segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Cá estamos neste paraíso


Estou sentada num sofá do quarto, o sol está me a dar na cara e quase não vejo o écran, mas este calorzinho depois de vários banhos de piscina e dum duche quente está-me a saber pela vida. Quando chegámos pela 1 da tarde estava nevoeiro e, embora o mar estivesse calminho, a bandeira era amarela e depois ficou vermelha. Os banheiros não vêem o mar donde estão, de modo que proibem as pessoas de tomar banho, o que é um disparate total. Mais valia terem um barco que andasse junto à costa a vigiar os atrevidos ( o problema era se os atropelavam!!!).

O nosso quarto desta vez fica situado noutra ala do hotel,

virado a poente, mas sem a bela vista de mar que tanto me encantou há um mês quando cá estive com o meu neto num fim de semana. Como está nevoeiro, não se consegue ver o mar, apenas o pinhal mesmo em frente do quarto - com passarinhos a cantar - e a piscina, onde ainda há crianças aos gritinhos histéricos como é seu hábito. Muitas delas são espanholas, pois vem muita gente da Galiza para aqui. Ofir fica a meio caminho entre o Porto e Viana do Castelo e dá para visitar o Minho todo em dois dias.

O ambiente é de paz total. Perco a noção do tempo e se não fosse ter de almoçar e jantar,  nem sequer me preocupava com as horas. Mas aqui come-se divinalmente, de modo que as refeições fazem parte do prazer de aqui estar.

Há pouco dei uma volta pelo povoado e descobri um novo mini-mercado que vende fruta maravilhosa. As uvas são mel...trouxe para ter aqui no quarto, porque sem fruta, fico infeliz...

Depois do jantar vamos dar a nossa volta pela praia a ver o pôr do sol. Está fresco, mas não há pinga de vento.

Nem uma agulha bule nestes pinheiros que entrevejo pela janela.....


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Daqui a uma hora parto de novo para um dos locais que mais prezo aqui no Norte: OFIR


Vivi em Esposende durante seis meses em 1977 quando o meu filho mais velho fez um ano.

O meu marido era juiz e tinha muito trabalho pois a comarca estivera sem juiz durante mais de um ano. Passava os dias metido no tribunal e mesmo aos fins de semana, trabalhava nos processos sem cessar. Estive sempre muito só - à excepção duma visita dos meus Pais durante uma semana e das visitas da minha sogra, com quem não me dava especialmente bem e que, pessoalmente,  detestava praia.

Os meus dias eram sempre iguais. Ia de manhã com o meu filho à praia, que ficava ainda a  1km da nossa casa, às vezes apanhava o shuttle, um combóinho muito giro que fazia o percurso, vila -praia. Só ia de manhã porque as tardes eram ventosas e o João ainda muito pequeno.

Com ele não parava, ele já andava - mal - mas corria de gatas pela areia e eu não podia relaxar nem um minuto. Tomar banho, nem pensar, só com ele ao colo e mesmo assim....

Andávamos nas pocinhas com outros meninos, via as tricotadeiras a fazerem as camisolas de lâ poveira ou as toalhas e colchas lindíssimas em crochet,  esperava pelo shuttle ou vinha a pé e assim se ia a manhã.
Depois ele e eu dormíamos uma sesta e à tarde, íamos à vila passear e tomar um chá, fazer compras ou só ver montras.


Em Outubro tive de mudar de casa para o Porto onde era professora efectiva e só aos fins de semana voltava a Esposende. Era um oásis, pois viver com a minha sogra nunca foi " a minha praia" (;-)

Fiquei a amar as praias do norte que mal conhecia e ainda hoje não troco a beleza das dunas e areais imensos pela água transparente do Algarve....

Hoje volto para mais uma estadia com a minha filha, antes dela partir para Leeds....vai ser óptimo, estamos sempre bem as duas, quer chova ou faça sol.

Mas espero que faça muito SOL!!! E não haja nevoeiro ou vento. Até logo!

sábado, 16 de agosto de 2014

Fins de tarde de verão


Há momentos únicos nas tardes de verão....

Não há tardes de inverno...

As cores dum pôr do sol no verão são vibrantes, luminosas e magníficas. Sobretudo à beira mar....seja com o sol pela frente ou a morrer ao lado.

Um jantar em Matosinhos- que ficou por 13 euros (2 pessoas) no restaurante do piso 2 do edifício transparente com vista para a praia e Castelo do Queijo - depois,  ver o dia a terminar e a minha filha a dançar e a cantar no meio da praia com a felicidade espelhada no rosto...a isto chamo eu plenitude.

Talvez ninguém tenha a sorte que eu tenho de ter uma filha especial. Tão especial que estar ao pé dela me faz bem à alma, me enche de esperança, me dá forças para viver. Vai ser difícil deixá-la partir uma vez mais...

Aqui ficam as fotos desta tarde maravilhosa - mais uma que se vai.








sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Nunca digas nunca - AND SO IT GOES!






É um filme americano.

O próprio título é cliché, a história banal, a música delico-doce, o enredo simplório e linear, os sentimentos vulgares, a paisagem corriqueira...

Os críticos nem se dignaram escrever-lhe uma crítica.

No entanto, hoje foi este o elixir que me elevou o ânimo, já que andava com o astral bastante por baixo, como já constataram com certeza.

Não há nada como uns pózinhos de diálogo inteligente, interpretações imaculadas, dois actores maduros e a nossa própria condescendência na aceitação dos factos, para nos fazer gostar de filmes que em condições normais consideraríamos "pepineiras".






Lacrimejei como Diane Keaton a cantar oldies num bar cheio de velhotes e enterneci-me com Michael Douglas a recusar veementemente o seu papel de Avô, Michael Douglas que nunca foi um dos meus favoritos. Agora já velho está mais convincente e comoveu-me.

Não vão ver o filme.... só eu, no meu estado "catatónico", poderia gostar assim tanto dele.


PS. A minha filha tb gostou. Se calhar o filme não é tão piroso como isso!!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O verão do nosso (des)contentamento



Faz hoje um ano estava na praia da Luz com a família inteira. A minha nora fez anos e houve festa rija na minha casa com danças e música a granel.


Este ano estou sozinha com a minha filha no Porto, o meu filho ainda está no Douro vinhateiro a contas com trabalho no tribunal ( antes estivesse nas vindimas), os meus netos andam a percorrer a Califórnia no seu novo ( velho) carro acabado de comprar e a vida mudou completamente no espaço de 365 dias.

As férias do ano passado foram arriscadas pois nem sempre se consegue estar 15 dias numa casa com três crianças, vida de praia, refeições e harmonia entre todos. Houve alguns pequenos desaguisados, mas foi tudo muito  calmo e cada um teve férias, o que é muito importante. A minha nora deu-me no Natal um álbum feito por ela com as fotos mais significativas dessas férias e nas nossas expressões faciais nota-se bem a maravilha que é estar juntos e sentirmo-nos uma família.



Não sou muito de gozar férias com muita gente, prefiro a calma e os meses menos concorridos - Agosto é o mais barulhento e desagradável na Luz - gosto das tardes grandes de Junho com pores do sol que nunca mais acabam. Mesmo aqui, adoro ir à Foz jantar no verão, olhar para as rochas douradas pelo sol poente, ver as silhuetas em contra-luz e sentir a brisa fresca do mar. Mesmo com os miúdos.


Este ano estou muito melancólica, tenho muitos altos e baixos e momentos de tristeza intensa, apesar de ter conseguido falar várias vezes com os meus netos e filhos pelo skype.
O meu neto do meio pergunta-me sempre : Quando é que vens? e isso enternece-me porque ele não é muito dado a escritas ou mesmo a conversas...só espero conseguir ir em Outubro.

A ideia de ir a Leeds daqui a um mês e deixar a minha filha lá sozinha pela 5ª vez também não contribui para a minha paz de espírito e rezo para que nada aconteça.


Só passaram duas semanas desde que os meus meninos partiram e a mim parece-me uma eternidade....como será viver sem família nenhuma e estar sempre só?

Que diabo!!

Será assim tão difícil informar os utentes de serviços - privados - de normas a seguir durante as férias?


No Domingo dei literalmente com o nariz na porta do health club, pois eles decidiram fechar das 13 às 16 e não avisaram, nem com um papelucho à porta dos vestiários ou na recepção.
Na 3ª vou lá toda equipada e sou informada pela recepcionista de que a piscina fechava durante esta semana toda para manutenção. Perguntei como é que me tinham aceite a inscrição para o mês de Agosto sem avisar de que iria ficar privada de nadar durante oito dias ( e indo eu pra férias na 2ª feira, mas isso é da minha conta). A menina meteu os pés pelas mãos e disse que devia ter sido outra pessoa.....é sempre bom descartar as responsabilidades, receber os 35 euros e estar calado!! Apeteceu-me logo desistir de tudo, mas não posso fazer isso, preciso de exercício físico, já me fizeram bem estes dois dias em que lá fui.

Hoje tinha a minha última sessão de fisioterapia, fui almoçar e quando vinha para casa vi que a clínica estava com tapumes - ou lá o que é - blindando a entrada. A sessão era às 13.30. Telefonei , ninguém atende. A minha filha disse-me que lhe tinham dito que agora só abriam às 14. Ninguém me avisou, a mim que estou a pagar por cada sessão e não é pouco.

Estou à espera dessa hora a ver o que sucede. Poderia ter ido ao cinema ou a outro lado com a Luisa, ela foi e eu fiquei. Apetece-me dizer um palavrão daqueles bem feios.

O Jardim Botânico está em obras até não sei quando e é só máquinas e uma poeirada infernal.

E dizia eu que se passavam bem as férias aqui no Porto....só se é para  dormir todo o dia ou a ver TV!!!

Até já tenho medo de ir a qualquer lado e dar com o nariz num tapume!! Hoje está sol, mas vou ficar em casa!!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Seize the day. Make your lives extraordinary!

Morreu RobinWilliams.

Em geral não gosto de trazer efemérides ao meu blogue, sobretudo destas que nos pôem tristes. Mas hoje tenho de oferecer o meu tributo a um grande actor.


Como acreditar que um homem que, em dada altura num filme tem esta tirada para os seus alunos, palavras que ficaram célebres e correram não só cinemas como salas de aula - as minhas, por exemplo - sessões pedagógicas  ( fiz várias no British Council), carnets de cinema, sites de reviews, etc. põs termo à vida, assim dum momento para o outro? Como é que a sua família não pressentiu a sua enorme depressão?


"We don't read and write poetry because it's cute. We read and write poetry because we are members of the human race. And the human race is filled with passion. And medicine, law, business, engineering, these are noble pursuits and necessary to sustain life. But poetry, beauty, romance, love, these are what we stay alive for. To quote from Whitman, "O me! O life!... of the questions of these recurring; of the endless trains of the faithless... of cities filled with the foolish; what good amid these, O me, O life?"

Answer: That you are here - that life exists, and identity; that the powerful play goes on and you may contribute a verse. That the powerful play *goes on* and you may contribute a verse. What will your verse be?"



Dead Poet's society





Poesia, beleza, romance, amor, é por isto que nos mantemos

 vivos.

O espectáculo continua e todos temos de contribuir com um

 poema. Qual é o teu poema?


Porquê morrer assim, Robin? Tantos e tantos de nós bebíamos as tuas personagens, admirávamos o teu talento, seguíamos os teus conselhos, riamos com prazer, chorávamos à socapa, amávamos-te como Homem para lá do Actor.



domingo, 10 de agosto de 2014

Domingos para esquecer...fotos para lembrar



Fonte - S. Miguel (Açores)
Hoje está a ser um domingo para esquecer...

Nenufares ( Jardim Botanico)
Oxalá não aconteça nada de especial, pois posso considerar-me uma privilegiada se a vida me correr de feição e até é pecado queixar-me quando tanta desgraça acontece.

O dia começou mal logo ao despontar....ou seja pela 1 da manhã ao ouvir as notícias da SICN e ter visto o que se passou no Cabo da Roca. Um casal de polacos residente em Portugal  cai pela ravina diante dos filhos de 5 e 6 anos ao tirar uma "selfie" para lá da vedação que existia para proteger os visitantes. Não é possível....que trauma irão sofrer tais crianças e que futuro vão eles ter? As imagens que não vi e não foram fotografadas graças a Deus ficarão para sempre gravadas naquelas memórias - nessa idade uma pessoa não esquece.
Cascata- S.Miguel ( Açores)
Um pouco mais tarde vi uma reportagem sobre a situação dos doentes mentais americanos, cujos seguros de saúde não pagam internamentos de pessoas com esquizofrenia e outras doenças, enviando para casa jovens após episódios de grande violência. Um dos pais falava do seu caso e viam-se as cicatrizes que o filho lhe deixou, filho esse que resolveu pôr termo à vida depois de tentar matá-lo. Histórias terríveis num país que se diz ser civilizado.

Fiquei tão angustiada que me custou a ir para a cama. Fui ver a minha filha que dormia o sono dos anjos. A vida é difícil e somos tão vulneráveis, que só podemos agradecer estar vivos a cada instante.

poça com algas - Praia da Luz
Saí com a intenção de ir nadar no clube, que é suposto estar aberto aos domingos. Como era cedo passei pelo mercado do Bom Sucesso e comi qualquer coisa, pois ainda não tinha almoçado. O ambiente era alegre e estava-se bem.

Qual a minha surpresa quando chego ao clube e o porteiro me diz que, em Agosto, fecham aos domingos até as 4.30!! Eram 2.30 e não via jeitos de fazer horas naquele local por muito livro que lesse ou música que ouvisse. Ainda por cima começou a chuviscar....

Fonte do Museu Romântico
Voltei para casa e puz-me a ver o Facebook. Animou-me.

O Woophy Club resolveu organizar uma temática aos fins de semana. O tema desta semana é WATER - ÁGUA.

Nada melhor para mim que fui hoje privada dela pelo regulamento estúpido dum clube que é suposto ser para pessoas que trabalham durante a semana.

Consegui arranjar mais de dez fotos sobre o tema e postei-as no sítio. Foram muito elogiadas, de modo que resolvi colocá-las aqui para alegrar este domingo tão parco em boas notícias. Valha-nos a terapia da água ou do prazer de fotografar...

Luar de Agosto





sábado, 9 de agosto de 2014

Ai, Porto, como não te amar...


O texto é das FUGAS ( Público). As fotos são minhas.

O Porto é o companheiro de uma vida. É charmoso, elegante, delicado e tem a base das relações para a vida: é profundamente acolhedor. Gostar de alguém deposita-nos o peso da incondicionalidade: não dá para admitir o desdém do que, na alma, é terrivelmente nosso e indiscutivelmente bom. Quem é do Porto defende a cidade com unhas e dentes porque nascer tripeiro significa ter orgulho num sotaque que não se quer perder, e isso é só um pedaço visível de tantos sentimentos menos óbvios. Defender o Porto significa levantar a bandeira da simpatia que não há noutros sítios e gostar de chamar as coisas pelos nomes: um fino nunca foi uma imperial, não há cruzeta que venha a ser cabide, nem há estrugido que possa ser tratado por refogado.




O Porto tem a melancolia dos amores que são para sempre: parece desenhado, melancólico e projeta sombras incríveis que — tenho a convicção — o sol só lhe dá a ele.

O amor traz destas cegueiras que nos permitem apreciar defeitos. É por isso que o mar pode vir gelado e ser um puzzle de rochas difíceis de desencaixar, o vento até pode vir de Norte e ser preciso travá-lo, mas não há cheiro a sargaço como aquele.
(...)

Ser do Porto é sentir a cidade como uma tatuagem que nunca precisou de estar desenhada. Confesso que não encontro esta necessidade de proteger este pintainho debaixo da asa (sem nunca ninguém nos pedir para isso) nas pessoas que nascem noutros lugares. Confesso que amigos de cidades tão diferentes não as defendem com metade da convicção que carrega esta pronúncia do Norte a que os “tontos chamam de torpe”.


Vão e vêm: são assim os estudos com dados estatísticos sobre a vida, como se ela pudesse ser tratada em gráficos. Esta semana, surgiu mais um: o Porto é a cidade mais amada pelos seus habitantes. Fica no topo da lista, adianta-se a Hamburgo, passa Colónia, finta Munique e ganha a Barcelona. Qualquer sentimento semelhante a este é mais bonito em imagens do que em todas estas palavras. E não é preciso nenhum gráfico para medir.