domingo, 16 de novembro de 2014
Mais um domingo sem sol
Tempo carregado.
Céu quase sempre plúmbeo, com algumas abertas que deixam entrever manchas pálidas de azul.
Estou cansada de chuva, faz-me falta o sol, parece que o verão já terminou há muito. É só ilusão de óptica, pois ainda há três semanas, gozava do clima maravilhoso da Califórnia. Isto só demonstra o meu estado de espirito um pouco em baixo nesta altura.

Deito-me demasiado tarde com relutância e de manhã, custa-me a levantar... ontem pelas 4 ainda
estava aqui a ver a série " State of Play" feita há dez anos, mas com aquela sobriedade e perfeição dos programas da BBC. Já há muito que não via séries destas, é claro que só consigo vê-las fazendo download para o laptop. Em geral levam uns 15m a descarregar, mas depois dão para umas horas largas de entretenimento.
O cinzento do céu do Porto às vezes pesa-me, habituada que estava a Lisboa, onde chove muito menos e há quase sempre sol. Será que este tempo vai durar eternamente?
sábado, 15 de novembro de 2014
Efeitos vidrados
Não, não são pinturas.....é vidro - a mesma jarra - fotografada à noite.
Tão frágeis estes dias
de pé sobre despojos
de batalhas pensadas
no gume dos sentidos
Dormem as cores
no abrigo da boca
temerosas do vento
desejosas do lume
Horas fora da lei
do tempo dos insectos
Horas acrescentadas
ao tempo dos altares
É o tempo do vidro
Licínia Quitério
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Arvo Part
O nome não me dizia quase nada, embora seja um dos compositores mais tocado no mundo.
A CdM já o incluiu várias vezes no reportório, mas nunca calhou ter ido a um desses concertos.
Ontem ouvi por acaso uma peça no Brava e fiquei espantada com a originalidade do concerto para dois violinos e orquestra de câmara.
Fiz uma pesquisa e obtive resultados interessantes em inglês:
Arvo Pärt was born on 11th September 1935 in Paide, Järva County, Estonia. His musical studies began in 1954 at the Tallinn Music Secondary School, interrupted less than a year later while he fulfilled his National Service obligation as oboist and side-drummer in an army band. He returned to Middle School for a year before joining the Tallinn Conservatory in 1957, where his composition teacher was Professor Heino Eller.
Pärt started work as a recording engineer with Estonian Radio, wrote music for the stage and received numerous commissions for film scores so that, by the time he graduated from the Conservatory in 1963, he could already be considered a professional composer. A year before leaving, he won first prize in the All-Union Young Composers’ Competition for a children’s cantata, Our Garden, and an oratorio, Stride of the World.
Today Arvo Pärt is best known for his choral works, which he started to produce in the 1980s, after his emigration from the former Soviet Union to Germany, Berlin. Before that he had written his most recognised works from the 1970s, Fratres, Cantus in memoriam Benjamin Britten, and Tabula Rasa. In 1978 Pärt composed Spiegel im Spiegel (Mirror in Mirror).
Pärt’s oeuvre is generally divided into two periods. His early works ranged from rather severe neo-classical styles influenced by Shostakovich, Prokofiev and Bartók.
Today Arvo Pärt is best known for his choral works, which he started to produce in the 1980s, after his emigration from the former Soviet Union to Germany, Berlin. Before that he had written his most recognised works from the 1970s, Fratres, Cantus in memoriam Benjamin Britten, and Tabula Rasa. In 1978 Pärt composed Spiegel im Spiegel (Mirror in Mirror).
Pärt’s oeuvre is generally divided into two periods. His early works ranged from rather severe neo-classical styles influenced by Shostakovich, Prokofiev and Bartók.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Momentos de ouro
Viver na cidade tem os seus inconvenientes. Um deles é a ausência de espaços verdes, o excesso de betão, o barulho, a poluição, etc.
Aqui no Porto vivi sempre na Ramada Alta - que de ramada tem pouco - e gostava das árvores do jardim do liceu que via da janela da sala de aula, do pôr do sol e horizontes que o andar de cima nos oferecia. Infelizmente em dez anos , tudo acabou: construíram prédios altíssimos que nos taparam completamente a vista e deitaram abaixo muitas árvores do jardim a pretexto de que seria mais seguro durante a noite ( um crime autêntico). Em pouco tempo aquela rua lindíssima que é a Infanta D. Maria ficou desfigurada.
O facto de estar numa zona residencial, no entanto, provou ser benéfico para a minha filha e em breve me habituei à ausência de lojas e supermercados e recomecei a apreciar o encanto dos jardins e das árvores de grande porte que me rodeiam. Áceres, castanheiros, bétulas, pinheiros, palmeiras e arbustos diversos, tudo se vê das minhas janelas, é um nunca acabar de sensações infindas.
Liguei agora o Brava HD e por coincidência - ou não - toca-se a Pastoral de Beethoven, que acompanha maravilhosamente aquilo que descrevo. Harmonia perfeita.
Habituei-me a só ver árvores das janelas; dum lado o Botânico, que, no verão, nem deixa quase entrever a Casa Andersen - do outro os jardins das vivendas e da Casa das Artes da Rua António Cardoso. Só verde, castanho, vermelho. Silhuetas ao pôr do sol que variam todos os dias.
Todas estas fotos foram tiradas hoje, dia dos anos do meu filho mais novo. Infelizmente não poderei estar com ele pela primeira vez em 34 anos.
Estou um pouco triste.
Mas consigo sonhar aqui.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Recordar
Dizem que o melhor das viagens é a antecipação e a recordação.
Na primeira , ansiamos por algo diferente, belo e enriquecedor; na segunda, esquecemos todo o mal estar ou desconforto, e só lembramos o que foi realmente extraordinário - mesmo pequenas coisas - com um misto de nostalgia e realização pessoal.
Há imagens que nos ficam na retina e nunca mais esquecemos.
Estou a lembrar-me de locais como Petra na Jordânia e Jerusalém que vi em 2000, a Capadócia e Istambul em 1999, o Coliseu El-Jem na Tunisia uns anos antes, o Vale dos Reis no Egipto, Veneza no Carnaval de 2000, o Tegelberg nos Alpes alemães ao qual subi várias vezes de teleférico, o Castelo de Neuswannstein com a neve a cair em 1969, os Dales no Yorkshire, etc.
Ficaria aqui a enumerar cenários magnificos que tive o privilégio de disfrutar e pergunto-me se ainda terei forças para ver mais algum local semelhante. Muitos destes foram fotografados com a minha Canon tradicional, pelo que as fotos só podem ser scaneadas para o pc, mas não digitalizadas.
Hoje resolvi perpetuar o Yosemite National Park na California, de que já falei longamente aqui, elaborando uma colagem com algumas ( poucas) fotos mais marcantes que tirei num fim de semana de Outubro. Queria fazer um vídeo com música de fundo, como já fiz noutras ocasiões, mas infelizmente não consegui.
Omiti todas as fotos que tenho da família - algumas comoventes - propositadamente. Aqui estão apenas cenários da Natureza que é pródiga nessa região.
Gostava de lá voltar um dia, mas não é natural que isso aconteça. Para já dou-me por feliz por lá ter estado com os meus filhos e netos.
Foram dias muito cheios e felizes. E cada foto é um pedacinho duma realidade muito maior e intemporal.
Na primeira , ansiamos por algo diferente, belo e enriquecedor; na segunda, esquecemos todo o mal estar ou desconforto, e só lembramos o que foi realmente extraordinário - mesmo pequenas coisas - com um misto de nostalgia e realização pessoal.
Há imagens que nos ficam na retina e nunca mais esquecemos.
Estou a lembrar-me de locais como Petra na Jordânia e Jerusalém que vi em 2000, a Capadócia e Istambul em 1999, o Coliseu El-Jem na Tunisia uns anos antes, o Vale dos Reis no Egipto, Veneza no Carnaval de 2000, o Tegelberg nos Alpes alemães ao qual subi várias vezes de teleférico, o Castelo de Neuswannstein com a neve a cair em 1969, os Dales no Yorkshire, etc.
Ficaria aqui a enumerar cenários magnificos que tive o privilégio de disfrutar e pergunto-me se ainda terei forças para ver mais algum local semelhante. Muitos destes foram fotografados com a minha Canon tradicional, pelo que as fotos só podem ser scaneadas para o pc, mas não digitalizadas.
Hoje resolvi perpetuar o Yosemite National Park na California, de que já falei longamente aqui, elaborando uma colagem com algumas ( poucas) fotos mais marcantes que tirei num fim de semana de Outubro. Queria fazer um vídeo com música de fundo, como já fiz noutras ocasiões, mas infelizmente não consegui.
Omiti todas as fotos que tenho da família - algumas comoventes - propositadamente. Aqui estão apenas cenários da Natureza que é pródiga nessa região.
Gostava de lá voltar um dia, mas não é natural que isso aconteça. Para já dou-me por feliz por lá ter estado com os meus filhos e netos.
Foram dias muito cheios e felizes. E cada foto é um pedacinho duma realidade muito maior e intemporal.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
O JUIZ
- Fui ao cinema. Uma experiência que me enche as medidas hoje em dia, sobretudo quando o filme é bom. Não me pesa a solidão, pelo contrário, gosto de estar numa sala vazia, sem pipocas nem vozes ou risadas. À tarde, à semana, só há amadores de cinema, gente senior e respeitosa da 7ª Arte.

O filme " O Juiz" é um verdadeiro filme americano. O enredo é que foi a minha grande surpresa porque contrariamente ao que é costume, não há previsibilidade nenhuma. As nossas expectativas vão sucessivamente sendo goradas e o que acontece é aquilo que não esperávamos. Isso cria um interesse grande em redor das personagens e destrói os clichés. Não é um fime excepcional, mas é um drama interessante sobre as relações entre pais e filhos, identidade, contradições e degradação familiares. Os actores são esplêndidos, sobretudo Robert Duvall no papel do Juiz e Robert Downey Jr a representar o filho advogado. O filme é longo mas mantém o ritmo e não se torna maçudo.Tem todas as características dos filmes que retratam a América profunda, os costumes e mentalidade de microcosmos rurais e egocêntricos, demasiado fechados e
por isso um pouco claustrofóbicos.

Foi uma tarde bem passada.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Viva o Outono
Mudei a capa do blogue.
O Outono merece ser festejado, ainda que este ano nos pareça tardio.
As árvores tardam em empalidecer ou em tomar as cores próprias desta época. Com a chuva, nem apetece sair e passear pelos parques lindos da cidade. O Botânico está muito húmido e os caminhos empapam e tornam-se perigosos para pessoas com dificuldade em andar.
Fica aqui, no entanto, uma das paisagens mais belas que vi este ano no Yosemite Valley, onde os veados passeiam à beira do rio, as árvores centenárias se reflectem ano após ano e as crianças correm felizes. Esta imagem ficará para sempre, não só na minha memória, mas também nos arquivos onde guardo as fotografias que tirei.
Deixo-vos com uma pintura do Outono que fiz em tempos e o "Outono" de Vivaldi numa versão altamente inspiradora.
domingo, 9 de novembro de 2014
Viver
Ainda há dias escrevi que não necessitava de ver gente para me sentir bem. É verdade , mas o seu contrário tb o é.
Hoje depois duma noite bem dormida - a primeira desde que vim dos EU - resolvi ir ao cabeleireiro cortar e pintar o cabelo, uma necessidade absoluta para quem tem o cabelo escuro ( sempre teve). Não gosto de andar com raízes brancas, dá uma ideia de desmazelo, mas nestes últimos dias, infelizmente, não me sentia capaz de andar.
Hoje fui de autocarro e até me admira como consegui chegar até ao Cidade do Porto
sem grande dificuldade. O shopping está às moscas desde que fecharam os cinemas de saudosa memória e abriu o novo Mercado do Bom Sucesso, muito popular neste momento. Já vou ao Samjam há uns três anos e gosto muito do ambiente e das empregadas, sempre atenciosas e interessadas. Fazem sempre descontos, de modo que não me fica tão caro.
Ainda pensei em ir ao Fróiz, dado que precisava de algumas coisas do supermercado, mas optei por ir ao Bom sucesso, à minha confeitaria favorita, pois o meu filho está aí a vir e ele é guloso, q.b.
Havia muita gente no antigo mercado, comes e bebes em fartura, algumas lojinhas engraçadas - a do atum em conserva, por exemplo - muita animação e alegria. Ainda bem, sinais de vida numa zona que parecia estar moribunda.
Para casa apanhei um taxi após esperar 10m na paragem. Ao domingo os autocarros escasseiam e não valia a pena estar ali ao frio pois não pago mais que 4 euros até minha casa. Bons tempos em que fazia o percurso a pé sem qualquer dificuldade.
Chegada a casa, senti-me melhor psiquicamente, embora aflita por me sentar e estender a perna. Faz bem ver gente, afinal. Detesto shoppings ao domingo, mas o mercado não é um shopping, é um local de convívio e gente bem disposta, que conversa e se sente feliz. Bela maneira de passar umas horas ao domingo quando não se tem mais ninguém com quem conviver.
Hoje depois duma noite bem dormida - a primeira desde que vim dos EU - resolvi ir ao cabeleireiro cortar e pintar o cabelo, uma necessidade absoluta para quem tem o cabelo escuro ( sempre teve). Não gosto de andar com raízes brancas, dá uma ideia de desmazelo, mas nestes últimos dias, infelizmente, não me sentia capaz de andar.
Hoje fui de autocarro e até me admira como consegui chegar até ao Cidade do Porto
sem grande dificuldade. O shopping está às moscas desde que fecharam os cinemas de saudosa memória e abriu o novo Mercado do Bom Sucesso, muito popular neste momento. Já vou ao Samjam há uns três anos e gosto muito do ambiente e das empregadas, sempre atenciosas e interessadas. Fazem sempre descontos, de modo que não me fica tão caro.Ainda pensei em ir ao Fróiz, dado que precisava de algumas coisas do supermercado, mas optei por ir ao Bom sucesso, à minha confeitaria favorita, pois o meu filho está aí a vir e ele é guloso, q.b.
Havia muita gente no antigo mercado, comes e bebes em fartura, algumas lojinhas engraçadas - a do atum em conserva, por exemplo - muita animação e alegria. Ainda bem, sinais de vida numa zona que parecia estar moribunda.
Para casa apanhei um taxi após esperar 10m na paragem. Ao domingo os autocarros escasseiam e não valia a pena estar ali ao frio pois não pago mais que 4 euros até minha casa. Bons tempos em que fazia o percurso a pé sem qualquer dificuldade.
Chegada a casa, senti-me melhor psiquicamente, embora aflita por me sentar e estender a perna. Faz bem ver gente, afinal. Detesto shoppings ao domingo, mas o mercado não é um shopping, é um local de convívio e gente bem disposta, que conversa e se sente feliz. Bela maneira de passar umas horas ao domingo quando não se tem mais ninguém com quem conviver.
sábado, 8 de novembro de 2014
Subscrever:
Mensagens (Atom)



