sexta-feira, 24 de outubro de 2014

PALO ALTO e STANFORD

Palo Alto é uma espécie de vestíbulo da grandiosa universidade de Stanford, onde passeei durante uma hora e meia. Não vi nem metade do campus, pois ele estende-se por umas centenas de hectares....e é impossível percorrer tudo num dia.

Estive em Palo Alto, na avenida principal - University Street - que vai dar precisamente à entrada do campus, enquanto o meu filho trabalhava com uns colegas. A so called avenida das lojas não me encantou, como não me encantam hoje em dia as do Porto. Loja sim , loja não temos artigis tecnológicos - uma gigantesca Apple Store, onde comprei um fio para ligar o meu iPad ao laptop, telemóveis de todas as espécies ( o meu parece uma relíquia obsoleta ao pé do que se fabrica hoje em dia), lojas de design e móveis e cafes e restaurantes em profusão. Já me enjoa um pouco o cheiro dos hamburgers, salsichas, chineses e tailandeses e suspiro por um bom peixe grelhado em casa....

Entrei numa loja de produtos do Mar Morto, onde em tempos estive e no qual adquiri alguns cremes e esfoliadores ( em 2000). As senhoras viram que eu estava cansada de calcorrear a rua e convidaram-me para me sentar, conversaram comigo e apresentaram-me os seus produtos. Acabei por comprar dois que me ficaram pelos olhos da cara, mas depois de tanta simpatia, não podia sair dali de mãos vazias. Os frascos são liiindos de morrer e nem apetece abri-los!!!


Livrarias morreram todas numa zona dedicada a alta tecnologia!! A Borders ( de saudosa memória) fechou e nada a substituiu, ainda tem o pátiozinho da entrada.

No meio de tanto luxo - Palo Alto é a zona com gente mais rica da América - ainda vi um sem abrigo que estava deitado num banco com o seu trolley ao lado, fez-me lembrar o filme The Soloist, de que gosto muito.

Nenhuma destas ruas aqui nesta zona dos EU se compara com uma Oxford Street ou até uma Briggate em Leeds, onde se podem ver as stores mais elegantes do mundo. Aqui é tudo mal amanhado e tosco, sem graça, nem sequer atracção.



Stanford é outro mundo.
O meu filho trabalha lá e mostrou-me o seu gabinete, lindíssimo.....embora ele passe muito tempo em reuniões de trabalho.

O campus estava a ser decorado para um jantar, de modo que em frente à igreja, havia mais de cem mesas - soube pelos numeros - já com pratos e copos todos organizados. Foi engraçado, embora estragasse a vista da entrada que é monumental.

A Igreja, lindíssima foi mandada construir pela esposa do fundador da Universidade, como podem ler no site da Wiki citado.





http://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Stanford


Toda a construção nos lembra a herança latina da California, a pedra é arenosa e amarelada como no México e a arquitectura ainda lembra vagamente Córdoba e Sevilha, com pátios interiores cheios de buganvília. Os estudantes percorrem tudo de bicicletas- vêem-se às dezenas - ou de shuttle especial para eles. O acesso para visitantes é difícil, sobretudo para quem tem dificuldade em andar a pé. Curiosamente sentei-me num local onde estudantes viam o eclipse parcial do sol e faziam bolas de sabão gigantes para a festa, presumo eu.


Foi uma tarde bem passada, mas quando vim para o hotel estava derreada....

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Mariposa Grove- as sequoias

The faithful couple
Os nomes dos locais e marcos na California são quase todos de origem hispânica. Como sabemos mariposa quer dizer borboleta.




Fomos de carro até à entrada do Mariposa Grove e por pouco não conseguíamos entrar pois a lotação estava esgotada. Felizmente, saiu um carro e entrámos nós. Lá dentro, tínhamos duas hipóteses, garimpar pelo parque a pé - hectares e hectares a subir e descer - ou apanharmos um shuttle que dá uma volta de hora e meia , com locução por auriculares. É caro , mas valeu bem a pena.

Instalámo-nos todos juntos numa das extremidades do comboinho.

Este local mítico é uma espécie de santuário de sequóias, árvores milenares, consideradas as maiores do mundo, ainda que não sejam as mais altas, nem as mais antigas. O volume do seu tronco ultrapassa todos os outros e são precisas muitas pessoas para conseguirem abraçá-la. Há centenas de sequoias neste parque, foram estudados por cientistas especializados e pessoas viciadas na preservação da natureza, que se recusam a deixar morrer locais que representam a verdadeira essência da América.


O percurso é fabuloso. Entra-se no santuário e recebe-se toda a informação numa voz calma e clara. São mencionadas todas as sequoias mais carismáticas como a de "faithful couple" ( casal fiel), duas sequoias que se unem a partir de certa altura do tronco e que se desenvolvem separadas a partir de certa altura, como se pode ver nas fotos.

No meio das sequoias, a arborização é rica e vivaz, com tons variegados de verdes e castanhos, muito bela.

Viémos inspirados depois deste passeio fantástico.

São locais destes que nos deixam memórias eternas. Felizmente tenho muitas de locais assim...

Recomendo-vos vivamente um blogue que só hoje encontrei sobre Yosemite e Mariposa Grove.

É impossível expressar toda esta mística e ambiente que se sente quando nos ausentamos da so called civilização.

É um privilégio que agradeço ao meu filho e nora, que tudo fizeram para que eu pudesse disfrutar de uma experiência única.

http://www.1000dias.com/rodrigo/mariposa-grove-aqui-tudo-comecou

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Como descrever o indescritível?

Passaram-se alguns dias sem escrever uma palavra aqui no blogue. Foi impossível....

Eu sei.

E até me fez falta não o poder fazer nos alto dos 3000m do Yosemite Glaciar Point, onde vislumbrei um dos cenários mais fantásticos de toda a minha vida - excluindo a Capadócia, algo parecida, mas com pedras mais pequenas, rosadas e cheias de grutas.

Aqui é a majestade destas pedras milenares que nos extasia, qual delas mais artística erguendo-se por cima duma floresta quase tropical, onde os abetos se irmanam num verde de veludo esplendoroso. Infelizmente, o caminho para lá que é lindíssimo, uma Sintra mil vezes maior, tem pedaços em que se vêem os estragos dos incêndios que assolaram a Califórnia há uns anos atrás. Uma dor de alma.

De Mountain View até ao Yosemite Park  são quase quatro horas, pois as estradas vão se afunilando e a velocidade máxima é de 50 ou 40 mph. É cansativo para quem guia, mas um consolo para quem pode desfrutar deste panorama.
Os meus filho e nora foram-se revezando com uma perícia notável. Os meninos fizeram de tudo, desde cantar em cânon, jogar alguns jogos, dormir o seu bocadito, ouvir a gravação duma história do Roald Dahl- Mathilda - gravada em inglês, ver um episódio de desenhos animados.... esperar com paciência, perguntando, muito embora, quanto faltava para chegarmos.

Ficámos alojados num hotel dividido em casinhas,
cujas varandas dão para o rio Merced, que saltita por entre as pedras, formando cascatinhas minúsculas. O tempo tem estado seco e este ano não há cascatas, as que esperávamos ver a cair de alturas impressionantes, como descrevem os guias turísticos. Mas a beleza e majestade da paisagem não perde , mesmo sem se verem as correntes de água, lançando-se no vazio...

Fomos almoçando e jantando pelos diners do caminho - espera-se muito e come-se mal ( IMHO), não aprecio este tipo de comida e acho-a cara para o que vale. Os miúdos vão sempre para os hamburgers e pizzas, pois o resto é demasiado sofisticado ou picante.

Ficam aqui umas fotos que tirei lá em cima e pelo caminho, onde os veados andam a passear....

Fica também uma pequena sinopse sobre o Parque Natural de Yosemite, uma maravilha da Natureza. Aamnhã iremos ver as sequoias maiores do mundo!! :)

O Parque Nacional de Yosemite (em inglês: Yosemite National Park1 ) é um parque nacional norte-americanolocalizado nas montanhas da Serra Nevada, no estado da Califórnia, nos condados de Mariposa e Tuolumne.2
O parque cobre uma área de 3 081 km², estando a sua altitude compreendida entre os 600 e os 4.000 metros. O parque de Yosemite recebe a visita de cerca de três milhões de visitantes por ano, grande parte somente para ver ovale de Yosemite, mas no parque existem muitas outras atrações, pois é reconhecido internacionalmente pelos seus espetaculares desfiladeiros de granitocascatasarroios claros, bosques de sequoias gigantes e grande biodiversidade, que lhe valeram a designação de Património Mundial em 1984.2
Das sete mil espécies de plantas existentes na Califórnia, cerca de metade está na Serra Nevada, e mais de 20% das espécies concentra-se em Yosemite.3 O parque conta também com registros documentais da presença de mais de 160plantas raras, com solos únicos e formações geológicas também elas raras, que caracterizam as áreas restritas que estas plantas ocupam.2
Geologicamente o parque caracteriza-se pela presença de rocha granítica e algumas rochas mais antigas. Há aproximadamente dez milhões de anos, a Serra Nevada sofreu uma elevação, tendo-se depois inclinado, o que levou a que as suas encostas ocidentais ficassem com declives ligeiros e as orientais com declives mais acentuados. A elevação resultou num aumento da inclinação dos leitos dos riachos e dos rios, resultando na formação de desfiladeiros profundos e estreitos. Há um milhão de anos, verificou-se uma acumulação de neve e gelo, formando glaciares nosprados alpinos mais altos, descendo depois para os vales percorridos pelos rios.2 

A espessura do gelo no vale de Yosemite pode ter chegado aos 1.200 metros durante o início do período glaciar. O movimento de descida das massas de gelo esculpiu o vale em forma de U que tantos visitantes atrai hoje em dia.4

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_de_Yosemite



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Em família

Os meus netos estãoa gozar de férias de outono por uma semana.
Calhou bem, pois posso estar mais com eles e fazermos coisas diferentes. Anteontem fomos a um espectáculo muito interessante organizado pela comunidade de artes e música, na qual o meu André recebe aulas de violoncelo. Era um concerto interactivo, em que os músicos tocavam peças curtas do barroco e música antiga , com danças a condizer. Depois, cada um apresentava uma pequena história do seu instrumento, violino, violoncelo, pandeireta, tambor, címbalos, etc. e a evolução nos séculos dos mesmos...
A certa altura pediram um voluntário para dançar e o André levantou-se como um foguetão, saltou para o palco e demonstrou as suas qualidades de dançarino acompanhado duma bela donzela que muito o elogiou. Numa segunda dança, convidaram mais meninos e o Daniel também foi, fazendo uma roda, que se movia ao som da música de corte. Muito giro e simples, sem qualquer desejo de convencer os ouvintes, apenas dar-lhes prazer com a sua música. À saída demos donativos para o ensemble e comunidade.

A música é sempre algo que corresponde à nossa necessidade de expressão. Sinto-me em paz quando oiço este tipo de música. Hoje em dia é a que mais prazer me dá.

Ontem tive uma uma Happy Hour com o meu neto Daniel. Saímos

 e fomos passear para a Castro Street, uma avenida adornada de árvores dos dois lados, com lojas até perder de vista. 70% são restaurantes, mas também há livrarias, lojas de roupa, drogarias, etc. Andámos numa livraria, onde comprei um livro sobre San Francisco, pois quero lá ir na próxima semana. Depois lanchámos num local tipicamente americano , embora o nome seja grego _ Olympus.

 A oferta excede tudo o que se possa imaginar. O Daniel comeu uma pancakes enormes e eu limitei-me a um folhado de espinafres, que estava óptimo. Depois fomos para um jardinzito, onde jogámos um jogo de cores. Eu dizia uma cor e ele tinha de ir para o local onde houvesse essa cor. Foi divertido!!!

À noite, depois de comermos o meu rosbife, que me pareceu estar bom e saboroso com vagens e cenouras salteadas e arroz, houve uma sessão de música. Toda a família tocou e cantou, resmungou, amuou, brincou e riu q.b. ...um bálsamo para a mente.


Já me estava a fazer falta ouvi-los todos a tocar em comjunto e também a discutir por coisas de lana caprina.

Vim para casa feliz...é bom estar em família!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Nem sei por onde começar....

Parece que já saí do Porto há uma semana e afinal foi só há dois dias....

A viagem foi execelente, malgré o meu joelho dar uns estalidos de vez em quando. Valeu-me a minha nora que me puxou o trolley onde trazia o meu laptop, máquina fotográfica e documentos. Ainda pesava um pouquinho.

Sinto-me quase em casa, não fora a falta de autocarros a descer a avenida e os taxis que aqui não se vêem.
O Hampton Inn é uma casa muito simples, mas com decoração luxuosa nos quartos e casa de banho. Uma pessoa sente-se mesmo inspirada aqui, as fotos de S. Francisco, a mobília toda preta, o televisor gigante, que ainda nem abri, o mini bar com tudo- a minha Luisa ficaria feliz com os chazinhos, cafés e chocolate quente à disposição. Até tem uma mistura para fazer pipocas e uma máquina de pipocas.

Acordo muito cedo - a diferença horária é de oito horas - de modo que o dia me rende muito mais.


Hoje alem do pequeno almoço lauto, já fui às compras pois quero fazer um jantar opíparo para os meus meninos: rosbife com verduras, peixinhos da horta e arroz.
Oxalá atine com o forno que é sofisticado!!! O preço das coisas é barato, gastei 18 dollares por 1k e meio de bife, feijões verdes, cenouras e alhos. O dolar vale 20 centimos menos que o euro.

Loja aqui perto não há. Só comes e bebes, lavandaria e cabeleireiro, mas a 15m a pé tenho a Castro Street com nada mais que 70 restaurantes todos de nacionalidades diferentes e lojas várias!!!  Aqui perto do hotel até há um Sr. Sousa, mercearia com todos os vinhos portugueses, chouriços, queijos, etc. Talvez faça um cozidinho no dia dos anos do meu André.
Ontem fomos à praia da Capitólia, que fica a uns 45m de carro daqui. É pequena mas muito pitoresca. Os meninos tomaram banho, mas as ondas eram muito fortes e as tantas uma invadiu o local onde eu e a minha nora estávamos sentadas. Molhou-nos completamente - e pior - a minha carteira, onde estava o meu iPod, que ficou inutilizado. O telemóvel da Ana tb ficou gago!!! Nunca me tinha acontecido tal. Tive de tirar as calças e ficar em calcinhas ( pretas) por baixo do polo que trazia e tb se molhou um pouco. Nada agradável....

Tirei algumas fotos muito pitorescas, esta praia é mesmo um resort com todo o tipo de lojas e restaurantes.







Almoçámos numa tipica hamburgeria americana em frente a um laguinho, onde os patos, albatrozes e gaivotas bulhavam pelos petiscos dos restaurantes anexos. As casas tipo bungalows de praia chamaram-me a atenção pelas cores e desenhos artísticos.





























E agora fico por aqui....pois a minha nora vem-me buscar daqui a nada e vou preparar as coisas para levar.

Para já sinto-me bem. Foi óptimo ter optado por ficar no hotel pois gosto desta calma e silêncio. Na casa dos meus filhos seria muito cansativo e estou mais à vontade!

Hasta luego!








quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Regresso ao blogue

Já há dias que não escrevo nada.

Tenho andado mais pelo Facebook e ontem tive uma discussão no Woophy Photo Club a propósito de umas fotos de campinos a tourearem uns garraios no centro de Vila Franca de Xira. O  meu amigo fotógrafo que lá pôs a sua obra comentava que isto revelava a baixeza torpe das gentes portuguesas. Ele é inglês ou apátrida e vive há muitos anos em Portugal. Não gostei e respondi.

Podia ter ficado indiferente às fotos, mas não fiquei aos vários comentários que se fizeram a propósito, partindo do princípio que todos nós, portugueses, apoiamos a festa brava e aplaudimos o machismo ou marialvismo. Isso não acontece.

Os meus pais gostavam de touradas, sobretudo à Antiga Portuguesa, e até foram a Sevilha ver a Fiesta, vindo de lá com filmes e fotos muito coloridas e bonitas. Na altura não havia grandes movimentos contra a crueldade dos animais, aceitava-se a corrida como parte da cultura nacional.

Nunca gostei de touradas, até porque as achava terrivelmente monótonas. Havia um certo brilhantismo nos fatos, poses, etc., mas os touros eram humilhados e mesmo "torturados" só para prazer dos marialvas. Há muito que sou contra e até já assinei petições para acabarem com as touradas.

Foto de Stewart Scott em VFX
O fotógrafo em questão resolveu despedir-se do grupo, alvitrando que havia censura e que não lhe interessava estar a pôr fotos para ser censurado. Um exagero,  que atribuo ao seu feitio extremamente susceptível.
Já o conheço há mais de seis anos e sempre nos escrevemos por fora, apreciando eu - e muito - as suas qualidades humanas e artisticas.

Tudo isto me deixou triste e revoltada com o FB. Só serve para malentendidos.

Depois de amanhã vou para os EU. Provavelmente não escreverei mais aqui até lá chegar.

Continuarei para a semana com impressões e fotos de Palo Alto, onde vou viver durante 18 dias. Vou ver os meus meninos, que estão a contar os dias - literalmente - para eu chegar.

Vai ser um daqueles abraços que nunca mais acabam....




domingo, 5 de outubro de 2014

Em casa


Há dias em que não me apetece sair de casa.

Sinto-me bem, feliz aqui, longe da louca multidão ( como dizia  Thomas Hardy). Não que odeie ver gente, mas não necessito dela para me sentir bem comigo mesma.



Cada vez mais aprecio os pequenos momentos de música, de contemplação, de beleza natural....sem artifícios, sem distracções, sem paleios.

Há quem tema que eu entre em depressão. Não, pelo contrário, nunca senti esta paz e realização pura na solidão da minha casa....

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O outono a chegar

Ainda não chegou ao meu jardim....o Botânico, claro.


 Hoje estava mais meu que nunca, não foram uns operários que andavam por ali com umas máquinas barulhentas, a assustar ao pássaros, cujo canto maravilhoso se ofuscava perante tanta poluição sonora. Um crime.


Não sei o que pretendem fazer da Casa Andersen, mas acho criminoso destruírem-na quase por completo, tendo ela sido restaurada e pintada há menos de cinco anos. Será que há dinheiro para esbanjar na cultura? Disseram-me que vão ter ali actividades à noite e um bar-café para estudantes, mas não me parece que seja necessário deitar abaixo as janelas da casa mais pequena e remodelar as paredes que tinham uma harmonia perfeita, picar todas as paredes da casa-mãe e quase deitar abaixo os símbolos neoclássicos das escadas!!! Gostava que alguém me explicasse o que se pretende fazer.

Felizmente o jardim de nenúfares mantém-se impávido e sempre surpreendente e as plantas, devido a estas chuvas, parecem mais viçosas e belas. Mesmo sem o carinho de quem as cuide. Até as rosas
continuam a abrir em todo o seu esplendor, mesmo junto às barreiras de rede que nos separam da casa.

O Outono ainda não chegou à vinha virgem que cobre o caramanchão, nem aos áceres...está tudo verde escuro, a brilhar ao sol, como se estivéssemos em Julho.

Oxalá o Outono só chegue em Novembro, quando eu voltar dos EU, e puder gozar os tons vermelhos e castanhos na sua plenitude.

Ir ao Botânico é uma catarse.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dia Mundial da Música


Disse Nietsche:


Sem Música a vida não teria sentido.

Não sei se isto é verdade para todos os humanos, mas creio que para mim será.

A vida não teria tanta cor, nem tanta beleza, nem contentamento espiritual, nem consolo em horas menos boas...

Tenho passado muitas horas sozinha este ano, sobretudo nestes últimos meses. Habituei-me a pegar no comando e a sintonizar os canais Mezzo ou Brava para ouvir música clássica. É um hábito que me fará falta quando não estiver cá. Tenho meu iPod, mas não é a mesma coisa!

Não sei que idade tinha quando ouvi musica clássica pela primeira vez. Lembro-me do escritório do meu Avô, com um rádio pequeno, donde saíam sons lindos. Lembro-me de me sentar no colo dele e de estar ali aninhada a ouvir, sem fazer mais nada. Parece-me que ainda consigo sentir o cheiro do seu roupão azul escuro aveludado. Nunca teve gira-discos, nem gravador, faleceu precisamente a 1 de Outubro em 1961, sem saber o que era uma cassete, um DVD ou Internet. Mas apreciava a música como se tivesse tido isso tudo. E mais, ensinou-nos a gostar dela também. Foi a dádiva maior que nos deu. God bless him.

O meu Pai percebia bastante de Música sem nunca ter tocado nenhum instrumento. Adorava comprar discos vinil e a nossa discoteca era bastante completa, embora ele não fosse apreciador de música de câmara ou de canto, em especial. Gostava de música orquestral e compositores românticos. Bach, por exemplo, não era muito do seu agrado.

Habituámo-nos a ouvir a minha Mãe a tocar piano depois do almoço, Chopin, Debussy e pouco mais. Deixou de tocar de um momento para o outro, nem sei bem porquê. Todos nós tocávamos piano  e ela cansou-se. Houve uma altura em que relegaram o piano para um quarto no rés do chão que nós chamávamos "quarto das brincadeiras". Dava para o jardim e tinha o ambiente ideal para se tocar descansado.

Nos anos já depois de casada, a música continuou a ser a minha companhia constante. Era raro não ter o giradiscos a tocar enquanto trabalhava, via pontos, preparava aulas ou cozinhava. Dava-me paz.

Também ouvia muita música brasileira e portuguesa na altura, assim como música anglo-saxónica excelente. Ainda hoje oiço alguns desses cantores como Cat Stevens, Joe Dassin, Leonard Cohen, Elton John, etc. com saudade. O meu ex-marido não gostava de música clássica, mas ouvia música ligeira com prazer, sobretudo enquanto jovem. Depois deixou de querer ouvir e irritava-se com os filhos por eles terem sempre música a tocar...

O meu filho João habituou-se deste bem pequenino a ouvir tudo e cantava na varanda da nossa casa de Chaves para as pessoas que falavam com ele da rua. Sempre foi apaixonado pelo piano e flauta e agora, ele e a minha nora acompanham os filhos em festas e concertos.

Ultimamente, não vou a muitos concertos, nem na Casa da Música. Não me contento com quase nada, é raro gostar das interpretações ao vivo e não vibro como dantes. Não me apetece sair à noite. Não me apetece ver gente a ouvir música. Aborrece-me o barulho da sala, a falta de respeito, as palmas fora de sítio, enfim...estou a envelhecer e a ficar anti-social. Acontece.

 Gosto mais de ouvir música aqui na minha sala, sozinha, sem mais ninguém.

Deixo-vos aqui a foto duma partitura que pertenceu à minha Avó. A dedicatória, escrita pelo meu Avô em 1927,  fala por si.