sexta-feira, 4 de julho de 2014

Pintura "cósmica"

Esta semana senti-me inspirada para pintar um dos meus abstractos com acrílico sobre MDF.

Tons magenta, roxos, lilás numa explosão de cor.

É uma quadro grande.






Tomo a liberdade de transcrever aqui o poema que introduz o blogue da minha Amiga Regina Gouveia: Do Caos ao Cosmos, que associo a esta pintura.

Pudera eu regressar ao silêncio infinito, 

ao cosmos de onde vim. 

No espaço interestelar, vazio, negro, frio, 

havia de soltar um grito bem profundo 

e assim exorcizar todas as dores do mundo. 

Regina Gouveia 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sophia

Conheci Sophia desde sempre. Li obras dela na escola e depois, durante muito tempo, quase a esqueci. O meu ex-, que lia muito e até escreve poesia, não apreciava a sua obra, os meus filhos não se encantaram pelas histórias que foram obrigados a ler no colégio.

Só a redescobri quando vim viver para o Campo Alegre, "paredes meias" com as casas onde Sophia viveu a sua juventude.

Ao ler " O Mundo a minha Procura" de seu primo Ruben A, consegui descobrir o encanto do mundo privilegiado em que ambos os escritores foram criados e que tanto influenciou as suas carreiras literárias e até a sua vida mais íntima.

Não sou uma apaixonada da poesia de Sophia, mas gosto muito de alguns poemas. Não me seduzem as histórias da "menina do mar", que me parece uma imitação pobre de St Exupéry e do "rapaz de bronze "- Nem o Conto da Floresta me apaixona.
Acho-as um pouco delico-doces e escritas para imitar o pensamento infantil. O que me seduz nelas é a evocação do mar da Granja ou do jardim do campo alegre, em que ela se inspirou para as escrever. Gosto, sobretudo, do que ela escreve na 1ª pessoa, pois identifico-me com muitas das suas ideias e , sobretudo, gostos.

Eu morreria de novo se fosse transladada para um panteão anos após ter sido enterrada na terra. Não havia testamento vital no tempo de Sophia, mas aposto que ela não quereria ficar num mausoléu, longe de tudo e sobretudo, longe das suas raízes e do seu mar.

Acho que esta decisão unânime foi errada, mas creio que Sophia já não sentirá claustrofobia naquele antro de mármore.
A sua alma já voou há muito para além deste mundo de politiquices e honras plebeias.

No fundo do mar ou a beijar as estrelas, Sophia já não mora aqui.



AquiAqui, deposta enfim a minha imagem, 
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem, 
No interior das coisas canto nua. 

Aqui livre sou eu — eco da lua 
E dos jardins, os gestos recebidos 
E o tumulto dos gestos pressentidos, 
Aqui sou eu em tudo quanto amei. 

Não por aquilo que só atravessei, 
Não pelo meu rumor que só perdi, 
Não pelos incertos actos que vivi, 

Mas por tudo de quanto ressoei 
E em cujo amor de amor me eternizei. 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Dia do Mar'

terça-feira, 1 de julho de 2014

O milagre da Vida

Todos os dias devíamos celebrar o milagre da Vida.
Porque ela está sempre por um fio.
Porque nada é garantido, a não ser a Morte.

Sinto-me comovida perante a perda duma pessoa que nada me é, que só conheço da televisão, que foi aluna na escola onde eu fui professora, que tem uma aparência forte mas, no fundo, é frágil como todas as mulheres perante a perda dum filho. É uma dor sem igual.


Não consigo imaginar dor semelhante. Espero nunca ter de a sentir. Porque é pressuposto os filhos morrerem depois dos Pais, é pressuposto vivermos e celbrarmos as suas pequenas vitórias e sucessos desde o dia em que nascem e modificam a nossa vida para sempre.

Como no caso da Praia do Meco, não me interrogo sobre a culpa ou a responsabilidade de quem causou este acidente, apenas me pergunto : Porquê?

Não consigo sequer pensar no consolo dos crentes.
Porque não creio numa vida no Além.
Só acredito na memória viva dos momentos que vivemos juntos.
Por isso eles são tão importantes e devem ser vividos a 100%. Pode não haver Amanhã.

domingo, 29 de junho de 2014

Cornerstones - Brass Wires Orchestra

É o primeiro album da banda, que tem tocado um pouco por todo o lado e até no estrangeiro. Destaco-a aqui porque dela fazem parte dois dos meus sobrinhos mais novos, ambos muito dotados para a música.


Em tempos ofereci a um deles uma guitarra eléctrica que era do meu filho. Mal eu sabia que um dia iriam ser conhecidos e viver da música. O album foi composto pela banda e "remastered" em Londres nos estúdios Abbey Road.
Ontem vieram ao Porto apresentar o álbum, que me parece bastante bom, no bar Plano B. Infelizmente, não tive coragem de ir e arriscar a ficar de pé assistindo ao concerto no meio de gente nova às 11 da noite. Acabei por desistir, mas estou um pouco triste porque gosto muito da música.

Estava mesmo cansada, foi um dia de anos muito concorrido, com a família.

Almoçámos nos Viveiros da Mauritânia em Leça, onde se está muito bem com uma vista fabulosa da praia. O arroz de tamboril e o cabrito estavam esmerados e o bolo de anos, de chocolate com morangos e manga, era delicioso.
Toda a família estava feliz e os meus netos ofereceram-me poesia, desenhos e pulseirinhas das que estão na moda.

Comoveu-me estar ali com todos os filhos, ex- e netos e ainda um amigo americano do meu filho, que é uma simpatia.
O meu ex- ofereceu-me rosas vermelhas e a minha nora três girassóis lindíssimos. Tenho a casa cheia de flores. A minha Luisa deu-me uma boneca Nancy ( já voltei à infância) porque sabe que adoro fazer fatos para bonecas :) .
Depois passámos parte da tarde a ver o excitante jogo do Brasil com parte da família. À noite comemos os restos do arroz de tamboril e bolo. Já há muito que não estava tanto tempo seguido com o meu filho mais novo, ocupadíssimo com o trabalho no tribunal.

No fim do dia comecei a pensar na partida dos filhos e netos dentro de um mês. Vai ser um choque enorme, um vazio muito difícil de preencher. Por enquanto, deixa-me gozar da sua presença física o melhor que sei. Ainda faltam uns dias...

Fica aqui um concerto ao vivo desta banda que promete:


quinta-feira, 26 de junho de 2014

A fotografia a preto e branco....e a cores

Há quem não goste de fotos a preto e branco porque lhes faltam as cores verdadeiras da Natureza, dos objectos ou até dos rostos.
Há quem as aprecie muitíssimo por achar que a categoria técnica da fotografia, a verdadeira arte de fotografar, fica muito mais valorizada a duas cores, sejam elas preto e branco ou sépia.
É uma questão de gosto e também de tema. O objectivo do fotógrafo pode ser realçar a beleza dum local pelos seus contrastes de luz-sombras, contra-luz ou silhuetas. Ou pode ser a de transmitir o máximo de esplendor, de realismo e de brilho que se coadunam mais com fotografia multicolor.

Como se sabe, é possível transformar uma foto digital a cores numa a preto e branco, mas não vice-versa. Uma vez modificada, não é possível voltar às cores primitivas, por isso aconselha-se sempre a gravação duma cópia antes da metamorfose.
Já fiz várias experiências destas. Já apresentei uma exposição só de fotos a preto e branco, que teve bastante sucesso. Nessas fotos jogava com a luz e as silhuetas.

Gosto de ambas as facetas, há fotos que não consigo transformar, são belas no original.

Vão aqui uns exemplos:

A foto de Ofir a preto e branco é mais majestosa, mais onírica e mais bela, na minha opinião. Mas a primeira tem as cores duma pintura maravilhosa.


Ofir
 Nesta foto abaixo, não havendo cor, falta um certo calor à fotografia, mas a primeira é mais artística e os contrastes mais nítidos.


Pai e filho
 Algumas fotos já são quase bi-cromáticas ao natural, como esta da Praia dos Ingleses.

Bar dos Ingleses


 Esta foto abaixo a cores é um verdadeiro quadro, tal a harmonia, a posição dos elementos no fundo azul da água do lago. É uma foto bem conseguida e totalmente natural. Nada foi movido. Era assim que as folhas e flores se quedavam na superfície da água.
A preto e branco fica baça e perde o encanto. Parece um desenho.



É claro que esta é a minha opinião. A vossa pode ser diferente.

Fica aqui um pequeno texto a condizer:

A fotografia é um milagre da tecnologia que aperfeiçoou o homem.
Ela reaviva a memória com detalhes, reactiva sons, cheiros, cores e sentimentos que a gente nem mesmo poderia imaginar fossem recordados.
Quando você vê uma foto sua com poucos dias, alguns meses, ou na tenra infância, tem a oportunidade única de pelo menos imaginar a felicidade dos seus entes queridos nessa época.
Pessoas, lugares, viagens e comemorações como que voltam com a visão de uma fotografia.
É como curtir de novo tudo o que foi muito bom.

Marinho Guzman

sábado, 21 de junho de 2014

The Fault In our Stars - A culpa está nas estrelas


O filme, extraído dum best-seller com o mesmo nome, poderá apresentar-se como uma lacrimejante história de amor e de perda e desapontar os espectadores....a não ser que, ao vê-lo, possamos conceber o que é uma situação de sofrimento permanentemente redimida pelo amor.

Acredito na redenção pelo amor em situações de crise, já as vivi e paradoxalmente, não foi o amor conjugal, mas o  filial e maternal que me conseguiram trazer de volta à Vida.

O cancro é uma doença terrível. Só pessoas muito fortes conseguem não se deixar levar pelo desespero; ultimamente, tenho visto muitos casos de superação e de coragem em pessoas que têm apoio familiar ou de amigos.
Este filme fez-me lembrar - e muito - o caso Manuel Forjaz, com uma concentração no que é bom da vida para lá de tudo o que é maligno.

Não o aconselho a quem considere que os americanos são sempre delico-doces ou pirosos. Porque o filme apresenta algumas cenas desse estilo, embora tenha outras que suplantam o cliché e nos lembram o enorme potencial do Amor entre adolescentes, em que acredito.

É preciso viver o filme sem preconceitos contra alguma lamechiche ou clichés.

E é preciso gostar de Amsterdão, local onde encontrei o amor de adolescente e da minha vida, há quase 50 anos, precisamente naqueles canais, naquela Casa de Anne Frank, naquelas ruas, naquele ambiente. Cidade linda. E propícia para a redenção.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Chico Buarque - 70 anos





Um ícone da Música e da Poesia...

Aqui fica a minha preferida, uma canção que redime o Amor envelhecido...



Um dia ele chegou tão diferente
Do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente
Do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto
Quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto
Pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita
Como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado
Cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços
Como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça
Foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança
Que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade
Que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz




Deus o conserve por muitos e muitos anos....em Paz!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pausa para viver

Já há dias que não escrevo no blogue.

A vida real, os eventos sociais e familiares assim como as emoções levaram à melhor.

Desde 6ª feira, em que cheguei a casa pelas 10 horas, que os dias se têm seguido cheios de peripécias e eventos importantes a que se aliam o amor pela família, a amizade, a religião e os costumes e até a união entre povos. Não estou a exagerar. :)

No sábado assisti à final do Torneio de futebol Mc Donalds, em que o meu neto Daniel tomava parte como jogador sub-12 da equipa do Brasil. Estava um calor insuportável, mas o entusiasmo era tão grande que fomos todos - família mais alargada - e sentámo-nos a apoiar, a gritar, bater palmas, etc. Infelizmente o Brasil perdeu 4-1, embora o meu neto tenha desferido um pontapé de livre que entrou na baliza como um raio....mas foi só!!
No domingo os meus meninos faziam a 1ª comunhão e a comunhão solene com o Colégio alemão. A cerimónia teve lugar na Igreja do Sº Sacramento aqui perto. Consegui um lugar mesmo à frente, onde vivi tudo plenamente e pude fotografar. Nunca mais me esqueço da carinha dos meus netos, vestidos de calções beiges e camisinha branca, muito simples. O coro foi dirigido pelo maestro do coro da Sé que também tinha um filho no grupo de crianças. Os meus filhos e netos tocaram o canon de Pachelbel durante o Ofertório e foi um momento extremamente comovente.
Depois fomos todos para casa do meu filho, onde decorreu um almoço excelente, caseiro, cheio de crianças entre netos, primos e sobrinhos meus.

Às 6 ocorreu o Concerto Final do Ano da Escola "A Pauta" na Casa da Música. Foi um dos concertos mais impressionantes a que tenho assistido - 50 e tal jovens a tocar violoncelo e violino - com música muito apelativa para todas as pessoas.
Não pude deixar de pensar que durante o próximo ano, não ouvirei os meus netos a tocar, a não ser pelo skype!! Fico com o coração apertado e só me apetece chorar....a vida é cheia de contrastes...

Ontem convidei uma família alemã que veio da Alemanha para assistir à Comunhão dos meus netos. É uma história longa de amizade entre estudantes e seus pais, que começou no Porto e continuou em Karlsruhe, onde o meu filho estudou durante três anos. É uma amizade que dura há mais de 20 anos. Gosto muito deles e a experiência dum jogo de claques repartidas foi inesquecível. Jantámos todos juntos aqui em casa - aproveitando os restos do almoço da véspera - .
 O resultado do jogo tinha sido desastroso, mas os miúdos e a amizade preencheram o vazio rapidamente e ainda nos rimos imenso com o meu neto a imitar o CR7 no seu melhor. Há muito que não recebia aqui em casa e é realmente fantástico juntar amigos à volta.

A minha amiga deu-me um livrinho sobre a Amizade. Transcrevo uma frase de Goethe que já conhecia e sempre transmiti aos meus alunos em dedicatórias que lhes escrevia por vezes nos livros ou em cadernos de autógrafos. Também é verdadeiro para as nossas amizades virtuais e relações nas redes sociais:

Conhecer Alguém que nos entende, apesar da distância, sem que seja necessário expressar o que sentimos. Eis o que faz da Terra um jardim.

Goethe / 1749-1832)