quinta-feira, 5 de junho de 2014

A oeste nada de novo

Hoje dei um longo passeio em direcção a oeste, pela Rua da Calheta, que é a nossa e vai dar quase ao Burgau. Pode-se andar kms com uma vista de mar até ao horizonte.

Há uns anos toda esta estrada era péssima, cheia de calhaus , ervas daninhas, rochas e plantas silvestres, mas o passeio para quem gosta de andar imperdível. Meus pais gostavam de namorar ao fim da tarde, indo pelas rochas ou pela estrada propriamente dita. Era quase um ritual.

Todos os anos faço este passeio, em memória deles em direcção a oeste e cada vez descubro mais civilização no bom sentido da palavra.

Os ingleses e alemães que aqui habitam praticamente todo  ano tratam de si e do ambiente, cuidando de toda área à volta das suas casas, criando pequenos centros de jardinagem, canteiros de flores, palmeiras, árvores tropicais, tudo limpo e fotogénico e até relva bem verde, que tem de ser regada pois aqui não chove quase.

Dá gosto ver mais de um km de marginal ajardinada. Hoje até vi um grupo de turistas guiados a observar as flores, loucos com as buganvílias e as calhetas lá em baixo com o mar de um azul escuro e verde, grutinhas cheias de pedras, e água duma transparência quase irreal.

Deve ser bom terminar a vida num paraíso destes, onde todos se conhecem e entreajudam, fazendo encontros, promovendo concertos e exposições, sorrindo aos que passam e dando côr a esta terra...
aqui ( porquê? ) quase no fim da Europa.




terça-feira, 3 de junho de 2014

Liberdade total

Ontem tinha escrito um post grande e infelizmente esqueci-me que estava offline, resultado: apagou-se sem gravar. raiva!

Já não tive coragem para descrever a maravilhosa tarde que passei na praia grande durante umas 4 horas.
Alugámos um toldo e cadeiras de espreguiçar e ali estivémos, tomando banho pelo meio, dando um passeio enorme até à falésias que é onde gosto de estar, caminhando pelas pocinhas e mar chão. Só havia crianças e turistas, parecia estarmos num pais diferente, não fora o sol quente e o mar transparente sem fim daqui da Luz.

Almoçámos ao som de flauta - uma rapariga tocava junto ao Havana - e voltámos para o nosso poiso onde se descansava da labuta diária!!!

A Luz nesta época é um verdadeiro espaço de liberdade, todos fazem um pouco o que lhe apetece, sem receio do que outros possam pensar. É nisso que difere da cidade, onde estamos sempre com medo das reacções deste ou daquele às nossas pequenas excentricidades. Por que será que damos tanta importância às opiniões alheias?

A praia parece-me diferente com as palhotas todas arrumadinhas, os toldos , uma tenda para massagens, os baloiços e esplanadas ao longo da marginal, já cheias de ingleses, alemães e franceses, que gozam de férias.

Ontem jantámos no Indiano Pashmina, onde se cozinha bem e ainda trouxémos metade para casa para almoço. Aqui não há falta de mesas em lado nenhum, o que em Agosto é terrível.

A minha filha já foi tomar banho ali abaixo, parece um peixe e consegue estar horas dentro de água gelada- 18º , mais ou menos. Tb aguento, mas tenho receio das artroses…..:) , mesmo assim ontem tomei dois banhos prolongados e deliciosos.

Aqui ao lado há um cão grande que rivaliza com os passarinhos, sempre a ladrar. Eles continuam a cantar como se nada fosse….benditas avezinhas que sabem o que é a liberdade de voar.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A vida a passo


Uma das coisas que mais aprecio nesta terra é não haver horas para nada. Não se vêem pais acossados e cheios de pressa, puxando pelos miudos rabujentos, carros a apitar nos semáforos, empregados de café  stressados para servir tanta gente...as horas aqui são flexíveis,  não existem.Andamos ao sabor das marés, do vento, das ondas, das temperaturas....

Hoje tomámos um pequeno almoço à Inglesa - salsicha com bacon, feijão, ovo, torradas e sumo de laranja - às 2 da tarde, já depois dum belo banho - o  meu primeiro do ano. Soube-me pela vida.

Foi uma aventura descer na prainha até à areia, porque as rochas estão impregnadas de musgo verde e se não se tem cuidado, é fácil deslizar por elas abaixo. A água estava transparente e lindíssima, não se resistia. Molhei-me primeiro até aos joelhos como me mandou a fisio, mas depois aquela frescura soube-me tão bem que mergulhei numa onda e andei lá um bom bocado, sem exageros, pois tenho medo de piorar da artrose. A minha fisio disse-me que a água fria é excelente para o joelho e que andasse dum lado para o outro sem problemas.

A prainha estava desertica, apenas um pai com uma filha brincavam por ali. O cheiro dos líquenes e algas era inebriante. Soube-me pela vida estar ali junto à minha "sereia", que se pudesse, vivia mas tempo dentro do que fora da água. Foi sempre assim desde pequenina.As pocinhas de água eram convidativas, mas andar por cima das rochas não tanto. Senti a falta dos meus pequenitos, que no ano passado, adoraram estar aqui nesta casa. As vozinhas deles fazem parte do meu dia dia.

À tarde descansei, dormi , li, ouvi algum noticiário e gozei da vista do jardim, divertindo-me a tirar fotos menos óbvias.

Jantámos às 7  no Chinês onde comemos bem - muito bem, mesmo - e barato e ainda deu para trazermos mais uma refeição para casa: o pato à pekinês estava delicioso e croustillhant, as gambas na chapa com molho picante outra delícia. Come-se muito bem nesta praia e há  gastronomia de todas as nacionalidades...a vantagem de Junho é estar tudo vazio, só se vêem estrangeiros com miudos. Mas há vida, uma vida diferente. Se não fora o sol e a comida, diríamos estar em Inglaterra!!

Ao serão estivémos a ver o Rising Star, mais um programa de talentos, que é tão lento e tão chato que dá para fazermos crochet e irmos até ao jardim pelo meio.  Uma seca....muito tempo leva a estrela a subir.... :)

Asssim se passou o segundo dia das nossas férias. Calmo e revigorante.

Se não fossem as insónias, sentia-me perfeitamente, mas ando mesmo sem sono....são 4 da manhã e ainda não dormi :)


domingo, 1 de junho de 2014

Portugal visto de cima

Como vos disse, vim no avião a olhar a paisagem pela janela por cima das nuvenzinhas que dançavam esparsas pelo céu. Um espectáculo magnífico.
Ao chegar a Faro a visão da bela ria Formosa, em tons de azuis e verdes,  rivalizando com as fotos que vemos do Coral Barrier na Australia. Na minha imaginação, claro.

Escrevo as 4 da manhã, a net aqui é lenta....de modo que não escrevo muito mais.

A insónia atacou-me forte....o silêncio é total....nem o mar se ouve....



O nosso país é um espanto....



sábado, 31 de maio de 2014

Hasta Luego

Parto daqui a horas para Faro de avião.

A viagem leva 45m apenas, mas temos sempre de estar no aeroporto duas horas mais cedo. Já faz parte do ritual da Ryanair, pela qual viajo há anos. Sobrevoamos Portugal inteiro e é maravilhoso num dia como o de hoje ver a diversidade de paisagens de norte a sul. Espero conseguir fotografar a ria Formosa e o  Alqueva, que do avião se vêem  maravilhosamente em dias claros.
Depois seguiremos para a Praia da Luz, que ainda fica a uns 80km de distância.

Esperam-nos uns dias sossegados - até demais - mas fora da cidade, com o mar todo à vista. Os horizontes são tão vastos que se perde a noção do que é viver fechado dentro de 4 paredes. O terraço é o nosso mundo e só para fugir do sol é que nos mantemos dentro de casa, por vezes.

Esta casa foi construida vai fazer 50 anos em 2016. É uma vida. Fui para lá tinha 20 anos e todas as famílias das outras casas eram amigas. Havia jovens dos 4 aos 30 anos e não sei como, dávamo-nos todos maravilhosamente. Houve namoros pelo meio, paixonetas, arrufos, brincadeiras e muitas, muitas recordações que ainda hoje nos vêm à mente ao ouvir certas músicas ou comer certos pratos.


A geração dos meus Pais era especial, com os seus defeitos e qualidades, e deixou-nos uma série de valores, que ainda hoje respeitamos e procuramos que os nossos filhos respeitem. A casa pertence a sete de nós ( meu Irmão mais novo vendeu a sua parte) e temos regulamentos e datas para ocupar a casa nos meses de verão, assim como o compromisso de deixar tudo impecável para os que vêm a seguir.

Já passámos muitos verões fantásticos por ali, conhecemos tudo praticamente.

Muitas vezes pensei que ir para a Luz era voltar às minhas raízes, dado que aqui, no Porto, não tenho ninguém da minha família alargada. Ali era um reencontro com lugares e pessoas que sempre fizeram parte da minha existência.

E depois há aquele mar imenso no qual nos perdemos.....

Até logo!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Um pintor quase desconhecido: John Atkinson Grimshaw

Quando fui a Leeds em Março, voltei ao Museu da cidade e estive a contemplar os quadros dum pintor britânico, nascido em Leeds,  que é praticamente desconhecido globalmente.
Fiquei extasiada perante alguns quadros, todos eles envoltos num certo mistério, luzes nocturnas, esparsas, nevoentas e telas muito inspiradoras.
 Já andava com vontade de escrever sobre ele há meses, hoje resolvi fazê-lo para me distrair das peripécias políticas que  enchem as páginas dos jornais e da net.





Gostava de ter produzido estes quadros, o que não acontece com muitos outros que nunca me passaria pela cabeça copiar ou reproduzir.
Fotografei vários que podem ver aqui, juntamente com outros da colecção: http://www.johnatkinsongrimshaw.org/




Vai aqui um texto curto da Wiki sobre o artista.


John Atkinson Grimshaw (1836 - 1893) was a Victorian-era painter, notable for his landscapes, usually known as Atkinson Grimshaw.

He was born 6 September 1836 in Leeds. In 1856 he married his cousin Frances Hubbard (1835-1917). 
He died 13 October 1893, and is buried in Woodhouse cemetery, Leeds.

In 1861, at the age of 24, to the dismay of his parents, he departed from his first job as a clerk for the Great Northern Railway to pursue a career in art. 
He began exhibiting in 1862, under the patronage of the Leeds Philosophical and Literary Society, with paintings mainly of dead birds, fruit and blossom. 
He became particularly successful in the 1870s and was able to afford to rent a second home in Scarborough, which also became a favourite subject.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

instabilidade

Ultimamente, tenho andado mais interessada no rumo político do país do que no meu blogue.

Desde Domingo que estou a assistir da bancada - e nos sofás do Facebook - ao terramoto que os resultados eleitorais causaram. O terramoto é mais da esquerda, visto que a direita se manteve firme e nem pôe a hipótese de alterar a sua governamentação.

Admiro a coragem de António Costa - conterrâneo do meu Pai e vizinho da nossa família em Goa - pois é arriscado avançar, sabendo que o partido está dividido e não há, na realidade, grandes queixas contra AJS , a não ser o facto de titubear e de apresentar uma imagem débil que não augura nada de bom para as eleições de 2015.

Acabado o futebol para já, Fátima e, andando o Fado um pouco relegado nos inúmeros programas dedicados à música, um confronto político é tudo aquilo que os media precisam para se fortalecer. Há 15m que estão a ouvir o porta-voz do PCP a falar da moção de censura ( todos parecem o Cunhal a falar!!!). Já não se aguenta ouvir a mesma cassette.

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Entretanto pintei dois quadrinhos e modifiquei um pouco o quadro das papoilas já antigo.

Gosto deles. Ficam aqui para amenizar o tema.....


Chuva de verão



sem título


sábado, 24 de maio de 2014

Sem música e sem mar, a vida não teria sentido


Andei numa lufa-lufa nestes dias: IRS, consultas, óculos, arrumações, etc.

As falésias douradas da Luz
Vou para o Algarve na próxima semana, quero ter tudo o que necessito, inclusivé roupas adequadas. Lá não uso o mesmo que aqui, pois necessito de mudança para gozar as férias como tal.

Estas férias vão ser de contemplação e puro gozo da natureza.

Vou só com a minha filha e ela melhor que ninguém ama aquela praia, sabe respeitar os silêncios e ri-se quando ambas estamos felizes...nunca me senti infeliz com ela na Luz. Estamos em uníssono em quase tudo, embora cada uma saia quando lhe apetece, coma quando tem fome e sem qualquer ritual, vá à praia de manhã, à tarde ou mesmo à noite...

Luar de Agosto tirado do nosso jardim

Adoro a Praia da Luz, que é "minha" desde os 20 anos....graças ao meu Pai, que lá construiu uma casa para nós todos. Conservamo-la, somos ciosos dela, distribuímos as quinzenas pelos oito filhos e respeitamos os tempos de cada um e das suas famílias...por vezes encontramo-nos, noutras estamos sós. Não há obrigações...

Lá preciso do mar, que está mesmo à minha frente, dum azul que fere ou mesmo encapelado em dias de sueste...ele é parte integral da casa, a metros dela. Com o luar magnífico ou sem ele.


Fim de tarde na praia
Também preciso de música, muita música. Adoro as noites calmas, no jardim a ouvir o meu Ipod e a olhar as estrelas. Faz parte do meu ADN. Sem ela seria muito mais infeliz.

                                     

Levo o laptop, é claro e a máquina fotográfica....tudo o que me ajuda a reinventar a paisagem, a descrevê-la, a descrever-me e aos meus estados de alma.

Será narcisismo.

Para mim é sempre um escape à cidade,  às gentes, ao atabafamento, à poluição.

É uma viagem para dentro de mim mesma, uma meditação permanente sobre o que quero da Vida que me resta.

Assim seja este ano!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Mountain View


Mensagem para leitores de Mountain View:

I have noticed there are some readers from Mountain View, who read this blog regularly.
Could you please contact me - here or via Facebook - ? I'm very interested in getting to know people living there as I'm probably going to stay there some time in October. Thank you in advance.

Have a good weekend!