segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Exposição caseira


Tenho pena de não dispôr dum espaço em casa com paredes grandes.

                 O meu atelier tem duas estantes, cheias de livros, papeis, materiais e quadros deitados, mas paredes nada. Só  há alguns espaços entre a janela e as estantes, o armário e a porta, onde tenho dois quadros grandes e as fotografias da exposição que em tempos fiz na Vivacidade.




                                 As paredes do corredor são grandes mas tem pouco luz, mesmo assim também tenho alguns quadros à vista. Ando sempre a mudá-los de sítio, só na sala conservo os mesmos por causa das manchas que acabam por marcar as paredes.

Como as aguarelas que tenho feito são relativamente pequenas, resolvi colocá-las todas numa das estantes em frente dos livros - que irão para destino incerto mais tarde ou mais cedo, pois são sobre o ensino do inglês e já não os uso há séculos.

Todas juntas compôem uma pequena exposição e parecem mais bonitas. Cada uma delas é diferente...e gosto de todas.

A vista da janela é um quadro em si mesma, também. Mesmo no inverno em que as árvores estão mais despidas, há sempre uma mancha verde que me alegra e inspira. Nesse aspecto sou uma privilegiada, pois tenho árvores dos dois lados da casa. Como é que posso não gostar delas?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

árvores- o meu tema favorito.

Os meus quadros mais antigos datam de 2008, que foi quando comecei a pintar na Paleta. Na altura nunca tinha pegado num pincel, a não ser na escola e não sentia especial apetência pela arte, mas pouco depois estava rendida ao prazer criativo.






Pintei muitos quadros figurativos antes de em aventurar nos abstractos. Pode-se dizer que estive dois anos só a pintar figurativos e sem grande entusiasmo pelas minhas "obras", que me pareciam pouco originais e empasteladas.



Algum tempo depois comecei a usar pasteis de óleo e aí, deu-se um volte-face, a inspiração veio, e pintei alguns quadros que considero belos.  As árvores continuaram a ser o meu tema preferido, embora o mar também me atraísse bastante.

Só comecei a fazer abstractos no novo atelier Utopia, mas a maioria foi executado em casa, onde tinha a cozinha por minha conta e podia experimentar novas técnicas à vontade. Datam daí os quadros maiores que produzi, alguns por encomenda duma loja em Valongo e que a





ainda aqui estão, pois à ultima da hora desistiram de mos comprar :(.

Ontem encontrei este de que sempre gostei e resolvi retocá-lo, de modo que ficasse mais alegre. Estava um pouco tristonho e baço.

Acho que ficou bonito. Chama-se:  Floresta.






terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

HAPPY VALENTINE



Foto dum lírio da paz que tenho em casa

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate;
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date;
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.
–William Shakespeare

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais bela e mais amena
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno
Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes obscurece com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na eterna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás exausta ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos ardentes te farão viver.

                                                                                                                                Arnaldo Poesia

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Temporal



Uma tempestade (do latim tempestate, "tormenta, agitação"), tormentatemporal ou toró é um fenômeno atmosférico marcado por ventos fortes, trovoadas, relâmpagos, raios e chuva, usualmente com duração de dezenas de minutos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Nothing lasts forever

mas enquanto dura, temos de aproveitar.

Hoje estava um dia como eu gosto.

Todos os cambiantes de luz, o mar e o céu em sintonia, variando e dançando com as nuvens. Ondas altas, desdobrando-se em espuma até ao fim da areia.

Saí para ir ao café, mas acabei na Foz. Em boa hora.

As poucas pessoas que passeavam pela orla estavam extasiadas com o brilho cintilante do mar e a temperatura amena que se fazia sentir.

Almocei na Tavi, numa mesa à janela, frente ao mar.  Crepe de camarão - 7 euros. Maravilha.






Depois fui a pé até ao possível...um cordão de polícias não permitiam que se avançasse ou se parasse durante muito tempo na rua. Ou 8 ou 80.


O mar bravo ficava a uma grande distância, mas o que vale é que os nossos olhos vêem mais longe e os zooms das câmaras ou dos telemóveis conseguem fotografar o invisível.

Infelizmente não levei a máquina, pois não tencionava ir à Foz. Foi pena.

Mesmo assim tirei estas fotos que valem mais do que mil palavras.

Depois de contemplar o mar fui ao chinês comprar utensílios para a pintura, que cada vez me fascina mais.

Passei pelo Pingo Doce e a empregada disse-me com ar sorridente: Já viu o mar hoje? Está tão lindo. E quando o sol abre e o mar fica com riscas prateadas?
Respondi: Ainda bem que aprecia o que é bonito.










quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Tempo de aguarelas II

A criatividade é a única coisa que nos faz sentir vivos, nos momentos de "no return".








"Traveling Light"

I'm traveling light
It's au revoir
My once so bright, my fallen star
I'm running late, they'll close the bar
I used to play one mean guitar
I guess I'm just somebody who
Has given up on the me and you
I'm not alone, I've met a few
Traveling light like we used to do

Good night, good night, my fallen star
I guess you're right, you always are
I know you're right about the blues
You live some life you'd never choose
I'm just a fool, a dreamer who forgot to dream of the me and you
I'm not alone, I've met a few
Traveling light like we used to do

Traveling light
It's au revoir
My once so bright, my fallen star
I'm running late, they'll close the bar
I used to play one mean guitar
I guess I'm just somebody who
Has given up on the me and you
I'm not alone, I've met a few
Traveling light like we used to do

But if the road leads back to you
Must I forget the things I knew
When I was friends with one or two
Traveling light like we used to do
I'm traveling light

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Tempo de aguarelas




Ando em maré de aguarelas...

Ontem fiz esta num intervalo entre o hospital e a vinda dos netos.  Emoldurada em madeira castanha ficou bonita.

É uma lufada de ar fresco, aquela Natureza com que sonho no meio da cidade onde vivo.



Hoje fiz esta que é mais abstracta:




E continuo apaixonada pelos versos de Alberto Caeiro:



Ao entardecer, debruçado pela janela, 
E sabendo de soslaio que há campos em frente, 
Leio até me arderem os olhos 
O livro de Cesário Verde. 

Que pena que tenho dele! 
Ele era um camponês 
Que andava preso em liberdade pela cidade. 
Mas o modo como olhava para as casas, 
E o modo como reparava nas ruas, 
E a maneira como dava pelas coisas, 
É o de quem olha para árvores, 
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando 
E anda a reparar nas flores que há pelos campos... 
Por isso ele tinha aquela grande tristeza 
Que ele nunca disse bem que tinha, 
Mas andava na cidade como quem anda no campo 
É triste como esmagar flores em livros 
E pôr plantas em jarros...

Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos - III

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Mudança de visual


Resolvi mudar.

Este cabeçalho é mais discreto.

E é meu.

Boas leituras :)

As síndromes e as colagens criativas


Tenho vivido entre síndromes e momentos de relativa felicidade, proporcionados pela família, tanto uns como os outros.

A síndrome do hospital tem-me acompanhado, embora não fale dele. Ontem passei três horas num ambiente asséptico, branco e calmo, onde já quase parecia sentir a Morte a pairar nos corredores...

Aos domingos à noite quando  meu filho mais novo diz: Bom , Mãmã....( ironicamente, claro), já sei que vai embora. Mais 250km até Bragança, com chuva, vento, derrocadas, etc. Coração nas mãos.

À segunda, acordo com a síndrome das 2ªs feiras, cinzenta, amorfa, apática e abúlica ( como dizia uma professora de Moral que tinha a mania de que era esperta). Não me apetece nem sequer tirar a cabeça para fora do edredão...

Pelo meio tenho tido os netos a encher-me a alma, na semana que passou estiveram cá tres dias inteiros por ausência da Mãe que teve de ir ao estrangeiro.
Adorei, embora me tenha saído do corpo. Fazer jantar para cinco durante três dias + fim de semana já não me lembro há quanto tempo foi. Mas esmerei-me e as coisas correram bem. A semana culminou com a entrega dos relatórios de notas , que no Colégio Alemão são em Fevereiro e em Julho ( muito melhor pensado). Os meus meninos sairam-se bem, só posso orgulhar-me, são melhores do que eu fui na idade deles. E não é fácil ter cadeiras em alemão, Mathe, Erdkunde, Biologie, Chemie, etc.

O FCP ganhou, o Boavista empatou, menos mau no reino do futebol. É estúpido, mas fico com o astral mais elevado.

In-between fiz dois quadros-colagens. Estou a gostar. Estes são já dum tamanho grande- A3 e cabem nos passepartouts de vidro que tenho da exposição de fotografia de há uns anos. Tirei as fotos a preto e branco e coloquei as colagens até ter a possibilidade de as enquadrar.


As fotos não ficaram brilhantes, ou seja, estão com reflexos que alteram um pouco as cores.

No meio de tanto corropio, pintar traz-me a paz de que necessito.

Cada pedacinho destas mantas de retalhos é um mundo e conta uma história!

A minha.



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Sonhando com aguarelas

As aguarelas sempre me fascinaram, mas nunca fui aguarelista, sempre achei ser uma técnica extremamente difícil. Tive um colega na Paleta que só fazia aguarelas e até lhe comprei uma de que gosto muito em vários cambiantes de verde. O senhor em questão tinha uma quinta em Resende e só pintava as paisagens que avistava nas suas terras. Trazia-nos cerejas no verão e dizia que a sua terra era a mais bela do país. Gostava mesmo de pintar ao pé dele.

Quadros em aguarela são para mim como música relaxante, aquela que estou a ouvir neste momento no Spotify: The relaxing flute of Wendy Quinlan. Ainda estou sob a influência do reencontro com esta pessoa maravilhosa, que se atravessou por acaso no meu caminho e iluminou um pouco a minha vida numa altura conturbada. Quando oiço esta música entro em modo Zen. É como a flauta de Pan.

Ando a ler um livro que o meu ex-marido me ofereceu em tempos quando ainda passeávamos os dois pelos alfarrabistas do Porto numa zona que era mais conhecida dele, desde miúdo.  Ficava junto à Livraria Britânica, que eu frequentava muitas vezes. Enquanto jovem, ele  percorria todos os alfarrabistas do Porto em busca de BD barata, de que era fã incondicional.


 Este livro lindíssimo foi publicado aquando do Centenário do nascimento de António Cruz,
considerado o maior aguarelista do Porto.


É quase desconhecido dos portugueses, mas talvez um dos expoentes máximo da pintura portuense. Dizem que foi prejudicado pelo facto de a sua pintura se parecer demasiado com a de Turner. É verdade que tem um estilo semelhante, mas os temas e quadros são muito variados e especiais.





Nunca vi os quadros ao vivo, embora tenha havido uma exposição na Gulbenkian em 2015 promovida pela Árvore.

A propósito escreveu o Director da Cooperativa:

“António Cruz é o grande aguarelista português do séc. XX. É um artista de uma mestria extraordinária. Além de pintor talentoso soube tirar partido das neblinas, da luz, o granítico das sombras, as pontes e o rio. Só um Homem que viveu intensamente a cidade seria capaz de a mostrar com este olhar sensível."

Agustina Bessa Luís escreveu num dos prefácios do livro referindo-se ao Porto:

As Aguarelas de António Cruz...dão a luz da cidade, a luz violeta e dourada do Paris de Outono. O requinte desta cidade negociadora vem da luz, diferente da de Lisboa, que é africana, loira e seca. Aqui os nevoeiros derramam aquela água verde que parece açucarada...a luz inventa, descreve, realiza, elabora e não termina...






                                     





É quase impossível ficar indiferente a este tipo de pintura. Ela sente-se pelo olhar, entra em nós e fascina-nos. 

O mesmo acontece com a flauta de Wendy.