sexta-feira, 13 de maio de 2016

Gozando a beleza da vida


Hoje tive um dia que me encheu de forças como há muito não sentia.

De tarde fui ao ginásio para uma avaliação física e tive a sorte de encontrar uma pessoa excelente, que vai certamente ter um peso grande na minha vida.
Acontece-me frequentemente encontrar na vida por acaso pessoas que são uma presença viva e influenciam beneficamente o meu estado psicológico.
Feita a avaliação, combinámos o programa a implementar doravante para que o exercício físico seja útil à minha recuperação e melhoria em geral. Constatei que emagreci 5kg desde que fui operada, muito por causa do exercício que agora posso fazer para minha satisfação e também duma relativa dieta que vou tentando não comprometer.





Tencionava jantar em casa, mas a minha filha insistiu em que fôssemos jantar fora. Há muito que lhe tinha prometido irmos a Matosinhos ver o pôr do sol num dia com núvens. São os mais belos e hoje estava uma tarde linda , luminosa. O restaurante Cufra às 7 da tarde estava vazio - esperavam um grupo de 70 pessoas para as 9 - e o serviço foi impecável e rápido.

Apeteceu-nos marisco. Comemos uma sopa de camarão que estava deliciosa e depois, como prato principal, gambas ao alho, que me souberam a lagosta!! Um prato de estalo, com um molho picante saborosíssimo, acompanhado de pão torrado com manteiga. Só de me lembrar das gambas, vem-me a água à boca. Divinais.

A praia estava linda, o céu pastel com nuvens acasteladas sobre o mar.
Os cargueiros ao longe pareciam uma miragem.
Havia pessoas , silhuetas negras, que contemplavam o mar, descansavam, pedalavam ou corriam por ali, felizes. Dá gosto ver os jovens a praticar desportos. Ainda havia surfistas no mar.


Saímos do restaurante e fomos até à praia. Não havia vento, só uma brisa de norte,

que ia afastando as nuvens para sul. O Castelo do Queijo, imperial em contra-luz.

Viémos de autocarro para casa e chegámos em 15m.



Há horas felizes. É bom ter uma filha que se deslumbra tanto como eu com estas experiências.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O prazer do exercício

Hoje fui ao ginásio.

Estive meia hora a andar na passadeira e curiosamente, senti-me bem, não me custou nada aquele tempo maquinal, mexendo pernas dum lado para o outro.

Estavam muitas pessoas, jovens na sua maioria, e via-se o esforço que fazem para manter o corpo activo, mesmo à hora de almoço. Fiquei admirada com o prazer com que se despem, vão fazer exercícios e voltam a vestir-se para o trabalho, como se nada fosse.

Lembro-me que depois de dar aulas, às 13.15, só me apetecia dormir. Durante anos, almoçava e deitava-me, nem que fosse por meia hora. Fazer ginástica nunca me passou pela cabeça, nem sequer tinha dinheiro para pagar ginásios, mas mesmo que tivesse, não teria coragem para lá ir.

Depois fui à piscina, onde em contrapartida não estava ninguém. Tinha acabado a aula de hidroginástica. Estava um silêncio fantástico, deixei-me estar durante outra meia hora, em imersão benéfica.

Na 5ª feira vou fazer uma avaliação física para verificar que exercícios posso fazer sem causar danos à coluna ou aos joelhos.

Entretanto terminei a leitura do livro Broadchurch de Chris Chibnall, em edição KIndle,

que comecei a ler depois de ter visto a série excelente, transmitida pela ITV em Inglaterra em duas temporadas. Foi das séries que mais me envolveu nestes últimos tempos. Infelizmente a Fox não a comprou até agora. Espero ansiosamente a terceira temporada. Um thriller cheio de profundidade, que não se limita a investigação dum crime, mas à análise psicológica de todos os que vivem na pequena vila de Broadchurch, onde decorre a acção.

Nestes dias de chuva com que S. Pedro nos tem brindado, a vida é calma e está-se bem....

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Google homenageia Mário Miranda, cartoonista luso-indiano


Mário Miranda é hoje homenageado pelo Google, que lhe dedica um 'Doodle' na página inicial do motor de busca, no dia em que o artista faria 90 anos.

Nascido a 2 de maio de 1926 em Loutolin, Goa, quando a Índia estava ainda sob domínio português, Mário Miranda era filho de pais católicos e começou cedo a desenhar nas paredes de casa: a mãe ofereceu-lhe um caderno em branco para que desse asas à imaginação.
Começou a carreira na área de publicidade, mas acabou por se destacar como cartoonista quando a revista The Illustrated Weekly of India publicou alguns dos seus trabalhos.  Foi-lhe atribuída uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, que lhe permitiu viajar e viver em Portugal durante um ano. Mudou-se depois para Londres, onde permaneceu cinco anos. Regressou a Mumbai (antiga Bombaim), na Índia, onde trabalhou para o The Times of Indiae viria a casar com a artista Habiba Hydari. Teve dois filhos.
Além de cartoonista, Miranda assinou ainda vários murais em inúmeros edifícios indianos, tendo mais tarde dedicado grande parte da sua atividade artística à pintura. Morreu a 11 de dezembro na cidade natal, Loutolin. 
O Doodle que esta segunda-feira assinala o seu nascimento, há 90 anos, recupera as cenas cómicas de multidão que gostava de retratar nos seus primeiros desenhos. É da autoria do norte-americano Aaron Renier, conhecido por desenhar massas de pessoas, tal como Miranda.

DN, 2 de Maio 2016

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A terapia aquática e o Dia da Mãe

Após quase seis meses de ausência voltei ao meu ginásio e piscina no Bom Sucesso Health Club, de que tinha saudades. Senti-me a pessoa mais feliz do mundo.


É curioso como, mesmo nestas actividades, me sinto muito melhor sozinha - hoje estive 45m com a piscina só para mim - do que acompanhada com grupos de senhoras da 3ª idade a fazer exercícios de hidroterapia ao som de música altíssima e berros do instrutor. Ainda assisti a 15m e fingi que estava a participar. :)

Não me entusiasma nada estar na água com barulho e o que mais gosto é do silêncio por baixo de água, onde sonho com os mares do sul, a fauna e flora sub-aquáticas....

O meu neto quando era pequenino e a quem ensinei a nadar, ia ao fundo da piscina buscar colares de pérolas para mim, dizia ele....nunca o desiludi, embarcava nessa ilusão porque eu própria acreditava nesse sonho.

Vir de autocarro na maior, sentir-me quase a 100%, chegar a casa e comer uma canja acabada de fazer é um privilégio que agradeço a todos os que contribuiram ou contribuem para este estado de espírito, que é bem diferente de há 3 meses atrás. Ando bem, não sinto dores nenhumas e pergunto-me como é que estive tanto tempo sem perceber que o mal principal era da coluna que não do joelho.

Ontem, o meu filho mais velho que está mais uma vez na California, mandou-me uma foto  com um beijo, uma selfie que adorei e apresento aqui depois dum telefonema longo e detalhado das suas démarches.

 O mais novo, que passou todo o dia a fazer uma sentença que tinha de ser lida hoje de manhã em Bragança,  pôs uma mensagem já ao cair da noite no FB, no site do Boavista FC, que entretanto festejou a manutenção na 1ª Liga. Escreveu:









Partilho só porque gosto de aliar o melhor clube do mundo à melhor pessoa do mundo.




São momentos como estes que nos fazem adorar a Vida!

smile emoticon

sábado, 30 de abril de 2016

Sliding doors

Uma vez vi um filme interessante com este título. Eram duas histórias paralelas. Numa, a protagonista - Gwyneth Paltrow - fugia do namorado e apanhava o metro, desenvolvendo-se a história a partir daí.
Noutro plano, via-se uma cena em que ela perdia o metro e voltava para casa e a história era outra.Muitas vezes a nossa vida não é nada do que planeamos...



Hoje aconteceu-me quase isso.

Tinha planeado ir com a Luisa almoçar à Tavi na Foz. Às 11.30 já íamos a sair, telefona a minha nora dizendo que tinha de ir ao hospital com o filho mais novo que estava com uma alergia grave. Perguntava se o o meu neto mais velho poderia vir cá.
Disse-lhe que o levava à Foz e assim fiz. Apanhámos o autocarro 200 em vez do 204, que para mesmo junto à Tavi. O 200 dá agora uma volta enorme antes de ir ao Castelo do Queijo, resultado, saímos muito depois , a meio da Rua de Gondarém. Descemos até à Av. Brasil e parámos mesmo em frente do restaurante A Máscara. A tentação foi grande, resolvemos ir comer uma fondue. Estava lindo, mas um ventinho de norte bastante irritante. Lá dentro comemos bem e protegidos da frescura marítima.

Se estivéssemos sozinhas teríamos ido até à esplanada tomar um café e apanhar sol, mas o meu neto estava cansado - a semana dele é enorme - e pediu-me para vir para minha casa. Assim foi.

O dia foi todo ao contrário do que estava planeado. Não apanhei sol nenhum...mas estive com os meus dois queridos e comi bem!!

quinta-feira, 28 de abril de 2016

The Prophet


aguarela de Kahlil Gibran
O amigo é a resposta aos teus desejos. Mas não o procures para matar o tempo! Procura-o sempre para as horas vivas. Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio.

Cada vez mais desesperadamente o homem procura dilatar o tempo que já não tem.

Vedes unicamente a vossa sombra quando virais as costas ao sol.



Sempre admirei o livro O Profeta, que considero um manancial de sabedoria extraordinária, expresso dum modo simples, mas com um conteúdo profundíssimo.

No casamento duma das minhas sobrinhas, foram lidas passagens deste livro relativas ao amor, que me impressionaram muitíssimo porque tão verdadeiras.

Estava muito interessada em ver o filme inspirado na personalidade, escrita e arte de Kahlil Gibran. Fui vê-lo hoje na primeira sessão.

Já há muito que não via um filme de animação que me agradasse.
E este superou as expectativas. É um hino às palavras - aos poemas de Kahlil Gibran - à cor, à aguarela, aos desenhos, ao movimento, à espiritualidade, à Vida e à Morte, à Natureza, à Liberdade e à Paz...um espectáculo de música , luz e cor que nos envolve durante uma hora e um quarto e que passa num instante, deixando uma memória visual arrebatadora.

Estávamos as duas sozinhas na sala e o silêncio era total. Daí ouvirmo-nos a chorar comovidas no fim. Nunca tinha visto a minha filha chorar num filme e quase que me senti incomodada e aflita. Démos as mãos e estávamos em uníssono. Não havia tristeza, apenas comoção.

O filme é ficção e o enredo simples. As figuras fazem lembrar as personagens da Disney  e o mundo árabe, onde a liberdade de expressão não existe e é severamente castigada.

O diálogo entre o prisioneiro e o povo que o ama é feito através de poemas, canções e imagens duma beleza exemplar.

Mustafá nunca se cala, mesmo quando é obrigado à reclusão e condenado à morte. O povo adora-o e não acredita que ele possa desaparecer. 


( Khalil Gibran ( 1883-1931) foi um ensaísta,filósofoprosadorpoeta,conferencista e pintor de origem libanesa. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe. Viveu grande parte da sua vida nos EU, para onde emigrou com a sua Mãe e irmãos.
Khalil Gibran produziu obra literária acentuada e artisticamente marcada pelo misticismo oriental. A sua obra, acentuadamente romântica e influenciada por fontes de aparente contraste como a BíbliaNietzsche e William Blake, trata de temas como o amor, a amizade, a morte e a natureza, entre outros. Escrita em inglês e árabe, expressa as inclinações religiosas e mística do autor. A sua obra mais conhecida é o livro O Profeta, originalmente publicado em inglês e traduzido para cerca de vinte idiomas.




O Amor não escolhe lugares



Um bom dia, com sol....

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O coração do Porto

de Helder Pacheco:

Eu vivo num arrabalde de mim próprio. E passo a explicar: para um portuense nascido e criado na Rua do Correio, no coração da Baixa, viver na periferia deste universo fantástico é exilar-se da sua substância. Ainda assim, tenho sorte por habitar dentro do Burgo. Se tivesse ido parar aos confins suburbiais, era bem pior. Apesar de contemplar o rio e o mar, e estar rodeado de bosques e outonos deslumbrantes, não é cidade. É uma colecção de condomínios e espaços de estacionamento.
Porque uma cidade (ao menos para mim) são ruas com lojas, cafés, tascos, quiosques. Passeios com a gente a cruzar-se, saudar-se e conversar. Aromas, cheiros e ruídos das lojas. Falares e vozeares na partilha dos espaços comuns. Homens-estátua, cauteleiros, vendedores ambulantes, tocadores de música e até pedintes e penduras. Uma cidade são varandas com flores, granitos lavrados, anúncios, letreiros, cartazes. Semáforos e trânsito. Como no bairro onde moro, além da paisagem, só há solidões, vazios, silêncios sepulcrais, ventanias enregelantes, dilúvios de água correndo no asfalto, quando chove, e assaltos a automóveis, longe da Vitória e de Carlos Alberto, onde me nasceram os dentes, sinto-me fora de mim.

domingo, 24 de abril de 2016

William Shakespeare - 400 anos da sua morte


Shakespeare foi sempre para mim um mistério. Mas estudei-o a fundo na minha juventude. Li treze peças, vi três peças em Inglaterra, vi não se quantos filmes, enfim...

Pouco se sabe dele, a sua bio é reinventada década a década, confundem-no com outros grande dramaturgos como Marlowe, atribuem-lhe peças desconhecidas, personagens fictícias, histórias rocambolescas.
Fizeram-se filmes hollywoodescos das suas peças, que tinham tudo menos a verdadeira essência do bardo.
Mas Shakespeare continua a ser o maior dramaturgo de todos os tempos e cada verso seu é uma manancial de sabedoria.

Nos anos 90 fiz uma sessão um congresso da APPI em que me dediquei a Shakespeare, não na sua totalidade, mas dando exemplos de como se poderia introduzir um tema tão difícil com alunos pouco habituados a ler em inglês. Felizmente, meses depois os programas foram revistos e a rubrica saiu.
Démos um suspiro de alívio. Anda tenho o manual Prime Time 11, em que um dos capítulos é tratado com alguma arte e leveza.

Quando preparava essa sessão, resolvi ir à internet e encontrei pano para mangas. Havia de tudo, desde resumos das peças, peças simplificadas, foruns de discussão, ajuda para trabalhos projecto, etc. Entretive-me a ler algumas das FAQ - perguntas mais frequentes - e diverti a plateia mostrando no retroprojector algumas perguntas com respostas inusitadas.

Q: Does anyone know how many characters die at the end of Hamlet?
A: I wish I knew it!

Hoje encontrei um sketch espectacular entre Rowan Atkinson e Hugh Laurie, em que se discute o tamanho de "Hamlet" . Para quem percebe inglês isto é de morrer a rir.

Cortar ou não cortar o to be or not to be da peça , eis a questão!


O humor inglês é o remédio mais salutar para os domingos monótonos!!

Long live SHAKESPEARE!