Oiço musica de Telemann, concertos para oboé.
Este instrumento traz-me sempre uma nota inquietante, nostálgica e por vezes plangente.
Assim como o Outono, que rapidamente se instalou no jardim do meu contentamento.
Hoje estive lá uma hora e meia e mais estaria, se não fora ter receio duma chuvada. Afinal, o céu abriu e está uma tarde de sol esplendoroso.
O Botãnico continua a oferecer-nos uma explosão de cores e espécies a céu aberto, sem ser preciso pagar bilhete de entrada. Mas só estava um jardineiro a arrancar ervas junto aos lagos de nenúfares e dois ou três jovens a passear. Aquilo nem parece ser um espaço universitário, é raro ver estudantes por ali.
Fiz o circuito habitual que equivale a 1km aproximadamente, 1700 passos e 77 calorias gastas. Pouca coisa, mas a paz que me transmite só por si vale tudo.
Voltei a fazer um vídeo dentro do caramanchão de vinha virgem, mas só se o passar para o Youtube é que consigo colocá.lo aqui.
O meu filho tem uma playlist de genéricos de séries que nos deliciaram na sua infância , adolescência, juventude, etc. Foram músicas que ouvimos dezenas de vezes e que nos são especialmente queridas.
nas festas o João senta-se ao piano e toca-as todas.
Quando viajamos de carro ouvimos essas sequências e a nostalgia instala-se.
Séries como Return to Brideshead, Inspector Morse, Carson's Law, Era uma vez o Espaço, Downton Abbey, etc. são eternas.
Ficam aqui alguns videos a relembrar.
Hoje tenho estado a ouvir uma sequência só da série Inspector Morse.
A música é inquietante, bela, penetrante...cria um mood excepcional, que explica também o sucesso da série em questão.
Pergunto-me porque é que as nossas telenovelas hão-de apresentar música tão foleira, pimba, rap ou mesmo odiosa. Esta música é transmitida centenas de vezes na rádio, nos cafés, nos bares, discotecas, etc. Produzem-se DVDs horrorosos que toda a gente compra sem nunca se interrogar sobre a qualidade dos mesmos.
Quando começou a telenovela A Impostora interessei-me em vê-la por causa dos actores, Diogo Infante, Fernanda Serrano e Dalila Carmo. No início, Diogo Infante interpreta um maestro que actua em Santiago do Chile. Pedaços dos ensaios e performances da orquestra são filmados e a música clássica dá um toque maravilhoso à história e ao romance.
Infelizmente depois de uns dez episódios o maestro é despedido e vem viver para Lisboa, onde nunca mais toca. Poderiam ter mantido como fundo a mesma música clássica, como fazem nas séries inglesas, intermeando-a com outra mais ligeira. Não. Foi um corte total. Nunca mais as personagens ouvem música decente ( como se fosse possível!). Na série Morse, o Inpector está sempre a ouvir música em casa e escolhe pedacinhos lindíssimos de ópera, cantados em geral por sopranos maravilhosos. As pessoas habituam-se a ouvir esse tipo de trechos.
A educação do ouvido pode ser feita por diversos métodos.
Se os meus pais não ouvissem tanta música clássica em casa, talvez eu nunca tivesse esta paixão.
A Música foi o meu grande escape em alturas cruciais da minha vida e talvez uma das coisas que mais me separou do meu ex-marido, que detestava música clássica e até música, em geral.
Acho obrigatório deixar os miudos ouvirem de tudo e educá-los para apreciarem peças mais eruditas. È uma dádiva para toda a vida. Roubar-lhes esse prazer é criminoso.
Apesar dos dias luminosos de céu azul e sol radioso, nota-se que o outono já chegou com o seu esplendor de cores, a transformação matizada das folhas a despedirem-se, os tapetes de pétalas coloridas, a secura dos lagos, os nenúfares mergulhando nos seus sarcófagos espelhados.
Gosto do Botânico nesta época. Este ano veio cedo. Debaixo do caramanchão de vinha virgem senti-me numa igreja cheia de vitrais coloridos, brilhando ao sol. Fiz um vídeo, mas não sei se consigo pô-lo aqui. Se não fora o ruído horrível da VCI, o ambiente seria místico.
A minha filha enviou-me fotos da região onde vive. Em tempos calcorreava com facilidade aqueles montes. Tenho fotos minhas a subir as escarpas bem contente.
Infelizmente agora já não seria capaz, mas fiquei contente que a minha filha voltasse aos seus lugares sagrados.
Estão aqui dois quadros que em tempos fiz em homenagem aos Moors.
Há sítios neste país que parecem estar fora do mundo.
Não fora o meu filho mais velho, que considera ser sua missão levar-me a ver o que nunca veria, estas fotos maravilhosas ficariam por capturar.
Aproveitando o feriado e dado que os meus netos não tinham aulas nesses dias. fomos à Serra da Estrela passar uma noite na bela Pousada , antigo sanatório restaurado por Souto Moura.
As vistas perdidas no alto da Torre deixaram-me completamente sem fala. Desde Yosemite na California que não via paisagens tão majestosas, montes a perder de vista, fragas, encostas de pedra, vales e riachos. A época não é a melhor, está tudo amarelo, mas os montes cobertos de urze e as ervas douradas encantaram-me. Parecia que estava noutro país.
Na 4ª feira descemos 140 km diabólicos em direcção a Piodão,
uma das aldeias de xisto mais pitorescas do país. Muito conhecida pelas construções em forma de presépio, as ruas esconsas e sem asfalto, o piso ruim e difícil de calcorrear, as escadinhas a perder de vista, os alpendres cheios de videiras já rosadas, e à volta o verde maravilhoso dos pinheiros e abetos, a aldeia é um deslumbramento!
Raras vezes tenho sentido esta emoção em lugares remotos. Se não fôssemos com os meninos, que se cansam de andar de carro, esta viagem poderia continuar dias e dias.
Adoro andar pelo país, como andámos nos anos 70, quando mudávamos de casa de 2 em 2 anos.
Fiquei fã da serra e amei a paisagem da beira alta. Já conhecia bem a beira baixa, onde vivi.
Ficam aqui algumas fotos que tirei com a minha Lumix ou com o i'Phone.
Todas elas me farão reviver esta experiência maravilhosa.
Habituada que estava a ver ferry-boats a cruzarem-se no Tejo, vindos do Barreiro ou de Almada até ao Terreiro de Paço, imagem que ainda hoje relembro com alguma saudade, fiquei surpreendida quando cheguei ao Porto pela primeira vez em 1979 e descobri que não se podia ir a Gaia por barco, apenas de carro ou de autocarro e agora de metro. Mais tarde descobri que havia uns barquitos que faziam a travessia Afurada - Rua do Ouro de meia em meia hora, mas cujo serviço terminava às 6 da tarde. Mesmo assim ainda a fiz umas duas vezes.
Pensei muitas vezes para comigo que o famoso Mário Ferreira da Douro Azul mais tarde ou mais cedo iria investir num ferry para atravessar o rio, dado que é rápido, barato e deve dar milhões.
Ontem vi a notícia que há tanto esperava. Vai haver um serviço de taxis fluviais e é claro que o investidor é estrangeiro, não um magnate do Porto, nem sequer a Câmara que só teria a ganhar com este negócio.
Deve haver milhares de pessoas a querer atravessar o rio todos os dias...e não só por prazer. Percorrer as pontes às vezes leva horas...qualquer estrangeiro topa isto à distância, mas os portugueses ficam à margem destes negócios... Nova ligação no rio Douro
O novo serviço de táxi fluvial que liga as ribeiras do Porto e Gaia já está em funcionamento e é assegurado por duas Rabelas – embarcações inspiradas no desenho do tradicional barco rabelo – a funcionar numa lógica de ida e volta, com cada viagem de 230 metros a demorar três minutos.
As rabelas vão permitir que os turistas atravessem o Douro de uma maneira mais rápida, segura, cómoda e agradável”, Adrian Bridge, diretor-geral da The Fladgate Partnership, em comunicado
Esta informação, adiantada em comunicado pela The Fladgate Partnership, empresa que está a promover a iniciativa, não só revelou que o serviço está disponível numa base diária entre as 9h e as 20h com um custo associado de 3 euros, mas também que cada Rabela, graças aos seus 15 metros de comprimento, tem capacidade para transportar 28 passageiros em simultâneo.
Fotografia de The Fladgate Partnership
O arranque do serviço implicou a montagem de um cais de acostagem com cerca de 12 metros em cada uma das margens do Douro – em frente ao Clube Fuvial Portuense, do lado de Gaia, e frente à Praça da Ribeira, no topo montante do Cais da Estiva, do lado do Porto – tendo as duas Rabelas sido batizadas como “Serra do Pilar” e “Casa do Infante”.
Vai ser bom passear dos dois lados e ver as vistas magníficas ao cair da noite!
A Árvore, em pé, no meio das planuras, cheia de riso e flor, verduras, passarinhos, Ela é o guarda-sol dos frutos e dos ninhos. É o tecto nupcial das conversadas puras.
O humilde cavador que foiça as ervas duras dos broncos matagais e escalrachos maninhos, sob ela faz o seu leito, ao cruzar os caminhos, torrado da soalheira ou nas sombras escuras.
Contudo, o Homem ingrato esquece a Árvore amiga e prefere a Cidade e a balbúrdia inimiga, onde a alma corrompe em orgias triviais.
Mas a Árvore lá fica, a espreitar nas ramadas como a mãe lacrimosa, a olhar sempre as estradas - a ver se o filho volta à cabana dos pais!
Há dias em que estamos sozinhos do princípio ao fim do dia.
Sozinhos no que se refere à família ou amigos, mas acompanhados de gente que nada nos é, mas cuja presença acaba por ser importante para o nosso equilíbrio mental.
Hoje resolvi ir à Baixa para ir buscar um pano lindo que trouxe de Leeds e do qual quero fazer uma toalha. Tinha-o deixado na Casa dos Linhos para o ajour.
Resolvi ir de autocarro e metro, o que leva uns 20m bem contados. Ao sábado há menos autocarros de
modo que ainda esperei uns dez minutos na paragem onde ouvi uma conversa interessante sobre a mania que se tem em Portugal de exigir tratamento por Dr a todo o propósito. Diziam as senhoras, a propósito, que os professores da universidade chegam a catedráticos tardíssimo, muitos só com 60 anos. Meti-me na conversa, dizendo que o meu filho tinha 40 e já era catedrático há três anos. Ficaram surpreendidas. Também lhes disse que nunca gostei que me chamassem, "setôra", mas que não tinha outro remédio senão tolerar.
Passear pela Rua de Santa Catarina é uma alegria. Gente, luz, sol, cor, pessoas felizes. Num cartaz lia-se : Shopping is cheaper than psychiatrists, o que se torna verdade quando temos dinheiro e apreciamos as montras. Nada comprei de valioso, mas andar por ali no meio da gente, anónima, desconhecida e ausente dos meus problemas foi um bálsamo autêntico.
Não fui ao hospital, já lá ia há dez dias non-stop, necessitava duma tarde para mim.
O resto foi o habitual. Fiz um cozido com os legumes que cá tinha - a minha empregada anda a faltar há uma semana por causa da filha doente e não tenho tempo para compras - e apesar de estar só, soube-me pela vida.
O meu neto chegou pelas 8.30 para ver o jogo do Porto. Foi-se embora no intervalo porque estava a cair de sono, mas o tempo que cá esteve foi a cereja no topo do bolo num dia bonito.