quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Dois anos

Faz hoje dois anos que iniciei este blogue.


O tempo voa, é impressionante como aquilo a que damos importância, perdem relevo com o esfumar dos dias.

Quando o recriei - pois o meu verdadeiro blogue era o Cor em Movimento - estava traumatizada por acontecimentos que me ultrapassaram e que consegui superar.

Dou o balanço como positivo e se fiquei triste de perder grande parte do texto do outro, este adquiriu um novo estatuto, um visual mais apelativo e acaba por ser mais meu.

Hoje dei im passeio de uma hora pelo departamento de Ciências , jardim que fica mesmo ao lado do Jardim Botânico ( este fechado), e onde os meus netos adoravam ir brincar, andar de bicicleta ou jogar à bola. Um deles tinha uma "oficina" junto a um árvore , um salgueiro, onde punha as suas pedras preciosas, pauzinhos, folhas, etc. Outras vezes íamos lá apanhar pinhas para a lareira num dos cantos onde um grande pinheiro se encosta.


Cheguei a casa pelas 3. De repente soou o telefone. Era um amigo meu de longa data, inglês, que vive em Portugal e que conheci no Woophy, tendo estado depois mais dum ano afastada por razões dele. Este ano ressuscitou e apareceu no FB. Fiquei feliz pois tinha uma amizade profunda por ele, trocávamos emails longos e tínhamos dramas familiares que eram compreendidos e partilhados. Segundo me disse, resolveu tentar falar pessoalmente com alguns amigos nestes dias. Nunca tinha ouvido a sua voz, que é típica dum inglês culto, faz-me lembrar a voz do actor que faz o papel de Sherlock Holmes na série mais moderna.

Falámos 4 horas ao telefone.É inacreditável. O sol pôs-se e nós ainda falávamos de tudo, mas sobretudo das nossas vidas, do país, de mentalidades, de estados de alma, traumas e problemas. Só interrompemos porque a minha filha me telefonou no skype. Teria ficado mais uma hora a falar com ele...

Um dia de Ano Novo só, mas  tão bem acompanhada por um Amigo distante.



 Nunca tal me tinha acontecido...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Começo do Ano - novo visual

Resolvi mudar de visual.

Este é mais consentâneo com o inverno e dá relevo à minha pintura, o meu hobby de eleição.

Espero que gostem!

Obrigada por estarem aí!

domingo, 28 de dezembro de 2014

Quadrinhos recentes

Sempre gostei de pintar quadrinhos tipo azulejo. Podem-se expor separados ou juntos. Tenho uma colecção de vinte cinco e já ofereci seis.

Esta semana deu-me para pintar. caixas e quadrinhos.

Ficaram assim:


Mr Turner - um pintor de génio

Nunca vou aos shoppings ao sábado. Muito menos no Natal.

Mas hoje queria distrair-me e sair com a minha filha, estar com ela nestes últimos dias é uma necessidade. Já só faltam dois dias e ela irá de novo para longe de mim.... o tempo passou depressa demais.

Dizer adeus é triste.
Como diz o meu neto no skype: Hello...goodbye!. Custa muito, já ando deprimida de novo e a ressaca das festas não ajuda.

Pois hoje fui ao Arrábida shopping. A fila dos bilhetes era longa, mas a minha filha esteve lá estoicamente enquanto eu ia comprar as sandes para almoçarmos. E valeu a pena. Nunca vi a sala tão cheia, embora o filme fosse para uma élite, aqueles cinéfilos que aguentam filmes de 2.30, lentos, com imagens espantosas da natureza,  reconstituindo uma época que foi trágica em muitos aspectos, mas sem grande acção.

Há filmes que só podem ser vistos no cinema. Lembro-me de Tous les matins du Monde, O Piano, As Horas, Moonrise Kingdom, etc. São grandes filmes que nos envolvem numa atmosfera especial.

É como se nos metessem numa cápsula e nos tele-transportassem para o passado. Durante aquele tempo abstraímo-nos do presente e das pessoas que estão à nossa volta.

Mas há quem odeie estes filmes e saia a meio enfadado. Li críticas no IMDB que diziam  muito mal do filme,  atitudes extremamente radicais.  Mas, quanto a mim, a realização de Mike Leigh, a cinematografia, os cenários e as interpretações são fenomenais.



Sempre admirei a obra de W. Turner e fui a todos os museus que podia só para ver pinturas dele. Acho-o um precursor do impressionismo. A última fase da sua obra é esplendorosa e inegualável. Saber algo sobre a sua vida - embora seja a segunda metade apenas -  interessou-me muitíssimo, comovi-me com a sua figura, a sua personalidade peculiar.

Primeira obra exposta, aos 16 anos

Li depois na Wiki que Turner entrou nasRoyal Academy of Arts com 14 anos e com 16 já tinha quadros expostos. É inacreditável.
Antes da sua morte ofereceram-lhe uma soma milionária por todos os seus quadros e desenhos. Recusou, alegando que tudo pertencia ao reino e ficaria para a nação inglesa. Viveu modestamente como quis. Morreu em Chelsea na casa que escolhera para viver com a sua última companheira, uma estalajadeira rosada e sorridente, que nem sabia quem ele era quando lhe alugou o quito sobre o porto.

Depois deste filme ter estreado um dos seus quadros foi vendido num leilão por uma soma astronómica...

Este é o meu quadro preferido. Mergulho no nevoeiro com ele.

Rain, Steam and Speed
 Fica aqui o trailer do filme que é só por si espectacular.





quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

E assim se passou

mais um Natal. Com paz, mas com menos alegria e com mais saudade.

Felizmente sei que para o ano os meus netos estarão cá e juntos, o Natal será mais ruidoso, musical e ternurento.

Ontem falámo-nos três vezes pelo skype e , se por um lado, fiquei mais comovida - ouvi-los a tocar o Canon de Pachelbel é inigualável - por outro, tive durante uns breves minutos a sensação de que eles estavam mesmo aqui pertinho.

Sei que tinham planos fantásticos para o fim de tarde com Missa e concerto em que iriam interpretar música de Natal e cantar carols em conjunto. Tenho a certeza de que será uma experiência que não esquecerão nunca mais.


A nossa ceia foi um êxito, o bacalhau da Oriental estava *****, as sobremesas óptimas, o champagne soube bem, as prendas simples e bonitas. Recebi uma camisola do M&S que a minha filha trouxe de Leeds e um livro de contos da Yasmina Reza, autora que aprecio muito. Os meus filhos sabem os meus gostos.

Tive a lareira acesa durante horas e contemplá-la é só por si uma autêntica catarse. É como contemplar o mar, não conseguimos desfitar das chamas bruxuleantes que dançam enigmaticamente ao som do crepitar da lenha. As pinhas ficam incandescentes, lindíssimos enfeites de Natal....

Hoje fiz a "roupa velha" para mim e filha. Estava saborosa, pois os restos eram muitos e o bacalhau excelente. Ainda tenho rabanadas para dar e vender, English pudding, tarte de leite condensado...dá para mais uma refeição, mas hoje vamos jantar a um restaurante indiano para matar saudades e sairmos um pouco.

É assim o Natal dos felizes que não tem história.....

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Um Natal diferente

Poucas vezes terei passado um Natal assim tão singelo, mas tão bonito.

Estou sentada diante da lareira bem acesa, a árvore de
Natal a piscar no seu cantinho, poucas prendas no chão junto a ela. Houve anos em que os presentes juncavam o chão, no tempo em que ia a Lisboa no dia de Natal e levava prendas para todos os meus.

Telefonaram-me hoje alguns amigos que me comoveram. Não se limitam as boas festas no FB ou por email, pegam no telemóvel e falam pessoalmente comigo. Fico-lhes grata não esqueço.


Longe vai o tempo da azáfama na antevéspera: eram as rabanadas, os sonhos de abóbora, a aletria, o bolo-rei ( feito em casa), etc.etc. Vou fazer tudo amanhã com a minha empregada, que é um anjo caído do céu e que me enche de mimos. Falta-me o cheiro da canela, mas amanhã já cá o tenho.

Hoje fui ao cinema ver um filme francês muito bom, como todos os que vi com este actor fabuloso que é Fabrice Luccini. Já vi 4 filmes com ele e são todos extremamente inteligentes, comédias dramáticas bem pensadas e bem filmadas. O filme chama-se Gemma Bovery e parodia o romance de Flaubert numa história paralela actual. Aconselho a verem.

Oiço música de Arvo Part, um compositor estoniano minimalista que tenho vindo a descobrir a pouco e pouco.

Natal é isto. Paz....paz....paz....




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

É Natal


A planta oferecida pelo meu filho João há duas semanas
O espírito de Natal já chegou ao meu lar.

Na forma humana e na forma ambiental.

A minha filha chegou as 2.30 da manhã de sábado e o nosso abraço foi longo e sentido. Renasceu em mim a proximidade, a intimidade, a cumplicidade e o desejo de a abraçar para sempre.

Com ela, veio o pinheiro guardado na arrecadação, os postais de Natal, os anjinhos do Bazar alemão as velas , as luzinhas  e tudo o que faz desta quadra uma das mais festivas e quentes do ano.
E melhor, ainda veio a música de Natal, cânticos eternos que enchem o nosso coração dum sentimento bom e a nossa memória de recordações inolvidáveis.





Deixei tudo por preparar de modo a que ela o fizesse como nos outros anos. Juntas colocámos as luzes e depois os objectos, estrelas, corações, maçãs, bonecos de lã,  que tornam esta árvore a nossa, ano após ano.

Tirei fotos à sala, fiz uma colagem e enviei-a aos meus netos, embora eles tenham tido ocasião de ver tudo pelo skype com wows de espanto e alegria. Estavam tão queridos que só me apetecia tê-los aqui e beijá-los..
Enviei-lhes também um vídeo de uma canção para eles ensaiarem e cantarem no dia de Natal: Alle Jahre wieder Lembra-me o colégio onde os filhos andaram e o ambiente maravilhoso que se vivia nesta época.

Deixo aqui um vídeo de uma das mais bela canções que conheço, cantado pela famosa Susan Boyle, numa voz límpida e repleta de sentimento.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Solidão compensada

Em Julho os meus filhos e meninos partiram, deixando-me um vazio enorme, que compensei com a presença da minha filha e filho mais novo, esporadicamente. Estive em Ofir, que é o l
ocal onde me sinto melhor durante o inverno e no tempo em que não posso ir para a Luz.

Em Outubro fui aos EU, a Mountain View, e embora tenha gostado de visitar lugares espantosas que nunca mais verei....the Yosemite Valley, por exemplo... , não fiquei com vontade de voltar tão depressa a viajar. Senti-me mal depois de tantas horas de avião e a própria experiência de ver e estar com os netos no seu novo habitat não me entusiasmou, tenho de ser sincera. O rameram, o dia-a-dia tornou-se muito limitado, não conseguia andar sozinha, foi um sacrifício real.

Entretanto vivi aqui umas semanas um pouco deprimidas até receber uma notícia que me deu à volta à vida.
A nossa antiga empregada - que trabalhava cá - em minha casa e na da minha nora - no ano passado e que saíra para abrir um café em Gaia, teve problemas e o estabelecimento fechou. Contactei-a e ela passou a vir aqui todos os dias três horas, enquanto os meus netos não voltam dos EU. É uma alegria, uma pessoa extraordinária, cheia de energia, que se preocupa por mim, todos os dias tem um carinho, traz-me o que preciso e leva-me na sua carrinha ao médico ou à Baixa. Ainda trata das suas três filhas no tempo que lhe sobra.
O meu filho acha que eu pareço outra desde que ela vem cá. É natural. Estar só, não ter ninguém com quem falar é bom durante algumas horas, mas não me enche o vazio. Assim, durante aquelas horas, converso, interesso-me pela sua família, ajudo-a no que posso,  cozinho com ela, arrumo os armários, mexo-me e não tenho alibis para me sentir só.