sábado, 19 de julho de 2014

Sem inspiração

Não me tem apetecido escrever. Ando na mó de baixo, sempre a oscilar entre o anseio e a depressão ou tristeza. Já só faltam dez dias...

Alegro-me com a presença dos meus netos aqui ou nos seus eventos musicais - hoje o Daniel vai cantar na ópera Carmina Burana no Coliseu e o André dançou no musical Música no Coração no Teatro Helena Sá e Costa - mas depressa me vem à cabeça a noção de que estes são dias contados até eles partirem para o outro lado do oceano, mais longe do que "cascos de rolha" como diz o avô dos meus netos. Quero lá ir, mas tenho receio de tanta coisa....

O mesmo se passa com a minha filha. Adoro ouvir o seu Boa noite, Mommy ou o seu riso enquanto vê vídeos no laptop, mas de noite imagino que estou sozinha e a casa parece-me enorme sem ela...queria que Setembro não chegasse....

Ainda por cima chove....uma chuva outonal e triste que até faz esquecer o mês em que estamos. Dantes, Julho era tórrido, a minha Mãe fazia anos e íamos jantar ao Ginjal na Outra Banda, atravessando o rio de barco ao fim da tarde....era o tempo da canícula....

Até na Praia da Luz chove. Ligo para o beachcam e vejo a praia em directo no meu Ipad. É como se estivesse lá, espantoso. Poucas pessoas na praia, as bandeiras viradas a oeste donde vem o vento e mais chuva. As palmeiras agitam-se desenfreadas. Pouca sorte para quem está de férias. Não me lembro de apanhar chuva naquele local....

Ficam-me as recordações recentes da estadia em Ofir, que foi linda e calma....o sorriso do meu neto querido, os banhos na piscina, os pores do sol, os jantares opíparos e até a telenovela vista pelos dois...


Pela primeira vez, tenho vontade de saltar um ano da minha vida e, de repente, acordar no dia 24 de Junho de 2015... quando todos voltarem, felizes e me abraçarem de novo.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ai Ofir, Ofir....

Todas estas praias do Norte sofrem do mesmo mal....ou sopra a nortada ou está um nevoeiro cerradíssimo, que impede de ver um palmo a diante do nariz. O meu marido costumava dizer: manhã de nevoeiro, dia bom de praia!! Quando ? Às seis da tarde, perguntava eu!

Duas manhãs quase perdidas. Na praia não nos deixam tomar banho, ontem ainda fizémos uma tentativa , mas ao fim de 15m, veio o banheiro a confirmar que bandeira vermelha significava proibição de banhos ( como se não soubéssemos) pois não se podiam ver os banhistas no mar nem com binóculos ;-).

À tarde já a bandeira estava verde, mas preferimos a piscina...e passámos aí umas boas horas mergulhando numa água fresquinha, mas revigorante. Depois do jantar foi um êxtase, que já na véspera tínhamos sentido. Os pores do sol nesta praia são sempre especiais e uma magia qualquer invade o ar.


Anteontem andámos mesmo na praia, apesar de algum vento, o meu neto e a tia às corridas todos contentes, a esconderem-se nos toldos coloridos da Olá, que em boa hora salpicou este areal de pontos multicolores. Com o sol poente ficam iluminados por dentro.

  Ontem tia e sobrinho foram jogar bowling depois do jantar, eu preferi ir contemplar o pôr do sol. A tarde estava serena, sem vento e ate um gatinho se aproximou contemplativo. Todo o horizonte estava róseo, reflectindo na espuma deixada na areia. Nenhuma foto pode competir com a realidade, mas procurei tirar algumas panorâmicas....


Hoje o dia acordou igual ao de ontem. Há gotinhas no ar, a humidade é de 100%, nem sequer apetece andar sem camisola. A temperatura deve rondar os 20º sem sol nenhum. São 11 horas, pode ser que entretanto abra, mas às 13 temos de ir embora com o meu filho que nos vem buscar.

Gostei mais da estadia em Fevereiro. Não havia piscina, mas a temperatura era amena sem vento e passámos horas na praia sem ninguém, com um espelho de água sem igual....

Sou pobre e mal agradecida......o meu neto está tristíssimo de nos irmos embora, coitado!! É uma joia....

terça-feira, 15 de julho de 2014

A queimar cartuxos

... mas a queimá-los com prazer, aproveitando cada minuto como se fosse único.

Ontem os meus meninos passaram parte da tarde comigo - para a Mãe poder tratar das coisas ( tantas!) antes da partida para Palo Alto.
Resolvemos ir ao Botânico, onde já não ia há muito. Que felizes eles estavam.
O Daniel até me disse que alguns textos da prova de português que teve de fazer este ano eram escritos por Sophia, falou-me da Menina do Mar e do Rapaz de Bronze. Só não sabia era o fim das histórias, de modo que contei-lhas por alto para que um dia ele as venha a ler e gostar.
Também estivémos a ver se eles ainda se lembravam do nome das flores, mas aí foi falhanço total: agapanto saiu aga-pito, lan-tana saiu lamkarai ( prato indiano), buga-nvilia saiu buga-buga, jaca-randá saiu jaca-ta´!! Ri-me até chorar!!

Os mais pequenitos resolveram subir à Árvore, a que eles chamam de sua, pois é mesmo feita para se trepar de ramo em ramo, com uma margem de risco mínima. O mais intrépido é o André, que se eu deixasse subia até ao cimo de tudo, tal é a sua ânsia de conquistar e ousar. O mais pequeno também conseguiu subir com a ajuda do mais velho e em breve estavam os três a dominar o mundo do alto dum carvalho ou coisa que o valha, francamente não sei de que árvore se trata, pois não tem lá o nome. Fomos depois comer um gelado juntos, antes de os levar a casa, onde conversei longamente com a minha nora e filho sobre a ida deles.
Vista parcial da varanda do meu quarto
Conto ir passar uns 20 dias à Califórnia. Só espero que tudo corra bem. Irei com o meu filho quando ele tiver que vir à Europa o que acontecerá amiúde, dado que o trabalho das empresas e da Universidade exigem a sua presença.

Hoje vim para Ofir, a minha segunda praia de eleição. Castelejo tb é, mas essa pertence a outro campeonato :)

Não fora o vento, considerava esta praia, uma das melhores do mundo. Um areal imenso, com dunas intermináveis, sem casas, um hotel simpático com piscina aquecida cá fora, um jardim descomunal, courts de ténis, bowling, tudo pelo preço de um hotel de *** em Lisboa. Adoro estar aqui, já é a sexta ou sétima vez que cá passo.
E no meio disto tudo um pinhal com pássaros que cantam a sério à volta da piscina, turistas felizes com crianças educadas....

Vista parcial da praia de Ofir
Quero aproveitar o tempo que me resta. Nunca tive grande ambição de gastar dinheiro desmesuradamente, sempre poupei o mais possível, concedendo aos meus filhos todas as ambições a que eles aspiravam,  Erasmus, estudos de música, universidade católica, ajuda para compra de casa, carro, viagens, cursos de férias, tudo o que eles mereciam...

Não tenho remorsos; agora que eles já estão "arrumados" ou quase, posso gastar comigo alguma coisa. Acho que mereço.

Amanhã irei à praia, hoje estava demasiado vento e areia voava...mas amanhã vai estar melhor e não quero deixar de gozar do mar imenso que aqui se estende por kms e kms....até encontrar o rio  Cávado, que o vem beijar...

domingo, 13 de julho de 2014

Happiness is looking forward to


Hoje acordei tarde pois não consegui adormecer até às 4 da manhã. Não foi o jogo que me excitou, nem a companhia do meu filho e neto, nem a telenovela que estive a ver com ele. Nem foi a visão da lua cheia lá fora, clara, iluminando as árvores da avenida e do jardim Botânico. Penso que não foi a angústia de estar sem filhos e netos a partir de Setembro.

Ontem estivémos a escolher o  alojamento da minha filha em Leeds, tarefa que é sempre entusiasmante, como se da primeira vez se tratasse.
Da Universidade enviam o nome dos homes possíveis e depois comparamos as localizações, os preços, os quartos, etc. Com o Google Maps vê-se tudo, os edifícios, as distância para a Universidade, as ruas a percorrer, tanta coisa que depois fica na nossa memória a remoer. Quero tanto que a minha filha seja feliz e que desta vez, consiga mesmo acabar o mestrado em legendagem e arranjar um emprego, uma ocupação, cá ou lá...



É isto que não me deixa dormir...por vezes.
Acordei calma e com desejos de estar em casa, sossegada, pintar, sonhar, cozinhar....sei lá....

O meu filho já regressou à comarca, estas semanas são para acabar coisas importantes e, embora as férias devesse começar no dia 15, teoricamente começarão no dia 30, tendo ele que voltar lá três dias em Agosto para efectuar o turno.

Se o vejo fora dali noutra comarca, até julgo que é mentira. Aquela terra é asfixiante, embora bonita, o meio muito fechado e os acessos terríveis. Tenho esperança de que a próxima, Melgaço, seja bem mais agradável e acessível, mas nunca se sabe o que nos espera antes de experimentarmos. Para já nem casa tem lá!

O filme da vida dos meus filhos passa constantemente na minha retina e , embora eles sejam todos maiores e vacinados, não consigo deixar de pensar nas mudanças que tudo isto provocará nas nossas vidas. Nas deles...e na minha.

Mas tenho de pensar e repensar : um dia de cada vez....

sábado, 12 de julho de 2014

Viver não custa....

Hoje estive todo o dia com os meus queridos e a pensar que daqui a 2 meses nenhum aqui estará.
Bebi cada minuto como se fosse um dos últimos.
Pode parecer dramático, mas é o que sinto, maré cheia, maré vaza...ansiedade e plenitude.

Ficam aqui fotos do pôr do sol na Foz, sempre belo...e aqui tão perto. Cheirava a maresia, não havia pinga de vento, silhuetas no molhe, 6ª feira à noitinha cheia de promessas...





quarta-feira, 9 de julho de 2014

Consumismo é bom :)

Há alturas em que precisamos de consumir para nos sentirmos mais felizes. Ontem foi um desses dias. Depois de um período de reflexão após a festa da família e troca de emails com o meu mano mais novo, fiquei inquieta e com necessidade de espairecer.

A minha filha há muito que queria ir comprar um Ipad para levar para Inglaterra e eu também me sentia tentada a adquirir um, dado que não tenho smartphones nem Iphones e viajo bastante.

Fomos ao Gaia shopping, onde só tinha ido uma vez na vida. Gostei, é muito airoso, cheio de lojas giras - o meu querido C&A, onde comprei uma blusa e uma camisola por tuta e meia - lojas de casa, farmácia, restaurantes, etc. Almoçámos por ali, um churrasco mal amanhado ( é raro gostar da comida nos shoppings), e démos uma volta, indo então à loja da Apple, onde fomos atendidos muito bem. Os preços são sempre caros, mas o atendimento merece que se vá lá, em vez de comprar na Fnac , onde o empregado nos tratou mal. Depois de muito experimentarmos, optámos pelos Air, que são mais leves que o tradicional Ipad. Viémos satisfeitas como duas crianças que acabam de receber um prémio por algo que fizeram. Esta foi a paga pelo nosso trabalho deste ano que não foi desprezível, bem pelo contrário.

Em casa, fiquei um pouco baralhada com o sistema touch, é tudo digital e faz impressão no início, mas o meu filho que passou por cá para buscar os meninos depois do futebol, esteve-me a formatar e a carregar várias aplicações interessantes, como revistas, música, etc. Ele percebe muito do assunto e para mim é ideal. Dizem que para pessoas de idade, estes iPad são muito fáceis de manejar, mas tenho algumas dúvidas!!!

O jogo foi demolidor para o Brasil, de modo que ficámos todos um pouco KO, sem querer acreditar no que se estava a passar. Até o pequenino dizia. Nunca vi tantos golos!!! Realmente, o Brasil conseguiu fazer esquecer o nosso falhanço...o povo deve estar destroçado, tanto dinheiro gasto e nem seque uma alegria e razões para sambar!

Os dias estão lindos...luminosos, parece que o verão chegou finalmente!

domingo, 6 de julho de 2014

O valor da família

Ontem fui à nossa festa de verão.

Em geral reunimo-nos todos depois do Natal e num dos meses de verão. Desta feita, foi na casa da minha Irmã na serra da Boa Viagem,  numa localização invejável com uma vista lindíssima para a praia da Figueira e pinhais da serra. A viagem é curta, embora para o meu neto mais novo seja uma "seca" e ele fique "todo partido" na parte traseira do carro, que pode levar dois banquinhos. Protestou , mas aguentou, que remédio!

A casa foi construída em 1978, entretanto adicionaram um anexo rente ao jardim que tem uma sala grande e até uma kitchenette, onde se pode encontrar tudo o que é preciso, e dispôr a comida que cada um traz de casa.

A piscina é grande e muitos foram os que se deliciaram a tomar banhos e a jogar à bola, a mergulhar e refrescar-se ( embora o dia estivesse fresquinho, q.b. ). O sol fez uma aparição fugidia, mas durante uma hora esteve uma temperatura muito agradável.

Gosto mais destas festas de verão do que da do Natal, pois os miúdos entretêm-se, não há a cerimónia das prendas, levam-se apenas umas sobremesas, bebidas e pouco mais. Não há música, pois os miudos estão sempre a jogar ou a tomar banhos e os mais velhos a pôr a vida em dia. Há tanto que dizer, tantas notícias a dar, tantas "artroses" de que falar, viagens, planos de futuro, casais que mudam de vida, concertos e eventos desportivos, é um nunca acabar de conversas díspares, retalhos da vida duma família feliz.

Passámos 7-8 horas ao ar livre com tempo para tudo. Até para dormir sestas em pleno relvado!!

É óptimo encontrar a família toda - somos 70 e tal, mas estávamos uns 50 dos 11 meses aos 72. Há sempre uns que trabalham, outros que têm compromissos, outros que não alinham ( muito poucos).

Quatro gerações já! Já há um bisneto ( que seria trisneto dos meus Pais) e uns vinte miúdos dos 12 anos para baixo, como os meus netos. Estes estão numa idade encantadora, tudo é divertido para eles, piscina, jogos tradicionais, caça ao tesouro,  estafetas, peddypapers e até ver o futebol na TV - com comentários de rir e chorar por mais, vindos da geração dos 30-40, que é a mais numerosa e já começa a ter menos frescura, mas não perde o sentido de humor que caracteriza a nossa família.

Estávamos sete irmãos, infelizmente o meu irmão mais novo não se associou ao evento por razões particulares.

Comoveu-me imenso estar com o meu Irmão mais velho, que é sempre o elo mais forte.
Enquanto ele estiver, nós as "manas" como nos chamamos, estamos debaixo dum guarda-sol e há mais coisas que nos unem do que nos desunem. Depois de algumas desavenças devido às partilhas, a idade e o bom senso imperam e temos todos a noção de que a vida é curta e os bons momentos são raros e cada vez mais preciosos.

O meu neto ainda veio para minha casa à noite para ver o jogo Holanda-Costa Rica, mas adormeceu a meio, de cansado. Hoje vai cantar na récita do Coro Silva Monteiro no Rivoli, de modo que o levei para casa antes do jogo acabar.

Enquanto houver Família alargada, não estarei só, mesmo que todos vivam a uns kms de distância...

Como dizem os ingleses " blood is thicker than water" ( o sangue é mais espesso que a água). É verdade....

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Pintura "cósmica"

Esta semana senti-me inspirada para pintar um dos meus abstractos com acrílico sobre MDF.

Tons magenta, roxos, lilás numa explosão de cor.

É uma quadro grande.






Tomo a liberdade de transcrever aqui o poema que introduz o blogue da minha Amiga Regina Gouveia: Do Caos ao Cosmos, que associo a esta pintura.

Pudera eu regressar ao silêncio infinito, 

ao cosmos de onde vim. 

No espaço interestelar, vazio, negro, frio, 

havia de soltar um grito bem profundo 

e assim exorcizar todas as dores do mundo. 

Regina Gouveia 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sophia

Conheci Sophia desde sempre. Li obras dela na escola e depois, durante muito tempo, quase a esqueci. O meu ex-, que lia muito e até escreve poesia, não apreciava a sua obra, os meus filhos não se encantaram pelas histórias que foram obrigados a ler no colégio.

Só a redescobri quando vim viver para o Campo Alegre, "paredes meias" com as casas onde Sophia viveu a sua juventude.

Ao ler " O Mundo a minha Procura" de seu primo Ruben A, consegui descobrir o encanto do mundo privilegiado em que ambos os escritores foram criados e que tanto influenciou as suas carreiras literárias e até a sua vida mais íntima.

Não sou uma apaixonada da poesia de Sophia, mas gosto muito de alguns poemas. Não me seduzem as histórias da "menina do mar", que me parece uma imitação pobre de St Exupéry e do "rapaz de bronze "- Nem o Conto da Floresta me apaixona.
Acho-as um pouco delico-doces e escritas para imitar o pensamento infantil. O que me seduz nelas é a evocação do mar da Granja ou do jardim do campo alegre, em que ela se inspirou para as escrever. Gosto, sobretudo, do que ela escreve na 1ª pessoa, pois identifico-me com muitas das suas ideias e , sobretudo, gostos.

Eu morreria de novo se fosse transladada para um panteão anos após ter sido enterrada na terra. Não havia testamento vital no tempo de Sophia, mas aposto que ela não quereria ficar num mausoléu, longe de tudo e sobretudo, longe das suas raízes e do seu mar.

Acho que esta decisão unânime foi errada, mas creio que Sophia já não sentirá claustrofobia naquele antro de mármore.
A sua alma já voou há muito para além deste mundo de politiquices e honras plebeias.

No fundo do mar ou a beijar as estrelas, Sophia já não mora aqui.



AquiAqui, deposta enfim a minha imagem, 
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem, 
No interior das coisas canto nua. 

Aqui livre sou eu — eco da lua 
E dos jardins, os gestos recebidos 
E o tumulto dos gestos pressentidos, 
Aqui sou eu em tudo quanto amei. 

Não por aquilo que só atravessei, 
Não pelo meu rumor que só perdi, 
Não pelos incertos actos que vivi, 

Mas por tudo de quanto ressoei 
E em cujo amor de amor me eternizei. 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Dia do Mar'

terça-feira, 1 de julho de 2014

O milagre da Vida

Todos os dias devíamos celebrar o milagre da Vida.
Porque ela está sempre por um fio.
Porque nada é garantido, a não ser a Morte.

Sinto-me comovida perante a perda duma pessoa que nada me é, que só conheço da televisão, que foi aluna na escola onde eu fui professora, que tem uma aparência forte mas, no fundo, é frágil como todas as mulheres perante a perda dum filho. É uma dor sem igual.


Não consigo imaginar dor semelhante. Espero nunca ter de a sentir. Porque é pressuposto os filhos morrerem depois dos Pais, é pressuposto vivermos e celbrarmos as suas pequenas vitórias e sucessos desde o dia em que nascem e modificam a nossa vida para sempre.

Como no caso da Praia do Meco, não me interrogo sobre a culpa ou a responsabilidade de quem causou este acidente, apenas me pergunto : Porquê?

Não consigo sequer pensar no consolo dos crentes.
Porque não creio numa vida no Além.
Só acredito na memória viva dos momentos que vivemos juntos.
Por isso eles são tão importantes e devem ser vividos a 100%. Pode não haver Amanhã.