Nos anos 60, era louca por praia.
Se podia metia-me num carro com os meus pais, irmãos, amigos e ia até à Linha, às vezes até ao Guincho que foi sempre para mim a praia mais linda daquela zona. O ar era selvagem, as dunas cobriam grande parte do areal, em miúdas jogávamos às escondidinhas por ali ou à apanhada, o que era mais difícil pois os pés enterravam-se na areia. Cascais ficava a 25 km de distância, mas o passeio valia a pena. Também havia o comboio que ia rente ao mar.
Sempre fui apaixonada do mar e nem sei como vivi 5 anos da minha vida - de 75 a 79 - em locais afastados 200km da costa. Mesmo assim, sempre que vinha ao Porto íamos até à Boa Nova em passeio.
Depois de vir para o Porto fiquei anos sem ir ver o mar aos fins de semana, o meu marido tinha muitos processos, eu tinha pontos para corrigir ou manuais para elaborar. Os meus filhos brincavam ali na rua ou na Boavista, pouco saíamos em família, o que matou muito o espírito e a união entre o pai e os filhos. Habituaram-se a vê-lo sempre com trabalho ou a ir visitar a Mãe aos domingos. Os miúdos também passavam tardes a ver TV em vez de apanhar ar.
Nas férias desforrava-me indo para a Praia da Luz quase todos os anos para grande alegria dos miudos, que lá encontravam primos e amigos de longa data. Eram dias felizes para eles e para mim, que desde 1966 passava férias nesse local e conhecia tudo.
O meu marido não gostava do Algarve. Já quando nos namorávamos, dizia que esse iria ser pomo de discórdia entre nós, pois estava habituado a ir para as termas com os pais e não aguentava o mar. Dizia que eu tinha uma energia inesgotável e que ele ficava derreado. Verdade seja que durante os anos de Coimbra, ele depauperou muitíssimo e a sua saúde era muito frágil. Estava magríssimo quando acabou o curso e recusava-se a ir para a praia, o que aliás não foi problema até casarmos em 1973. Passámos sempre as férias separados, como acontecia durante o ano, e escrevíamo-nos cartas longuíssimas, relatando o nosso dia a dia tão contrastante( Por vezes ele dizia que eu nem me lembrava dele na Luz, o que era completamente errado, pois lá tinha mesmo saudades dele!
De 1975 até 1993 fomos indo quase todos os anos, os miúdos eram pequenos e lá não pagávamos nada pois a casa era da família. A viagem era maçadora e longa, passávamos por Lisboa para ver a minha Mãe e seguíamos no dia seguinte, perdiam-se 4 dias na viagem. Lá estávamos bem, mesmo sem empregada e comigo a ter de fazer tudo. Sacrificava-me para eles estarem felizes, eu também gozava do ar de mar e da beleza que aquelas férias proporcionavam. O meu marido, porém, sentia-se sempre frustrado, não tinha a Mãe ao pé e não havia telefone, ao fim duns dias já tinha lido todos os livros das estantes - ainda lá há alguns sublinhados por ele - e as estradas eram más, de modo que nem passeávamos de carro. Começou a haver atritos.
Em 1993, decidimos passar férias separadas, ele ia para as termas com a Mãe e eu para o Algarve com os filhos. Penso que naqueles anos experimentámos todos os meios de transportes possíveis - até o avião que ficava caríssimo - mas nenhum era confortável e ainda tínhamos de apanhar taxis para a Luz. Eu fazia aquilo tudo por eles, tenho fotos de nós todos sentados no chão da estação de Tunes à espera do comboio para Lagos. As vezes íamos de camioneta do Porto toda a noite, mas esta levava 11 horas!! Em Valparaíso esperava-se uma hora às 8.30 da manhã e depois levávamos 2 horas até Lagos. Uma verdadeira aventura. Mas eu sentia-me jovem e feliz.
Uma vez, a minha filha e eu fomos de comboio à noite e enganámo-nos na estação de saída. Ficámos no meio do Alentejo às 6 da manhã sem transporte, nem telefones. Um horror!

O que vale é que tudo isso se esquece e quando chegava aquele paraíso terrestre que é a Luz esquecia-me das agruras para lá chegar.
Durante alguns anos, levámos amigos estrangeiros dos meus filhos que alinhavam connosco e eram interessantes. Lembro com saudades esses momentos.
Depois de me separar, comecei a ir para férias de avião na Ryanair com os meus filhos mais novos e tudo se tornou bem mais agradável. Ainda este ano, fui, em Junho, por esse meio. Leva-se 45m daqui até Faro e depois outros 45m de taxi até à Luz. Se não fosse o tempo de espera nos aeroportos, era fantástico.
A praia foi sempre para mim um escape à cidade. Verifico , hoje, que é o melhor antídoto para a depressão que me tem invadido nestes últimos meses. Às vezes , como hoje, nem saio com a ideia de lá ir, mas acabo por decidir na rua que é mesmo o que me apetece.
Basta apanhar o autocarro aqui no Campo Alegre e em 15m estou na Rua do Farol, onde saio. Em 5m estou na esplanada da Praia dos Ingleses, a minha favorita. Os empregados já me conhecem e sinto-me como peixe na água, mesmo em dias de nevoeiro.
Adoro aquela praia, as rochas de cores variegadas, os repuxos da maré cheia, as pessoas que se estendem ao sol com os seus piqueniques, as crianças a subir às rochas, os casais de namorados, todos felizes.Diverte-me tirar fotos como estas que aqui podem ver.
Oiço música, faço vídeos, contemplo o mar e acredito que ainda há coisas pelas quais vale a pena viver!
Sempre fui apaixonada do mar e nem sei como vivi 5 anos da minha vida - de 75 a 79 - em locais afastados 200km da costa. Mesmo assim, sempre que vinha ao Porto íamos até à Boa Nova em passeio.
Depois de vir para o Porto fiquei anos sem ir ver o mar aos fins de semana, o meu marido tinha muitos processos, eu tinha pontos para corrigir ou manuais para elaborar. Os meus filhos brincavam ali na rua ou na Boavista, pouco saíamos em família, o que matou muito o espírito e a união entre o pai e os filhos. Habituaram-se a vê-lo sempre com trabalho ou a ir visitar a Mãe aos domingos. Os miúdos também passavam tardes a ver TV em vez de apanhar ar.
Nas férias desforrava-me indo para a Praia da Luz quase todos os anos para grande alegria dos miudos, que lá encontravam primos e amigos de longa data. Eram dias felizes para eles e para mim, que desde 1966 passava férias nesse local e conhecia tudo.O meu marido não gostava do Algarve. Já quando nos namorávamos, dizia que esse iria ser pomo de discórdia entre nós, pois estava habituado a ir para as termas com os pais e não aguentava o mar. Dizia que eu tinha uma energia inesgotável e que ele ficava derreado. Verdade seja que durante os anos de Coimbra, ele depauperou muitíssimo e a sua saúde era muito frágil. Estava magríssimo quando acabou o curso e recusava-se a ir para a praia, o que aliás não foi problema até casarmos em 1973. Passámos sempre as férias separados, como acontecia durante o ano, e escrevíamo-nos cartas longuíssimas, relatando o nosso dia a dia tão contrastante( Por vezes ele dizia que eu nem me lembrava dele na Luz, o que era completamente errado, pois lá tinha mesmo saudades dele!
De 1975 até 1993 fomos indo quase todos os anos, os miúdos eram pequenos e lá não pagávamos nada pois a casa era da família. A viagem era maçadora e longa, passávamos por Lisboa para ver a minha Mãe e seguíamos no dia seguinte, perdiam-se 4 dias na viagem. Lá estávamos bem, mesmo sem empregada e comigo a ter de fazer tudo. Sacrificava-me para eles estarem felizes, eu também gozava do ar de mar e da beleza que aquelas férias proporcionavam. O meu marido, porém, sentia-se sempre frustrado, não tinha a Mãe ao pé e não havia telefone, ao fim duns dias já tinha lido todos os livros das estantes - ainda lá há alguns sublinhados por ele - e as estradas eram más, de modo que nem passeávamos de carro. Começou a haver atritos.Em 1993, decidimos passar férias separadas, ele ia para as termas com a Mãe e eu para o Algarve com os filhos. Penso que naqueles anos experimentámos todos os meios de transportes possíveis - até o avião que ficava caríssimo - mas nenhum era confortável e ainda tínhamos de apanhar taxis para a Luz. Eu fazia aquilo tudo por eles, tenho fotos de nós todos sentados no chão da estação de Tunes à espera do comboio para Lagos. As vezes íamos de camioneta do Porto toda a noite, mas esta levava 11 horas!! Em Valparaíso esperava-se uma hora às 8.30 da manhã e depois levávamos 2 horas até Lagos. Uma verdadeira aventura. Mas eu sentia-me jovem e feliz.
Uma vez, a minha filha e eu fomos de comboio à noite e enganámo-nos na estação de saída. Ficámos no meio do Alentejo às 6 da manhã sem transporte, nem telefones. Um horror!

O que vale é que tudo isso se esquece e quando chegava aquele paraíso terrestre que é a Luz esquecia-me das agruras para lá chegar.
Durante alguns anos, levámos amigos estrangeiros dos meus filhos que alinhavam connosco e eram interessantes. Lembro com saudades esses momentos.
Depois de me separar, comecei a ir para férias de avião na Ryanair com os meus filhos mais novos e tudo se tornou bem mais agradável. Ainda este ano, fui, em Junho, por esse meio. Leva-se 45m daqui até Faro e depois outros 45m de taxi até à Luz. Se não fosse o tempo de espera nos aeroportos, era fantástico.
A praia foi sempre para mim um escape à cidade. Verifico , hoje, que é o melhor antídoto para a depressão que me tem invadido nestes últimos meses. Às vezes , como hoje, nem saio com a ideia de lá ir, mas acabo por decidir na rua que é mesmo o que me apetece.
Basta apanhar o autocarro aqui no Campo Alegre e em 15m estou na Rua do Farol, onde saio. Em 5m estou na esplanada da Praia dos Ingleses, a minha favorita. Os empregados já me conhecem e sinto-me como peixe na água, mesmo em dias de nevoeiro.Adoro aquela praia, as rochas de cores variegadas, os repuxos da maré cheia, as pessoas que se estendem ao sol com os seus piqueniques, as crianças a subir às rochas, os casais de namorados, todos felizes.Diverte-me tirar fotos como estas que aqui podem ver.
Oiço música, faço vídeos, contemplo o mar e acredito que ainda há coisas pelas quais vale a pena viver!






















