Vai passar a ser quase impossível para nós portugueses, a não ser que tenhamos posses ou a certeza dum emprego duradoiro.
Nos anos 70, algumas amigas minhas foram para Londres a sonhar com o "British dream", que era viver como "au pair" em casa de ingleses ricos, muitos deles judeus, tomar conta das crianças ou fazer limpezas e ajudar a família durante algumas horas do dia, frequentando um curso de inglês nas horas livres. Isso significava gozar de uma liberdade nova, proibida aos jovens portugueses no regime salazarista ainda que as portuguesas tivessem de engulir muitos sapos e nada fosse cor-de-rosa.
Uma das minhas irmãs teve uma experiência bastante má e acabou por ir trabalhar para o clube da RAF, onde ganhava um pouco mais que 3 libras por semana e ficava livre a partir das 15h. O clube, ultra posh, era situado em pleno Park Lane, em frente do Green Park. O quarto dela no sótão possibilitava a vista do parque , cheio de neve no inverno de 1970. Dormi lá algumas vezes num colchão surripiado. Era uma experiência totalmente nova.
Passei lá um mês e meio para que ela não estivesse sozinha no Natal e para poder investigar para a minha tese de licenciatura sobre Graham Greene, que concluí em 1971.
Fiquei em casa duma amiga portuguesa que se tinha casado com um australiano e que reencontrei no Facebook, Maria Ferguson.
Todos os dias vinha para o centro em dois transportes, estudava durante seis horas na Biblioteca da Universidade em Russell Square e depois passeava pelas Charing Cross, Tottenham Court Road e Oxford Street. Fazia kms a pé e conhecia as lojas todas dessas ruas. Não tinha dinheiro nenhum, de modo que só via as montras, os discos, os posters e as roupas, mas nada comprava.
Às 15h encontrava-me com a minha irmã e íamos comer panquecas ao Old Kentucky. Essas panquecas sabiam-nos pela vida...e eram relativamente baratas, comparadas com o resto dos restaurantes, proibitivos para as nossas posses. Fomos a alguns concertos memoráveis no Albert Hall, onde ficávamos de pé nas galerias, pois eram os bilhetes mais baratos.
Para viver em Londres mais de 3 meses, era necessário adquirir um labour permit. Expirando este, teríamos de abandonar o país. Nunca quis lá ficar por muito tempo, não tinha coragem de viver sem a família e Londres só me seduzia durante pouco tempo.
É o que vai acontecer agora, quer vença a facção que deseja permanecer na UE ou não. Os cidadãos estrangeiros não terão acesso ao NHS nem à segurança social enquanto não descontarem para a mesma durante 4 anos. Sei por experiência que, sem isso, é muito difícil viver em Inglaterra.
Todos os outros países - 27- aceitaram por unanimidade as reclamações de David Cameron. O mesmo está convencido de que os cidadãos britânicos votarão YES à permanência, gozando "the best of both worlds" como ele chamou à situação. Sem dúvida.
Poder escolher o seu futuro só é permitido aos países poderosos da UE ou que não são, nem nunca foram, pro-euro.
A libra continuará forte e um sinal de independência duma nação que não se verga perante a Europa e as suas políticas anti-soberanias.
Não posso deixar de lembrar aqui a máxima de George Orwell , no seu famoso Animal Farm:
Nos anos 70, algumas amigas minhas foram para Londres a sonhar com o "British dream", que era viver como "au pair" em casa de ingleses ricos, muitos deles judeus, tomar conta das crianças ou fazer limpezas e ajudar a família durante algumas horas do dia, frequentando um curso de inglês nas horas livres. Isso significava gozar de uma liberdade nova, proibida aos jovens portugueses no regime salazarista ainda que as portuguesas tivessem de engulir muitos sapos e nada fosse cor-de-rosa.
Uma das minhas irmãs teve uma experiência bastante má e acabou por ir trabalhar para o clube da RAF, onde ganhava um pouco mais que 3 libras por semana e ficava livre a partir das 15h. O clube, ultra posh, era situado em pleno Park Lane, em frente do Green Park. O quarto dela no sótão possibilitava a vista do parque , cheio de neve no inverno de 1970. Dormi lá algumas vezes num colchão surripiado. Era uma experiência totalmente nova.
Passei lá um mês e meio para que ela não estivesse sozinha no Natal e para poder investigar para a minha tese de licenciatura sobre Graham Greene, que concluí em 1971.
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| colagem que montei em 2011 na minha última estadia na cidade |
Todos os dias vinha para o centro em dois transportes, estudava durante seis horas na Biblioteca da Universidade em Russell Square e depois passeava pelas Charing Cross, Tottenham Court Road e Oxford Street. Fazia kms a pé e conhecia as lojas todas dessas ruas. Não tinha dinheiro nenhum, de modo que só via as montras, os discos, os posters e as roupas, mas nada comprava.
Às 15h encontrava-me com a minha irmã e íamos comer panquecas ao Old Kentucky. Essas panquecas sabiam-nos pela vida...e eram relativamente baratas, comparadas com o resto dos restaurantes, proibitivos para as nossas posses. Fomos a alguns concertos memoráveis no Albert Hall, onde ficávamos de pé nas galerias, pois eram os bilhetes mais baratos.
Para viver em Londres mais de 3 meses, era necessário adquirir um labour permit. Expirando este, teríamos de abandonar o país. Nunca quis lá ficar por muito tempo, não tinha coragem de viver sem a família e Londres só me seduzia durante pouco tempo.
É o que vai acontecer agora, quer vença a facção que deseja permanecer na UE ou não. Os cidadãos estrangeiros não terão acesso ao NHS nem à segurança social enquanto não descontarem para a mesma durante 4 anos. Sei por experiência que, sem isso, é muito difícil viver em Inglaterra.
Todos os outros países - 27- aceitaram por unanimidade as reclamações de David Cameron. O mesmo está convencido de que os cidadãos britânicos votarão YES à permanência, gozando "the best of both worlds" como ele chamou à situação. Sem dúvida.
Poder escolher o seu futuro só é permitido aos países poderosos da UE ou que não são, nem nunca foram, pro-euro.
A libra continuará forte e um sinal de independência duma nação que não se verga perante a Europa e as suas políticas anti-soberanias.
Não posso deixar de lembrar aqui a máxima de George Orwell , no seu famoso Animal Farm:
All animals are equal, but some animals are more equal than others








