Para entrar em 2018, modifiquei o cabeçalho do blogue. Coloquei a foto dum quadro meu como é costume.
Este quadro que ofereci ao meu neto, no dia dos seus anos, foi pintado em pastel de óleo em 2010 no atelier Utopia, que frequentava na altura.
Fez parte duma exposição de quadros a pastel. Gosto dele pelas formas imprecisas das árvores e o colorido alegre das mesmas.
Dois quadros novos para festejar o novo ano. E um Blessing de John Donahue:
Blessing - Poem by John O'Donahue
On the day when the weight deadens on your shoulders and you stumble, may the clay dance to balance you. And when your eyes freeze behind the grey window and the ghost of loss gets in to you, may a flock of colours, indigo, red, green, and azure blue come to awaken in you a meadow of delight.
When the canvas frays in the currach of thought and a stain of ocean blackens beneath you, may there come across the waters a path of yellow moonlight to bring you safely home.
May the nourishment of the earth be yours, may the clarity of light be yours, may the fluency of the ocean be yours, may the protection of the ancestors be yours. And so may a slow wind work these words of love around you, an invisible cloak to mind your life.
Há cerca de 30 anos foi publicada na National Geographic Magazine uma fotografia que impressionou o mundo inteiro. Tratava-se de uma rapariga afegã, apanhada de surpresa por um fotógrafo inglês, que visitava a sua escola. A expressão do seu olhar, semi-incrédula, semi assustada correu mundo e catapultou o autor para a fama, que já era alguma.
Ontem fui ver a Exposição na Alfândega do Porto. É impossível descrever as sensações que me assaltaram naquelas duas horas. O local é magnífico, a apresentação brilhante, a luz adequada, o ambiente óptimo.
As fotos são o que são. Entram por nós adentro, deixa-nos sem fala, desejosos de saber mais. Isso é possível com algumas, se tivermos um controle remoto que nos narra a história da fotografia pelo próprio autor. Fascinante.
Há muito tempo que não tinha experiência cultural deste calibre. A exposição acaba hoje, mas gostaria de a ter visto mais duma vez. Vale bem a pena.
Nos anos 90 comprei um livro Portraits de Steve McCurry da Phaidon e ontem estive a rever as fotos. Muitas não estão nesta exposição que abarca outros temas como a guerra, os refugiados, a religião, os costumes, a família, a pobreza dos países mais variados. São rostos que ficam, imagens eternas.
Ficam aqui algumas das fotos que tirei.
A minha filha foi comigo. Aqui está ela no décor da exposição. Apetecia-me fotografar :)
Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados Para chorar e fazer chorar Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra. Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer Uma estrela a se apagar na treva Um caminho entre dois túmulos — Por isso precisamos velar Falar baixo, pisar leve, ver A noite dormir em silêncio. Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço Um verso, talvez de amor Uma prece por quem se vai — Mas que essa hora não esqueça E por ela os nossos corações Se deixem, graves e simples. Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para ver a face da morte — De repente nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem; da morte, apenas Nascemos, imensamente.
Já tinha desesperado de ver as árvores vestidas de outono. Fui várias vezes ao Botânico, andei no parque da cidade, passava pelas ruas que habitualmente ostentam as cores maravilhosas e quentes desta estação e... nada.
Esta semana, parece que passou por aqui uma fada e a juntar ao tempo estival, temperaturas amenas e falta de chuva, veio o outono finalmente.
O jardim Botânico às 5 da tarde, com o sol já a por-se , mas a iluminar as copas das árvores e a permitir contrastes sol-sombra mais agressivos, oferecia um espectáculo inolvidável.
Julguei estar no Brasil ou na Madeira, um lugar exótico, tal a profusão de cores e a beleza das espécies que fazem deste jardim algo muito especial.
Sophia de Mello Breyner escreveu uma carta ao seu querido Primo Rúben Andersen Leitão, vulgo Ruben A., na ocasião da sua morte, que fala desta casa e deste jardim. Eles melhores que ninguém saberiam apreciar estas cores e momentos.
Aqui fica a carta com as fotos que hoje tive a sorte de tirar. Também fica a música maravilhosa do islandês Olafur Arnalds, uma peça que considero genial.
Carta a Ruben A.
Que tenhas morrido é ainda uma notícia Desencontrada e longínqua e não a entendo bem
Quando — pela última vez — bateste à porta da casa e te sentaste à mesa
Trazias contigo como sempre alvoroço e início Tudo se passou em planos e projectos E ninguém poderia pensar em despedida
Mas sempre trouxeste contigo o desconexo De um viver que nos funda e nos renega — Poderei procurar o reencontro verso a verso E buscar — como oferta — a infância antiga
A casa enorme vermelha e desmedida Com seus átrios de pasmo e ressonância O mundo dos adultos nos cercava E dos jardins subia a transbordância De rododendros délias e camélias De frutos roseirais musgos e tílias
As tílias eram como catedrais Percorridas por brisas vagabundas As rosas eram vermelhas e profundas E o mar quebrava ao longe entre os pinhais
Morangos e muguet e cerejeiras Enormes ramos batendo nas janelas Havia o vaguear tardes inteiras E a mão roçando pelas folhas de heras Havia o ar brilhante e perfumado Saturado de apelos e de esperas
Desgarrada era a voz das primaveras
Buscarei como oferta a infância antiga Que mesmo tão distante e tão perdida Guarda em si a semente que renasce
You
will say that everybody has seen landscapes and figures from childhood on. The
question is: has everybody also been reflective as a child, has everybody who
has seen them loved also heath, fields, meadows, woods, and the snow and the
rain and the storm? Not everybody has done that like you and I, it is a
peculiar kind of surroundings and circumstances that must contribute to it, it
is a peculiar kind of temperament and character too, which must help to make it
take root . . . Van Gogh, Vincent. / letters