domingo, 30 de abril de 2017

I have a love



Só hoje terminei a leitura de todas as nossas "cartas de Amor" que são muitas, desde 1965, ano em que nos encontrámos pela primeira vez, até 1971, ano em que deixámos de nos escrever. Reencontrámo-nos em 1973 e casámos, mas, nesse ano, poucas cartas escrevemos, pois estávamos finalmente na mesma cidade - Lisboa. Foi um encontro casual.

Fiz desta tarefa - a leitura das cartas por datas -  uma autêntica missão. Queria descobrir-me e ao meu marido, saber ao certo como foi todo o percurso que tivémos de fazer.  Relembrei centenas de momentos, de frases, de palavras, de gestos, de sentimentos, dramas, etc. Também estão nelas registados os episódios mais importantes da vida das nossas famílias nesses anos todos. Vale a pena ler como memórias. 


Termos casado foi quase um milagre e aconteceu quando menos se esperava. Já há um ano e meio que não nos contactávamos. Eu escrevia a minha tese de licenciatura, estava concentrada em a defender e em fazer o meu estágio pedagógico, que iniciei em Outubro de 1971. O meu marido tinha seguido a Magistratura e aguardava que o chamassem para a tropa quando resolveu terminar a relação totalmente. Já o tentara em 1968, mas nunca chegámos a cortar completamente.

A incerteza pairava no ar e ele não queria, ou já não sentia como meta, casar-se comigo. Receava o futuro, sentia-se impotente contra uma série de contratempos que sempre pesaram na sua vida desde a morte do Pai em 1964. Sentia-se responsável pela Mãe, Avó e até pela Irmã, pessoas da família que nunca facilitaram e que até nos impediram de viver o nosso namoro em serenidade. Receava, sobretudo,  que eu não me adaptasse aos condicionalismos da vida que me poderia oferecer. Repetiu-o até à exaustão quer em cartas, quer de viva voz. Mas eu persistia...

A distância tornava-se quase insuportável nas épocas de exames. Estávamos meses sem nos vermos, escrevíamo-nos cartas a encorajar-nos um ao outro, mas também sabíamos que os resultados dos exames seriam vitais para um futuro a dois. O meu marido terminou com média de 16 o curso de Direito em 1968, eu Germânicas com 15 em 1971. Tínhamos atingido as nossas metas, mas a vida ou o cansaço dum namoro tão prolongado acabou por trazer um resultado diferente do que eu esperava.

Em 1973, eu já tinha desistido de esperar, segui com a minha vida. Fiquei professora em Lisboa, tinha muitas colegas interessantes e uma vida extremamente ocupada.

Nunca consegui esquecê-lo, porém. Nem procurei outros rapazes com quem porventura pudesse sentir o mesmo tipo de paixão. Julgo que não conseguiria casar com outro, por melhor que ele fosse.O meu marido era único, nas qualidades e nos defeitos. Só depois da sua Morte, compreendi que tinha carisma, como disse o meu neto ao olhar para a sua fotografia.

Quando hoje acabei de ler as cartas e as arrumei numas caixas lindas que comprei especialmente para as guardar, senti uma nostalgia dolorosa.







Olho para o nosso retrato a sorrir e vem-me à cabeça um poema que ele me ofereceu uns dias depois de nos encontrar-nos, em Hamburgo.

When she comes

I have a love
Which I have not given
But want to give
And when she comes
I will be hers
And she mine.
And the hard day
And the soft day
Shall be ours
Together.
And I will give
And she will give
Forever.

Kieran Kilroy

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A espuma dos dias



Tenho passado parte dos meus dias, desde que vim de Leeds a arrumar as cartas que encontrei na antiga casa da minha sogra, primeiro numa caixa de papelão, depois numa gaveta, cheias de pó, mas intactas, tal qual as enviei.

É comovente reler o meu "diário" de há 50 anos. É mesmo um diário, pois eu escrevia todos os dias ao meu "namorado", a quem amava profundamente e a quem dediquei todos os meus anos de juventude com um a fé, uma esperança e coragem que me admiram hoje.





As nossas cartas, poéticas algumas, apaixonadas outras, algumas mais duras ou mesmo críticas, eram uma alegria. O carteiro já nos conhecia- a ele em Coimbra, a mim em Lisboa...

Nem sempre tínhamos dinheiro para selos, mas lá desencantávamos, quem no-los emprestasse. Outras vezes esquecíamos-nos de as deitar no marco e era uma tragédia. Todos os membros da minha família deitavam cartas no correio por mim. E apoiavam as nossas epístolas... :)

Em muitas cartas o Manel enviava-me poemas. Conhecia tantos!
Eis aqui um dos que me mandou do Paul Éluard:

Elle est debout sur mes paupières
Et ses cheveux sont dans les miens,
Elle a la forme de mes mains,
Elle a la couleur de mes yeux,
Elle s'engloutit dans mon ombre
Comme une pierre sur le ciel.

Elle a toujours les yeux ouverts
Et ne me laisse pas dormir.
Ses rêves en pleine lumière
Font s'évaporer les soleils
Me font rire, pleurer et rire,
Parler sans avoir rien à dire.

As nossas visitas um ao outro eram esparsas. Não tínhamos transporte na maioria das vezes ou não havia dinheiro. O Manel estudava com uma bolsa , que mal lhe chegava para comprar tudo o que necessitava e não queria pedir ajuda à Mãe porque era muito orgulhoso. Preferia passar sem supérfluos, excepto os cigarros e o cinema, que lhe eram indispensáveis.  Eu vivia da mesada que o meu Pai me dava - 600.00 para comida, transportes, livros, cinemas, viagens, etc -, mas só em transportes gastava 8.00 a atravessar Lisboa todos os dias. Não havia passes de estudantes e nós morávamos a 15km da Universidade. Os livros eram todos estrangeiros e caríssimos. Não havia sebentas na FLUL.

Quando vejo os jovens hoje em dia a gastar em tudo quanto há, fico surpresa como é que sobrevivíamos, estudávamos quase sem livros nossos. Tirámos cursos com boas notas e sempre fomos tão responsáveis. Não estou aqui a gabar-me, mas a constatar os factos.

Sempre dei aos meus filhos quase tudo que eles ambicionavam, desde que fosse algo útil, mas muito mais do que alguma vez tive ou o meu marido tivera com a sua idade. Ele censurava-me duramente por lhes satisfazer muitos dos sonhos. Foi assim que ofereci ao meu filho o seu primeiro computador, o Spectrum XP, que ele adorou. Hoje é engenheiro de telecomunicações. Ao meu filho mais novo, dei colecções inteiras de livros policiais e de História, a sua paixão. Hoje é Juiz. A minha filha já tinha muitos livros em nossa casa, mas ainda comprava mais, foi sempre uma bookworm como o Pai. Tirou LLModernas e depois fez MA em tradução.

Enquanto jovens, tínhamos muitas dúvidas quanto ao futuro, várias vezes o nosso namoro foi-se abaixo com angústia e receio de que não aguentássemos tantos anos naquela espera dolorosa. O medo do futuro abalava a nossa relação, para mais com a tropa obrigatória nos anos 70. Tínhamos altos e baixos, que nos deixavam desiludidos de alguma vez conseguirmos chegar à meta.

Hoje, ao reler estas cartas,  tenho a certeza de que o nosso Amor foi algo especial, algo de Belo, algo de mágico. Procurámos a Felicidade a dois a pulso.

Infelizmente, não conseguimos realizar o sonho de vivermos juntos para sempre.

Agora, porém,  ninguém nos pode separar mais.

E como canta Joe Dassin: Et si tu n'existais pas, dis-moi comment j'existerai.





quinta-feira, 13 de abril de 2017



         PÁSCOA FELIZ PARA TODOS OS                         LEITORES DESTE BLOGUE

domingo, 9 de abril de 2017

Requiem


Oiço-o no Mezzo HD.
A morte tem-me assombrado estes últimos meses e nem a viagem a Leeds me trouxe a paz que tanto precisava. Sonho demais e acordo sempre lavada em lágrimas ou inquieta por ter de retomar a vida sem o meu Amigo, o meu companheiro de 50 anos, o meu conselheiro nas horas mais difíceis, o grande Amor da minha vida.





Fantástica criação de Mozart, que, reza a lenda, não o acabou. A morte levou-o prematuramente.
No filme Amadeus,  esta composição é o centro focal da morte do grande compositor e arrepiante.Nunca me esqueço do que senti ao vê-lo com o meu marido no cinema Trindade, que já morreu também.


Extracto da Wikipedia que é curioso:




Em Março de 1791Mozart rege em Viena um de seus últimos concertos públicos; tocando o Concerto para piano n.º 27 (KV 595). Seu último filho, nasceu em 26 de Julho.
Poucos dias antes, bateu à sua porta um desconhecido, que se recusou a identificar-se e deixou Mozart encarregado da composição de um Réquiem em Ré menor. Deu-lhe um adiantamento e avisou que retornaria em um mês. Mas pouco tempo depois, o compositor é chamado de Praga para escrever a ópera A clemência de Tito, para festejar a coroação de Leopoldo II.
Quando subia com sua esposa Constanze na carruagem que os levaria a esta cidade, o desconhecido ter-se-ia apresentado outra vez, perguntado por sua encomenda.
Posteriormente supôs-se que aquele sombrio personagem era um enviado do conde Walsegg-Stuppach, cuja esposa havia falecido. O viúvo desejava que Mozart compusesse a missa de requiem para os ritos fúnebres no enterro de sua esposa, mas faria crer - como diz-se que já fizera antes - aos presentes que fora ele quem compôs a obra (por isso o anonimato).
Diz-se que Mozart, obsessivo com ideias de morte desde o falecimento de seu pai, Leopold, debilitado pela fadiga e pela doença que lhe atingia, muito sensível ao sobrenatural devido às suas vinculações com a franco-maçonaria e impressionado pelo aspecto misterioso do homem que encomendou a missa, terminou por acreditar que este era um mensageiro do Destino e que o requiem que iria compor seria para seu próprio funeral.
Antes de sua morte, Mozart, conseguiu terminar apenas três secções com o coro e composição completa: IntroitoKyrie e Dies Irae. Do resto da sequência deixou os trechos instrumentais, o coro, vozes solistas e o cifrado do contrabaixo e órgão incompletos, deixando anotações para seu discípulo Franz Xaver Süssmayer. Também havia indicações para o Domine Jesu e Agnus Dei. Não havia deixado nada escrito para o Sanctus nem para o Communio. Seu discípulo Süssmayer completou as partes em falta da composição, agregou música onde faltava e compôs completamente o Sanctus. Para o Communio, simplesmente utilizou dos temas do Introito e do Kyrie, à maneira de uma reexposição, para dar sentido integral à obra.




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Em paz



Raras vezes tenho vindo a Leeds tão necessitada de paz, de consolo e de distracção, aquela que liberta o espírito, não a que excita ou nos pôe nos pincaros para nos deixar cair logo de seguida..
Só cheguei há dois dias e já sinto os efeitos da evasão acumulada com a presença sempre serena da minha filha. Nela nunca há ansiedades, nem tristezas, consegue um equilíbrio excelente . É uma entusiasta da Natureza como eu, da Música e das coisas bonitas. Daí ser a companheira ideal de viagens. Ela e eu complementamo-nos e agora vejo nela traços do Pai, que não existem nos irmãos tão evidentes.

Ontem fomos ao Roundhay Park, do qual já falei longamente.Estava um dia tipicamente inglês a ameaçar chuva, mas sem nunca chover, os céus escuros com nuances fantásticas de cinzento e azulado.


Era domingo de modo que havia famílias e famílias a passear, carrinhos de bébé, cães muito bem educados, senhoras velhinhas acompanhadas por filhos jovens, casais enamorados, tudo sem barulho, com muita calma, risos, simpatia e sobretudo, respeito pelas pessoas e pelo local.

O lago estava espelhado pois não havia pinga de vento...As árvores negras reflectiam-se na água, esguias e belas. Tudo tão belo que andámos uns 4 kms quase sem cansaço. Não se ouvia um carro, uma máquina, apenas risos, latidos e os pássaros, centenas deles...







À noite fomos ver um espectáculo fantástico, a nova produção do Lord of the Dance, grupo célebre em todo o mundo e que divulga tudo o que de melhor se faz nos países onde há raízes celtas. O espectáculo que é acompanhado de cenários deslumbrantes e efeitos especiais estonteantes oferece todo o tipo de dança , ballet, marchas, canções melancólicas, lutas, morte e vida. Deslumbrante, a audiência aplaudiu de pé, entusiasmada.

Saímos felizes e ainda fomos a um take away comprar uns mantimentos para comer à ceia no quarto. 
Foi um dia em beleza.

Deixo-vos um vídeo deste espectáculo.


terça-feira, 28 de março de 2017

Um dia de sol



É um bálsamo para o espírito, sobretudo quando sentimos que a Vida não tem sentido.

Continuo a vivê-la e a cuidar dos meus, mas não consigo esquecer tudo o que se passou.

É uma saudade quase insuportável, que não sentia quando o meu marido estava vivo. É semelhante à que senti ano após ano quando nos namorávamos à distância. As cartas estão aí a expressar toda a coragem, ânimo e superação das dificuldades assim como as saudades que, às vezes, quase nos impediam de estudar e de aceitar a Vida como ela era.


Agora nem sequer consigo ver o futuro.

Diz-se que as pessoas ficam cá dentro de nós, que as memórias são boas  e que é preciso olhar para o futuro e agradecer estarmos vivos... uma balela.

A nossa vida só tem sentido quando os que amamos estão presentes. E perder um que seja é muito difícil.

Tenho a certeza de que já vivi muito. Tanto!

Vivi bem e vivi mal e vivi o que podia.

Há dias, porém, em que sinto que já vivi TUDO.

Hoje fui ver a Primavera com sol.

Tem estado mau tempo e frio. Mas hoje estava lindo e no Botânico não se sente frio nenhum, o vento só sopra ao de leve e faz estremecer a água dos lagos.



O sol é forte, sobretudo ao pé dos cactos , que parece irradiarem luz. Andei 1,5 km dentro do jardim, sentei-me numa pedra a contemplar e a respirar o ar puro e a cheirar o eucalipto.

Apetecia-me morrer assim...em plenitude. Não sofrer. Não fazer os outros sofrer com o meu envelhecimento.

Fechar os olhos e deixar-me ir para o espaço cósmico...ser mais uma estrela no Universo.







segunda-feira, 27 de março de 2017

Como diz o Poeta






Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não

Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão



Vinicius de Moraes

domingo, 26 de março de 2017

Pedaços de vida a dois


Durante anos - de 1965 a 1971 - escrevemo-nos quase todos os dias.

Desde o momento em que nos encontrámos naquele ferry de Amsterdam - o momento alto da nossa vida. Foi o começo, quando a magia , o destino ou a mão de Deus fez com que as nossas mãos se cruzassem e apoiassem uma na outra.

Discutimos longamente quem teria sido o primeiro a fazê-lo...nunca saberemos...:)

Ao ler as nossas cartas, parece-me estar a ver em flashback o filme de novo.
Impressionante.
Nunca imaginei que aos 20 anos nos fosse possível exprimir sentimentos e opiniões dum modo tão claro e puro.

Coloquei aqui retalhos de cartas do Manel, quatro entre centenas que me impressionaram. Também tenho muitas minhas igualmente marcantes, mas a seu tempo virão.






As cartas eram escritas em folhinhas de papel de sebenta ou de cadernos, nunca tínhamos dinheiro para blocos ou envelopes sofisticados, escrevíamo-nos no café, na praia, no quarto,  o bar da faculdade, onde calhasse...

O Amor É uma Companhia
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro

sábado, 25 de março de 2017

O meu desejo



O meu desejo é dar-te um beijo
   É ter desejo de te beijar.

Perdidamente como quem sente,
 Que o teu sorriso vai acabar.
Perdidamente como quem sente,
   Que o teu sorriso vai acabar.


Como quem ama do Sol a chama
Como quem reza sempre a chorar
Como quem ama do Sol a chama
Como quem reza sempre a chorar
Luis Goes




In Memoriam Coimbra 1965-68

quinta-feira, 23 de março de 2017

Faz hoje um mês

que tu partiste, e simultaneamente, me partiste o coração.

Ao ler as cartas que nos escrevemos, fica-me a certeza inabalável de que tudo valeu a pena e que, no fundo, nunca me deixaste. E por isso, é tão grande o vazio agora.

Encontrei numa das cartas de 1966 um texto que te ofereci aos 19 anos.
Escrevi-o aos 16.
Gostaste muito. Porque exprimia aquilo que para os dois sonhávamos.

Concretizámos muito desse sonho. Mas a sinfonia ficou incompleta...


A Alguém

Há muito que te escrevo, sem saber quem és, sentindo-te apenas como sombra ao longe, esbatida no contorno pálido do horizonte. Tens cabelos escuros, olhos indefinidos...tuas mãos regem os acordes duma melodia inacabada, buscando talvez o tom menor que desenhe em círculos inextinguíveis os murmúrios de um final patético.
Não te procuro...seria estragar o momento inesperado da descoberta, em que pondo os olhos nos teus, não serei mais que uma criança confiante.

Vem , vem junto a mim...como se todos os caminhos traçados para ti tivessem este fim absoluto e indispensável...vem para mim com a ternura das pétalas desfolhadas, a paz do sol dourado, a união de todas as orações do mundo que se erguem por nós dois.

E depois...quando o teu olhar beijar o meu, quando nada mais houver no mundo para além do nosso Amor...deixa que o silêncio fale! E que nesse abandono de crianças, na certeza invulnerável da nossa Fé, Deus complete em nós perfeitamente a sinfonia há muito interrompida!