domingo, 10 de agosto de 2014
sábado, 9 de agosto de 2014
Ai, Porto, como não te amar...
O Porto é o companheiro de uma vida. É charmoso, elegante, delicado e tem a base das relações para a vida: é profundamente acolhedor. Gostar de alguém deposita-nos o peso da incondicionalidade: não dá para admitir o desdém do que, na alma, é terrivelmente nosso e indiscutivelmente bom. Quem é do Porto defende a cidade com unhas e dentes porque nascer tripeiro significa ter orgulho num sotaque que não se quer perder, e isso é só um pedaço visível de tantos sentimentos menos óbvios. Defender o Porto significa levantar a bandeira da simpatia que não há noutros sítios e gostar de chamar as coisas pelos nomes: um fino nunca foi uma imperial, não há cruzeta que venha a ser cabide, nem há estrugido que possa ser tratado por refogado.
O Porto tem a melancolia dos amores que são para sempre: parece desenhado, melancólico e projeta sombras incríveis que — tenho a convicção — o sol só lhe dá a ele.
O amor traz destas cegueiras que nos permitem apreciar defeitos. É por isso que o mar pode vir gelado e ser um puzzle de rochas difíceis de desencaixar, o vento até pode vir de Norte e ser preciso travá-lo, mas não há cheiro a sargaço como aquele.
(...)
Ser do Porto é sentir a cidade como uma tatuagem que nunca precisou de estar desenhada. Confesso que não encontro esta necessidade de proteger este pintainho debaixo da asa (sem nunca ninguém nos pedir para isso) nas pessoas que nascem noutros lugares. Confesso que amigos de cidades tão diferentes não as defendem com metade da convicção que carrega esta pronúncia do Norte a que os “tontos chamam de torpe”.
Vão e vêm: são assim os estudos com dados estatísticos sobre a vida, como se ela pudesse ser tratada em gráficos. Esta semana, surgiu mais um: o Porto é a cidade mais amada pelos seus habitantes. Fica no topo da lista, adianta-se a Hamburgo, passa Colónia, finta Munique e ganha a Barcelona. Qualquer sentimento semelhante a este é mais bonito em imagens do que em todas estas palavras. E não é preciso nenhum gráfico para medir.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
ILOILO
O nome do filme que fui ver. Refere-se a uma província das Filipinas, donde muito provavelmente é originária a criada contratada pela família de Singapura.A palavra concreta em português quer dizer "concepção", uma palavra que daria um excelente título de filme e que se aplicaria aqui na perfeição.
O filme retrata a gravidez real duma mãe que quase ignora o filho de dez anos, travesso e difícil de lidar. mas também se refere à concepção lenta e gradual duma amizade profunda entre a criada filipina que subitamente surge nas suas vidas e o rapazola travesso e, aparentemente, incapaz de afecto, castigado na escola e ignorado pelos pais que trabalham todo o dia numa economia em crise.
Estamos nos anos 90.
A naturalidade dos ambientes retratados, a simplicidade dos gestos, o uso dos utensílios domésticos, a importância das coisas neste filme para lá das pessoas - um album de recortes de jornal, uma foto dum avô, um anuncio de uma seita, o tamagoshi, o walkman, os cigarros Marlboro, a panela da sopa, o papel higiénico, tudo faz parte dum mundo urbano e extremamente corriqueiro onde decorre a vida difícil do casal de classe média naqueles meses em que a gravidez se desenrola e a criança subitamente se torna adolescente.A criada é um mal necessário, mas é ela que acaba por redimir a família com a sua humildade, presença permanente, afecto e preocupação por todos. Uma performance low profile, mas que nos fica na memória.
O filme não é delicodoce, é parco em palavras e em olhares, mas tem aquele je ne sais quoi oriental que me atrai sempre.
Não sei se aconselharia este filme a todos, talvez apenas aos que estão cansados de americanadas...é tão refrescante ouvir falar outras línguas ( embora o inglês seja a língua que se fala em Singapura).
Adoro estas tardes com a minha filha e penso como será quando ela partir também. É ela que me guia no shopping enorme, onde faço sempre confusão entre as escadas rolantes, é ela que fica na fila dos bilhetes enquanto eu peço o almoço no "Jerónimo", é ela que me acompanha ao Jumbo onde compramos as nossas iguarias (!), é ela que pega nos sacos para eu poder andar livremente...nuca se cansa, nunca mostra estranheza ou desencanto.
A minha filha é uma joia....sorri apenas e fala pouco. Mas eu sei que ela está bem.
Além do mais, ver um filme com uma pessoa inteligente é uma benesse.Sou uma privilegiada em tudo.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Turismo ao pé da porta
Nada melhor do que ver a nossa cidade como ela merece ser vista. Como se fôssemos turistas e não vivêssemos cá. Tudo parece diferente.
Foi o que a minha Luisa e eu fizémos hoje à tardinha. Saímos de casa pelas 7, metemo-nos num taxi, pois daqui para a Ribeira é perto, mas não há autocarros; saímos perto da Praça do Cubo e descemos a rua íngreme até ao rio, misturando-nos com as pessoas que por ali passeavam.
Quando lá chegámos havia uma brisa que convidava a um passeio de barco ao pôr do sol. Olhei para a minha filha, ela olhou para mim e só dissémos: Vamos?
O último barco era às 7.30. Havia dezenas de pessoas a passear , a beber um copo, a contemplar a vista esplendorosa da ponte Luiz I, a namorar, sentados nos muros, nas escadinhas, nas esplanadas, em tudo quanto é sítio...Uma autêntica paleta de gente, sotaques, línguas, risos e boa disposição. Ir à Ribeira é muito mais pitoresco do que ir à Foz, local pouco animado à noite.
Não nos arrependemos. As pontes do Porto são seis e o barco faz a volta toda....pode-se ver Gaia e toda zona ribeirinha do Porto quase até à Foz. O barco ia apinhado, mas consegui tirar quase 50 fotos para além de gozar do passeio.
Há sensações que não se descrevem, já há uns 15 anos que não fazia este passeio e a espontaneidade da decisão recompensou-nos duplamente. A hora era boa e a tare estava de sonho.
A luz do sol já era frágil, a Lua crescente erguia-se no céu, o barco deslizava e diante de nós desfilavam varandas de filigrana das cores mais diversas, roupa a secar, crianças a correr, pescadores, barcos rabelos, Caves do vinho do Porto, torres de igrejas, casas degradadas, restaurantes, jardins e gente, gente feliz.
Em Lagos, a história era a mesma, os portugueses são explorados em todo o lado. Mas sem eles não haveria quem manejasse os barcos, quem conhecesse o rio ou as grutas de Lagos. Esta gente devia ser muito bem paga. E senhores do seus barcos, mas tem de se submeter às ordens dos patrões, alguns estrangeiros que investem o seu dinheiro e ganham balúrdios, sobretudo nesta época. Uma tristeza....
Jantámos no restaurante do costume Filha da Mãe Preta, onde o empregado, um castiço, nos saudou como se fôssemos umas rainhas. Os rojões estavam um mimo, os pastelinhos de bacalhau de sonho, a cerveja fantástica e tudo ficou em 23 euros. Inacreditável. Só em Portugal....
Ainda tivémos a benesse de ver um espectaculo de bolas de sabão gigantescas, que um artista formava na praça do Cubo para gáudio das crianças que as queriam apanhar em vão. As bolas translúcidas reflectiam as luzes amarelas dos candeeiros antigos e tornavam a cena absolutamente indescritível.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Em direcção ao Infinito
Há uns dias que ando a pintar estes quadros.
Gosto muito do azul. Não tem nome. É puramente abstracto.
O do mar está menos conseguido.
Não sei se esta é a versão final. Deu-me muito trabalho e retoquei-o mais de vinte vezes, mudando ou acrescentando cores, usando gel, espátula, pincel ou os meus dedos.
Sei que está vivo, que me sugere movimento, mas as cores ainda não me agradam totalmente....
Não que me importe com isso. Van Gogh modificava as cores todas, dava-lhe brilhantismo, daí gostar tanto dos seus quadros mais vivos. Nada correspondia exactamente aquilo que ele via.
Fica aqui um poema do meu irmão escrito em castelhano.
Deste gosto mesmo. Sem reservas.
Ele enviou-me uma colecção para dar opinião. Adoro-os.
Destinam-se a um livro futuro.
Não sei se ele se vai zangar comigo por transcrevê-lo, mas não resisti:
NADAR
Mirando el mar,
Deseé ser un prolongamiento de mi mismo
Hasta el horizonte
Quisiera descubrir el significado de todas
las palabras de todos los idiomas
Del portugués al sánscrito
Desde aquí hacia el infinito.
Y beber de un sólo trago,
Como un destino,
Todo lo que hay después de aquello que
acaba
Pero que no termina.
Mirando el mar,
Deseé tener la fuerza y la voluntad
De dar un grito
Correr hacia el agua
Nadar
Nadar
Hasta ahogarme
En el infinito.
Pero todavía estoy
aquí…
MÁRIO CORDEIRO
Obrigada, Mano pela inspiração.
Quando nado na piscina azul, também tenho desejos de me afogar no infinito....e por vezes até tenho a sensação de que isso é possível...
Gosto muito do azul. Não tem nome. É puramente abstracto.
O do mar está menos conseguido.
Não sei se esta é a versão final. Deu-me muito trabalho e retoquei-o mais de vinte vezes, mudando ou acrescentando cores, usando gel, espátula, pincel ou os meus dedos.
Sei que está vivo, que me sugere movimento, mas as cores ainda não me agradam totalmente....
Não que me importe com isso. Van Gogh modificava as cores todas, dava-lhe brilhantismo, daí gostar tanto dos seus quadros mais vivos. Nada correspondia exactamente aquilo que ele via.
Fica aqui um poema do meu irmão escrito em castelhano.
Deste gosto mesmo. Sem reservas.
Ele enviou-me uma colecção para dar opinião. Adoro-os.
Destinam-se a um livro futuro.
Não sei se ele se vai zangar comigo por transcrevê-lo, mas não resisti:
NADAR
Sentado en la arena,
Mirando el mar,
Deseé ser un prolongamiento de mi mismo
Hasta el horizonte
Quisiera descubrir el significado de todas
las palabras de todos los idiomas
Del portugués al sánscrito
Desde aquí hacia el infinito.
Y beber de un sólo trago,
Como un destino,
Todo lo que hay después de aquello que
acaba
Pero que no termina.
Sentado en la arena
Mirando el mar,
Deseé tener la fuerza y la voluntad
De dar un grito
Correr hacia el agua
Nadar
Nadar
Hasta ahogarme
En el infinito.
Pero todavía estoy
aquí…
Obrigada, Mano pela inspiração.
Quando nado na piscina azul, também tenho desejos de me afogar no infinito....e por vezes até tenho a sensação de que isso é possível...
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Aquaterapia
Hoje comecei uma nova vida, ou seja, recuperei a minha vida que há uns anos estava condicionada pela saúde, pelos netos e também pelo tempo...
Há anos que não frequentava nenhum health clube, deixei o Solinca há uns três anos depois de chegar à conclusão de que me cansava mais para lá chegar do que ganhava em exercício físico.
Não gostava do ambiente, os frequentadores eram tudo de executivo para cima, meninas muito esbeltas e eu sem paciência para aturar aquela gente. Na altura tinha um personal trainer - um balúrdio - que me deixava mensagens no tm a dizer que ia faltar ou que chegava mais tarde, passavam o tempo a insistir em que fizesse banhos disto e daquilo, massagens anti celulite e o diabo a 4. A piscina era subterrânea, fazia-me lembrar aquele lago do Fantasma da Ópera, muito escura e com desenhos de floresta tropical nada animadores. O melhor era o jacuzzi, que funcionava na perfeição e o bar que tinha comida saudável a um preço simpático.
Saí, mas eles obrigaram-me a pagar mais um mês, apesar de ter apresentado um atestado médico. Nunca mais me apanham lá.
Hoje voltei ao antigo Premier, o meu primeiro amor.Foi fantástico enquanto durou. Os filhos partiram e fiquei sozinha, mas fiel. Depois das aulas, em vez de dormir uma sesta, ia para o clube e nadava durante horas. A piscina, com uma parte em claraboia cheia de sol era divinal pois dava a sensação de estarmos na praia. A sauna excelente e um jacuzzi também muito agradável.
Hoje voltei lá. Tem um novo nome, mas as instalações continuam simples e acolhedoras. Na lojinha comprei uma touca, umas havaianas e um aloquete, tudo por 10 euros!
Paraíso. Entrar naquela água morna, nadar, boiar, encostar-me às bordas e fazer exercícios, experimentar o joelho para cima e para baixo é fantástico porque dentro de água tudo parece fácil. Estava lá uma senhora que esteve horas a nadar de costas com um esparguete ( aqueles tubos de espuma). Depois de meia hora, saí e deitei-me na espreguiçadeira ao sol a ouvir música do meu Ipod. Senti-me a pessoa mais privilegiada do mundo. Voltei daí a meia hora e tornei a nadar, desta vez com mais vigor fiz umas dez piscinas sem parar. Sentia-me bem, o coração feliz.
Comi uma sopinha no bar: abóbora, cenoura, alho francês e nabo. Estava deliciosa....e custou 1-30.
Depois de sair fui ao novo centro do Bom Sucesso, que estava cheio
de gente nova, tudo sentado nas esplanadas, a beber e a comer ou a ler. O ambiente era maravilhoso. Comprei peixe no mercado e ameijoas para experimentar fazer em casa. O mercado parece de revista está lindíssimo e apetecível. Ainda passei pela Leitaria da Quinta do Paço - a melhor confeitaria do Porto - donde trouxe o pecado máximo: duas bolas de berlim com chantilli!!! À vinda de autocarro ainda passei pela Araújo e sobrinho para comprar um gel novo e umas tintas que quero experimentar.
A minha vida mudou a partir de hoje. Sinto-me bem, rejuvenescida....quero melhorar e sobretudo, quero aproveitar tudo o que há de bom enquanto posso.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Domingo sem história
Um verdadeiro domingo feliz.
Passado com parte da família, dois filhos calmos e adultos. Como se nunca tivessem saído de casa, estão aqui à vontade.
Uma das coisas que admiro na minha filha é a sua presença sempre sorridente e feliz. Sai todos os dias , mas vem com flores, fruta ou pão do supermercado.
O meu filho é mais reservado, mas sei que se sente bem aqui...os comandos da Tv são dele (!), o laptop está à sua disposição para poder ouvir as suas bandas preferidas ou escrever no FB.
O trabalho do tribunal não pára. Já devia ter entrado em férias a 15 de Julho e vai ficar até ao dia 10 na comarca a acabar sentenças. Quem diz que a justiça é morosa, devia ir assistir a uns dias de trabalho dos juizes novos nestas comarcas de província, cheias de complicações e dificuldades em agilizar os processos. Por vezes, a net vai abaixo e o acesso aos dados do Ministerio fica vedado, o que atrasa imediatamente os serviços, sem falar da falta da electricidade que impede a gravação obrigatória dos julgamentos. Um país subdesenvovido numas coisas e demasiado actualizado noutras.
Felizmente, em Setembro, irá mudar de comarca, pelo menos nesta estará a dois kms de Espanha, se quiser sair do país para arejar.

À tardinha, depois de termos assistido a mais um jogo de preparação do FCP contra o Everton - não jogaram mal, mas a equipa ainda está perra.... fiz uma tarte de amêndoa que o meu filho adora e um lombo assado com batata a murro para o jantar. Tudo como dantes....
Como o meu filho saiu logo a seguir, pois tinha de acabar umas sentenças, a minha filha e eu resolvemos ver o Lago dos Cisnes completo do Brava HD.
Fechámos as luzes e estivémos as duas embebidas nos amores torturados de Siegfried e Odete, princesa transformada em cisne por um feiticeiro.
Este bailado tem acompanhado a minha existência, desde os 10 anos quando as minhas irmãs trouxeram dois discos do festival de Edimburgo em 1956, cuja capa ( a que se vê aqui) ainda encontrei na Internet.
Na altura, contaram-me a história - ou eu li-a nas capas dos discos e fiquei apaixonada por aquela obra, que ouvi vezes e vezes sem conta. Sentava-me no chão junto ao "pick-up" ( nome dado à aparelhagem) e sonhava com os cisnes, o lago, os amores desventurados e a dança....
Mais tarde os meus pequenitos adoravam as canções da Ana Faria baseadas em peças clássicas e no leitmotif do bailado; todos em casa conheciam e cantavam Tchaikowsky sem saber.
A minha Luisa comoveu-se no fim, quando a música se torna plangente, mesmo dramática e chorou, o que não é habitual nela....O concerto foi transmitido do Covent Garden em Londres e a bailarina principal era excepcional.
Fica aqui um excerto - o final - para se deleitarem....
Passado com parte da família, dois filhos calmos e adultos. Como se nunca tivessem saído de casa, estão aqui à vontade.
Uma das coisas que admiro na minha filha é a sua presença sempre sorridente e feliz. Sai todos os dias , mas vem com flores, fruta ou pão do supermercado.
O meu filho é mais reservado, mas sei que se sente bem aqui...os comandos da Tv são dele (!), o laptop está à sua disposição para poder ouvir as suas bandas preferidas ou escrever no FB.
O trabalho do tribunal não pára. Já devia ter entrado em férias a 15 de Julho e vai ficar até ao dia 10 na comarca a acabar sentenças. Quem diz que a justiça é morosa, devia ir assistir a uns dias de trabalho dos juizes novos nestas comarcas de província, cheias de complicações e dificuldades em agilizar os processos. Por vezes, a net vai abaixo e o acesso aos dados do Ministerio fica vedado, o que atrasa imediatamente os serviços, sem falar da falta da electricidade que impede a gravação obrigatória dos julgamentos. Um país subdesenvovido numas coisas e demasiado actualizado noutras.
Felizmente, em Setembro, irá mudar de comarca, pelo menos nesta estará a dois kms de Espanha, se quiser sair do país para arejar.

À tardinha, depois de termos assistido a mais um jogo de preparação do FCP contra o Everton - não jogaram mal, mas a equipa ainda está perra.... fiz uma tarte de amêndoa que o meu filho adora e um lombo assado com batata a murro para o jantar. Tudo como dantes....
Como o meu filho saiu logo a seguir, pois tinha de acabar umas sentenças, a minha filha e eu resolvemos ver o Lago dos Cisnes completo do Brava HD.
Fechámos as luzes e estivémos as duas embebidas nos amores torturados de Siegfried e Odete, princesa transformada em cisne por um feiticeiro.
Este bailado tem acompanhado a minha existência, desde os 10 anos quando as minhas irmãs trouxeram dois discos do festival de Edimburgo em 1956, cuja capa ( a que se vê aqui) ainda encontrei na Internet.
Na altura, contaram-me a história - ou eu li-a nas capas dos discos e fiquei apaixonada por aquela obra, que ouvi vezes e vezes sem conta. Sentava-me no chão junto ao "pick-up" ( nome dado à aparelhagem) e sonhava com os cisnes, o lago, os amores desventurados e a dança....
Mais tarde os meus pequenitos adoravam as canções da Ana Faria baseadas em peças clássicas e no leitmotif do bailado; todos em casa conheciam e cantavam Tchaikowsky sem saber.
A minha Luisa comoveu-se no fim, quando a música se torna plangente, mesmo dramática e chorou, o que não é habitual nela....O concerto foi transmitido do Covent Garden em Londres e a bailarina principal era excepcional.
Fica aqui um excerto - o final - para se deleitarem....
domingo, 3 de agosto de 2014
Domingo com Missa
Não sou praticante, nem sequer devota. Mas emociono-me com música sacra bem cantada e tocada. Gostaria de poder ir todos os domingos a uma igreja onde se cantasse a missa como se fosse um concerto. Até me ajudaria a acreditar em Deus.... alguma música sacra, como a de Bach ou de Mozart, elevam os não fieis até aos céus.
Hoje estou a ouvir o Mezzo, o canal mais apetecido por mim de toda a TV, aquele que me anima nas horas de solidão, que me transmite beleza, perfeição e paz. É um canal que nunca me desilude, mesmo quando transmite ópera ou jazz, são sempre programas que me ensinam algo sobre música e me deixam o espírito livre.
Ouvir este maestro John Eliot Gardiner, que durante anos foi o maestro titular na igreja de St Martin-in-the Fields em Londres, a dirigir a Missa em C-minor de Mozart, chamada
Missa Solemnis, com a orquestra nacional da Suécia e um coro magistral faz-nos acreditar em Deus, na presença divina qualquer que ela seja, algo de grandioso e acima de nós mortais.
A harmonia é tal, a consonância com os instrumentos e vozes de tal modo sublime, que fico extasiada, o fulgor e brilhantismo ultrapassam todas as performances que, em geral, ouvimos.
Nunca esquecerei a comoção e beleza daquele momento. Foi certamente um dos dias mais felizes da minha vida.
Mozart estava inspirado quando criou esta missa....e outras. Há quem o considere um compositor rococo, leve e até sensual ( se isso tem significado na música clássica), mas acima de tudo, Mozart é na minha opinião, duma sensibilidade que dói, duma harmonia sem par.
Nunca compreendi como é que uma personalidade tão controversa quanto genial nos deixou peças de uma religiosidade profunda como esta, ele que andava pelo vaudeville e levava uma vida boémia, desprezado por grande parte dos seus contemporâneos e morrendo na miséria.
sábado, 2 de agosto de 2014
É a chuva
que me faz alegrar....
O espírito de contradição que o meu Pai dizia ser o meu pior defeito - para além da precipitação, da falta de tacto, a espontaneidade em demasia e outros mais - fez com que me sentisse mais leve hoje num dia em que ne vi o sol.
Comecei o dia com uma decisão brilhante. Tencionava ir passar oito dias à Praia da Luz - desta feita para um hotel, já que a nossa casa está ocupada - obrigando o meu filho a conduzir estes 620 kms do demo, auto-estradas+autoestradas até quase à porta do hotel, só para ele ter o prazer de voltar aquele lugar que todos amamos desde sempre. Tomei a decisão em Março, ainda nem tinha ido para lá com a minha filha.
Asneira total. Passados quatro meses não nos apetecia a nenhum de nós ir. Sobretudo a mim mas também ao condutor do veículo, que passou o ano a "passear" pela estrada 222 que vai da Régua a S. João da Pesqueirae tem pelo menos 222 curvas!!
O que vale é o Booking.com. Em dez minutos, ( garanto-vos que não foi mais) cancelei os quartos da Luz, que custavam um balúrdio ( devia estar maluca quando decidi ir para lá) e marquei outros no Hotel Axis de Ofir, onde passámos dois dias há bem pouco tempo. A distância daqui lá são 43km, que se fazem em 45 minutos, os quartos excepcionais ficam por 1/3 do preço ( é inacreditável!!) e o hotel é muito melhor, pelo menos pelo que se vê nas fotografias. Nem sei como havia quartos livres! Ou antes, a culpa é do nevoeiro, da nortada, da falta de diversão....mas a mim nada disso me assusta. A piscina é óptima e a praia, uma das mais lindas que conheço.
Convoquei os meus filhos para um almoço e propus-lhes a troca. Como sempre disseram: a Mãe é que sabe, faça como quiser. O meu filho acrescentou: "Eu só ia para estar consigo". Eu sabia!!
Depois do almoço telefonou-me o meu filho João pelo skype e então estive a ouvir os meus netos a descreverem o que fizeram ontem na Disney World. Morreria de medo se tivesse entrado em tais locais mais tenebrosos: Indiana Jones, Star Wars e Peter Pan....ficaram-me na memória. O pequenino dizia que tinha voado, ainda estou para saber como!!! Tem de me explicar para eu poder ir lá ter com eles num ápice!!
Afinal, tenho de concordar: o skype é bom, matou-me 1 milionésimo das saudades! A vida continua.....
O espírito de contradição que o meu Pai dizia ser o meu pior defeito - para além da precipitação, da falta de tacto, a espontaneidade em demasia e outros mais - fez com que me sentisse mais leve hoje num dia em que ne vi o sol.
Asneira total. Passados quatro meses não nos apetecia a nenhum de nós ir. Sobretudo a mim mas também ao condutor do veículo, que passou o ano a "passear" pela estrada 222 que vai da Régua a S. João da Pesqueirae tem pelo menos 222 curvas!!
O que vale é o Booking.com. Em dez minutos, ( garanto-vos que não foi mais) cancelei os quartos da Luz, que custavam um balúrdio ( devia estar maluca quando decidi ir para lá) e marquei outros no Hotel Axis de Ofir, onde passámos dois dias há bem pouco tempo. A distância daqui lá são 43km, que se fazem em 45 minutos, os quartos excepcionais ficam por 1/3 do preço ( é inacreditável!!) e o hotel é muito melhor, pelo menos pelo que se vê nas fotografias. Nem sei como havia quartos livres! Ou antes, a culpa é do nevoeiro, da nortada, da falta de diversão....mas a mim nada disso me assusta. A piscina é óptima e a praia, uma das mais lindas que conheço.
Convoquei os meus filhos para um almoço e propus-lhes a troca. Como sempre disseram: a Mãe é que sabe, faça como quiser. O meu filho acrescentou: "Eu só ia para estar consigo". Eu sabia!!
Depois do almoço telefonou-me o meu filho João pelo skype e então estive a ouvir os meus netos a descreverem o que fizeram ontem na Disney World. Morreria de medo se tivesse entrado em tais locais mais tenebrosos: Indiana Jones, Star Wars e Peter Pan....ficaram-me na memória. O pequenino dizia que tinha voado, ainda estou para saber como!!! Tem de me explicar para eu poder ir lá ter com eles num ápice!!
Afinal, tenho de concordar: o skype é bom, matou-me 1 milionésimo das saudades! A vida continua.....
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
A distância que se encurta...numa ilusão de óptica
Quando era jovem viajei várias vezes sem a família. Era o tempo das cartas, não havia telefone, uma chamada custava um balúrdio e não durava nada.
Foi assim que estive em Londres dois meses, em Bonn um mês, em Viena de Áustria um mês e meio, tudo no início do s anos 70.
Foi mesmo um sacrifício dos grandes, visto que as viagens não eram turísticas mas de trabalho não remunerado. Os objectivos eram aprender alemão!!
Em Londres preparei a minha tese de licenciatura, vivendo em casa duma amiga portuguesa casada com um australiano com cinco filhos. Durante a manhã trabalhava na biblioteca da Universidade, levando um snack para comer ao almoço. Pelas 3 saía e percorria o caminho todo até à Oxford Street - uns dois kms - onde me deleitava a namorar as lojas com objectos encantatórios, a mim que vivia numa Lisboa pobre em matéria de comércio, ainda sem grandes armazens nem shopping centres. Tudo me parecia lindo, deambulava pelos Selfridges, olhava-me nos espelhos da secção de cosmética, percorria as secções de casa, sempre com lençóis, almofadas, cobertas e acessórios de encher o olho. Nada comprava, pois o dinheiro já mal chegava para viver. O meu luxo era comer umas panquecas com natas e syrup no Old Kentucky que depois se transformou em Pizza Hut ou coisa que o valha.

Em Bonn passava os dias a tomar conta de miudos dos 4 aos 10 anos, uma família enorme de crianças tipicamente alemãs, com calções de couro todos iguais. Só havia uma menina, a Petra, que era muito manhosa e pouco simpática. O Pai trabalhava num supermercado a acartar caixotes e quando chegava, tomava um duche e sentava-se ao piano. Nunca tal cena poderia passar-se em Lisboa....foram dias e dias muito longos, sem distrações, dei um suspiro de alívio quando me vim embora de comboio numa viagem que durava dois dias, sem conforto de espécie nenhuma. Fiz isto para aprender alemão e a verdade é que aprendi mesmo, já que ninguém falava português.
Na Áustria estive em casa duns amigos do meu Avô - uma família que já tinha pergaminhos e uma editora de renome em Viena. Fui para frequentar um curso de Alemão na universidade e tomar conta dos miudos - dois - durante a tarde. Não gostei da experiência, pois na universidade só havia russos, jugoslavos, romenos e polacos. Ninguém dos países ocidentais, nem das Américas. Mesmo assim criei laços de amizade com uma rapariga jugoslava que falava menos mal inglês. Mal comunicava com os meus Pais e tinha imensas saudades.
Tudo isto para confirmar (?) aquilo que me têm dito os amigos: com o skype e emails nem vais dar pela falta dos teus netos!! Ou seja esses meios de comunicação substituem ou preenchem o vazio que sentes por não os veres! Nada de mais falso. Então prefiro a honestidade bruta do meu ex-marido que me diz: "Claro que ficaste desolada! Tu só pensas neles o tempo todo!"
Penso é que quanto mais os vir no écran, mais saudades tenho de lhes tocar e de os abraçar.
Ontem recebi dois mails do meu querido neto, qual deles mais querido e outros do filho e da nora, este com fotos dos meninos a tomar banho nas águas do Pacífico.
Já tinham pranchas e tudo!! A viagem fora uma "seca" ( sic), sobretudo a entrada nos EU, mas já estavam em Los Angeles em casa duns amigos e " a vida era bela". O meu neto dizia que estava a contar os dias para a minha ida.....e que me responderia a todos os mails que eu escrevesse quando me sentisse só. Mandou-me um beijo do tamanho do Burj Khalifa , que desconhecia totalmente. Afinal é o arranha-céus mais alto do mundo. É com as crianças que mais aprendemos!! :)
A vida agora é mais colorida, as viagens mais fáceis, aguenta-se melhor o desconforto. Mas a distância continua a existir.
Sinto um peso enorme quando olho para o pátio ou para a rua, quando me sento só nesta sala enorme e antevejo um longo inverno de silêncio e depressão...dava tudo para ouvir os meus netos ou sentir as suas carícias....
Foi assim que estive em Londres dois meses, em Bonn um mês, em Viena de Áustria um mês e meio, tudo no início do s anos 70.
Foi mesmo um sacrifício dos grandes, visto que as viagens não eram turísticas mas de trabalho não remunerado. Os objectivos eram aprender alemão!!
Em Londres preparei a minha tese de licenciatura, vivendo em casa duma amiga portuguesa casada com um australiano com cinco filhos. Durante a manhã trabalhava na biblioteca da Universidade, levando um snack para comer ao almoço. Pelas 3 saía e percorria o caminho todo até à Oxford Street - uns dois kms - onde me deleitava a namorar as lojas com objectos encantatórios, a mim que vivia numa Lisboa pobre em matéria de comércio, ainda sem grandes armazens nem shopping centres. Tudo me parecia lindo, deambulava pelos Selfridges, olhava-me nos espelhos da secção de cosmética, percorria as secções de casa, sempre com lençóis, almofadas, cobertas e acessórios de encher o olho. Nada comprava, pois o dinheiro já mal chegava para viver. O meu luxo era comer umas panquecas com natas e syrup no Old Kentucky que depois se transformou em Pizza Hut ou coisa que o valha.

Em Bonn passava os dias a tomar conta de miudos dos 4 aos 10 anos, uma família enorme de crianças tipicamente alemãs, com calções de couro todos iguais. Só havia uma menina, a Petra, que era muito manhosa e pouco simpática. O Pai trabalhava num supermercado a acartar caixotes e quando chegava, tomava um duche e sentava-se ao piano. Nunca tal cena poderia passar-se em Lisboa....foram dias e dias muito longos, sem distrações, dei um suspiro de alívio quando me vim embora de comboio numa viagem que durava dois dias, sem conforto de espécie nenhuma. Fiz isto para aprender alemão e a verdade é que aprendi mesmo, já que ninguém falava português.
Na Áustria estive em casa duns amigos do meu Avô - uma família que já tinha pergaminhos e uma editora de renome em Viena. Fui para frequentar um curso de Alemão na universidade e tomar conta dos miudos - dois - durante a tarde. Não gostei da experiência, pois na universidade só havia russos, jugoslavos, romenos e polacos. Ninguém dos países ocidentais, nem das Américas. Mesmo assim criei laços de amizade com uma rapariga jugoslava que falava menos mal inglês. Mal comunicava com os meus Pais e tinha imensas saudades.
Tudo isto para confirmar (?) aquilo que me têm dito os amigos: com o skype e emails nem vais dar pela falta dos teus netos!! Ou seja esses meios de comunicação substituem ou preenchem o vazio que sentes por não os veres! Nada de mais falso. Então prefiro a honestidade bruta do meu ex-marido que me diz: "Claro que ficaste desolada! Tu só pensas neles o tempo todo!"
Penso é que quanto mais os vir no écran, mais saudades tenho de lhes tocar e de os abraçar.
Ontem recebi dois mails do meu querido neto, qual deles mais querido e outros do filho e da nora, este com fotos dos meninos a tomar banho nas águas do Pacífico.
Já tinham pranchas e tudo!! A viagem fora uma "seca" ( sic), sobretudo a entrada nos EU, mas já estavam em Los Angeles em casa duns amigos e " a vida era bela". O meu neto dizia que estava a contar os dias para a minha ida.....e que me responderia a todos os mails que eu escrevesse quando me sentisse só. Mandou-me um beijo do tamanho do Burj Khalifa , que desconhecia totalmente. Afinal é o arranha-céus mais alto do mundo. É com as crianças que mais aprendemos!! :)
A vida agora é mais colorida, as viagens mais fáceis, aguenta-se melhor o desconforto. Mas a distância continua a existir.
Sinto um peso enorme quando olho para o pátio ou para a rua, quando me sento só nesta sala enorme e antevejo um longo inverno de silêncio e depressão...dava tudo para ouvir os meus netos ou sentir as suas carícias....
Subscrever:
Mensagens (Atom)








