terça-feira, 15 de abril de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
A cidade
Não há dúvida que sair para o meio do barulho da cidade faz, por vezes, bem à psique.
Tendo a fugir dos carros, das pessoas, das lojas e do barulho por vezes ensurdecedor dos autocarros e ambulâncias. Oiço-os quase inconscientemente a descer aqui o Campo Alegre e fazem-me companhia enquanto me sento na sala a tricotar, a ler ou a ver TV. Já quase nem dou por eles a não ser que tenha a janela aberta no verão.

Hoje resolvi ir à Baixa nos transportes públicos e contei o tempo que leva uma deslocação destas. Levei precisamente 20m para chegar daqui, de autocarro, ao Bolhão que fica no coração da cidade e 30m para voltar, tomando o metro+autocarro. Quase poderia ter usado o mesmo bilhete para as viagens todas. Só estive a fazer compras durante uma meia hora, pois tinha fisioterapia às 13.30. Tomei um pingo no café, dirigi-me à Casa dos Linhos - uma das lojas mais antigas do Porto - e à Casa Rocha, uma retrosaria que vende lãs e linhas, à antiga portuguesa.

Lembrei-me da minha Mãe que adorava ir aos retroseiros na Rua da Conceição, onde passávamos um bom bocado a comprar linhas para ela bordar, tecidos, fitas, elásticos, etc.
As idas à Baixa sempre foram uma aventura íntima entre nós e a nossa Mãe, acabando com um lanchinho na Expresso ou na Ferrari ( onde se bebiam uns batidos de morangos como nunca mais bebi na vida). Íamos de autocarro - o 43 - que parava na Praça da Figueira e passava na Av- do Restelo, não muito longe da nossa casa. Bons tempos em que pequeninas coisas como estas nos davam um prazer imenso....eram as papelarias, os armazéns do Chiado ou Grandella, o Ramiro Leão ou o Paris em Lisboa onde comprei o tecido para o meu vestido de casamento. Penso que já não existem...
Ainda hoje gosto de lojas pequenas e detesto hipermercados , onde temos de andar kms para encontrar o que desejamos, embora reconheça que é mais prático, apesar de tudo. Adoro lojinhas com empregados antigos, que nos conhecem e sorriem....cada vez há menos, mas não há nada como ser bem tratado.
Cheguei à conclusão de que ir para o meio do barulho faz bem à alma, quase tanto como estarmos no silêncio dos parques ou a ouvir as ondas do mar...
Tendo a fugir dos carros, das pessoas, das lojas e do barulho por vezes ensurdecedor dos autocarros e ambulâncias. Oiço-os quase inconscientemente a descer aqui o Campo Alegre e fazem-me companhia enquanto me sento na sala a tricotar, a ler ou a ver TV. Já quase nem dou por eles a não ser que tenha a janela aberta no verão.

Hoje resolvi ir à Baixa nos transportes públicos e contei o tempo que leva uma deslocação destas. Levei precisamente 20m para chegar daqui, de autocarro, ao Bolhão que fica no coração da cidade e 30m para voltar, tomando o metro+autocarro. Quase poderia ter usado o mesmo bilhete para as viagens todas. Só estive a fazer compras durante uma meia hora, pois tinha fisioterapia às 13.30. Tomei um pingo no café, dirigi-me à Casa dos Linhos - uma das lojas mais antigas do Porto - e à Casa Rocha, uma retrosaria que vende lãs e linhas, à antiga portuguesa.

Lembrei-me da minha Mãe que adorava ir aos retroseiros na Rua da Conceição, onde passávamos um bom bocado a comprar linhas para ela bordar, tecidos, fitas, elásticos, etc.
As idas à Baixa sempre foram uma aventura íntima entre nós e a nossa Mãe, acabando com um lanchinho na Expresso ou na Ferrari ( onde se bebiam uns batidos de morangos como nunca mais bebi na vida). Íamos de autocarro - o 43 - que parava na Praça da Figueira e passava na Av- do Restelo, não muito longe da nossa casa. Bons tempos em que pequeninas coisas como estas nos davam um prazer imenso....eram as papelarias, os armazéns do Chiado ou Grandella, o Ramiro Leão ou o Paris em Lisboa onde comprei o tecido para o meu vestido de casamento. Penso que já não existem...Ainda hoje gosto de lojas pequenas e detesto hipermercados , onde temos de andar kms para encontrar o que desejamos, embora reconheça que é mais prático, apesar de tudo. Adoro lojinhas com empregados antigos, que nos conhecem e sorriem....cada vez há menos, mas não há nada como ser bem tratado.
Cheguei à conclusão de que ir para o meio do barulho faz bem à alma, quase tanto como estarmos no silêncio dos parques ou a ouvir as ondas do mar...
domingo, 13 de abril de 2014
Ontem
Almocei com o meu filho regressado de São João por 24 horas. Achei-o muito cansado e sobretudo, desmotivado para o trabalho da comarca que ele descreve como desumano. Diz que raras vezes almoça, por vezes sai pelas 5 para comer alguma coisa e volta para o tribunal, onde fica até tarde. Preocupo-me bastante porque o sinto mal fisicamente, a fumar muito e com necessidade de sono. Estivémos juntos umas duas horas, fui a casa dele arranjar-lhe um problema da caldeira ( as mães ainda são úteis) e depois vim-me embora, certa de que ele ia dormir uma sesta prolongada. Apeteceu-me deitá-lo, aconchegá-lo e fazer-lhe festas no cabelo como fazia quando ele era pequenino....mas enguli todos esses desejos, pois ele tem 33 anos e os gestos como as palavras têm de ser comedidos.
À tardinha fui jantar com a minha filha à Máscara. O sol estava a pôr-se, nem por isso muito belo, a neblina ofuscava o brilho do astro-rei. A lua ainda em crescente já assomava do outro lado. A paz era intensa, não se via muita gente, embora a noite estivesse quente , quase de verão, sem pinga de vento. O jantar estava divinal, resolvemos experimentar gambas em fondue e valeu a pena, os molhos estavam consistentes e os acompanhamentos muito bons. O sol morria no horizonte e ouviam-se músicas dos anos 80, que a minha filha reconhecia.
O futuro ainda está longe, mas pergunto-me: o que farei para o ano, quando todos os meus estiverem fora? Estas duas máscaras retratam bem os meus estados de espírito.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
O último
Hoje tenho a sensação de que fui a um velório.
Foi a despedida dos meus co-projectos editoriais.
O nosso projecto para o 11º ano Start-Up 11 foi apresentado com pompa e circunstância no Hotel Porto Palácio a uma centena de professores. Já tinha sido apresentado em Braga e na Póvoa. Amanhã segue-se Lisboa...e resto do país. Só irei a este, dado que não me sinto em forma para apresentar nada!
A minha colega Vanessa é que fez a festa com os vários elementos do projecto usando Powerpoint e ligações tecnológicas adequadas dum forma brilhante, como é habitual nela, mas eu fiquei com uma sensação esquisita, a de que estava num "caixão" ao lado, a ouvir alguém a falar por mim pela última vez. :)
Estou a dramatizar, é claro, a minha filha gostou da sessão e não ficou nada com esta ideia.
Vim para casa triste, depois de ter falado com a gerente-mor da PE ( senhora já com 80 e tal anos) durante alguns minutos.
Não espero grandes resultados nas adopções, o marketing destes materiais é demasiado agressivo e manipulador e muito pouco esclarecedor. Os professores são uma classe desconfiada e que não se deixa manipular facilmente, graças a Deus. Há pelo menos dez projectos de outras editoras para o mesmo ano, eles escolherão o melhor.
Sinto-me feliz por ainda ser do tempo em que os manuais não traziam as soluções ao lado, deixavam o professor usar toda a sua criatividade, não impunham os materiais audiovisuais a não ser que o próprio professor os quisesse usar, eram simples ferramentas, não uma panóplia de livros e CDs com oferta de fichas, testes, planos, etc.
Ainda bem que sou do tempo em que não havia Livro do Professor, explicando tintinportintin como se deve dar a aula e quais os objectivos da mesma. Tudo estava implícito e nós, professores e autores, éramos senhores do nosso tempo lectivo.
Sinto-me feliz, por, ao fim de 30 anos ( faz agora em Junho que saiu o meu primeiro manual), poder dizer que trabalhei muito e sempre dei o melhor que podia para que os professores tivessem ao seu dispôr os melhores ingredientes para as suas aulas. Houve alturas em que adorei o que fazia, outras em que foi um sacrifício colossal.
Mas agora basta, é tempo de me retirar.
Felizmente há memórias que ficam connosco e que nos recompensam de tudo o mais.
Talvez venha um dia a escrever um livro com recordações da sala de aula e do trabalho editorial....tenho tantas por onde escolher...
Hoje uma colega veio ter comigo e disse-me : o meu filho foi seu aluno no 12º ano. Chama-se Manuel Melo. ( Recordo-me bem dele, baixinho e muito esperto). Sabe que ele ainda hoje fala de si. Disse-me que foi a melhor professora que teve na vida! (sic)
Será que valeu a pena, apesar de tudo? I wonder.....
Foi a despedida dos meus co-projectos editoriais.
O nosso projecto para o 11º ano Start-Up 11 foi apresentado com pompa e circunstância no Hotel Porto Palácio a uma centena de professores. Já tinha sido apresentado em Braga e na Póvoa. Amanhã segue-se Lisboa...e resto do país. Só irei a este, dado que não me sinto em forma para apresentar nada!
A minha colega Vanessa é que fez a festa com os vários elementos do projecto usando Powerpoint e ligações tecnológicas adequadas dum forma brilhante, como é habitual nela, mas eu fiquei com uma sensação esquisita, a de que estava num "caixão" ao lado, a ouvir alguém a falar por mim pela última vez. :)
Estou a dramatizar, é claro, a minha filha gostou da sessão e não ficou nada com esta ideia.
Vim para casa triste, depois de ter falado com a gerente-mor da PE ( senhora já com 80 e tal anos) durante alguns minutos.
Não espero grandes resultados nas adopções, o marketing destes materiais é demasiado agressivo e manipulador e muito pouco esclarecedor. Os professores são uma classe desconfiada e que não se deixa manipular facilmente, graças a Deus. Há pelo menos dez projectos de outras editoras para o mesmo ano, eles escolherão o melhor.
Sinto-me feliz por ainda ser do tempo em que os manuais não traziam as soluções ao lado, deixavam o professor usar toda a sua criatividade, não impunham os materiais audiovisuais a não ser que o próprio professor os quisesse usar, eram simples ferramentas, não uma panóplia de livros e CDs com oferta de fichas, testes, planos, etc.
Ainda bem que sou do tempo em que não havia Livro do Professor, explicando tintinportintin como se deve dar a aula e quais os objectivos da mesma. Tudo estava implícito e nós, professores e autores, éramos senhores do nosso tempo lectivo.
Sinto-me feliz, por, ao fim de 30 anos ( faz agora em Junho que saiu o meu primeiro manual), poder dizer que trabalhei muito e sempre dei o melhor que podia para que os professores tivessem ao seu dispôr os melhores ingredientes para as suas aulas. Houve alturas em que adorei o que fazia, outras em que foi um sacrifício colossal.
Mas agora basta, é tempo de me retirar.
Felizmente há memórias que ficam connosco e que nos recompensam de tudo o mais.
Talvez venha um dia a escrever um livro com recordações da sala de aula e do trabalho editorial....tenho tantas por onde escolher...
Hoje uma colega veio ter comigo e disse-me : o meu filho foi seu aluno no 12º ano. Chama-se Manuel Melo. ( Recordo-me bem dele, baixinho e muito esperto). Sabe que ele ainda hoje fala de si. Disse-me que foi a melhor professora que teve na vida! (sic)
Será que valeu a pena, apesar de tudo? I wonder.....
terça-feira, 8 de abril de 2014
Cansaço
Hoje está um dia lindo.

Cheio de sol, céu limpo, com apenas algumas nuvenzinhas baixas. O sol é quente.
Não sei se por espirito de contradição, o meu corpo hoje ressentiu-se e muito com a mudança de tempo. Propositadamente, saí, fui até ao café, comi lá e dirigi-me depois ao Jardim Botânico para andar a pé durante uma hora. O ambiente era de paz, não havia quase ninguém, apenas um jardineiro, plantando uns malmequeres lindíssimos junto à fontezinha verde. Com o sol brilhante as flores do chorão sorriam para nós.
O meu corpo parecia que me pesava toneladas...doíam-me as costas, a nuca, as ancas e até a cabeça. Estava meio estonteada, não sei se seria a tensão, se outra coisa qualquer.
Sentei-me junto ao jardim dos nenúfares, onde gosto de descansar e depois, de novo, no banco de azulejos,
que no ano passado estava cheio de glicíneas em cachos e agora está quase vazio.
Não me sentia descansada...seria o barulho da VCI, que abafava o canto dos passarinhos, seria o facto do jardim estar meio fechado , com obras, nada aliciante, ou seriam as esculturas espalhadas pelo parque, quanto a mim ridiculamente colocadas nos meios dos canteiros ou penduradas nas árvores?
As flores bem querem crescer, mas o jardim está desalinhado, abandonado, triste. Só vi um homem a tratar das flores, pergunto-me porque não arranjam equipas de voluntários para trabalharem aqui? Já fiz esta pergunta há sete anos quando para aqui vim....seria fácil pedirem a estudantes de botânica e não só que se dedicassem a revitalizar partes do jardim mais carenciadas. Sei que isso se faz em Lisboa.
Restam-me as fotografias para meu consolo....
Cheio de sol, céu limpo, com apenas algumas nuvenzinhas baixas. O sol é quente.
O meu corpo parecia que me pesava toneladas...doíam-me as costas, a nuca, as ancas e até a cabeça. Estava meio estonteada, não sei se seria a tensão, se outra coisa qualquer.
Sentei-me junto ao jardim dos nenúfares, onde gosto de descansar e depois, de novo, no banco de azulejos,
As flores bem querem crescer, mas o jardim está desalinhado, abandonado, triste. Só vi um homem a tratar das flores, pergunto-me porque não arranjam equipas de voluntários para trabalharem aqui? Já fiz esta pergunta há sete anos quando para aqui vim....seria fácil pedirem a estudantes de botânica e não só que se dedicassem a revitalizar partes do jardim mais carenciadas. Sei que isso se faz em Lisboa.
Restam-me as fotografias para meu consolo....
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Já há muito
que queria pintar um quadro bucólico, que me recordasse a bela região onde o meu filho trabalha: São João da Pesqueira, em pleno Douro vinhateiro.
Fiquei apaixonada pela terra quando lá fui em Novembro. Nunca mais voltei, pois o trabalho da comarca é tanto que só iria importunar o meu filho....mas conto ir num cruzeiro quando o tempo estiver melhor.
As imagens ficaram-me aqui dentro....nunca mais me esqueço daquele miradouro S. Salvador do Mundo.
Ontem pintei este quadro. A foto não ficou famosa....mas gosto dela.
Fiquei apaixonada pela terra quando lá fui em Novembro. Nunca mais voltei, pois o trabalho da comarca é tanto que só iria importunar o meu filho....mas conto ir num cruzeiro quando o tempo estiver melhor.
As imagens ficaram-me aqui dentro....nunca mais me esqueço daquele miradouro S. Salvador do Mundo.
Ontem pintei este quadro. A foto não ficou famosa....mas gosto dela.
domingo, 6 de abril de 2014
Manuel Forjaz partiu
Tinha escrito há semanas sobre este Homem, que conheci através dum programa da TVI 24.
Hoje soube que faleceu, há umas horas. Senti a sua morte como se o conhecesse há muito, tal era a presença dele nas nossas vidas, através da sua mensagem, dos programas, do seu livro que li de fio a pavio em Leeds, da sua página de Facebook. Era uma Luz, mesmo sem o saber. Infelizmente o maldito cancro de que se ria, levou-o.
Fica aqui a minha homenagem a um Homem muito especial.
Funeral Blues
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.
sábado, 5 de abril de 2014
Nem consigo acreditar
Hoje cheguei às 400 visitas até agora.
Cada vez mais, será que é engano?
No meu primeiro blogue tinha 500 por dia, mas neste eram uns cem. Nunca pensei que aumentasse assim de repente, tanto mais que nada faço para o publicitar a não ser por a referência no Facebook só para amigos.
Estou bem contente, pois estas coisas animam-me numa altura em que sentia o mundo a desabar....
Hoje fiz este quadro. A foto não está muito boa....ficou com reflexos, mas gosto do produto final.
Chove sem parar, mas as plantas estão viçosas e a primavera vibra em todos os cantos desta cidade.
Hoje vi imensos caracois a subirem pelos muros das casas aqui da António Cardoso. Nunca tinha visto coisa parecida aqui. Em Esposende, onde vivi, a humidade era de 100% todos os dias e eu deixava apanhar os caracóis do jardim da casa dos magistrados quando me pediam.
Bem sei que faz falta o sol a muita gente, inclusivé eu. Mas ver as plantas cheias de gotinhas, as árvores viçosas à luz dos candeeiros aqui da rua e a a natureza toda resplandecente é lindo!
Cada vez mais, será que é engano?
No meu primeiro blogue tinha 500 por dia, mas neste eram uns cem. Nunca pensei que aumentasse assim de repente, tanto mais que nada faço para o publicitar a não ser por a referência no Facebook só para amigos.
Estou bem contente, pois estas coisas animam-me numa altura em que sentia o mundo a desabar....
Hoje fiz este quadro. A foto não está muito boa....ficou com reflexos, mas gosto do produto final.
Chove sem parar, mas as plantas estão viçosas e a primavera vibra em todos os cantos desta cidade.
Hoje vi imensos caracois a subirem pelos muros das casas aqui da António Cardoso. Nunca tinha visto coisa parecida aqui. Em Esposende, onde vivi, a humidade era de 100% todos os dias e eu deixava apanhar os caracóis do jardim da casa dos magistrados quando me pediam.
Bem sei que faz falta o sol a muita gente, inclusivé eu. Mas ver as plantas cheias de gotinhas, as árvores viçosas à luz dos candeeiros aqui da rua e a a natureza toda resplandecente é lindo!
sexta-feira, 4 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Down memory lane II - A Porto Editora
Voltei à Baixa para buscar os documentos do IRS, que a minha contabilista Teresa tinha guardado.
Ao receber aquele "espólio" de mais de dez anos de colaboração, senti como é penosa a perda duma pessoa como ela.
Falei longamente com o irmão, meu amigo também, poderíamos ter ficado ali a recordar tempos idos, tempos esquecidos, memórias do trabalho editorial na Porto Editora, o casamento do meu filho que ele fotografou. Conheci-o na PE, era um fotógrafo exímio e uma pessoa muito inteligente com um elevado sentido de humor, que é das coisas que mais aprecio nos homens.
Houve tempos em que as equipas de autores trabalhavam em uníssono com todos os outros elementos: designers, coordenadores, fotógrafos, ilustradores. Até promovíamos jantares todos os anos para festejarmos os bons resultados das adopções. Éramos amigos. Um dia gostava de voltar a reunir todas essas pessoas que contribuíram para o meu/nosso sucesso e que nunca mais esquecerei.
Hoje em dia, tudo é impessoal e extremamente constrangedor, a comunicação faz-se por emails e raros são os encontros. Não sabemos quem é o/a designer, não falamos com quem grava os textos, praticamente não há contacto físico ou visual. Deixou de ser um trabalho entusiasmante...parecemos robots, formatados pela editora segundo padrões muito duvidosos e, usando meios de marketing que ultrapassam tudo o que se possa imaginar...e que eu rejeito liminarmente.
Este ano faz 30 anos que foi publicado o meu primeiro manual. Chamava-se WORK IT OUTe saiu em 1984. Era o primeiro manual tamanho A4, proposta que fizémos ao Dr. Vasco Teixeira ( pai do gerente actual). Isso encareceu o manual pois saía do tamanho standard, mas, em contrapartida, privilegiava as fotografias que considerávamos essenciais para a compreensão dos textos. O manual teve um sucesso enorme e manteve-se bestseller durante mais de dez anos.Muitos outros se sucederam, trabalhei em manuais do 5º ao 12º ano durante muitos anos sempre com enorme entusiasmo, mesmo quando o ministério resolvia modificar os programas e tínhamos de cancelar todo o trabalho feito.
Nunca me lembro de estar sem fazer nada, comprava materiais variados, revistas inglesas, CDs de música, livros na Livraria Britânica. lá encontrava tudo o que precisava, não havia internet, essa só apareceu nos anos 90 quando elaborávamos o manual Prime Time 12, que também obteve enorme sucesso. Na altura, não sabíamos as percentagens de adopções, nada nos era revelado, só sabíamos que muitas escolas os usavam. E até familiares e amigos.
Hoje tudo isso me veio à memória. Sem saudades. Foi um tempo muito difícil da minha vida, em que trabalhava 12 horas por dia ou mais, com três filhos pequenos, quase exclusivamente a meu cargo...o meu ex-, que trabalhava durante todo o dia no tribunal, não concordava com as minhas opções, embora eu soubesse que ele lia os manuais de fio a pavio quando saíam e até sugerisse por vezes textos que eu poderia usar. No fundo, achava o meu trabalho capaz.Este ano tudo vai terminar, decidi que não farei mais manuais ou algo parecido.
Os métodos da Editora modificaram-se muito, a grande prioridade é o marketing e não os conteúdos. Não me adapto, nem consigo pactuar com certas decisões que só servem para nivelar por baixo e tornar os alunos cada vez menos aptos, mais aculturais.
Também tenho necessidade de tempo e espaço para mim e sobretudo, de não ter que obedecer a prazos.
Preciso de, finalmente, viver a minha VIDA!
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