sábado, 19 de dezembro de 2015

Natal ortopédico

Tenho andado às voltas com a saúde de há uns dias para cá.

Fui à Clínica Práxis, que me foi recomendada pelo meu médico ortopedista. Esta clínica é pioneira em tratamento de doenças da coluna, sendo o seu director Manuel Enes, competentíssimo em técnicas inovadoras para a melhoria dos problemas de coluna que nos afligem.
Já há uns dois meses que ando a sofrer de dores do tipo ciática, lombares, que se estendem até aos joelho, causam mal estar e dificuldade de locomoção, para não falar dos sintomas psicológicos, que nos tiram a alegria de viver.
Há meses que não saio, a não ser para ir daqui ao café, ao cabeleireiro ou ao hospital fazer exames ou à fisioterapia. Ando deprimida, sem vontade de fazer nada que me exija esforço. Nem à Foz tenho ido e ao Botânico só muito raramente.
Gostei muito da Clínica e das pessoas que me atenderam, fui vista pormenorizadamente por um ortopedista, que, por coincidência, é Pai dum colega do meu neto Daniel no Colegio Alemão.
Depois disso tive uma conversa longa com o Dr Manuel Enes, que me recomendou uma intervenção minimamente invasiva, de modo a abrir a oclusão entre vértebras. Farei isso na 3ª semana de Janeiro, esperando que a minha mobilidade e disposição mudem gradualmente.
A Clínica fica muito perto do Carolina Michaelis, na zona onde vivi durante 30 anos e que bem conheço. Só terei de lá pernoitar um dia, podendo depois vir para casa e mover-me bem.



Ontem andei com uma indisposição de estômago, o que não me acontecia há anos, e fiquei preocupada pois a dor não passava. Estive todo o dia sem comer nada e para o fim da tarde já conseguia ter algum apetite. Nem consegui ter os meus netos aqui como é costume, estava tão indisposta que tive de os mandar para casa com a empregada. Só me apetecia estar deitada.

Hoje já estou um pouco melhor e os meus filhos já voltaram ontem à noite, um de Bragança e o outro dos EU.

Começa o Natal. Oxalá com mais saúde! 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

As árvores do meu contentamento

Depois do mar, um dos elementos da Natureza que mais me seduz são as árvores.
Quem acompanha o meu blogue, sabe bem a paixão que nutro por estes seres vivos, sem os quais, as cidades seriam inabitáveis, secas e deprimentes.
Crazy trees

É tão importante manter as manchas verdes no "patchwork" que nos envolve como comer bem ou trabalhar em bom ambiente.

Felizmente o Porto tem melhorado muito nesse sentido e há locais carismáticos, onde uma pessoa pode passear e esquecer o betão ou a degradação de muitas zonas habitacionais.
Choupos

As árvores sempre me inspiraram e penso serem o tema central da minha pintura. Comecei desde o início a tentar dar-lhes um cunho especial e há quadros dos primórdios da minha iniciação à pintura que ficaram esquecidos.
inverno
Muitos ofereci, como , por exemplo, uma colecção de bétulas que fez sucesso na Escola Utopia.

Hoje resolvi colocar aqui fotos desses quadros e um poema de que gosto muito:

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão.

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou a sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e , uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma

Fernando Pessoa - Cancioneiro

Floresta outonal

Bétulas

Floresta misteriosa

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Dia dos Pais

raízes
Em minha casa festejava-se a 8 de Dezembro o Dia da Mãe.

Era um dia muito bonito com música dedicada à minha Mãe e um almoço especial em que todos a mimávamos em especial. Ainda hoje me custa associar o Dia da Mãe a outro qualquer...

No passado dia 5, fez 35 anos da morte do meu Pai. Morreu três semanas depois do nascimento do meu filho mais novo, que nunca chegou a conhecer.

O meu Irmão escreveu uma crónica no Jornal I que lhe é especialmente dedicada, mas que não consigo transcrever para aqui por causa da formatação.

Gostaria que a lessem. Porque sinto exactamente o mesmo que ele em relação aos Pais e ao mistério da Vida e da Morte.

http://ionline.pt/482837?source=social#close



sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Só agora é que chegou o Outono

E o jardim Botânico parece o Japão.

Os áceres de folha miudinha estão todos vermelhos, dum vermelho de sangue e as tílias amarelas de ouro.
Um contraste de cores que anima qualquer um, sobretudo aqueles que apreciam a Natureza e só nela se revêem.

Cada vez é mais o meu caso. Adoro a família e estou com eles algumas horas por dia, mas preciso destas idas aos jardins - aqui no Porto há vários lindíssimos - para me sentir a viver plenamente. Até esqueço as dores da coluna ao descer as escadinhas cobertas de musgo e a andar por entre as áleas tão variadas deste local sagrado.

Há semanas tinha a sensação de estar no verão, agora que já é quase inverno é que veio o outono em todo o seu esplendor. Hoje valeu bem a pena lá ir, tive a sensação de estar noutra dimensão. Lembrei-me de Sintra,
daqueles recantos românticos da serra quando era pequena....lembrei-me do nosso jardim que cheirava sempre a erva molhada e a terra, apeteceu-me deitar-me ali e ficar a olhar para o céu ou para as folhas de ácer qual renda de bilros...

Até os cactos - os aloés estavam completamente floridos. As suas flores vermelhas apontavam para o céu como setas.


Não há muitos lugares onde sinta esta paz. Se todos pudessem ter uma hora por dia para gozar desta beleza, respirar a sério e pensar na vida, estou certa de que haveria muito menos quezílias e mais felicidade. Mas esta é uma felicidade que não se compra...









quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Mia Madre


Um filme belíssimo, gerador de emoções das mais variadas, criadas por uma situação familiar próxima de todos nós, uma realidade sem sonhos mas mesclada duma imensa ternura e amor ilimitado sem pieguice com um equilíbrio extraordinário.

Um filme que todos devemos ver para que nos seja devolvida a fé nas pessoas e na Família.


Hoje em dia, a opinião pública proclama que os velhos são uns trastes dependentes, atrasos de vida que sugam o dinheiro dos jovens, uns inúteis e parasitas da sociedade.

Não estou a exagerar, já li e ouvi  afirmações destas em programas de cariz económico e político.

O filme retrata os últimos dias duma Mãe, a sua presença inequívoca na vida dos filhos e neta, a sua influência no dia a dia e na vida profissional daqueles que a rodeiam e assistem ao seu desvanecimento com preocupação e dor.


A música de Arvo Part acompanha magistralmente todo este processo, os momentos de humor ajudam a tornar a história mais acessível e a descomprimir a tensão familiar.

A interpretação de Nanni Moretti, Margherita Buy, John Turturro e Giulia Lazzarini | é inexcedível. Candidatos a óscares, sem qualquer dúvida.

No Festival de Cannes o filme mereceu uma ovação de pé durante 8 minutos.

Nanni Moretti está de parabéns. Mais um filme maravilhoso. E indispensável.





terça-feira, 1 de dezembro de 2015

De novo....o Natal

Hoje iniciei a época festiva.



 A minha Luisa é que tratou de arranjar o Adventzkranz no Bazar de Natal do Colégio Alemão. É lindo, muito simples, com as suas velas vermelhas grossas. Acendemos ontem pela 1ª vez.

Hoje a minha filha e a empregada foram buscar tudo a arrecadação e enfeitaram a árvore num abrir e fechar de olhos. Está linda. Não consigo já tratar destas coisas, no ano passado nem fiz presépio pois os netos não estavam cá. Mas este ano apetece-me fazer em dobro!


Acendi a lareira para me sentir no inverno e pus música de Natal e barroca. O ambiente ideal para me sentir na quadra....e como dizem os alemães "Alle Jahre wieder kommt das Christuskind". Todos os anos de novo chega o Menino Jesus. E com ele a tradiçao, as recordações, umas lágrimas, os cheiros e a felicidade moderada.

Há três anos escrevi isto na época de Natal.

Há quase 40 anos que é assim, sou sempre eu que enfeito a casa e se não a tinha enfeitava a dos outros, como aconteceu quando andei pela província. Muito me custa estar numa casa vazia de natal...nisso sou completamente infantil, adoro o ambiente, o cheiro das velas, a caruma e as pinhas que ainda hoje fui apanhar ao botânico e que estão cheias de resina. Dantes até tinha sempre um pinheiro a sério, mas ja há dois anos que faço a árvore com um artificial e o efeito não é menos bonito. Nunca gasto dinheiro em enfeites, apanho folhas, pedrinhas, ramos de pinheiro aqui da rua e com algumas folhas de cameleira, armo o local onde vou pousar o estábulo e as figurinhas antigas, que comprei quando vim para o Porto há 32 anos. Só o musgo é que é comprado e vem bem fresquinho ainda verde a cheirar a montes.

2012




segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Fernando Pessoa- 80 anos da sua morte


Fernando Pessoa tinha apenas 47 anos quando morreu, em 1935.


A sua doença teria sido facilmente atacada se ele vivesse agora. Na altura, não havia operações ao pâncreas. Nem curas para cirroses. Em três dias, desapareceu um vulto maior das Letras Portuguesas.

No Observador online, pode ler-se uma entrevista interessante com uma sobrinha do poeta,  Maria Manuela, agora com 90 anos;  recorda bem o tio, um homem engraçado, meigo, amigo de crianças...vale a pena lê-la:

http://observador.pt/especiais/pessoa-o-meu-tio-fernando-era-a-pessoa-a-que-eu-achava-mais-graca-no-mundo/

Fernando Pessoa foi um homem tão notável que é dificil imaginá-lo na sua rotina normal e vida familiar. Imaginamo-lo sempre como um homem só, observador do real, crítico  e instropectivo. Mas não seria assim.

A sua obra permanece um enigma, apesar das centenas de páginas escritas sobre ela.

Ficam aqui algumas das suas frases mais carismáticas e um poema recitado por Maria Betânia:





domingo, 29 de novembro de 2015

Fotos abstractas

Pertenço a um grupo de fotografia abstracta.

Fazem lembrar quadros, mas são fotos que, por acaso, ficam menos nítidas.

A sua beleza provém das formas que não se definem e permitem especulações.

Tenho tirado algumas cujos efeitos me agradam....

vidraça d marquise

círculos água


anémona- matosinhos

fonte em Westminster

água do mar



sábado, 28 de novembro de 2015

Os nenúfares


É uma das plantas mais queridas da pintura impressionista.
Monet sabia-o bem e pintou-os como ninguém.

Também me apaixonei por eles quando vim viver para o Campo Alegre e descobri o jardim Botânico. Nele há cinco lagos todos eles diferentes, um maior , outros mais reduzidos, todos com nenúfares em grandes manchas.

Agora estão em hibernação, sem flores e enterradas na água.

Os tons das folhas mudam todos os dias e a todas a horas, poder-se-ia dizer que são infinitas as nuances e tonalidades conforme a luz, o tempo, a estação do ano e o vento....



Todo o ambiente à volta se reflecte nestes lagos - céu, árvores, arbustos, escadinhas, muretes -  e o ângulo donde se olha permite admirar novos coloridos e formas.
É como um caleidoscópio.

Em latim chamam-se nymphae, que soa mais belo ainda. Em inglês waterlilies, lírios da água...





Já fotografei nenúfares em todas as épocas do ano, a todas as horas e com todo o tipo de tempo atmosférico.
É um prazer ir até ao local, sentar-me nos muretes cobertos de musgo e ouvir os pássaros...

Gostava de fazer um livro só com fotos destas. Vamos a ver se tenho coragem.....

Monet pintou-as como ninguém. Aqui ficam alguns dos seus quadros mais carismáticos e um dos poemas de Miguel Torga. A foto do meu neto combina bem com o tom da poesia.




Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!

Miguel Torga,
in 'Cântico do Homem'


terça-feira, 24 de novembro de 2015

O Outono continua aí.


A minha rua
Diziam que ia ficar muito frio. Abaixo de zero.

Aqui na minha sala estão 22º sem aquecimento, o sol entra por aqui adentro e lá fora está uma dia de sol lindissimo, não há vento, nem chuva.

através dos vidros


Somos um país abençoado e mesmo quando lá fora, o terror espalha sinais de grande tumulto e sofrimento, nós cá tudo bem... até as sempre vivas continuam vivíssimas :)

jardim botânico visto da varanda
Sempre senti que este país tinha protecção especial contra grandes dramas e por isso se inventavam outros dramazinhos politiqueiros para animar as TVs e agitar as águas.

Hoje finalmente soubémos que vai ser indigitado o novo 1º Ministro.
Não fiquei excitada, nem sequer feliz. Vai ser a mesma guerrilha de sempre, como dizem os analistas, há muita crispação. E tem de haver. Quem não se sente, não é filho de boa gente.

Vou falar de política, o que é contra os meus princípios bloguistas. Mas tem de ser.

O que António Costa fez, não é digno de comentário sequer.
Considero-o um dos políticos mais dúbios, sonsos e gananciosos destes 40 anos. E tenho pena porque é oriundo de Goa,  onde o meu Pai nasceu e onde tenho ainda muitos familiares.

Rotunda da Boavista
Nunca gostei do PS como partido porque é arrogante e falso ou incoerente, não se define, joga para todos os lados, como se viu nestes 50 dias passados. Os governantes já deram muitas vezes provas de corrupção, amiguismos, anti-patriotismo e mesmo duplicidade. Alguns colegas do PS que conheci eram o que os ingleses chamam "sleazy", mesmo na Escola actuavam sem lisura, com compadrios e sem grande sentido de responsabilidade.

vista da varanda
Não acredito que levem este país a bom porto. Vamos entrar no período dos reembolsos, das promessas, dos beijinhos na cara, das benesses para o povo.
Não sei onde vão buscar o dinheiro, nem me interessa. Sei que uns ou outros são maus gestores e que este país precisa de uma grande volta...

Só espero que na sequência do grande ministro Mariano Gago, uma excepção à regra,  continuem a financiar a investigação científica e as universidades, sem as quais este país nunca irá a lado nenhum.