sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

E o Sol brilhará


Só sabemos a falta que o sol nos faz quando durante alguns dias, - em Portugal nunca é mais que uma semana - ele desaparece por debaixo dum enorme manto de nuvens multicolores, que tornam o céu muito mais apelativo e dramático, mas que à la longue, nos trazem depressões e tristezas.

Ontem, quando acordei e abri a janela do meu quarto - o sol iluminava o jardim dos meus vizinhos e as árvores das casas ao lado, os prédios ao longe. O céu estava azul pálido com algumas nuvens brancas, muito altas - cirros , creio eu - as nuvens da bonança, da paz e próprias desta cidade. Fui ao Botanico e as fotos que lá tirei dizem da alegria que o sol instila em mim.

Hoje,  o sol ainda era mais forte, embora as temperaturas tenham baixado significativamente e o cachecol que levei me tenha sabido bem na paragem do autocarro, onde não esperei mais que 5m.

Nunca me canso de elogiar o serviço do supermercado mais central do Porto: o Froiz.
Fica no shopping Cidade do Porto , que em tempos era uma maravilha em termos de qualidade, localização, ambiente e oferta de lojas.
Pequeno, azul, azul, azul, lindíssimo, com 4 cinemas que praticamente só ofereciam filmes independentes, uma Livraria Leitura, apetrechada com o que de melhor se encontrava à venda, revistas e jornais que podíamos folhear à vontade ( lembram-se???), pequeno café com o nome mítico dos chocolates mais conhecidos da cidade- Arcádia - uma papelaria cheia de coisas para a pintura, a Pórtico com utilidades e artigos de todo o género para a casa, baratas e originais, os eternos Cortefiel, Springfield e Zara com preços acessíveis nos saldos, o CentroXogo onde os miudos se perdiam. ..


E o meu Froiz, supermercado com um tamanho ideal, onde podemos encontrar tudo, não andamos às voltas para comprar o tal iogurte ou o shampô habitual, o supermercado onde combinamos uma hora no próprio dia e nesse mesmo dia, tudo nos é trazido e deixado na cozinha três horas mais tarde, sem gastarmos, nem mais um cêntimo. Pontualmente.
O Sr. Paulo, está aí a chegar, e ele também acaba por ser um "sol" na minha vida. Hoje até me ajudou a tirar as compras do carrinho para a caixa, pois comecei a ter dores no joelho de tal forma que até me custava a segurar de pé. O Sr. Paulo é uma simpatia, um homem de confiança, daqueles que nos apraz conhecer.  Nunca falha, interessa-se por nós , pela nossa saúde, pergunta pelos meus netos, enfim...já não se fazem pessoas destas.
Há mais de 3 anos que uso este sistema para as compras do mês e para tudo o que se pode conservar durante duas semanas como a fruta e os legumes, congelados, produtos lácteos, carne e peixe. A minha filha vai trazendo outras coisas mais frescas durante a semana. Só tenho empregada quatro horas por semana para limpezas mais profundas, o resto é tudo feito por nós.

Escrever um post sobre tudo isto pode parecer publicidade estúpida ou falta de assunto.
Para mim não é. É a certeza de que, enquanto houver serviços destes, espanhois ou não, a nossa  qualidade de vida mantém-se intacta, apesar dos cortes...e é isso afinal que faz a nossa pequena felicidade.

"E  quando as nuvens partirem,  o céu azul ficará, e o sol brilhará.".. como cantavam os Resistência...." não sou o único, eu não sou o único,  a olhar os céus.....e o sol brlhará, o sol brilhará..."


Aqui fica esta banda portuguesa,  vibrante como  a minha memória do saudoso Cidade do Porto!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Em busca da Primavera

Segundo a minha amiga Graciete, a primavera pode vir quando menos se espera.

Hoje veio o sol, não há pinga de vento, os pássaros cantam por entre os ramos esvaziados da sua folhagem habitual, não há flores, mas a Natureza parece acordada depois do temporal que abalou o norte nos ultimos dias.

Resolvi ir ao meu jardim, já há mais dum mês que não ia lá, o que diz muito da minha vida atual, do

estado do meu joelho, que se queixa intermitente, e do trabalho que tenho desenvolvido nestes últimos meses.

Fui com sacrifício, armada com a minha máquina Lumix.

Não havia vivalma, a ponto de eu ter deixado propositadamente um saco com um Ice tea gigante e uns croissants para os meus netos na escadinha à volta do lago de nenúfares, antes de ir dar uma volta pelo resto do jardim. Ninguém lhe tocou, estava lá quando voltei. È bom confiar nas pessoas....

O sol inundava, ainda que timidamente, todo o jardim, incidindo nas camélias que parecem quase de prata quando iluminadas. Os reflexos nos lagos, sarcófagos de folhas de nenúfares em hibernação. pareciam teatros com silhuetas tremelicantes.


Todo o jardim à volta se reflete naquelas águas paradas, que quase nada faz bulir.

Sentei-me num banco e ai estive a ouvir os pássaros com a orquestra de fundo da VCI. Nem isso me fez infeliz. A plenitude existe para lá dos crimes que os homens vão perpetrando...não há rosas, mas há camélias, flores de trevo, troncos iluminados pelo sol, dourados, e pássaros em pleno Janeiro, querem milagre maior?

E não, não são gaivotas assustadas com o frémito das ondas, são melros, negros, que cantam ao desafio.

Poderia morrer assim....há momentos, eu estava mais ou menos feliz....longe de tudo....



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

30.000 visitantes





Escrevi hoje um post um pouco triste como o tempo.

Apesar disso, atingi hoje, passado um ano e oito dias desde o nascimento do blogue, os 30.000 visitantes dos mais variados locais do mundo.

Pasmo como é que há pessoas na Rússia e nos EU, no Brasil e mesmo na Europa que lêem o meu blogue ou que dão com ele neste universo tão complexo como é a blogosfera.

Orgulho-me de nunca ter tido que apagar um post e de nunca ter usado a moderação, que quanto a mim, estraga por completo o efeito "conversa" direta com quem escreve.

Agradeço a todos do coração por este feedback tão positivo. Mesmo que não comentem , guardo-vos aqui no coração.

Se escrevemos é para alguém, por alguém, não é só por nós.

Bem hajam e... continuem!!

O novo cabeçalho é-vos dedicado...foi tirado no lago de nenúfares do meu jardim..... ( Botânico).

Tempo cinza

Continua o tempo tristonho....

E a minha árvore de Natal continuará a aquecer-me o canto da sala e as noites sem sono....enquanto não vier o sol.

É tradicional desmanchar tudo depois dos Reis, mas a convenção nunca me disse nada, gosto de ouvir a Oratória de Natal fora da época, gostava que as lojas se enchessem de gente para os saldos de inverno, como em Inglaterra, animo-me com a perspectiva de tirar fotos aos ramos esguios em contraluz, no Botânico e em Serralves.

O inverno não me assusta quando tenho saúde - que não é o caso. Continuo com uma tosse cavernosa e dores no peito e o joelho não dá tréguas , nem parece querer arribar. Também tenho saído pouco e amochada no sofá com o laptop no colo... não faço exercício que chegue.

Tinha pensado ir para a piscina agora em Janeiro, mas os dias vão passando - já estamos a 8 e cada vez me apetece menos sair de casa, apanhar o autocarro, molhar o cabelo, ter de o secar lá e depois voltar e apanhar frio. Se a piscina fosse aqui em baixo, onde fica a fisioterapia, era limpinho....

Sinto-me envelhecer, a acizentar, a perder o brilho. Quase nem tenho visto os meus netos tal é a vida deles super-ocupada e a minha cheia de trabalhos estúpidos para a editora.

Isto tem de mudar....

Encontro em Pessoa o retrato do meu estado de espírito por estes dias. Nada me satisfaz....tudo me inquieta.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O fogo cá dentro

Lá fora as notícias são alarmantes ou macabras.
Carros arrastados pelas ondas no local mais sagrado da Foz - o farol de Felgueiras- onde os incautos passeiam sem saber ( ou sem se preocupar)  quão traiçoeiro é o mar; quanto mais belo, mais insidioso e cruel...

Como é possível que,  passadas duas semanas em que sete jovens morreram e mais cinco pescadores foram engulidos pelo Mostrengo, os transeuntes desta cidade ainda confiem que vão ser eles a tirar a mais bela foto do farol ou a fazer o vídeo da mais vibrante onda da costa norte?

Como é possível que se ponham os carros à beira do Douro, quando se sabe que ele ali não é para brincadeiras? E vá lá que as crianças estavam na escola às 4 da tarde...

O desafio é enorme, mas as consequências também o podem ser e não se deve brincar com a vida.

Acendi a lareira para festejar o final da primeira parte do trabalho que tinha em mãos...a partir de agora só revejo provas, o que me satisfaz bastante. É um trabalho que gosto de fazer, menos criativo, mas mais promissor...vê-se o resultado do que fizémos, melhor ou pior, está feito.


Sinto-me melhor, sinto-me em paz...a árvore de Natal continua a piscar e assim continuará até vir o sol ( promessa feita!), dando um tom quente ao cantinho da sala, onde as peças que vieram de casa dos meus pais habitam a estante embutida da parede: caixas indianas, uma salva de prata do casamento dos meus Pais, cinzeirinhos de metal indianos, dois quadrinhos da minha querida Teresa Vieira ( excepção que confirma a regra), chávenas de chá de limoges, um quadro grande abcedário a ponto de cruz, bordado pela minha irmã, duas jarras gregas avermelhadas, um elefantezinho de marfim, uma argola para guardanapos de prata e marfim, um faca de cortar papel em prata...enfim, este o rol  das minhas "possessões", como dizem os ingleses, pelas quais tenho estima desde que as conheço.

A ressaca passou. E o gosto pela vida voltou.


 Oiço o segundo andamento da 7ª sinfonia de Beethoven aqui num video com imagens do Espaço  e dedico-o, em especial, à minha Amiga Graciete, que tanto ama a Astronomia.

 Divinal....


EUSEBIO DA SILVA FERREIRA

Nome português, comum, que deve ter dado origem a muitas outras crianças de seu nome Eusébio,

sonhadores da bola, apaixonados pelo jogo e adoradores dos craques que nos enchem de alegria

nos dias baços e sombrios.

Eusébio era a seleção de Portugal e por isso foi grande.



Transcrevo para aqui um pequeno texto que escrevi no meu FB.

Já sei que vão chover posts sobre o Pantera Negra, mas não consigo deixar de expressar o que me vai na alma.
Quando penso em Eusébio, lembro-me sempre do meu Pai, médico das suas filhas, Sandra e Carla, a vir com um sorrisinho para casa quando as meninas iam ao consultório para a consulta. 
Benfiquista ferrenho, que se emocionava a ponto de termos receio de o deixar ver os jogos do Benfica, contava que Eusébio ia à consulta com a mulher e as filhas, sentava-se num cantinho da sala e nada dizia. A sua mulher, Flora, é que fazia as despesas da conversa. Ele apertava-lhe a mão e ficava calado.
Lembro-me da nossa excitação numa tarde em que ele foi à casa do lado - que, nessa altura, já tinha sido vendida para a Embaixada da Dinamarca,- a um cocktail ou qualquer festa do futebol. Estávamos no jardim e vimo-lo em carne e osso. Ficámos para morrer....:))
Hoje sou do FCP, mas para mim, Eusébio será sempre o maior de sempre, o que mais alegrias nos deu nos anos 60, o símbolo de patriotismo ( não o deixavam sair, mesmo que ele quisesse) e humildade.
Os meus pêsames aos benfiquistas, mas, em especial a todos os que gostam de futebol, como eu.


Eusébio, obrigada!

domingo, 5 de janeiro de 2014

Ressaca

Estou com a ressaca das Festas.

Acontece-me sempre nesta altura do ano e este tempo não ajuda. Não se vê o sol....as nuvens negras toldam o céu, o vento atira com as árvores de um lado para o outro, não se pode ir passear nem ao Botânico, nem à Foz, nem a lado nenhum. Para mais, com uma gripe que dura há uma semana.

Tenho trabalho até dizer basta o que é fantástico aos 40 anos, mas muito demais para a minha idade, quando apetece é estar à lareira a ouvir música ou a ler...

Há muito que não sei o que é ter um fim de semana sem nada fazer para a Peditora, estou saturada deste tipo de tarefas duma responsabilidade tremenda, com fichas e mais fichas, testes e mais testes para os professores estarem, eles, sim  sentados à lareira ou a ver TV.
Não posso deixar de me revoltar contra esta tirania das editoras, qual delas mais gananciosa, degladiando-se para conseguir mais êxito = milhões de euros.
Isto deixa de ser tarefa pedagógica para passar a ser trabalho de fábrica com publicidade gigantesca à mistura a adulterar todo o esforço e criatividade que possamos oferecer com a nossa experiência na sala de aula.

Chegou a hora de dizer: BASTA!

Durante trinta anos fiz todo este trabalho porque me dava prazer e porque era criativo q.b. Agora deixou de o ser. É preciso é agradar aos  editores gananciosos, aos professores medíocres, alunos medíocres e Ministério da Educação post-socrático, que todos os anos muda as regras, altera a linguagem de eduquês para eduquês+1,  sem dó nem piedade. Mas as editoras aplaudem.

Nem parece que o Crato escreveu um livro contra essa forma de estar na educação, nem é possível acreditar que a criatura é a mesma que falava na sua voz branda e suave sobre os malefícios do Eduquês.

Só sonho com as paisagens do Douro e o mar da Foz...

Sinto-me impotente e com uma depressão profunda. Daí não ter escrito durante dias e dias, o que não é nada o meu estilo.

Ontem resolvi ir ao cinema e vi um filme espetacular que aconselho vivamente a todos: Le Passé.
 Não faço a crítica porque me sinto esvaziada ( devoided) de qualquer ideia mais interessante ou apelativa. Mas o filme que foi cotado com 98% no site Rotten Tomatoes ( um dos mais conceituados da net), é uma obra prima de realismo, ternura, naturalidade, espontaneidade, grandeza e e mesquinhez humana.
O realizador éo mesmo de Separação, filme magnífico que ganhou o òscar de melhor filme estrangeiro no ano passado.

Foram duas horas de puro desvio....e deleite....

Fica aqui o trailer:

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A música e o silêncio

Há muito que não escrevo nada de jeito aqui no blogue.

A culpa é do Natal, do ano Novo, da gripe e sobretudo do trabalho que se arrasta para lá do permitido. Manter a calma é o meu primeiro mandamento, o segundo é encher-me de música, o terceiro deveria ser afastar-me de tudo o que sejam emails, facebooks, etc, mas não consigo, acabo sempre por escrever a mais.

renda de bilros feita pela Mãe da minha nora
Foram umas festas felizes este ano.

Violino que ofereci ao Daniel e agora é do Paulinho
Presépio em casa do meu Filho feito pela minha Nora e meus netos
arranjo de centro de mesa na Quinta do Outeiro em Tentugal
Com a família nuclear no seu pleno....e a família alargada um pouco desfalcada...fiz mais de cem fotos nestes dias, mas essas vão para a página do facebook restrita à família, dado que não quero expôr fotos em sítios públicos. Limito-me às que tiro dos simbolos do Natal...

Hoje constatei que um vídeo que fiz no concerto da FEUP, de que falei aqui há semanas, tinha sido transposto pelo meu filho para o Youtube. Vibrei de novo ao ouvi-lo e por isso quero compartilhaá-lo com os leitores do blogue neste início de ano. Esta orquestra, que só ensaiou as peças em tres meses, vai dar que falar, quanto mais não seja aqui, neste lugar, em que privilegio esta forma de Arte acima de tudo. Tocam aqui o segundo Encore - Lord of the Dance - com o publico entusiasmado a bater palmas a compasso. Só consegui pô-lo aqui na mensagem aparte.

Os meus filhos e netos também me presentearam com o Canon de Pachelbel, tocado por seis membros da família, os pais, três netos e o tio, o meu filho mais novo. Tocaram piano, guitarra, flauta, violinos e violoncelo. Gravei em vídeo, mas é para consumo caseiro, sorry!

Ficam aqui algumas fotos do Natal...que já nos alegraram, mas em breve desaparecerão da nossa vista, que não do nosso coração.
O tradicional cozido da nossa casa





Feup Classical Orchestra from Porto plays Lord of the Dance

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Há um ano

comecei eu este blogue CORES EM MOVIMENTO depois de anterior ter sido obrigado a fechar por razões que são para esquecer.

Nessa altura escrevi

Para já o blogue está em construção. Nada é definitivo. Sobra vontade de recomeçar.
A nossa vida é 90% preenchida com a Realidade. Vivemos tudo o que se passa à nossa volta com demasiada intensidade, deixando passar o que não se vê, o que é minúsculo e menos visível aos nossos olhos, repletos de imagens que nos forçam a ver, mesmo sem querer.

O meu blogue anterior procurava esse invisível aos olhos de todos os dias, revelava fenómenos menos usuais, alguns mais intimistas, reflexões sobre a vida e sobre a Natureza, a Arte , a Música, as Crianças e tudo o que afinal, nos leva a trilhos novos, coloridos, menos baços e cinzentos.





Tudo isto já é passado. Hoje 1 de Janeiro de 2014 estou aqui de novo, prometendo continuar  a escrever aqui sempre que sentir dentro de mim alguma necessidade de comunicar.

Nem sempre isso acontece e o trabalho que tenho em mãos é urgente, Não posso mesmo perder-me em sonhos ou devaneios.

Desejo-vos a TODOS um ano diferente, mais esperançoso, mais criativo, mais inspirador que vos faça acreditar que vale a pena....

VIVA O NOVO ANO. VIVA A VIDA!