quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

As janelas - II - Ribeira


Uma janela é sempre algo de positivo, de fresco, de liberdade....há muitos provérbios relacionados com janelas, há poemas e textos infindáveis sobre este tema. Também há filmes, como a A Janela Indiscreta, que ficaram na memória de todos.


 "Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer."  Kafka

"Um livro é uma janela pela qual nos evadimos." Julien Green




As janelas do Porto são imensas e muitas vezes não fazemos ideia do que se passa lá dentro. Estáo fechadas para os de fora com estores, cortinados, cortininhas de cassa. Ninguém quer a devassa da sua privacidade.

As minha janelas não têm estores do lado dos quartos pois não há casas em frente e gosto que a luz entre à vontade. Do lado do sol, tenho de as correr de vez em quando por causa do sol que é muito forte e passa através das vidraças duplas. É das coisas que mais amo, ver a sala cheia de sol de manhã e à tarde, mais no inverno do que no verão.





Todas estas janelas são diferentes, as varandas de ferro forjado rendilhado uma maravilha...

"Um bom estilo, afinal, é como esse raio de luz que entra pela minha janela no momento em que escrevo, e que deve a sua clareza pura à união das sete cores das quais é composto. O estilo simples é parecido com a claridade branca." Machado de Assis

"Se você tiver uma janela paralela que contenha segurança, ousadia, determinação e que se abra em simultâneo com as janelas do medo, pânico e ansiedade, você terá recursos para superar a sua crise. Se não possuir essa janela, terá grandes probabilidades de se tornar uma vítima."









terça-feira, 2 de dezembro de 2014

As janelas do meu país


janela duma casa particular
Aderi há dias a um site do FB chamado : Aquelas Janelas Viradas para o Mar, que foi criado por um Amigo do Woophy, José Soares.

Nele podemos colocar três fotos de janelas ou portas portuguesas por dia.

É espantosa a variedade de fotografias que todos os dias aparecem, em enquadramentos antigos ou ultramodernos, sempre interessantes convidativos.

Casa das Artes
Tornei-me fã das janelas do Porto -e não só - aqui vão alguns exemplos da zona onde vivo. Mais tarde colocarei outras da Ribeira, do Douro, etc.

Fica aqui também o poema cantado por António Zambujo, que foi um êxito nos anos 50: Naquela janela virada para o mar.

casa de Sophia Melo Breyner


Casa de Sophia Melo Andersen

Colégio de Nossa Sra de Lurdes

Casa Andersen

Cem anos que eu viva não posso esquecer-me
Daquele navio que eu vi naufragar
Na boca da Barra tentando perder-me
E aquela janela virada pró mar

Sei lá quantas vezes desci esse Tejo
E fui p'lo mar fora com a alma a sangrar
Levando na ideia os lábios que invejo
E aquela janela virada pró mar

Marinheiro do Mar Alto
Olha as ondas uma a uma
Preparando-te um assalto
P'ra fazer teu barco em espuma

Repara na quilha bailando na crista
Das vagas gigantes que o querem tragar
Se não tens cautela não pões mais a vista
Naquela janela virada pró mar

Se mais ainda houvesse mais portos correra
Lembrando-me em noites de meigo luar
Duns olhos gaiatos que estavam à espera
Naquela janela virada pró mar

Mas quis o destino que o meu mastodonte
Já velho e cansado viesse encalhar
Na boca da barra e mesmo defronte
Daquela janela virada pro mar

Marinheiro do mar alto
Olha as vagas uma a uma
Preparando-te um assalto entre montes de alva espuma
Por mais que elas bailem numa louca orgia
Não trazem desejos de me torturar
Como aquela doida que eu deixei um dia
Naquela janela virada pró mar




A maioria das janelas do Porto não são virada para o mar.....

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ao virar da esquina


Como tinha prometido, hoje dei uma longa volta pelo quarteirão, tirando fotografias a janelas , portões, detalhes nas casas antigas, assim como ao jardim da Casa das Artes ao fim da tarde. Jardins como este já não existem....as árvores são centenárias e todo o décor é romântico, final de século, extremamente atraente.










O jogo de sombras e cores pastel neste quarteirão torna as fotografias mais apetecíveis nos dias de sol, luminosos como hoje.

Faz bem passear a pé, antes de tomar um chá e comer uns scones na BB Gourmet, onde se lê o jornal de graça. O joelho queixa-se, mas a mente exige...


Ainda o DK ( group decay) e as estufas

Continuando com o tema controverso sobre a beleza e encanto de algo já degradado ou deteriorado ou mesmo em decomposição, descobri que à nossa volta existem centenas de imagens espantosas que rivalizariam com qualquer pintura e dariam exposições bem mais interessantes do que muitas que vejo em salas reputadas. Hoje irei pela Rua António Cardoso em busca de mais exemplos e fotos apetecíveis sobre este tema.


Poucas vezes me sinto atraída pelos quadros que vejo expostos em Serralves, por exemplo. Mas estas vidraças embaciadas encantam-me.

O site DK Museum no Facebook, que aconselho vivamente a quem gostar de fotografia e não só, organiza as fotos enviadas para o GroupDK e compôe vídeos com música verdadeiramente interessantes.

https://www.facebook.com/pages/Group-DK-Museum

Entretanto consegui arranjar mais algumas minhas - fotos já tiradas há bastante tempo que recorto e amplio. Penso que o efeito é surpreendente.
esta estufa já não existe. Está a ser substituída por uma nova.

Em baixo está uma foto da estufa nova que foi construída há uns anos e que não oferece metade do fascínio das outras, quanto a mim.



estufa nova junto aos cactos

domingo, 30 de novembro de 2014

A degradação pode ser bela

Pertenço agora a um grupo que se dedica a fotografar cenas de degradação, sejam elas urbanas ou mais ligadas à natureza,  objectos, máquinas, zonas abandonadas, barcos, etc.

Fui ao meu arquivo e encontrei uma série de fotos que tirei no jardim botânico  e dediquei-me em especial à área mais degradada - que agora está a ser restaurada - . Os resultados foram surpreendentes e as minha experiências muito enriquecedoras.



 É curioso como a degradação pode ser bela quando fotografada em diferentes ângulos, efeitos de luz ou contraste.






quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Boyhood - Momentos da vida


A fotografia da criança deitada no chão com os olhos sonhadores bem abertos desperta-nos para a realidade do filme.
É sedutora.



Momentos da vida são todos aqueles que ficam marcados indelevelmente na nossa memória e na memória dos que privam connosco.

O filme levou treze anos a realizar acompanhando a vida real dum jovem rapaz que vai passando por muitas vicissitudes desde a infância até à juventude.

É um filme muito humano, a que o realizador já nos habituou com a trilogia "Antes do Anoitecer" e sequelas. As personagens envelhecem connosco e durante 145m, envolvem-nos nos seus pequenos dramas, nas aventuras parentais, nas quezílias fraternais, nos primeiros namoros, nas mudanças de casa e de escolas...nas crises conjugais e nos sucessos escolares.


Não é um filme para 4 estrelas como o publico lhe concede, mas entretém e deixa-nos a pensar nos nossos próprios momentos de vida, aqueles que nunca esqueceremos e que nos fazem viver com mais  força e vontade.

Fica aqui o trailer:


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Pintar é bom

Fui convidada pelo Espaço Vivacidade para colaborar na exposição colectiva que se vai realizar em Dezembro.
Fiquei feliz, pois já há muito que não expunha nada e às vezes tenho pena, acabo por esmorecer.

Na realidade, os quadros que escolhi são antigos, foram feitos há uns cinco anos. Na altura pintava muito este estilo de quadros e fazia-o na cozinha, pois o meu filho ainda tinha o quarto dele e era o único local da casa, onde havia espaço  para pintar.

Os quadros vão estar à venda, mas já estou com saudades deles...

Ei-los:

Telúrico


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Os plátanos



No leque das árvores de folha caduca, os plátanos são sem dúvida das mais populares, não só pelo seu tamanho, mas também pela beleza das suas folhas recortadas, que adquirem tonalidades castanhas, douradas muito belas.

A minha Mãe conservava estas folhas debaixo dum tapete durante uns dias, deixando-as ser pisadas de modo a ficarem bem espalmadas. Usava então arames para fazer uma armação que cobria com papel crepe castanho ou verde seco. Envernizava as folhas de modo a não perderem a consistência. Estes ramos ficavam muito bonitos no meio da folhagem dourada ou seca no Natal.
Lembro-me dum presépio que montou só com folhas destas a ornamentar a cabana com as três figuras principais que eram douradas.


Adoro folhas de plátano e guardo-as duns anos para os outros, apesar de poder arranjar quantas quero no jardim botânico.

A minha amiga Regina sugeriu-me o poema de António Gedeão que transcrevi abaixo. As fotos são minhas.





As folhas dos plátanos desprendem-se e lançam-se
na aventura do espaço,
e os olhos de uma pobre criatura
comovidos as seguem.
São belas as folhas dos plátanos
quando caem, nas tardes de Novembro,
contra o fundo de um céu desgrenhado e sangrento.
Ondulam como os braços da preguiça
no indolente bocejo.
Sobem e descem, baloiçam-se e repousam,
traçam erres e esses, ciclóides e volutas,
no espaço escrevem com o pecíolo breve,
numa caligrafia requintada,
o nome que se pensa,
e seguem e regressam,
dedilhando em compassos sonolentos
a música outonal do entardecer.

São belas as folhas dos plátanos espalhadas no chão.
Eram verdes e lisas no apogeu
da sua juventude em clorofila,
mas agora, no outono de si mesmas,
o velho citoplasma, queimado e exausto pela luz do Sol,
deixou-se trespassar por afiados ácidos.
A verde clorofila, perdido o seu magnésio,
vestiu-se de burel,
de um tom que não é cor,
nem se sabe dizer que nome tenha,
a não ser o seu próprio,
folha seca de plátano.
A secura do Sol causticou-a de rugas,
um castanho mais denso acentuou-lhe os nervos,
e esta real e pobre criatura,
vendo o Sol coberto de folhas outonais
medita no malogro das coisas que a rodeiam:
dá-lhes o tom a ausência de magnésio;
os olhos, a beleza.

António GedeãoPoemas Póstumos,
Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1983

Um vídeo que me lembra os meus tempos de criança e adolescente, na voz do eterno Nat King Cole com imagens do outono nas florestas norte-americanas.


domingo, 23 de novembro de 2014

Outono - poema real


Tília do jardim vizinho visto da janela do meu quarto

Se um dia lágrimas vierem ao seu rosto, não pense no porquê! Pense nas folhas do outono, elas não caem porque querem, e sim porque chegou a hora.
Raphael Bacellar

Tão belo, o meu jardim! É assim ano após ano.
O verde que foi outrora é agora acobreado, amarelo, 
avermelhado, verde seco, acastanhado. 
Deu lugar a clorofila a caroteno, a tanino 
e a antocianina (tudo isto é pigmento).
Soltam-se as folhas ao vento, 
rodopiam pelo ar, ocultam-se na neblina, 
cobrem terra, pavimento, crepitam sob o andar.
É outono no meu jardim, também no meu pensamento 
que já se alheia de mim. 
Oculto no sofrimento, voga no espaço sem fim. 

Regina Gouveia   (2004)