sábado, 21 de novembro de 2015

60 anos depois


Quando tinha nove anos, os meus Pais contrataram uma espécie de "au pair" - chamavam-se Mademoiselles na altura -  para tomar conta do meu irmão mais novo que tinha nascido em 1955 e era o oitavo da família.

A minha Mãe tinha muito que fazer com uma casa enorme e tantos filhos e ainda a acompanhar os meu Pai na sua carreira de pediatria.
Vivíamos bem e esta foi uma experiência muito rica para todos nós miúdos.
Em certos aspectos faz-me lembrar a Família Trapp, embora a nossa Nelly Annaheim, suiça de 23 anos, não cantasse senão canções de embalar para o meu irmão adormecer.
Quando veio para Lisboa, a sua intenção era aprender português e concorrer a hospedeira de bordo, mas acabou por ficar connosco dois anos, voltando para a sua terra, Selzach na Suiça, ao fim desse tempo. Criámos uma amizade enorme com ela, aprendemos a falar Francês na perfeição e ainda tricots e trabalhos de mãos, num ambiente de respeito e carinho que nunca seria possível se ela fosse portuguesa.

Em 1958, a Nelly desapareceu das nossas vidas e nunca mais soubémos dela. Não havia telemóveis, nem Internet e as nossas viagens não passaram pela Suiça, a não ser numa ocasião em que o meu Pai foi a um congresso e a visitou na sua terra.

Há dias , uma das minhas irmãs recebeu através do FB um email duma senhora chamada Doris Eastermann, que se dizia filha da Nelly e andava à procura da nossa família por causa da sua Mãe.
Foi uma surpresa total. Enviava fotos da família já grandinha e  duas nossas em pequenas com a  nossa Amiga que agora tem 83 anos e  que, segundo ela, nunca nos esquecera e relembrava com saudades "os dois anos mais felizes da sua vida".

Como sei alemão, resolvi escrever um email à Doris nessa língua, pois o inglês dela não era muito bom e pelos vistos, ela não gostava muito de francês. Mandei-lhe umas fotos da minha família chegada.

Dias depois recebi a resposta feliz dela e enviei mais fotos da família mais alargada e outras antigas. A Doris imprimiu todas as fotos e levou à Nelly, que ficou muito, muito feliz.

Combinámos então que eles virão a Portugal em Abril próximo e trarão a Mãe que está ansiosa por nos voltar a ver. Continua muito bonita e doce, como nós a recordávamos.

Sessenta anos das nossas vidas.....e de repente, cai do céu ou do baú das memórias um pedaço do nosso passado comum.



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O Outono está a acabar....


Folhas, folhas, folhas pelo chão, atapetando tudo o que existe no jardim botânico: muros, escadinhas, pedras cheias de musgo, bancos, lagos, fontes e chão.





As árvores já estão a ficar com aspecto descarnado, os troncos despidos e as folhas ressequidas. 


Os nenúfares estão já em hibernação, enterrados ou à superfície muito frágeis e rodeados de folhas mortas. Na água reflectem-se as árvores e arbustos ainda alaranjados, fazendo efeitos magníficos. Não se ouvem os pássaros, mas sim os carros que rolam na VCI. Uma pena.




Há poucas flores, uma buganvília que parecia viçosa, algumas estrelícias e pouco mais. Vi um cogumelo vermelho, espécies raras aqui no jardim.



Hoje tirei fotos diferentes, curiosas sob certo aspectos. Há sempre surpresas neste local e é sempre um regalo passear sozinha pelas áleas cheias de sol. Um estilhaço num vidro da estufa dá uma foto abstracta fenomenal!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

É preciso desanuviar


E nada melhor do que o humor para nos evadirmos desta intricada crise....

Este relato da 5ª Sinfonia de Beethoven com legendas em português talvez ajude. Fez-me rir  à gargalhada quando ouvi pela 1ª vez há alguns anos. Agora está no Youtube. Enjoy!!



terça-feira, 10 de novembro de 2015

Paz e beleza

Não há nada melhor para a saúde espiritual e para combater o stress político do que sairmos num dia lindo de outono e respirarmos o ar puro do parque da Cidade, a melhor conquista da população portuense neste século.



Saiba que o Parque da Cidade é o maior parque urbano do país, com uma superfície de 83 ha de áreas verdes que se estendem até ao Oceano Atlântico, fato que lhe confere uma particularidade rara a nível mundial. Projetado pelo arquiteto paisagista Sidónio Pardal, foi inaugurado em 1993 (1ª fase). Em 2000, foi selecionado pela Ordem dos Engenheiros com uma das “100 obras mais notáveis construídas do século XX em Portugal”. Ao longo do Parque é possível percorrer uma longa rede de caminhos, cerca de 11 km, intervalados por diversas estadias.

Jornal Etc. & Tal

O parque é incrível...numa cidade pequena, ele ocupa um espaço enorme, como se toda a cidade o envolvesse. E não bastando isso, o mar surge lá ao fundo como epílogo.






É a Natureza feita espaço urbano, o verde a substituir o betão e a acariciar os meninos, as bolas, as bicicletas, os pares de namorados, os desportos, os patos, gansos e gaivotas....

É tudo tão belo que não consigo suster o desejo de fotografar.

O Outono com dias de sol é maravilhoso, muito mais bonito esteticamente que um dia quente de verão.




"Autumn Leaves"

The falling leaves
Drift by my window
The falling leaves
Of red and gold

I see your lips
The summer kisses
The sunburned hands
I used to hold

Since you went away
The days grow long
And soon I'll hear
Old winter's song

But I miss you most of all
My darling
When autumn leaves
Start to fall

Since you went away
The days grow long
And soon I'll hear
Old winter's song

But I miss you most of all
My darling
When autumn leaves
Start to fall


Frank Sinatra



sábado, 7 de novembro de 2015

as Artes na Natureza

Chamar a uma casa senhorial Casa das Artes
pressupôe uma vida artística intensa, exposições, cinema, fotografia, teatro. Há uns resquícios disto tudo a conta-gotas. Má divulgação e pouco desejo de inovar mantém a Arte em lume brando na sua Casa.

O mesmo não se pode dizer do belo jardim, que é pura Arte, conjugando aquilo que restou duma vida familiar e social com a criação natural. Todos os dias nasce e renasce Arte nos recantos do jardim e é só procurá-la com os nossos olhos.

Os diospireiros com a sua folha avemelhada,

 laranja e amarela confundem-nos de tão belos. Os frutos acumulam-se nas árvores ou caem para o chão onde morrem com as folhas, numa sintonia perfeita.

Os bancos de azulejo, já um pouco degradados, mas sempre bonitos, ajudam-nos a parar e a sentarmo-nos por minutos, contemplando o cenário à volta e respirando o ar puro, sem ouvir mais
que os pássaros e as vozes de crianças.

No lago reflecte-se a casa que um dia viu gente. Sabe todos os segredos da família Allen. Nós nada sabemos, mas especulamos...

Na parte de baixo do jardim, fica a sala de visitas, com o seu tulipeiro gigante, abraçando todo o mundo. Uma das árvores mais lindas que conheço,
incluindo as sequóias da Califórnia. Um monumento nacional que deveria ser visitado por toda a gente nesta época outonal. Ficaria ali muda durante horas, tal é o respeito que sinto por árvores como esta.

Um casal de ingleses admiram as pequenas esculturas espalhadas pelo jardim.

Encontro um cogumelo gigante mesmo junto ao auditório. Felizmente ninguém o pisou ou cortou. Está ali bem vivo e direito, junto à sua árvore mãe.

Saio pelo portão para a Rua Ruben A. Venho mais rica. Tenho o estojo da máquina fotográfica cheio de folhas, que usarei no Natal para enfeitar o presépio.



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A Baixa

Hoje tive de ir à Baixa para uma consulta.

A minha médica de há 35 anos vai-se reformar do consultório no fim do ano e isso causou-me tristeza, pois é uma senhora única, à antiga portuguesa, sem computadores, escreve tudo - mas mesmo tudo - à mão e leva o tempo que for preciso a observar-nos , a conversar connosco, a rir e a falar da vida. Vai-me fazer muita falta...

O consultório fica mesmo no coração da Baixa num prédio lindo da Rua do Bolhão. Não tem elevador, de modo que me custou subir os dois lanços de escada. Mas não esperei nada, nem paguei, pois era só para mostrar os exames que tinha feito em Setembro. Estava tudo óptimo, o que me animou, já me bastam os problemas ósseos. Saí de lá um pouco triste....há 35 anos nasceu o meu filho Zé e ela assistiu ao parto. Foram horas difíceis e desde então nunca mais deixei de lá ir.

Tomei um carioca de limão no belo café que abriu há pouco tempo mesmo no prédio do consultório. É lindo e moderno, não deve ter muita gente...o que é pena, pois merecia.



 

A Baixa é um local tristonho nos dias de chuva. A Casa dos Linhos, habitualmente tão cheia de senhoras "chatas" estava vazia. As empregadas muito sorridentes, a loja cheia de lãs e linhas, panos e paninhos, convidativa para quem ainda faz trabalhos de mão, que é o meu caso, graças a Deus. Adoro lojas antigas. Comprei uma quadrinho para a minha filha bordar, pois ando a ensinar-lhe vários pontos e ela está entusiasmada. Apetecia-me comprar tudo, mas hoje em dia já nem vale a pena fazer camisolas de lã, não há frio e os miudos não acham graça.


Poderia ainda ter passeado um pouco mais e até ido à casa Chinesa que tem tudo para cozinha exótica, mas ameaçava chover , de modo que meti-me num taxi para vir para casa.

Em uma hora fiz tudo.

O Porto é assim. Pequeno e cosy.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

5.00 am


Não consigo dormir....

Foi por causa dum pingo ( garoto) que tomei hoje pelas 5 da tarde. Não posso beber café, de modo nenhum. Alem do mais , causa-me falta de ar, tenho estado aflita para respirar...

Deitei-me às 2 e dormi 2 horas, acordei às 4 e a partir daí já estaria capaz de ir trabalhar....se ainda trabalhasse. Fresca como uma alface.



O silêncio da noite atrai-me. Não me apetece ouvir música, nem ver TV.

Apetecia-me pintar, mas fazia barulho e a minha filha dorme que nem um anjo.

Leio as patacoadas do FB, rio-me com algumas, preocupo-me com as notícias sobre os refugiados, as vítimas das cheias, os sem abrigo que dormem ao relento nesta noite chuvosa, sinto-me privilegiada por ter tanto e nem me importo de não conseguir dormir.

É a vida. Um dia morremos, mas nos outros estamos vivos. É o que interessa....

domingo, 1 de novembro de 2015

Na praia em Outubro

Hoje está um dia soalheiro, calmo e belo.



Diziam que ia chover, mas nunca acredito nas ameaças. O céu está quase limpo e o sol é quente. Não há vento nenhum.

Ontem fomos a Matosinhos. A ideia era ir ver o novo Terminal de Cruzeiros de Leixões, mas infelizmente, neste momento está fechado ao público. Fiquei cheia de pena, pois o meu filho João tem poucos dias livres e dispunhamo-nos a passear.

Fomos almoçar à Cufra, que fica no célebre ( e odiado por alguns) edifício transparente. Come-se bem e barato, mas os rojões não estavam famosos. Os meus netos mais novos portaram-se impecavelmente, mas estavam ansiosos por ir para a praia. E realmente valeu a pena. Encostámos junto à marginal e estivémos por ali a contemplar o mar e céu que estava digno de filme.











A escultura de João  José Silva , Tragédia no Mar, é impressionante e está muito bem localizada. Li na Wiki que foi dedicada às mães de 147 pescadores que morreram num naufrágio em 1947, ao largo desta praia.

Os meus netos deliciaram-se a fazer ginástica, a correr, felizes...e a comer castanhas...

Ao longe via-se o porto de Leixões.

Oiço pelas notícias que chove copiosamente em Quarteira...bendito Porto com sol!