quinta-feira, 5 de março de 2015

Espectáculo aquático

Ontem estive na Foz.

Finalmente o sol, sol quente que quase queima o olhar na praia dos Ingleses, virada para o ocidente, exactamente em frente ao sol poente.
Não fiquei até à hora do pôr do sol, pois estava um pouco fresco, mas as duas horas que ali estive valeram anos. O mar estava bravo, as ondas desenrolavam-se regularmente, brancas, esverdeadas....havia muita gente, sentada com os seus tablete, a estudar, a ler o jornal e a gozar do fim da tarde.


Depois passei pelo Pingo Doce, onde comprei algumas coisas frescas: salmão, meloa, bifinhos, salada, etc.
Foi um pedaço de tarde sozinha como gosto. O autocarro 204 passa agora ainda mais perto do mar e o Wi-Fi instalado pela Veniam continua a funcionar maravilhosamente.

Hoje tive uma outra experiência aquática espantosa: uma hora e meia no meu clube, a piscina vazia, nem vivalma...sossego total. Consegui tirar mais umas fotos mirabolantes com o meu iPad, fico  boquiabertacom os efeitos de luz e de cor naquele solário. Pode-se estar ao sol durante horas, ouvindo música ou lendo, sem que ninguém nos incomode. Fiz mais duas colagens, uma cubista, outra mais explícita.





quarta-feira, 4 de março de 2015

Hello....goodbye

 È agora a constante da minha relação com os filhos.
Custa bastante, sobretudo nos primeiros momentos em que nos despedimos às 5 da manhã, com o nevoeiro a esconder as nossas lágrimas...e o taxis a passar veloz em direcção ao aeroporto. Não há maneira de me habituar a estes horários.

O meu filho mais velho esteve aqui uma semana, saindo para as suas  reuniões todos os dias muito cedo, mas chegando a horas de jantarmos, conversarmos um pouco e até de passearmos pelo Porto.
Ontem fomos jantar à Ribeira a um restaurante escondido, chamado Bacalhau, que fica em frente à orla de Gaia. A noite estava escura, mas o rio lindo como sempre. Estas fotos são de telemóvel daí não terem a qualidade da minha lumix.

Não sei se gostaria que um dos meus filhos vivesse permanentemente comigo. Penso que não. Eles têm a sua vida, e eu criei este ano a minha. Ao princípio, sinto um vazio quando eles partem, depois habituo-me ao silêncio e sossego e sobretudo à liberdade. Durmo quando quero, leio, abro as janelas de par em par, oiço os passarinhos ao fim da tarde, tricoto, cozinho à hora que me apetece e não me sinto só.

Hoje está um dia de sol e céu azul depois de 4 dias sem ele. Tudo parece mais luminoso e alegre. Talvez vá à Foz tomar um chá.

Dizem que o sucesso do nossos filhos é o melhor que nós, mães podemos desejar. O meu filho tem conseguido tudo isso, sem perder o sorriso, o sentido de humor, nem o carinho por mim, mesmo que interceptados por n chamadas, video conferencias, emails, etc.

Assim continue......

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Spring is around the corner



Já cheira a primavera...o inverno já passou....hoje esteve um dia lindo, céu azul com nuvens altas, temperatura amena e algo no ar que nos faz respirar melhor.

Estive sentada algum tempo na mesa da esplanada da Botânica, a gozar desta atmosfera e a ler My Brief History de Stephen Hawking no Kindle.

É bem agradável ler assim ao ar livre. Já terminei o Still Alice, que foi um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Está escrito dum modo exemplar na 3ª pessoa , mas como se estivéssemos a seguir a corrente de pensamento de Alice, que se vai apagando lentamente.

No Botânico, já havia florinhas por tudo o que é sítio, embora ainda tímidas por debaixo dos troncos de árvores muito burilados e esguios.
Quando entro neste jardim perco a noção da realidade, fico perdida naquele emaranhado de arbustos e sombras. Sinto-me bem e apetece-me fotografar cada recanto como se fora a primeira e a última vez....



 Fica aqui um poema sobre a Primavera de E.E. Cummins, um poeta contemporâneo:

Spring is like a perhaps hand 
(which comes carefully 
out of Nowhere)arranging 
a window,into which people look(while 
people stare
arranging and changing placing 
carefully there a strange 
thing and a known thing here)and

changing everything carefully

spring is like a perhaps 
hand in a window 
(carefully to 
and fro moving new and 
old things,while 
people stare carefully 
moving a perhaps 
fraction of flower here placing 
an inch of air there)and without breaking anything.
E.E.Cummins

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Castelejo


É a praia mais linda que conheço....e conheço muitas do norte ao sul do país. Já vivi seis meses mesmo à beira mar em Esposende e corri todas as praias do norte. Moledo é lindíssima. Também andei pelas praias da Figueira e junto a Lisboa, onde destaco o Guincho, um verdadeiro hino à Natureza e ausência de construção desfigurando a paisagem.

Mas é mais para o sul que ficam as verdadeiras praias de Portugal, sendo a Costa Vicentina uma reserva natural que ainda está virgem e espero assim se conserve para o bem de todos os que consideram as praias como oásis na selva da urbanização. O contraste entre as falésias de xisto muito negras e a areia branca, as esculturas naturais que as rochas vão formando pelo mar fora, a neblina que sobe da espuma e impregna o ar de um cheiro a maresia intensa.....tudo isso faz destas praias verdadeiros paraísos.



Houve momentos da minha vida em que passar umas horas em Castelejo e Cordoama me revigorava para o ano inteiro. Dizia para mim: As long as Castelejo exists, I'll be happy. E consolava-me das minhas agruras, escrevendo: Nevermind, Castelejo is still there! ( Desculpem, mas falo muitas vezes em inglês comigo própria...desde pequena!! :)

Há muito tempo pintei duas aguarelas desta praia e um acrílico, de que gosto especialmente. Ontem resolvi retocá-lo e ficou ainda mais bonito. A foto não consegue ser-lhe fiel, mas aqui fica.


Tenho inúmeras fotos lindíssimas, tiradas ainda com a minha máquina Canon à maneira tradicional, mas poucas em digital, dado que desapareceram quando o pc foi à vida....

Deixo aqui as memórias dum local místico e inigualável do nosso país. Se puder, viaje até lá....

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Felicidade

Após dois meses consegui reunir os meus dois filhos neste fim de semana.
É uma alegria ver a minha casa cheia, vozes de homem, ironia e risos, aqueles momentos únicos que nos relembram a infância, as idas aos gelados, à Foz, à Feira do Livro, à praia....risos e choros que não voltam mais.

Fomos almoçar à Foz no Real Indiana. Estava uma ventania desgraçada, o mar muito picado e verde.
A comida estava excelente e eu feliz.









Aproveitei uns minutos para tirar umas fotos junto à Pérgola, um dos locais mais carismáticos do Porto. O jogo de sombras e sol atraem qualquer fotógrafo. Aqui ficam.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

90.000 visitas


Chegámos a um número redondo: 90.000 visitas. 

Continuo a escrever quase todos os dias, embora nem sempre com a mesma chama ou inspiração. Não sei definir bem que tipo de blogue é este, há algum tempo que me limito a reflexões quotidianas e a expor as minhas fotos, uma das minhas paixões.

Este ano sinto que estou hibernando, mas não me sinto mal, pelo contrário, acho que cada vez interiorizo mais a ideia de que tendo saúde q.b., posso viver quase sozinha, preenchendo os dias com actividades que me dão prazer e enriquecem espiritual ou fisicamente. Vou vendo os filmes que saem e são mais falados, comentando livros que leio e exprimido as minhas opiniões sobre alguns temas que mais me atraem.





Esta cidade é bela e tem recantos onde nos sentimos bem - como Lisboa também tinha quando eu era jovem.

Hoje, depois de ir à piscina,  estive no Bom Sucesso, no antigo mercado que agora está na moda.
Todos os dias se enche de pessoas de todas as idades, os pequenos stands e restaurantes oferecem uma mistura de pratos gastronómicos, produtos regionais, sopas, marisco, doces dos mais variados estilos e gostos.

Hoje comi uma sopa de cogumelos que estava deliciosa. Depois trouxe dois rissóis de alheira  e ainda uma bola de berlim da Leitaria da Quinta do Paço a que não resisto.

Aproveitei para ler um pouco e tirar umas fotos com o meu i'Pad. Estou a tomar lhe o gosto.

OBRIGADA!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Caleidoscópio


Sempre adorei caleidoscópios, um brinquedo que me fascinava. Ainda hoje tenho um guardado, que já comprei na loja dos chineses.
Adoro ver os pedacinhos de espelho a saltitar e a dançar no fundo do tubo, fixando-se, por fim, numa coreografia mágica que se pode modificar no segundo seguinte.

Hoje fui à piscina e levei o meu iPad. Deitada numa espreguiçadeira comecei a olhar para as vidraças extraordinárias em frente e em cima, num jogo de cores iluminado pelo sol. O efeito era mesmo arrebatador para uma mente de fotógrafa amadora como eu.

Peguei no iPad e tirei umas seis ou sete fotos em ângulos diferentes. Todas elas ficaram interessantes per si, mas o conjunto era um verdadeiro caleidoscópio real. Resolvi por isso fazer uma colagem, que podem ver aqui.



Encontrei este poema em espanhol, que me parece muito interessante e acessível.

CALEIDOSCOPIO


Soy más de lo que ves, no te engañes
¿quieres conocerme? no te alejes
Soy un caleidoscopio, soy cambiante,
en un parpadeo: beligerante,
¿encuentras un espejo? no te espantes,
das otro giro y soy consecuente,
si ves una sonrisa: fascinante,
y al ritmo de la luna: ferviente,
al respirar profundo soy paciente
y en la soledad: inenarrable.
Cuando piensas que ya me capturaste
los cristales cambian y me perdiste,
Soy duna del desierto que no viste,
digo cosas que nunca esperaste
y hago otras que siempre quisiste,
Soy la suma de todos los placeres,
el recuerdo de todos los ayeres,
todo lo que alguna vez amaste
y al dejarlo te arrepentiste.
Soy la estrella que siempre seguiste
y también lo que no imaginaste,
Soy aquello que siempre anhelaste
y la boca que ansioso besaste.
Soy todo y más, no me encasilles,
Soy el océano y tardes grises,
Soy la borrasca en el arrecife
y el sosiego de los querubines.
Mira de nuevo y di francamente
¿Soy yo el ayer o Soy el presente?
mira más cerca, anda, atrévete,
toma tu tiempo y no desesperes.
Soy esa llama que nunca apagaste
y aquel camino que postergaste.
Soy un caleidoscopio, soy cambiante
¿quieres conocerme? no te alejes
¿quieres olvidarme? no te engañes.

Agia Debra


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Dia do Amor

Como se fosse necessário evocá-lo num dia especial do ano!

O Amor, essa palavra tão enigmática e tão cheia de conotações, tão mal usada, tão desprezada e escarnecida, tão confundida e degradada.

O Amor pode ser o que de mais belo há nos sentimentos humanos, sobretudo quando é mútuo, entregue, puro e verdadeiro.



Aqui algumas frases sobre o Amor.

E uma foto que tirei por acaso numa das margens do Douro e que parece um coração enferrujado. Foi selecionado pelo GroupDK ontem, Dia dos Namorados.

Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade.
Albert Camus

Parece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca senti. Mas viver sem amor acho impossível.

Jorge Borges

O amor não é recíproco, é pessoal, nasce no mais íntimo da nossa identidade. Não é metade de nada, é um todo. Precisa do outro como fim, não como princípio.

José Luis Nunes

Quem fala de Amor não ama verdadeiramente: talvez deseje, talvez possua, talvez esteja realizando uma óptima obra literária, mas realmente não ama; só a conquista do vulgar é pelo vulgar apregoado aos quatro ventos; quando se ama, em silêncio se ama.

Agostinho da Silva


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

10 nódoas cinzentas - 50 Sombras de Grey


O filme " As 50 sombras de Grey" é um dos maiores "barretes" que enfiei nos últimos tempos. Apesar disso, fiquei até ao fim e não saí a meio como já me aconteceu duas vezes, talvez porque estava sozinha e a sala estava composta.

Na minha opinião, o filme peca por:

1. querer intitular-se de história erótica que não é. O genérico dos Jardins Proibidos é mais erótico do que qualquer cena deste filme. :).Não sei se é pornográfico, porque não rotulo filmes com esse tipo de conceito.

2. apresentar duas personagens que parecem vir doutro planeta. Rapariga virgem aos 20 e tal anos na América ??? Homem tipo robô, podre de rico que esconde uma câmara de tortura de mulheres na sua mansão???

3. conter incongruências enormes: o empresário não quer publicidade, mas deixa-se fotografar pelos repórteres, aparece em sítios públicos com a nova namorada e apresenta-a à Mãe!!???

4. escolher uma personagem feminina que está na faculdade, sem nunca a vermos em aulas ou num ambiente académico. Será que ela não tem vida própria???

5. A rapariga sujeitar-se a sevícias só para compreender o que o "namorado" quer dela.

6. não haver qualquer química entre o par. O actor é um canastrão. Ela é muito melhor, mas não me parece que se deixasse enredar num jogo daqueles.

7. A história é linear e monótona.

8. A publicidade feita ao filme é megalómana. E enganadora.

9. Comparado com filmes eróticos como O Ultimo Tango em Paris ou O Amante de Lady Chatterley, este filme desaparece da nossa memória ao fim de umas horas...

10. As críticas do IMDB são de 3, 8 em 10. Jorge Mourinha dá-lhe uma bola negra. E ainda não tive tempo de ler outras críticas.

Em resumo. Não vá, se não é masoquista. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Aquaterapia

Que bom é estar em contacto com a água!




Já me tinha esquecido do que era fazer exercício na água e hoje tirei a barriga de misérias, como soe dizer-se.
Voltei à piscina, não havia ninguém, durante horas estive ali feliz, o sol a dar na água, e na vidraça do solário, fazendo desenhos caprichosos e atraentes.

Quando estou na água, a minha história é diferente, fala do mar e das sereias...ando debaixo de água no mundo do silêncio, do espiritual, puro deleite, amnésia total em relação aos problemas...quase que me julgo na estratosfera...

A água é um dos bens mais preciosos, ninguém a poupa e todos a temos como garantida...que seria de nós sem água? Somos uns privilegiados.

Nadar faz bem a tudo. Fiz exercícios dentro da piscina e senti-me outra. Depois sentei-me ao sol, abri o meu iPad e estive a ler Still Alice no kindle.
O livro está-me a fascinar, é muito melhor que o filme e aprofunda a evolução dos sentimentos de Alice dum modo extraordinário.
Não há dúvida de que Julianne Moore a interpreta dum modo notável, mas a descrição no livro é espantosa, há toda uma paleta de emoções e estados de alma. de dúvidas e receios que são  impossíveis de retratar em imagens;  a descrição na 3ª pessoa, as frases e as palavras são mais ricas e generosas.

Ler num sítio público sossegado é mais fácil do que ler sozinha em casa, por paradoxal que pareça.

A Arcádia
dentro da Bertrand oferece um local excelente para podermos ler descansados.

A decoração faz-me sempre lembrar o meu Pai que era fã dos chocolates e nunca deixava de comprar bombons quando vinha ao Porto. Conheci-os muito antes de conhecer a cidade, onde, afinal, vim parar.