segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A noite






Adoro a noite, o espaço entre a meia noite e as 3 da manhã.

Há silêncio, fecho a TV e entrego-me ao prazer intelectual, que vai da simples contemplação de alguma pintura especial à leitura de poemas, entrevistas ou pensamentos de autores, cientistas ou meros mortais. Também escrevo no meu diário, leio cartas antigas, blogues, algo que me faça pensar na vida.

Gosto de ler no silêncio. Não preciso de música. Cada vez me fixo mais em citações que me dizem algo.

Esta semana li duas particularmente significativas:

Kahlil Gibran :



Sophia Mello Breyner : 

A regra a seguir é esta: uma casa para todos e beleza para todos. E a beleza não é cara. É geralmente menos cara do que a fealdade que quase sempre se chama luxo, monumentalismo, pretensão. A beleza é simplicidade, verdade, proporção. Coisas que dependem muito mais da cultura e da dignidade do que do dinheiro.



 Tão verdadeira é a primeira como a segunda. 

O conhecimento de nós próprios até ao mais ínfimo pormenor é essencial para que possamos gerir os nossos passos e atingirmos alguma perfeição.

Podemos ser felizes com menos do que imaginamos ou ambicionamos. A beleza das coisas está no equilíbrio das mesmas e na empatia que sentimos por elas.

É tarde. Fico por aqui.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Manhã de domingo

Dantes detestava os domingos.

Talvez por que me obrigava a ir à Missa com a família, ainda que fosse crente. A caminhada para os Jerónimos, a cerimónia, os cânticos, anos e anos de rotina sempre igual, marcaram-me muito pela negativa e depois de casar com um anti-clerical ferrenho, abandonei por completo a minha militância.



Já nem sei em que acredito, não é certamente na Igreja Católica e nos seus faustos pomposos, que abomino. Também não é  nas cliques sociais de gente bem, com quem sempre convivi na minha adolescência, pessoas que consideravam a caridade como algo que aliviava a consciência e ajudava os mais carenciados, mantendo o seu status e privilégios. Se não tivesse filhos e netos, dedicava grande parte daquilo que possuo a causas humanitárias. Faço o que posso, mas tenho sempre que contar com a doença da minha filha e com o futuro dos meus. Isso coíbe-me de fazer mais.

Não consigo compreender o que faz as pessoas dizerem que acreditar em Deus dá um sentido à vida, como ainda há dias li no FB.

Onde está o sentido da vida,  se Deus permite todas as catástrofes e dramas que acontecem todos os dias em qualquer lugar do mundo?
Que sentido tem  corruptos , ladrões,  ricos e abastados viverem uma vida de nababos e de luxo quando 2/3 da humanidade sofrem as agruras da pobreza, da fome, da guerra e da injustiça?
Que Deus é este que permite tudo isto?

Penso como Sartre que o Homem é responsável por tudo o que faz:

Man is condemned to be free; because once thrown into the world, he is responsible for everything he does.

Acredito na Natureza. Cada vez mais e só peço que a conservem para que possamos sempre disfrutar da sua beleza e paz.  É a única riqueza que ambiciono. Mas exijo-a. Sem ela não posso viver. Não passa uma semana sem ver o mar. Tenho a sorte de o ter a 15 minutos de casa. O autocarro já me conhece!!


Hoje fui à Foz sozinha, pois os meus filhos iam ao Bessa ver o Boavista-Santa Clara. Pôs-se um dia de sol, tudo contrário ao que dizia o Yahoo weather que deva chuva para o Porto. Não caíu um pingo que que eu desse por isso, pelo contrario o céu está azul...



Na esplanada estava frio, mas o sol era quentinho. Comi um cachorro e bebi umas pedras de limão. Não tinha grande fome.


Depois fui ao Pingo Doce comprar ameijoas, pois quero fazer umas à bulhão pato, que ficam boas, em geral. Estava vazio, como eu gosto.

Vim de taxi, o autocarro esteve 3/4 horas sem vir e já estava cansada de esperar...sabe-me sempre bem vir para casa, deitar-me um pouco e respirar. 

sábado, 9 de fevereiro de 2019

O renascer dum blogue




Há já um ano que não escrevia neste blogue.

Resolvi recomeçar, não porque mo tenham pedido - esporadicamente talvez alguns amigos o tenham feito - mas porque ao relê-lo, achei que era um espaço meu, cheio de boas e más recordações, tal como uma casa onde se viveu durante algum tempo e onde ficaram pedaços de nós, pequenas memórias, muitas fotos e sobretudo comentários de pessoas que enriqueceram em muito aquilo que eu escrevi sem formalidade. E achei que devia voltar. Por mim e por eles.

Há 2 anos que escrevo o meu diário todos os dias ou quase e nele registo tudo com inteira abertura e confiança, pois é só meu, está protegido com password e ninguém - nem mesmo os familiares - podem aceder a esse cofre secreto.

Este ano dediquei-me mais ao FB, mas cada vez mais me convenço que não são esses posts fugazes e trocas ou partilhas que me dão satisfação. Servem - e bem - para conectarmos com o mundo à volta, encontrar pessoas que estão longe - familiares e amigos que não víamos há mais de 50 anos - alunos antigos ou colegas que nos querem bem. Também são óptimos para nos associarmos a grupos que apreciam fotografia ou artes. Aprende-se muito sobre coisas que nem sonhamos. Mas é só isso.

Num blogue abrimos a nossa alma. Escrevemos o que nos enche o "envelope".

Comprei um novo telemóvel que custou tanto como uma máquina fotográfica. É um Huawei com 4 lentes Leica, que se gaba de substituir qualquer máquina digital de topo. Isso não sei, só sei que me dá muito gozo andar com um objecto que pesa pouquíssimo e que me dá um enorme conforto e possibilidades criativas. Ando entusiasmada com o brinquedo.

Transponho para aqui um pedaço do que escrevi no meu diário há dias. Pode ser que interesse.



"Fui ao botânico e entretive-me a tirar fotos em fisheye, muito giras. Já tirei várias da minha rua e achei graça ao formato.
 Ficam espectaculares, parecem de um conto de fadas...
 Gosto de pôr aqui as fotos, dizem mais que palavras....




 Por hoje é tudo. Estou em frente à lareira....está-se bem aqui em casa. 

Á bientôt.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Stephen Hawking. Mente brilhante



Remeto-vos para a minha entrada neste blogue de há dois anos:

http://coresmovimento.blogspot.pt/search?q=stephen+hawking


Não tenho nada a acrescentar. Será sempre relembrado como um exemplo de resiliência, de coragem, inteligência e superação.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Horizons



Remember the way you are all possibilities
you can see and how you live best
as an appreciator of horizons,
whether you reach them or not.
Admit that once you have got up
from your chair and opened the door,
once you have walked out into the clean air
toward that edge and taken the path up high
beyond the ordinary, you have become
the privileged and the pilgrim,
the one who will tell the story
and the one, coming back
from the mountain,
who helped to make it.





David Whyte  - River Flow


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Papoilas





In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.
We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved and were loved, and now we lie
In Flanders fields.
Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.
                John McRae - 1918

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Fevereiro, um mês especial



Era o mês melhor do ano.

Havia o 14, dia de S. Valentim, em que recebia um postal anónimo, mas transparente, com algo de significativo.

Lembro-me do ultimo que mandei ao M. Era o desenho dum aquário. Os dois peixes vermelhos olhavam-se e um perguntava: "Where shall we go today? It's Valentine's Day." Sugeria a nossa vida em círculo, permanentemente fechada sobre si própria. Sempre gostámos do humor inglês :)

Mas também havia os anos do M. , a 17, em que íamos ao Churrascão Gaúcho ou a outro lado festejar. Era um dia bom.

Também era o mês em que recebia o cheque da Porto Editora, que em geral me dava mais alegria a mim e aos filhos do que a ele, cioso do seu papel de macho latino que sustenta a família. Custava-lhe a tragar que eu fizesse tanta coisa.... :). Eu queria pagar um jantar, mas ele dizia: Só se for lagosta. Nunca a comemos.

No dia 25 vai fazer um ano que o M. morreu. E como li no outro dia no FB. Não é ver morrer o que custa mais. É viver sem aqueles que amámos durante o resto da vida.

Tenho pintado muito este ano. E Fevereiro está a ser melhor.



Este quadro, fi-lo anteontem e mandei a foto ao meu neto Daniel. Ele disse : Adoro. Onde é que o penduraste?  No meu atelier, mas posso dar-to. Sim, se não o quiseres no atelier, quero-o de bom grado! :)

Este meu neto é especial. Ontem ele e um amigo ganharam o 1º Prémio no concurso Jugend Musiziert que envolve alunos dos colégios alemães da Europa. Vai a Barcelona em Outubro para a 2ª etapa Ibérica. Tocaram uma sonata de Beethoven para piano e violino e uma sonatina de Dvorak. Foi lindo.

Hoje vi um filme excepcional: Ghost's Thread. Só para quem gosta de costume dramas, ao estilo dos Merchant Ivory, do Remains of the Day, Magnolia, etc.

Interpretações, música, cinematografia, guarda roupa, luz e cor fabulosos.

Já vi vários filmes candidatos a Óscar, este ano , e vai ser difícil escolher os vencedores.






Ficam aqui a Sonata nº 5 de Beethoven, que o meu neto tocou e a Sonatine, opus 100 de Dvorak.

Não pude gravar no concurso, mas há mais quem as toque !

E vale a pena ouvir.






segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Árvores, sonhai






Se você conta seus segredos ao vento, não pode culpá-lo por revelá-los as árvores.

Kahlil Gibran

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Novo visual

Para entrar em 2018, modifiquei o cabeçalho do blogue. Coloquei a foto dum quadro meu como é costume.


Este quadro que ofereci ao meu neto, no dia dos seus anos, foi pintado em pastel de óleo em 2010 no atelier Utopia, que frequentava na altura.
Fez parte duma exposição de quadros a pastel. Gosto dele pelas formas imprecisas das árvores e o colorido alegre das mesmas.

                                                        Bom 2018 aos meus leitores!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Venha 2018



Dois quadros novos para festejar o novo ano. E um Blessing de John Donahue:



Blessing - Poem by John O'Donahue







On the day when
the weight deadens
on your shoulders
and you stumble,
may the clay dance
to balance you.
And when your eyes
freeze behind
the grey window
and the ghost of loss
gets in to you,
may a flock of colours,
indigo, red, green,
and azure blue
come to awaken in you
a meadow of delight.

When the canvas frays
in the currach of thought
and a stain of ocean
blackens beneath you,
may there come across the waters
a path of yellow moonlight
to bring you safely home.

May the nourishment of the earth be yours,
may the clarity of light be yours,
may the fluency of the ocean be yours,
may the protection of the ancestors be yours.
And so may a slow
wind work these words
of love around you,
an invisible cloak
to mind your life. 

John Donahue