em boa hora. E com um tempo esplendoroso, que nem as preces mais fervorosas conseguiriam obter, não fosse S. Martinho tão generoso para com aqueles que mais necessitam. Neste caso, eu.

Saímos ontem pelas 9 horas de S. Bento e aproveitei para tirar umas fotos à estação que considero ser uma das mais lindas do mundo e de certeza a mais bela em Portugal. O corropio de pessoas a sair dos comboios e a entrar na cidade invicta fez-me lembrar a estação de Leeds em horas de ponta. Colorido e dinâmica. Tudo a trabalhar....mas eu como turista, a gozar de
 momentos inesquecíveis na minha terra.

A viagem até à Ferradosa é um mimo. A carruagem foi-se enchendo de senhores e senhoras de uma certa idade, todos amigos, numa alegria simpática que não chegava a maçar, embora falassem muito alto e mudassem de lugares constantemente. A vantagem dos comboios regionais é que são baratos - paguei 6 euros e meio por 3 horas de viagem - e não há lugares marcados, podemos sentar-nos onde queremos e até pôr os pezinhos no banco da frente delicadamente...


A paisagem da Régua até à Ferradosa é indescritível e quem não a conhecer, poderá pensar que estou a delirar. Mas garanto-vos que nunca vi um linha de comboio tão bem "instalada" numa paisagem paradisíaca que é o rio Douro, acompanhando todos os seus meandros, dando a impressão de que estamos a bordo dum barco e não dum comboio. A vegetação maravilhosa das suas margens - choupos, áceres, castanheiros, plátanos, tudo se vê nas cores mais lindas que o Outono tem para nos oferecer.
Infelizmente, como os vidros das janelas estavam muito sujos, limitei-me a olhar, enquanto ouvia música pelo meu iPod, certa de que teria ocasião para mais tarde fotografar tudo melhor fora do comboio, que foi o que aconteceu como irão ver nos próximos posts. Este foi só para abrir o apetite....

Por agora é tudo. Logo continuo!!




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Finalmente o Outono


Hoje está uma tarde daquelas que os fotógrafos gostam com sol e sombra, nuvens e ceús conturbados, reflexos e sem brisa ou vento.

Fui ao botânico testar o meu joelho e percorri o jardim todo de fio a pavio - não é muito grande e lá ao fundo o encanto é maior, ainda que o barulho da VCI seja criminoso e consiga apagar os cantos dos pássaros...

O Outono já tinha chegado em força a todos os cantos e recantos e até aos troncos das árvores que se encheram de cogumelos, uma autêntica colónia. Apetecia-me chegar mais perto dalgumas árvores, mas o piso estava encharcado e escorregadio e receei dar um tombo que seria fatal neste momento. Fiquei-me pelos arruamentos e sentei-me numa pedra cheia de musgo aveludado a contemplar e a impregnar-me deste ar refrescante e puro.

Há pedacinhos deste jardim que me lembram Sintra, onde andei na minha infância e juventude e cujos cheiros,  e humidade me ficaram na memória para sempre.
A Casa Andersen estava imponente e alguns áceres magnificentes. Há um em especial que é talvez a árvore mais linda que jamais vi no Outono. Tem um porte que ultrapassa todas as outras e fica irisada de vermelhos, amarelos, laranjas e castanhos durante quase um mês.

Fotografei imensos pormenores, cogumelos, madeira, pedrinhas , cascalho até as lajes grandes junto ao lago de nenúfares. Este jardim é um tesouro sem fim, que me inspira sempre e deixa feliz, como a Foz nos dias de sol.



E deleitem-se com esta canção imortal:






quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Moliére de bicicleta

Tenho uma afeição especial por Moliére e pela Comédie Française, que vi inúmeras vezes em Lisboa no tempo em que no Tivoli se realizava  a saison de teatro francês com peças regulares representadas pelos melhores actores franceses. Vi Daniel Gelin, por exemplo, actuando numa peça de J.P Sartre, La P Respectueuse ou em Huis-Clos, que nunca mais esquecerei. Comprávamos os bilhetes de 2º balcão por serem mais baratos, mas mesmo assim percebíamos tudo ( ou quase tudo) e víamos teatro bom.

Há anos, o meu filho que viveu em Munique durante cinco anos e que actuava no Sommertheater no Jardim Inglês durante todo o mês de Julho, representou o papel de Tartuffe, na peça do mesmo nome de Moliére. Embora fosse numa adaptação (espantosa) em alemão, consegui  sempre compreender a argúcia e o humor negro do grande dramaturgo francês e vi a peça nos três dias que passei em Munique.

O meu filho fazia o papel da vida dele e o grupo era ovacionado sempre de pé por uma audiência, que picnicava no grande anfiteatro ao ar livre até o sol se pôr, começando a peça ao anoitecer. Era uma experiência inolvidável que se repetiu durante os cinco anos em que ele lá viveu.
Não se pagava bilhete, ia quem queria, as peças tinham um êxito brutal. Moliére , segundo julgo, foi representado três vezes, para além de Shakespeare e outros tantos. Para o meu filho era uma experiência extraordinária, dado que sempre gostou de representar e fazia-o regularmente no Colégio Alemão. Para além do gozo que lhe dava, também o convívio com pessoas excepcionais foi relevante na sua passagem por Munique.

Hoje fui ver um filme - quase peça de teatro - que recomendo a quem gosta de filmes franceses e sobretudo da língua francesa. É um prazer ouvir dois grandes actores à vez a degladiarem-se no teatro como na vida, ensaiando para uma possível récita em comum, mas destilando o seu desprezo um pelo outro subrepticiamente, tal como na peça O Misantropo, que vão levar à cena.

O filme é talvez um pouco lento, mas a música é excelente e a paisagem da Ilha de Ré fabulosa.


Há muito tempo que não ouvia tão bom francês…voltei aos meus tempos de estudante de Letras….e foi bom. Na sala só estávamos nós duas, a minha filha e eu.

Fica aqui uma canção que surge no filme e que me recordou os belos tempos da chanson française e da canzone italiana dos meus vinte anos.


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Parabéns Daniel



Hoje faz 10 anos o meu neto querido Daniel.

Lembro-me que quando ele nasceu na Alemanha, só pude ver uma fotografia que o meu filho me mandou , imprimi a foto e andei a mostrar a toda a gente na escola, nas lojas da Ramada Alta, fazendo um figura um pouco ridícula, tal era a minha alegria.
Durante 15 meses em que ele esteve na Alemanha, fui lá sempre que tinha um fim de semana maior e adorava estar com ele pequenino, dar-lhe o biberão ou vê-lo a mamar, brincar e sobretudo passear no imenso Jardim Inglês, com neve ou com sol,  para onde o levava no carrinho todo tapadinho pois o frio era enorme.

São memórias que nunca mais se esquecem, mesmo quando os netos estão longe.




Talvez por ser o primeiro, criei com ele uma relação inabalável e ele também sente por mim algo inexplicável, uma ternura imensa que me enche de comoção.

Ouvi-lo a tocar violino é algo divino. Infelizmente não posso pôr aqui o vídeo pois o meu filho não gosta de divulgação na Internet e eu compreendo.

Parabéns , Daniel!  Continua a ser uma alegria para os teu pais e uma companhia indispensável para a tua Avó que te adora!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O closet


É o nome mais in para o antigo guarda-fatos, que existia em quase todos os quartos tradicionais, mas que ocupava imenso espaço e tinha um tamanho disforme para se poder arrumar a roupa de homem, mais volumosa e as peças mais leves das senhoras. Nunca tive guarda fatos no meu quarto, que me lembre, pois preferia pôr a roupa noutros quartos ou no corredor. Na minha casa de infância, havia uns quartinhos, onde a roupa era toda pendurada e os sapatos arrumadinhos nos seus lugares.
Habituei-me a ter pouca roupa e fazia uma razia de tempos a tempos.
Quando mudei para esta casa, o meu quarto tinha um closet embutido na parede, como é habitual,  e eu estava sozinha, dispondo de muito espaço. Para além disso, num pequeno vestíbulo, havia outro armário embutido, fazendo tudo parte da suite com a casa de banho ultra-chique. Era um luxo a que não estava habituada e comecei a a acumular roupa, não me desfazendo dela por razões sentimentais ou porque achava que alguma vez as iria vestir ( wishful thinking!).

Hoje não sei o que me deu. Resolvi tirar tudo o que tinha e ir arrumando ( quase por ordem alfabética) camisolas, t-shirts, casacos, camisas, saias, calças, cintos, malas, etc. Cheguei à conclusão de que tinha roupa que dava até eu morrer e que não devia comprar mesmo mais nada nos próximos 20 anos.
Fiquei assustada e comecei a encher uma pilha com o que estava velho, não me servia, parecia da minha mãe, era ridículo na minha idade, tinha cor amarela ou estava salpicado com acrílico das minhas pinturas.
A pilha ficou descomunal e mesmo assim, o closet está cheio com tudo arrumadinho, a roupa de verão metida numa caixa grande ou em gavetas mais pequenas para não estorvar a arrumação do resto. Adorei fazer isto e a minha psique agradeceu.
Tenho calças para dar e vender, saias muito giras e até um vestido da Redoute que nunca mais vesti, mas que vou usar pois é francamente bonito e tem um casaco igual. Encontrei algumas peças que pensava perdidas.

Infelizmente o casual é aquilo que mais uso, como se vê nesta foto tirada em Kirkstall pela minha filha. Adoro sentir-me à vontade e sapatos de salto nem vê-los!!!

Devia ser mais coquette,  sair mais, socializar,  ir a concertos e festas para poder mostrar a minha "nova" colecção outono-inverno!!

Agora só me falta imitar a Barbie senior e pintar os cabelos de prateado!!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

aniversário

É muito raro reunirmo-nos os oito irmãos, passam-se meses e até anos, sem que haja um encontro, um evento que nos obrigue a estar juntos. Pequenos problemas depois da morte de nossos pais fizeram com que algumas relações azedassem e durante meses, não queríamos mesmo dar de caras uns com os outros. Excepto alguns, como a minha irmã Teresa, cujo 70º aniversário festejámos hoje. Foi um dia feliz em Coimbra. O dia estava radioso.

Fui de comboio e depois de taxis - o que gastei hoje em taxis eleva.-se a 40 euros ou mais - e mais uma vez perdi a minha máquina fotográfica. Menos de uma hora depois,  já a tinha, pois a central comunicou com o chauffeur e ele levou-me lá o objecto precioso, com o qual tirei fotos bem bonitas, que não coloco aqui, apenas porque não uso fotos de família neste espaço público.
O restaurante era muito agradável - Casa do Bragal - e o dono , que é pintor tinha fotos de celebridades nas paredes, o que dava um colorido muito especial à sala.
Durante o almoço, projectou-se um Powerpoint com fotos da minha irmã e nossas , da nossa juventude e família com comentários engraçados.
O melhor da festa foi a redacção escrita por uma das minhas sobrinhas, que tem 10 anos, sobre a Avó. Fica aqui.


Estivémos bem, quando me vim embora de comboio, senti um vazio.

Dos oito só eu vivo no Porto. Isso tem-me separado inexoravelmente dos meus irmãos.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Frances Ha


Um filme diferente a começar pelo preto e branco, a que não estamos habituados.


Um filme de que esperava mais, depois de ler a crítica do Jorge Mourinha no Público e as 4 estrelas com que foi brindado.


Apesar de tudo é um filme que vale a pena ver e, embora americano, tem os tiques todos dos filmes europeus, sobretudo franceses, uma leveza original, música bela e uma actriz que ilumina o ecran do princípio ao fim.

Não é daqueles filmes que nos deixam muitas cenas memoráveis nem diálogos profundos, ficam-nos sketches da vida, que poderia ser a nossa se tivéssemos 27 anos e vivêssemos uma vida independente numa cidade como NY.

Fez-me lembrar vagamente os filmes de Woody Allen, da sua primeira fase, embora não tenha grande sentido de humor e as personagens não nos agarrem durante o filme. É um filme sobre a vida em 2013.

Não compreendo a amizade que une as duas personagens principais, penso que é o chamado "one-sided affair" com uma pessoa dedicada a outra que não a ama especialmente, mas que se serve dela enquanto lhe dá jeito. Confrange um pouco ver que Frances espera mais dos outros do que eles lhe dão na realidade e apesar de tudo, confia na vida com todos os percalços que ela lhe traz.

Um filme positivo e actual. Mas que poderia ser a cores.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Prémio merecido - Domingos Loureiro


Foi meu professor durante quase dois anos na Utopia, donde guardo grandes recordações de amizade, proximidade, calor humano e aprendizagem de Arte.

O Professor Domingos Loureiro é uma pessoa excepcional com um currículo invejável, que não o impede de ser uma pessoa acessível, calma, sorridente, extremamente culto e superior no bom sentido. Gostei muito de ser sua aluna.


Quando fiz a primeira exposição no Vivacidade "Cor em Movimento", pedi-lhe que dissesse umas palavras para a introduzir, a que ele imediatamente acedeu. Mais tarde ofereceu-me o texto escrito, cujo extrato coloco aqui por me tocar muito fundo.

A pintura de Virgínia Barros é mais um modo de pulsar do que um modo de representar.

Se imaginarmos os caminhos que esta luta envolve talvez tenhamos dificuldade em encontrar uma definição ou uma gaveta onde colocar a sua obra, porque ela é sem duvida uma forma de sair desse mesmo mundo de definições objectivas. Ela é no seu sentido mais básico, simplesmente pintura, simplesmente respirar, simplesmente sentir. Nunca nos interrogámos porque inspiramos e expiramos, nem porque amamos e (também) odiamos. Sabemos apenas que dependemos disso para continuarmos vivos, para nos sentirmos vivos.

Hoje soube que lhe foi atribuído o Prémio Gustavo Cordeiro Ramos pela Academia Nacional de Belas Artes. Fico muito contente.

MUITOS PARABÉNS, PROFESSOR!


Neste site podem ver algumas das suas obras notáveis: http://www.weart.pt/index.php/artistas/item/8-domingos-loureiro


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Best Photo of the Day

Este site no Facebook é especializado em fotografia. Todos os dias o tema é diferente e enviamos uma foto que, depois de analisada, pode ser selecionada para o grupo das melhores fotos do dia.

Já tenho sido selecionada mais de uma vez , mas penso que nunca puz aqui a notícia.

Hoje e porque as fotos são mesmo muito belas resolvi pôr a colagem final e a minha foto, tirada na estação da Ferradosa quando esperávamos o comboio para o Porto.



Nunca mais esquecerei aqueles momentos, o silêncio e a paz daquele local. Estou morta por lá voltar, tanto mais que o meu filho há mais de 4 semanas que não consegue vir, dado o volume de trabalho que tem na comarca. As pessoas não imaginam as horas e horas que um Juiz passa a resolver casos de vida, alguns bem dramáticos, que nada têm a ver consigo.