
É um bálsamo para o espírito, sobretudo quando sentimos que a Vida não tem sentido.
Continuo a vivê-la e a cuidar dos meus, mas não consigo esquecer tudo o que se passou.
É uma saudade quase insuportável, que não sentia quando o meu marido estava vivo. É semelhante à que senti ano após ano quando nos namorávamos à distância. As cartas estão aí a expressar toda a coragem, ânimo e superação das dificuldades assim como as saudades que, às vezes, quase nos impediam de estudar e de aceitar a Vida como ela era.
Agora nem sequer consigo ver o futuro.
Diz-se que as pessoas ficam cá dentro de nós, que as memórias são boas e que é preciso olhar para o futuro e agradecer estarmos vivos... uma balela.
A nossa vida só tem sentido quando os que amamos estão presentes. E perder um que seja é muito difícil.Tenho a certeza de que já vivi muito. Tanto!
Vivi bem e vivi mal e vivi o que podia.
Há dias, porém, em que sinto que já vivi TUDO.
Hoje fui ver a Primavera com sol.
Tem estado mau tempo e frio. Mas hoje estava lindo e no Botânico não se sente frio nenhum, o vento só sopra ao de leve e faz estremecer a água dos lagos.
O sol é forte, sobretudo ao pé dos cactos , que parece irradiarem luz. Andei 1,5 km dentro do jardim, sentei-me numa pedra a contemplar e a respirar o ar puro e a cheirar o eucalipto.
Apetecia-me morrer assim...em plenitude. Não sofrer. Não fazer os outros sofrer com o meu envelhecimento.
Fechar os olhos e deixar-me ir para o espaço cósmico...ser mais uma estrela no Universo.

















