terça-feira, 21 de junho de 2016

Solstícios



Chegou o Verão.
Ontem a noite foi curta, o dia longo cheio de sol, o pôr do sol às 21.05, a luz dourada remanescendo durante mais de meia hora.

Está quente, embora a nortada já se comece a sentir. Típico tempo de verão, que agrada aos amantes


 de praia e de calor.

Pessoalmente prefiro os dias de outono, calmos, menos quentes e mais suaves.

A tardes infindáveis de verão trazem-me nostalgia e saudades dum tempo que já passou e não volta mais. Eram belas as tardes com a minha Mãe na varanda da nossa casa, emoldurada de buganvília vermelha, o cheiro das flores que subia do jardim, a relva cortada e as ameixas que comíamos em catadupas ainda quentes do sol.  Passava parte da tarde a jogar ao mata, ao badmington ou mesmo ao futebol, a fazer atletismo ou a sonhar acordada...por vezes, dávamos uma volta pelo jardim com o nosso Pai que nos explicava algo sobre as plantas, as flores, os canteiros, o que iria ser plantado quando as flores tivessem acabado. Depois do jantar ainda havia luz para estarmos lá fora, a aspirar o ar do verão e a ouvir o vento nos choupos que ladeavam a parte da frente da casa. Aprendi tantos nomes de palantas e flores, que ainda hoje me surpreendo com o que sei sobre o tema.

Agora, dum modo geral,  afligem-me as tardes muito longas...o que vale é o Euro que tem preenchido alguns destes fins de tarde mais monótonos.

Ontem, o solstício coincidiu com a Lua Cheia de Junho, mas a lua que eu vi nada tinha de especial. Era uma bola redondinha, luminosa no meio das árvores altas do Botânico.

Na astronomia,solstício (do latim sol+ sistere, que não se mexe) é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador. Os solstícios ocorrem duas vezes por ano: em dezembro e em junho. O dia e hora exactos variam de um ano para outro. Quando ocorre no verão significa que a duração do dia é a mais longa do ano. Analogamente, quando ocorre no inverno, significa que a duração da noite é a mais longa do ano.

Em várias culturas ancestrais à volta do globo, o solstício de inverno era festejado com comemorações que deram origem a vários costumes hoje relacionados com oNatal das religiões pagãs. O solstício de inverno, o menor dia do ano, a partir de quando a duração do dia começa a crescer, simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão.

Fica aqui música especial para ilustrar este tema tão querido dos Celtas.


sábado, 18 de junho de 2016

Brexit? Oh, no....

Já desde os anos 70-80 que o Reino Unido discute a adesão à União Europeia.

Lembro-me de dar aulas sobre o assunto, falando em ministros como John Major e Margaret Thatcher e nas diversas correntes de opinião em vigor. Os britânicos, sobretudo os Ingleses, sempre desconfiaram da dependência que a adesão acarretaria, mantendo-se arreigadamente contra o Euro e políticas orçamentais, que como sabemos, têm sido fatais para os países mais pequenos.

O RU foi sempre avesso a uniões, sejam elas físicas - a construção do Túnel da Mancha levou a controvérsias intermináveis - ou políticas.
O Commonwealth é, no fundo, uma marca do relativo poderio da Inglaterra sobre as suas antigas possessões - ao estilo dos Palops - com vantagens para todos, mas principalmente para os imigrantes que gozam de privilégios especiais quando trabalham no RU.

Quando vou a Leeds, fico pasmada com a quantidade de pessoas asiáticas - paquistaneses, indianos, tibetanos, malaios, etc.
Leeds é mesmo um melting pot de raças e cores, o que dá à cidade uma imagem totalmente diferente daquela que, em geral, é representada nos clichés turísticos ou dos manuais escolares.

Nos anos 70, uma das minhas irmãs quis ir trabalhar para Londres e teve de obter um labour permit, que era renovado de três em três meses. Sem isso, ninguém poderia viver mais do que uns meses - poucos - na cidade. O mesmo acontecerá se o Brexit vencer.

Depois da adesão à UE,  muitos estudantes estrangeiros optam por ficar em Inglaterra a fazer mestrados ou doutoramentos, não só porque lhes agrada o ambiente e condições das Universidades britânicas, mas também porque beneficiam de vencimentos, serviços de saúde e sociais impares.

No caso da minha filha, o NHS foi exemplar nas várias ocasiões em que ela precisou dele. Foi sempre uma garantia de qualidade, no qual se pode confiar. Um dia que acabe, ela não poderá viver nesse país.

Se os britânicos optarem por sair da UE, as consequências para os imigrantes portugueses serão imensas. Não haverá benesses pelo facto de pertencerem à União e terão de competir  profissionalmente com os cidadãos do Commonwealth.


Do Insurgente:

As sondagens sobre o Brexit estão a causar surpresa, não tanto pelo resultado final em si, mas pelo que revelam. E o que mostram é que, se a maioria dos jovens entre os 18 e os 29 anos é favorável à continuação na União Europeia (UE), a maioria dos cidadãos com mais de 60 anos votará pela saída.O Reino Unido (RU) anda a discutir o porquê desta divisão. E as razões vão desde a natural tendência para os mais velhos desconfiarem do que vem de fora e se tornarem nostálgicos do passado, preferindo um regresso ao país que conheceram outrora, até ao egoísmo dos que já viveram os benefícios da UE e agora nada têm a perder com a saída.
Oxalá o Bremain ganhe....ou nada ficará como dantes.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

A loucura do futebol - o País de Gales


Volto ao tema, enquanto vejo o escaldante Inglaterra- País de Gales.





Duas nações, unidas por laços comuns, mas divididas por culturas próprias e personalizadas, uma História com episódios sangrentos, políticas e língua distintas.

O País de Gales, mais conhecido entre nós pelo Principe de Gales ( William ), o tweed dos fatos feitos à medida, a língua galesa e as paisagens de costa agreste e alcantilada é um país que nunca perdeu as raízes célticas, falando-se gaelic nas escolas e nos documentos. A música é céltica, a religião a anglicana. A flor simbolo é o daffodil, narciso amarelo.

Cymru
Wales

País de Gales
Bandeira do País de Gales
Brasão de armas do País de Gales
BandeiraBrasão de armas
Lema: "Cymru am byth"
(em galês: "Gales para sempre")

O nome Wales provém de uma palavra de raiz germânica que significa estrangeiro e está, assim, relacionado com os nomes de várias outras regiões europeias onde os povos germânicos tomaram contacto com culturas não-germânicas. 


terça-feira, 14 de junho de 2016

Desvarios dos adeptos

Fala-se muito dos tumultos provocados por adeptos de futebol nas cidades francesas. A Rússia já recebeu uma condenação em pena suspensa. Os ingleses, não, pois os europeus têm medo que isso os faça votar para sair da UE no dia 23.

As pessoas dão uma importância enorme a estes desacatos, sobretudo quando gostam muito ou não gostam nada de futebol. Uns lamentam a nódoa na belo pano, outros acusam o desporto-rei de fomentar estes alaridos.

No entanto, ninguém liga muito ao facto de se juntarem milhares de pessoas nos festivais de música ao ar livre, onde o acesso a bebidas alcoólicas e droga é livre e onde jovens teenagers estão sozinhos até às tantas de madrugada. O mesmo acontece nas discotecas que estão abertas até às quinhentas. Há miudos de 13-14 anos que andam livremente nas ruas sem vigilância.

Sei bem quanto me preocupavam algumas idas dos meus filhos em grupo a viagens de curso. Eles nunca foram de discotecas, mas tb ocorreram alguns percalços, que quanto a mim, os ajudaram a ter uma noção mais consciente dos perigos que se enfrenta em certos locais.

Penso que se todos fossem como eu, não haveria vivalma nos estádios, nos festivais ou nas feiras. Detesto multidões. Não compreendo como é que se pode gostar do barulho, do sururu, das esperas para comer uma sardinha assada, daquelas marchas pirosas, da música em altos berros, do fado barato, dos martelinhos de plástico e até do fogo de artifício.

No entanto, sou fã de futebol e ontem fiquei até às 3 da manhã a ver a Copa América : México-Venezuela.

O futebol jogado assim é mesmo belo! Até vibro com equipas que nada têm a ver connosco!!

Força , Portugal!

domingo, 12 de junho de 2016

Verdes são os campos


Não conheço cor mais apaziguante, mais aconchegante e que apresente tantos cambiantes diversos.




Por alguma razão, é a cor maior do mundo vegetal, a cor que , em geral, se atribui à Natureza , pela qual os nossos olhos anseiam quando o excesso de urbanismo nos rodeia ou quando estamos cansados da vida buliçosa do quotidiano.

As nossas casas não são pintadas de verde, pois dizem que a cor é fria. Pintamo-las de beige, rosa, amarelo ou branco. Poucas casas são verdes por fora, embora ainda haja alguns vestígios dos séculos passados.

O inverno é despido de verde, os troncos das árvores sem folhas apresentam-se negros ou castanho-escuros, contrastando com os céus cinzentos da borrasca. Os jardins cheios de luz não oferecem aquela sombra apaziguante dos meses de verão.

Ontem deleitei-me a fotografar recantos do botânico, onde os cambiantes de verde imperam. Poderia contar mais de vinte verdes diferentes e mesmo assim não estão lá contemplados todos.

Na Wikipedia, há um artigo muito interessante sobre esta cor, conotando-a com um sem-número de associações, partidos, nações, bandeiras, religiões, etc.

Os tons de verde também lá são enumerados:


Tons de verde[editar | editar código-fonte]
    Água-marinha
    Verde-mar
    Lima
    Verde-lima
    Verde-broto
    Chartreuse
    Verde-chá
    Aspargo
    Abacate
    Esmeralda
    Verde-bandeira
    Musgo
    Oliva
    Escuro
    Floresta
    Grama
    Jade
    Kentucky
    Primavera
    Turquesa
    Desbotado
    Fantasma
    Menta
    Exército
    Marciano
    Lunar

O que seria de nós se não houvesse verdes à nossa volta?  O deserto....com certeza.


sábado, 11 de junho de 2016

Rainha do deserto

Ontem fui ver um filme que prometia - ou antes, poderia ter sido muito melhor - mas que se resumia quase à presença lindíssima duma Nicole Kidman, sempre inefável, quase irreal, doce e dura,

numa paisagem de deserto profundo, beduínos, areias, rochas, sal e ventos...

Alguém disse que o filme parece uma passagem de modelos concretizada no deserto...não iria tão longe, mas a pobreza do enredo contrasta violentamente com o tema.

Lida a biografia de Gertrude Bell, fica-se atónito. Como é que uma personalidade tão espantosa, tão rica e original é retratada com tanta tibieza por um realizador notável como Werner Herzog?  Inacreditável.


Não vou falar do filme, pois embora tenha gostado de o ver pela actriz, pela cinematografia e música, não há muito a dizer.
Fica-se é com curiosidade de ler sobre esta mulher singular, uma Lawrence da Arábia no feminino, menos conhecida do que muitos exploradores, arqueólogos e cientistas masculinos, a quem se dá muito mais importância. Gertrude foi uma mulher das Arábias no verdadeiro sentido da palavra, Merecia melhor filme.


domingo, 5 de junho de 2016

Também queria ser gaivota




Em céu aberto, azul, intenso
Sob o mar, verde imenso
Pairam gaivotas brancas
tintas de cinza
Planam acima do mundo
E por um segundo
Um olhar
As gaivotas, não voam para comer
Voam pelo prazer de Voar
Também eu
Se o meu limite fosse o céu
Ou o mar...

(poema enviado pelo meu amigo Alexandre Matos, que faz colecção de fotos de gaivotas)


sábado, 4 de junho de 2016

Monet revisited


Anteontem fui ao Botânico, munida do meu i´Pad para ler um pouco num recanto  do jardim. Ao ver a transformação do meu oásis cheio de flores e cor, fiquei triste por não ter levado a Lumix, companheira das horas mais felizes.

Hoje voltei lá para um passeio bem mais prolongado e  durante hora e meia, satisfiz a minha ânsia de beleza digital e não só!

O jardim está lindo e até custa a crer que é o mesmo de há meses atrás, esquálido, sem folhas, sem flores, despido e húmido.

Tudo ressurgiu nesta Primavera de chuva intensa. A chuva é a seiva das plantas e elas agradecem em dobro as pingas do céu. O céu tem de chorar para que a natureza se rejuvenesça...


 Tirei umas 50 fotos, micros e macros, mas dediquei especial atenção às flores favoritas de Monet.

Do blogue Vício da Poesia, onde podem ver pinturas e fotografias a propósito de Monet, tirei um texto que quase poderia ser meu, de tal modo me identifico com o que expressa...
Como o autor deste blogue, também tenho vícios, mas a poesia não é um deles.

    O meu é procurar guardar mais uns segundos a beleza daquilo que os meus olhos vêem.

Posso não ter paciência para conversar com uma amiga durante hora e meia....mas sou capaz de observar os pormenores das flores dias e dias...

Pintados nos anos 1916-1919, a serie sobre nenúfares de Claude Monet (1840 – 1926) constitui o apogeu na forma de captar o intangivel da luz na água, dando conta das texturas e da mutabilidade da paisagem no imóvel da tela.

Um dos fascínios do meu fotografar é tentar captar a forma como a luz varia a nossa percepção da realidade circundante.


Neste fascínio compreendo os impressionistas e sobretudo Claude Monet, cuja incansável demanda foi guardar na tela a imperceptível mutação da paisagem provocada pela luz. Lembrado das suas pinturas de nenúfares, certo entardecer dei comigo a fotografar um lago cheio de nenúfares, e de tal forma fascinado, que bem entrada a noite ainda fotografava sem flash, tentando conservar a variedade do colorido que o sol ao desaparecer, foi deixando em redor.
https://viciodapoesia.com/nos/


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Os meus Dales



Tentei passar para a tela as cores maravilhosas das paisagens que vi há uma semana...









quinta-feira, 2 de junho de 2016

Fim de tarde de Junho



Adoro os fins de tardes de Junho quando os dias parecem infindáveis e o céu insiste em nos acompanhar até ao último suspiro.

Gosto de ver a cidade cheia de turistas, parzinhos a fotografarem-se, família inteiras a jantar nas inúmeras esplanadas à beira-rio, disfrutando do cenário mais perfeito que encontro no nosso país. Não não sou bairrista, mas sou apaixonada pelo que é belo, pelo que transmite um sentimento estético e simultaneamente nos encanta. E o Porto seduz-me.

 A Ribeira é um dos locais mais mágicos que conheço e nunca senti o mesmo em nenhum local de Lisboa, nem sequer no Castelo de S. Jorge tão apregoado, ou no miradouro de Santa Luzia ao fim da tarde. É que a Ribeira é cosy, é aconchegada, não se alarga, nem se espreguiça mar adentro. O Douro é ondulante, é misterioso, muda de cor de minuto a minuto e une as duas cidades que se irmanam.






Gosto da patine das casas velhas, das janelas enormes, da roupa a secar, dos velhos, das varandinhas com flores, dos chapéus de sol, das tendinhas com artefactos coloridos, dos músicos ambulantes, dos becos, dos morros, da pedra granitosa que ladeia o rio, das igrejas com cruzes,
dos arcos, da ponte de ferro, das pessoas lá em cima junto ao metro, do teleférico, do mosteiro majestoso, dos barcos de recreio ou turismo, das selfies, das gaivotas e dos pombos...











Apetecia-me pintar tudo isto, mas não sou capaz. Fotografo apenas e tento nessas fotografias imortalizar este cenário, que poderia ser de ópera ou de teatro, tal o impacto que cria em todos os que se sentam naqueles bancos e olham com olhos de ver.