terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Surpresas

A vida é cheia de surpresas e são elas que nos fazem aguentar a monotonia dos dias de inverno, sempre cinzentos - ou quase sempre - sempre curtos de luz, mas longos na sua escuridão.

Hoje, pela primeira vez em meses, não tenho trabalho para a editora.

Senti um vazio esquisito, depois de vir da fisioterapia, não me apetecia andar muito, mas também não me apetecia ficar em casa. Quase automaticamente acabei por vir. A tarde estava cheia de sol, a varanda iluminada.
Este sol dos dias de inverno é duplamente mais quente e mais belo do que o de verão. É esbranquiçado com os reflexos das nuvens a jorrar sobre as plantas agradecidas. Pedaços de céu azul espreitam por entre os castelos acizentados, numa jiga-joga de esconde-esconde.

Pensei em ver um filme....há tantos nesta TV....pensei em fazer um bolo de laranja, que não como há anos e o meu pai adorava....pensei em começar a ler um livro que a minha filha me ofereceu no Natal e que ainda não abri. Pensei em pintar uma paisagem de mar que há muito desejo copiar duma foto tirada em Matosinhos... mas não estava inspirada. Que fazer?


De repente tocou o telemóvel.  maldito, pensei eu, deve ser o homem do gás que ficou de vir acertar contas.

No meio do silêncio, soou a vózinha querida do meu neto Daniel...muito aguda , quase feminina, do alto dos seus dez aninhos. Perguntava-me se eu estava em casa, se podia vir para aqui ensaiar com o seu violino, ansioso por que eu dissesse que sim.

Hà momentos em que é tão bom nada ter para fazer!

O som do violino toca uma melodia eslava e triste... mas nada pode entristecer o meu coração neste momento.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Fevereiro sem sol ou quase....

Fevereiro é um mês esquisito.

Só com 28 dias, com ou sem Carnaval, quase sempre com frio e chuva.

Mas Fevereiro também é o mês do dia a mais, que pode ser de chuva ou de sol e só vem de 4 em 4 anos para animar o fim do mês.


Fevereiro, para já, só deu chuva...mas ontem numa reviravolta súbita, resolveu brindar-nos com um dia luminoso de sol que perdurou ainda hoje....e será que amanhã??

O mar visto da Ponte d'Arrabida parecia um lago...quem diria que ainda ontem assustava os intrépitos mirones junto ao farol?

Ontem à tarde. tirei fotos do céu com as nuvens das janelas da minha casa. Todas diferentes, tantas tonalidades, tão belos estes céus "britânicos" que iluminam os dias carregados e invernios!

Lembrei-me dum poema que andou muito em voga quando as telenovelas brasileiras chegaram a Portugal:

Nuvem Passageira

Hermes de Aquino




Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai
Não adianta escrever meu nome numa pedra
Pois esta pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar
A lua cheia convida para um longo beijo
Mas o relógio te cobra o dia de amanhã
Estou sozinho, perdido e louco no meu leito
E a namorada analisada por sobre o divã
Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva
Não quero nem saber de me fazer, vou me matar
Eu vou deixar um dia a vida e a minha energia
Sou um castelo de areia na beira do mar


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Haja SOL



 E os portuenses saem à rua....felizes e agradecidos.


A vista da paragem do autocarro 200

Não refeitos do prémio que lhes foi atribuído há dias de "melhor destino europeu para 2014", eis que Deus ou Alguém lhes oferece um sábado repleto de sol, céus magníficos, ondas gigantescas, tempo amenos e paisagens cenicamente perfeitas... o que é que se pode desejar mais?

O sol quando nasce é para todos, mas há uns que o apreciam mais que outros.
Praia dos Ingleses
EU, pessoalmente,  sinto-me com um índio a quem deram a dádiva da chuva após dias de seca. Apetece-me dançar à volta da mesa , lançando gritos roucos de agradecimento. O que vale é que a câmara não fotografa aquilo que eu não quero!!

Hoje tencionava ir ver o filme HER, que não quero perder.
Mas quando abri a janela e vi uma nesga de céu azul, bem azul, no meio de nuvens fantasmagóricas, perguntei à minha filha: Cinema ou Foz?...já certa da resposta. 100% em uníssono.
Forte de S. João

E foi a Foz...no nosso autocarro do costume, o 200, que nos levou rapidamente até ao mercado. Estava quente, apesar dum ventinho fresco, que sabia bem.
A Tavi tinha uma mesa mesmo encostada à janela, donde só se via o mar, enorme, imenso, prateado dum lado ao outro da praia dos ingleses e alargando-se ainda pela Praia da Luz e do Ourigo.
 Por 20 euros comemos bem, uma tosta mista tipo francesinha e uma sanduich americana, bolo de chocolate, cafés, cerveja e coca-cola. O sol entrava tão quente pela janela, que parecia verão. As pessoas liam o Expresso e conversavam dum modo agradável, sem telemóveis, benza-os Deus.
O ambiente era cinco estrelas.

as gaivotas em concílio no paredão
Os mirones e curiosos
Depois foi um longo e audacioso passeio até ao forte de S. João, um monumento lindissimo, que guarda a cidade junto ao célebre farol de Felgueiras que tão fotografado tem sido no último mês. Os mirones apinhavam-se nos morrinhos de relva bem verde, com as suas câmaras com algum receio da espuma que , de vez em quando, ultrapassava o murete e vinha espraiar-se na marginal...

O novo molhe
farol de Felgueiras
Desde que fizeram o novo molhe, o mar foi domado na Foz do Douro e o rio parece um lago, ainda que hoje estivesse lodoso e muito cheio. A fúria das ondas desaba na ponta do molhe e no farol, que aguentam os espasmos de raiva do mar em fúria....o panorama é lindo....

à volta ainda passámos no Botânico, mais invernoso que nunca ,
Nenufares no inverno
com as camélias a brotar por todo o lado...muito tristes naquele mar de troncos descarnados....em breve virá a Primavera.....anseio por ela como nunca....e os meus ossos, a latejar, ainda mais.

camélias do Botânico


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Música e gente que nos eleva

Hoje tenho estado um pouco na maré cheia ...ou se preferirem em quarto crescente...

Arranjei uma empregada nova que é cinco estrelas - a mesma do meu filho e nora - uma rapariga  cheia de vida, com tres filhas, trabalhadora até mais não, capaz de nos fazer acreditar de novo no valor da nossa casa, dos nossos bens materiais já bem velhinhos, simpática, prestável e com carro!! Trabalhou em restauração com o marido, mas deixou o emprego por causa dos horários incompatíveis com o das crianças. Vê-se que se entusiasma com tudo o que faz e limpou a minha casa de alto a baixo em cinco tardes que aqui esteve.

Prestável, sempre preocupada em ir-me buscar à rua o que eu preciso e não preciso, terna com os miudos que vai buscar todos os dias ao colégio, um achado ( por anúncio no Pingo Doce) da minha nora que, amavelmente, resolveu propor-me a sua contratação para mais umas horas, dado que as dela não lhe preenchiam as oito horas. Aceitei, pois há muito que só tinha quatro horas de "ajuda" e cada vez estava mais insatisfeita. Havia coisas que pura e simplesmente deixava para depois.
Sinto-me nas nuvens, com tempo para tudo, armários arrumadissimos, até o meu atelier, que é tão meu que estranho ver lá a mão de outra pessoa, foi limpo e (des)arrumado para eu poder depois arrumá-lo de novo como gosto.

Já não estava habituada a ter pessoas com quem falar em casa, a minha filha passa sempre a tarde fora e é muito calada, mesmo quando está. Não sou muito conversadora, mas às vezes gosto de companhia. Os meus netos também vêm por cá menos tempo. Ando mais feliz.

Hoje tenho estado a ver provas, mas enquanto as vejo, oiço música da melhor, no Spotify, o tal site onde se pode ouvir o que se quer sem pagar nada...interpretações magníficas...os melhores CDs que se pode imaginar. Nunca a música clássica foi tão acessível e tão barata...só não ouve quem não quer. Até na fisioterapia me pergunto porque é que, em vez de música pimba ou rock dos anos 70, não pôem musica clássica para os pacientes ouvirem enquanto estão a fazer os exercícios. Levo o meu iPod, mas em fundo oiço sempre a música deles!!

Estou para aqui a fazer conversa num dia de chuva contínua.
Não houve uma aberta....mas também já não se pode aguentar os telejornais a falarem do mau tempo e do estado do mar.

Por que não se calam.....e não pôem... música clássica?



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

PORTO: o melhor destino europeu 2014


Já há muito que andávamos a votar online. Uma campanha dinamizada pela Câmara do Porto, através do seu presidente e abraçada pelos milhares de fãs desta cidade.


Estátua do Homem do Leme

Miradouro do molhe
Queríamos ganhar porque achamos a nossa cidade linda.
Tem tudo para oferecer a turistas, a estudantes, a visitantes e aos amantes de cidades pequenas e românticas, onde o olhar não se perde nas lonjuras, mas no detalhe, nas inscrições, nos azulejos, na pedra trabalhada, nos ferros forjados, nos telhados, nas janelas decoradas, nos sinos das igrejas, nas casas ancestrais, nos becos cheios de musgo, nos jardins espalhados pela cidade ....e no maravilhoso rio que nos conquista a cada momento e qualquer hora desaguando no mar encapelado da Foz.

Jardim da Cordoaria


O PORTO foi eleito o melhor destino dentre 20 cidades europeias magníficas.
Leiam aqui parte da notícia do PÙBLICO ( Fugas) e congratulem-se connosco.

Venham visitar-nos....esta cidade merece!!



Porto eleito melhor destino europeu do ano

Por Luís J. Santos


É oficial: Porto, European Best Destination 2014. Derrotou os outros 19 destinos em competição, incluindo a Madeira, que conquistou um honroso 6.º lugar.
Nem Roma nem Barcelona, nem sequer Londres, Paris ou Berlim. A votação online no Porto para melhor destino europeu cilindrou a concorrência de peso: contas feitas, a Invicta, confirmou a organização do evento à Fugas, conseguiu 14,8% dos votos, muito à frente da segunda classificada, a croata Zagreb (10,2%). A votação decorreu online, aberta a todos, entre 22 de Janeiro e 12 de Fevereiro. O top 5 europeu completa-se com Viena (Áustria), Nicósia (Chipre) e Budapeste (Hungria).
É a segunda vez que o Porto vence a competição European Best Destinations (EBD) promovida pela European Consumers Choice, "organização sem fins lucrativos de consumidores e especialistas", com sede em Bruxelas, que "avalia produtos e serviços", além de realizar rankings turísticos. Este ano, segundo dados da organização, foram batidos "todos os recordes" neste que é "o maior evento de e-turismo na Europa", congregando "centenas de milhares de viajantes": no total, foram apurados 228.688 votos.


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Felicidade pura


Haverá algo melhor que estar em casa em frente a uma lareira bem acesa, ouvindo M. João Pires  a tocar diversos compositores no Spotify , site para audição de música a nosso gosto com tudo o que se possa imaginar...

Daqui a pouco chegam os meus dois netos mais velhos para me fazer companhia, lanchar e ver TV, para além do futebol.

Sou uma felizarda, apesar de ter provas para entregar amanhã sem falta, nem que me deita às 3 da  manhã, como já é meu hábito.

Lá fora a chuva cai e o vento não dá tréguas....o mar continua à solta e ninguém se atreve a desobedecer às ordens da guarda costeira...ver, só pela TV.

É uma tarde de Domingo especial....cheia de coisas boas :)
 Laos Deo!

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Philomena e a 7ª Sinfonia de Beethoven

Ontem à noite e hoje à tarde - pelo meio com uma tromba de água que desabou sobre o Porto-, vivi momentos maravilhosos, daqueles que agora no ocaso, guardo cá dentro como algo de precioso e infinitamente meu.

Ontem fui à Casa da Música com o meu neto e filha para ouvirmos um daqueles concertos em que o reportório é todo ele à medida do ouvinte mais básico de música clássica. Só faltava a Abertura Leonore ou das Bodas de Fíigaro, substituindo a vibrante Finlândia de Sibelius, para o programa ser comme il faut.
Já ouvira todas as peças noutros concertos, inclusivé já ouvira esta orquestra tocar a 7ª na Igreja de São Bento da Vitória nos primórdios da sua existência. Não sei em qual deles vibrei mais, mas esta sinfonia de Beethoven tem o condão de me pôr de joelhos ou de pé aos saltos, numa simbiose de recolhimento e exaltação difíceis de aguentar...

Todas as peças escolhidas tinham a ver com o cinema, fazendo parte das bandas sonoras de Elvira Madigan, Caça ao Outubro Vermelho, O Discurso do Rei, ou os diversos Die Hard. Mas são peças que existem para além de qualquer conotação cinematográfica. Já existiam antes de haver cinema....

O meu neto, mal acabou o concerto, ainda se estava nos aplausos, deu-me um longo abraço e disse : "Obrigada, Vóvó!" A carinha dele dizia tudo....


Descemos as escadas - intermináveis - do edifício e cá fora esperava-nos um temporal desabrido. Parecia que o céu ia tombar e chovia a cântaros, com um vento gélido a estraçalhar qualquer chapéu de chuva que os incautos ousassem abrir. Chamei um taxi, percorri toda a distância que vai da porta até à avenida e ali ficámos - eu com um casaquinho de fazenda sem qualquer protecção na cabeça e os meus dois queridos com kispos frágeis, a apanhar aquela tromba de água desumana. Veio um taxi - o nosso - e uma família inteira enfiou-se nele sem dó nem piedade. Pensei que me dava "uma coisinha má", dirigi-me às escadas, onde havia alguma protecção embora já encharcada que nem um pinto e voltei a telefonar para os taxis, que me informaram de que o "meu"já tinha seguido viagem com outros passageiros ( grande novidade), pois estava muita gente aglomerada na avenida!! Pedi outro, dei o meu nome e arrostámos com mais 5 minutos de água em catadupa...só a música de Beethoven, que ainda ressoava no meu cérebro, me terá feito manter a calma. Quando chegámos a casa, dei 20 euros ao motorista e ele disse-me que não tinha notas de cinco euros só dez, de modo que acabei por pagar dez euros em lugar de cinco. Chovia tanto que até lhe teria pago os 20 só para chegar a casa.

 O meu neto estava preocupadíssimo comigo e só me perguntava: estás bem, Vóvó?....este miúdo não existe!

Hoje fui ao cinema ver um filme cujo trailer tinha despertado imediatamente a minha atenção : Philomena.

Britânico na essência, embora uma co-produção.
Stephen Frears realizou A Rainha, para mim um dos melhores filmes que vi nos ultimos anos.
A sua sobriedade e gestão dos sentimentos das personagens ( que são pessoas a sério) é notável. Com pouco, faz muito, com simplicidade, torna a história complexa. Com atores a sério, transforma a banalidade em drama ou comédia. Genial em low profile.

Um filme que faz chorar...quem é mãe sabe - ou pressente -  o que significa perder um filho inexoravelmente...e não pode deixar de sofrer por interposta pessoa, quem é mãe compreende a necessidade de recuperar tudo o que possa existir em termos de passado e presente, mesmo que isso represente sofrer de novo. É um filme para mulheres, nesse aspeto.

Um filme a ver....diferente e muito bom...

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Jugend Musiziert

É um concurso de Música....para jovens.

Organizado todos os anos pela Alemanha, podem concorrer todos os jovens alemães, quer vivam na Alemanha, quer noutro lado, e ainda todos os alunos ou ex-alunos de colégios alemães. Já tem muitos anos e os prémios são muito considerados na carreira musical dos intérpretes.

Jugend musiziert

JUGEND MUSIZIERT is a national music competition for children and young people of school age which aims to promote instrumentalists and musical group performances. Since its inception in 1963, over 400.000 children and young people have taken part in JUGEND MUSIZIERT.

The competition is held in three stages: regional competitions are held in 146 regions throughout Germany and in German schools abroad. Those musicians who have performed particularly well then go on to take part in 19 competitions at the state level. Those who receive a first prize at the state level are qualified to take part in the national competition held at changing locations every year. After the competition phase, JUGEND MUSIZIERT arranges concert appearances at home and abroad and invites national prize winners to the „German Chamber Music Course“.


No ano passado referi-me a este concurso, dizendo que o meu neto tinha concorrido e ganho o primeiro prémio na sua categoria ao tocar violino. Como não tinha ainda 10 anos, não poderia avançar mais nas diferentes etapas do concurso, que vai decorrendo nas escolas alemãs do mundo inteiro.

Este ano, o Daniel voltou a concorrer, mas desta vez em duas modalidades diferentes: piano e violino, este ultimo em dueto com um colega. No piano, tocou Bach, Chopin, Daquin e Frederico de Freitas. Com o seu colega Vicente tocaram Duos de Pleyel e Bela Bartok. Um reportório bastante exigente para duas crianças que nem sequer adolescentes são.

Confesso que o piano me surpreendeu muitíssimo, pois é raro ouvi-lo tocar. Não tenho piano em casa e quando vou a casa do filho, há sempre muito barulho e não dá para uma audição capaz. Comovi-me até às lágrimas, pensando na minha Mãe que tocava tão bem...e o apreciaria tanto.
No fim estava feliz e despreocupado, fez o sinal de YES com o polegar e foi logo ter com os seus amigos que jogavam futebol à mesma hora, esperando pelos resultados que só chegaram pelas 19.00. Vim para casa sem os saber, mas tinha um pressentimento de que ia correr bem.

Pelas 20.00 apareceu com a Mãe e o irmão mais novo, de rosa na mão para mim. Uma rosa linda....e os dois diplomas dos dois primeiros prémios que obteve. Agora já passou à 2ª etapa que será em Lisboa brevemente. Estou feliz, como não poderia deixar de estar?

Fica aqui uma das peças que tocou : Le Coucou de Louis Daquin ( 1694-1772). 


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O temporal e a vacuidade

Às vezes dá a impressão de que a Natureza se revolta contra nós pobres humanos indefesos....

Nada queremos,

se não paz de espírito, sossego, saúde e outras coisas elementares. Mas a verdade é que o nosso estilo de vida não é o melhor para o planeta  e as nossas cidades, que no mundo, ocupam cada vez mais espaço em largura e em altura, estão a tornar-se focos de insustentabilidade ambiental, modificando o equilíbrio dos vários ecossistemas que formam a Terra.

Para fazer o projeto do 11º ano tive de ler e ver vídeos de conceituados cientistas e divulgadores, como Sir David Attenborough. Assustam-me a as previsões para o futuro e embora, como outros, saiba que não assistirei a esse futuro tenebroso, aflige-me a ideia de nada fazemos para modificar os nossos hábitos de vida consumista e interesseira.

Não sou demagógica a ponto de pensar nos que nada têm quando me deito na minha cama e me sinto feliz por não ter frio. Mas procuro viver dum modo equilibrado, consumindo bem, sem supérfluos e sobretudo sem ceder às tentações de ter, ter cada vez mais. Pelo contrário, cada vez dou mais daquilo que tenho e não uso. Quanto menos, melhor.

Olho para as revistas que por aí pululam e fico admirada como é que a gente nova gasta, gasta, gasta em tudo o que é aparentemente dispensável: cremes, shampôs, tintas para o cabelo, vernizes dos mais variados, piercings, tatuagens, depilações, implantações, ginásios, discotecas, bilhetes para concertos, cafés, comida nos restaurantes, viagens, etc.
É um nunca acabar de gastos....mas muitos queixam-se amargamente por não ter dinheiro nem empregos estáveis ou sérias promessas de um futuro duradouro. Não, nem todos sofrem com a crise, diga-se o que se disser.

Nos EUA, os inquéritos chegaram à conclusão de que os grande alvos do marketing atual incide nos jovens dos 10 aos 20 e picos, aqueles que mais dinheiro gastam no que é aparentemente dispensável. Os pais dão-lhes mesadas, a partir dos 16 trabalham ao fim de semana e no verão, gastam nos shoppings, onde passam de 2 a 5 horas do seu dia, adoram a moda, jogos, os media e estão-se a "marimbar" para o futuro, pois sabem que os pais têm algum e eles vão herdar, mais tarde ou mais cedo. São uma geração sem horizontes. Vivem o presente. Full stop.

A Natureza insurge-se de vez em quando....mas devia insurgir-se muito mais. 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

As nossas bonecas

Quando era pequena, não havia Barbies, nem nada que se parecesse. As primeiras bonecas de que me lembro eram trazidas de Espanha, dum moreno acizentado com olhos que caíam facilmente e sem graça, com uns vestidinhos muito pirosos que estavam cosidos ao corpo e que não se podiam vestir nem despir. Enfim, penso que foi isso que me fez ser sempre uma maria-rapaz.
Apesar de tudo, tinha uma paixão que era uma boneca de trapos, aliás de borracha, oferecida pela minha avó quando estive com papeira, chamada Mona. Viveu até a borracha começar a cheirar mal, toda cheia de estrias, coitada!! Era a nossa cobaia para brincarmos aos médicos e estava furada das injeções que levava!!

Na nossa casa do Restelo, para onde fomos morar em 1951, tínhamos um quarto que se chamava "quarto das brincadeiras", rés ao jardim. Era um quarto maravilhoso, onde só havia uma mesa enorme que se desdobrava, um sofá e pouco mais. Numa certa altura foi para lá o piano, pois os meus pais cansavam-se de ouvir o barulho das teclas durante as aulas e os ensaios. Éramos seis até 1954, altura em que nasceu mais uma rapariga ( a sexta) e um rapaz, o benjamim. Parecíamos a família Von Trapp, com bibes iguais, mas não éramos tão disciplinadas, pois o meu Pai passava o dia a tratar dos doentes no hospital, no consultório ou nas suas casas e nós entregues às empregadas, que, na altura, se chamavam criadas, de quem éramos amigas e a quem obedecíamos, mas com menos rigor.
Passávamos horas naquele quarto com a janela aberta para um jardim magnífico de que tenho verdadeiras saudades - talvez aquilo que mais me marcou na minha infância e adolescência.

Uma das nossas brincadeiras favoritas, tinha eu uns dez anos, eram as bonecas com fatos, feitas em papel e vestidas por nós. A minha mãe tinha a assinatura da Femme'Aujourd'hui, uma revista cheia de modelos, que nós copiávamos em papel. Cada boneca dava para inúmeras colecções de vestidinhos, calças, saias, blusas, chapés, etc. Pintávamos tudo com lápis de cor. Passávamos horas entretidas quando não nos apetecia ler ou jogar ao monopólio com o meu irmão, que vinha nas férias do Colégio e o nosso primo, bastante mais velho que vivia connosco.

Mais tarde, já casada, voltei a fazer fatos para bonecas, mas, desta feita, já existiam bonecas de jeito, as Nancys, os chorões e as Barbies ou imitações mais baratas. As minhas sobrinhas de 3, 5 e 7 anos obrigaram-me a isso quando estive a viver em Coimbra durante dois meses, devido à minha gravidez de risco, em 1976. Como não podia fazer nada, entretinha-me a vestir as bonecas delas e aos sábados íamos para casa da nossa grande amiga Clara, que era uma artista ( e ainda é) e tinha tudo  que se pode imaginar em matéria de "ingredientes" para trabalhos manuais. Ela fazia bonecas enquanto o diabo esfrega um olho e nós olhávamos...

Quando a minha filha nasceu em 1979, adorei fazer-lhe o enxoval com roupinhas de menina e penso que ela teve tudo o que há de mais bonito feito em casa, apesar de vivermos em Chaves. Ela foi a minha bonequinha pessoal em carne e osso. Passava o dia a tricotar nos intervalos das aulas.
Infelizmente dei muitas das roupas que fiz para ela às minhas sobrinhas e já nada resta...

Neste Natal a minha filha apaixonou-se por uma Barbie - tinha tido algumas imitações em pequena - e resolvi oferecer-lhe uma com uns fatinhos que se compram aparte.
Ontem resolvi então fazer-lhe um vestidinho em crochet e passei to
do o serão a engendrar um vestido com restos de lã. Saí-me bem como podem ver na foto!! Isto é como andar de bicicleta, nunca se perde o jeito...foi bom voltar à minha juventude e brincar com bonecas!!