domingo, 14 de junho de 2015

The meaning of life

Ultimamente tenho-me dedicado ao tema "sobreviventes do Holocausto" e aos seus legados, pensamentos e sobrevivência em situações extremas, que são extremamente positivos, surpreendendo-nos com atitudes duma dignidade , inteligência e visão da vida exemplares.

Há umas semanas li o Diário e as Cartas de Etty Hillesum, sugeridas pela minha leitora Miss Smile no seu blogue. Também comprei na Almedina um livro sobre ela, descrevendo a sua transformação durante os últimos anos de liberdade ( relativa) até à viagem derradeira para Auschwitz.
Esta personalidade quase desconhecida ( mas traduzida em português pela Assírio e Alvim ) dá-nos uma verdadeira lição de humanidade e coragem perante toda a espécie de adversidades a que foi submetida. Um simples arco-íris reflectido numa poça de água lamacenta a fazia sorrir...

Depois foi o caso de Maria Altmann, o filme Mulher de Ouro,
documentários e livro citados, também eles uma fonte inesgotável de informação positiva e de reconciliação com a vida, com os sentimentos e com a certeza de que enquanto cá estamos, podemos contribuir para a felicidade dos outros e para a nossa própria realização.

Ontem descobri mais uma obra notável através do Facebook.


Chama-se Man's search for 
Meaning e foi escrito por um psiquiatra judeu, Viktor Frankl, que sobreviveu a Auschwitz, embora todos os seu familiares tenham perecido, incluindo a mulher grávida.
Frankl decidiu escrever o livro em 1945 , depois da libertação,  para narrar os detalhes, o sofrimento e instinto de sobrevivência que ele testemunhou no campo de concentração.


O livro foi um best-seller na America quando o seu autor resolveu publicá-lo anonimamente. Segundo disse numa entrevista, o sucesso não se deve tanto a uma proeza da sua parte, mas à necessidade que os leitores têm de saber  mais sobre o significado da vida.

" I had wanted simply to convey to the reader by way of a concrete example that life holds a potential meaning under any conditions, even the most miserable ones. "

Neste ponto, Viktor e Etty assemelham-se muito. Enfrentam os problemas com a certeza de que "We are never left with nothing as long as we retain the freedom to choose how we will respond."

Vou para férias com estas leituras no meu iPad.

Serão um momento especial, um retiro e reflexão sobre o significado da minha vida. Sozinha com a minha filha, radiosa por estar junto ao mar, tenho a certeza de que todas as dúvidas sobre a minha existência se dissiparão.

                                                    A Natureza e o mar fazem milagres.





quinta-feira, 11 de junho de 2015

O quadro

Há dois meses fui ver uma exposição à Afurada.
Falei aqui da mesma e até coloquei as fotos de alguns quadros que no conjunto me pareceram mais interessantes e apelativos.

Devo dizer que não aprecio quadros figurativos que se limitam a "copiar" a realidade, mesmo que sejam perfeitos na sua imitação do real. Para isso, prefiro uma fotografia bem tirada e até a preto e branco de preferência.

Na altura, fiquei enamorada dum quadro da minha colega da Utopia Becas Laranjo, cujas obras já  elogiara anteriormente. Embora este não seja um quadro típico dela, é extremamente sugestivo, tem uma leveza e sobretudo um colorido lindíssimo. Resolvi comprá-lo e hoje fui buscá-lo à Utopia, onde recordei as horas que ali passei num óptimo ambiente e com colegas muito simpáticas há uns dois anos.

O quadro é realmente bonito, como podem ver.



Ainda não sei bem onde o vou pôr.

Na minha sala tenho um em cima do aparador que é meu, pintado a pastel e que poderia ser substituído, mas a moldura é enorme, o que dificulta colocá-lo noutro local.
Em cima do sofá tenho um da Teresa Vieira, minha Amiga,  que imita uma biblioteca em tons de castanho e ocre, que dá muito bem com o tapete e com o resto da decoração. É quente e habituei-me à sua presença.

O quadro em questão precisa de luz e a sala não tem muita, de modo que resolvi pô-lo no meu quarto para já.

Vejo-o todos os dias logo ao acordar e talvez me anime para o resto do dia.

É um quadro cheio de movimento e de luz. Ainda bem que o adquiri. É muito raro comprar coisas para mim e pareço uma criança entusiasmada.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O meu jacarandá


Todos os anos o visito.
Todos os anos o admiro na sua altivez e fragilidade.
É o meu jacarandá, o único que há nestas redondezas e, como diria o Principezinho,  é "unique au monde".
Para mim.

Há semanas quase chorei por pensar que ele teria florido sem eu dar por isso. Hoje ele brindou-me com as suas grinaldas lilazes, a beleza das folhas rendilhadas e a delicadeza das suas flores. O chão atapetou-se para eu passar e a luz esmerou-se para as minhas fotografias.

Enquanto viver e puder, estarei ali ao pé dele. É o meu jacarandá.





O jardim parecia que tinha rejuvenescido. Havia flores por todo o lado....mas nenhuma chegava ao meu jacarandá em cor e em suavidade.


domingo, 7 de junho de 2015

Maria Altmann

Há quem acredite que os sobreviventes do Holocausto são todos eles judeus arrogantes, sequiosos de vingança, traumatizados e incapazes de aceitar os factos da História.
O mesmo se pensa dos herdeiros dos "Nazis", que vivem sob o estigma dos seus avós ou familiares e do Holocausto.

O tempo não faz nem deve fazer esquecer, mas em muitos casos limpa os fantasmas e permite que as pessoas refaçam as suas vidas com dignidade e mais amor.

Tenho passado estes dias, desde que vi/li a fabulosa história de Maria Altmann em Mulher de Ouro, a extasiar-me perante esta personalidade tão carismática.

Maria Altmann perdeu tudo aos 22 anos, pouco tempo depois de casar; foi obrigada a largar os Pais e a sua Viena, fugir na calada da noite para Colónia, Amsterdão até Liverpool. Aí instalada com o seu marido durante 2 anos, foram obrigados a partir novamente quando a Inglaterra decretou que os cidadãos alemães ou austríacos não podiam residir no país, nem como refugiados. O casal conseguiu viajar até aos EU, onde viveram quase sem nada durante meses.

Mais tarde graças ao espírito empreendedor do seu cunhado Bernard abriram um fábrica de lanifícios semelhantes às que os Nazis lhe tinham confiscado na Europa com predominância para as roupas em cachemira, cuja marca Bernard Altmann foi uma das mais prestigiadas no mundo da moda nos anos 50-60. O meu Pai teve uma camisola desta marca, linda e macia como nenhuma.

Vi vários documentários que aqui vos deixo onde se pode descobrir esta Mulher, inegualável, com uma  doçura, classe e distinção acima de qualquer descrição.
É um prazer ouvi-la durante mais de uma hora a ser entrevistada por uma jovem da família Rotschild ou ver factos reais sobre a sua luta para recuperar os quadros de Klimt, roubados à família em 1938. O inglês é muito claro e pausado.




Entretanto através do Kindle adquiri  também um livro publicado há três anos The Accidental Caregiver- How I met, loved and Lost Legendary Holocaust Refugee Maria Altmann, escrito por Gregor Collins, um actor no desemprego, que aceitou o lugar de assistente e "caregiver" em sua casa nos três últimos anos de vida.  Maria faleceu com 94 anos em Los Angeles.

O livro escrito sob a forma de diário é fascinante e com um sentido de humor encantador.

Ainda há tanto por descobrir....


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Gold woman - a incontornável Helen Mirren

Cada vez mais me fascinam filmes baseados em acontecimentos verídicos e há histórias de vida muito mais interessantes do que ficção. A ficção permanece no celuloide, a vida real continua e é mais impressionante.

Hoje fui ver o filme Mulher de Ouro, que se estreou. A minha filha já me tinha falado nele, pois já o viu há umas semanas em Leeds e gostou muito.


O que me seduziu mais no cartaz foi a actriz principal: Helen Mirren.
Admiro-a já há muito e até de séries da BBC como o Prime Suspect, que comprei em DVD pela Amazon. É uma pessoa atraente , sem ser bonita, com uma personalidade cativante, mas cheia de personalidade. A sua performance em A Rainha valeu-lhe um Óscar mais que merecido, embora não tenha sido o filme dela que mais me cativou.


A mulher de ouro é o retrato de Adéle Bloch Bauer pintado por Klimt em 1905, pertença duma família de judeus abastados, negociantes e patrocinadores das Artes, que viviam em Viena num  ambiente aristocrático e num apartamento recheado de obras primas.
Na 2ª GG, os nazis fizeram um convénio - Anschluss -  com a Áustria e apossaram-se de milhares de obras de arte dos judeus, espoliando as suas casas e pertences e enviando-os para o exílio forçado ou para campos de concentração. Houve alguns que conseguiram escapar antes da razia total dos anos 40 fugindo para os EUA, que os acolheu sem terem nada de seu.

Curiosamente muitos deles conseguiram reconquistar a sua posição social e prosperar em negócios altamente inovadores, como lanifícios e outras indústrias. Neste caso, Maria Altmann, a protagonista principal do filme, instalou-se com o seu marido em Los Angeles, onde singraram no negócio de camisolas de cachemira, desconhecidas nos EU.

O filme narra a odisseia de Maria, sobrinha de Adéle,  durante as décadas de 80 e 90 - para recuperar os quadros de Klimt, que ela recordava dos seus tempos de criança e adolescente. e que estavam expostos na Belvedere Gallerie em Viena.

Um outro filme foi feito em 2007, contracenando as pessoas reais descritas neste filme. É um documentário e chama-se Stealing Klimt.

Nada mais conto para não tirar o suspense a quem não viu o filme.

Os críticos dão 1 estrela a um filme que me empolgou do princípio ao fim. A música de Hans Zimmer ( lembram-se de Gladiator?) é arrebatadora, os cenários lindíssimos, os flashbacks muito bem enquadrados, as personagens credíveis. Falta-lhe talvez um pouco de profundidade, o humor é um pouco forçado por vezes, mas o tema é interessante e tratado com delicadeza.

Saí de lá ansiosa por saber mais sobre a família Bloch-Bauer que desconhecia em absoluto.

Hoje em dia gosto sempre de pesquisar sobre personalidades e factos históricos. Estes filmes apaixonam-me.


Vão ver... se gostam de histórias reais. E da Helen Mirren. E da música colossal de Hans Zimmer. :)

terça-feira, 2 de junho de 2015

The best of boats and the sea

Aderi a este grupo há semanas e cada vez ando mais entusiasmada com as fotos relacionadas com barcos e com o mar ( faróis, costas, ondas, etc), um mundo lindíssimo pelo qual sempre senti um fascínio, seguindo o exemplo do meu Avô materno que era oficial de Marinha e escreveu sobre a relação dos Portugueses com o mar, sobre os descobrimentos e colonizações na India e em África.
A minha Mãe , que não sabia nadar, era uma apaixonada por tudo o que lembrava o mar e até escolhia quadros sobre esse tema preferencialmente.

Cedo comecei a adorar a praia,  de tal modo que só saía da água gelada de Carcavelos com os lábios roxos e porque me obrigavam. Era destemida e até me arrisquei demasiado muitas vezes, sendo enrolada pela rebentação numa manhã de marés vivas.

Quando me dão a escolher onde passar alguns dias fora de casa, prefiro um local perto da praia acima de todos os outros.

O cenário, o cheiro a maresia, a neblina, o horizonte sem fim, o canto das ondas, o piar das gaivotas, a areia dourada....tudo me atrai. Sem mar não conseguia viver...ou viveria muito mal. Mesmo quando estive a viver em Chaves, vinha ao Porto e ia até Leça ao domingo para olhar o mar. Era uma necessidade.

Esta semana o tema das fotos é  Close-ups- Boats B&W, ou seja macros de barcos a preto e branco.

Duas das minhas fotos foram seleccionadas já esta semana e tenho mais três de que gosto muito.

Aqui ficam , juntamente com uma canção que adoro dos Beach House: On the sea. 

O vídeo é curioso, um conjunto de desenhos a preto e branco a condizer com as minhas fotos.

Come aboard!!







segunda-feira, 1 de junho de 2015

Problemas

Não tenho escrito no blogue porque não me tem apetecido.

Vários factores contribuíram para essa ausência e se hoje escrevo, não é porque tenha visto ou fotografado nada de novo, mas porque tenho necessidade de desabafar.

A vida às vezes é complicada.

O meu filho que é Juiz teve de preencher os impressos para o Movimento que vai haver este ano. Levou 17 horas a fazê-lo. Parece incrível, não é?
Há umas 1600 vagas em comarcas do país e ilhas e ele foi forçado a classificá-las de acordo com as suas prioridades, desde a 1ª até à última, rezando para que não lhe dêem Porto Santo ou Flores, Seia, Sabugal ou Beja, entre outras. Até Julho vai ser "suspense", sem saber o que lhe caberá em sorte.
Há 4 anos que muda de comarca todos os anos. Em Setembro recomeça o trabalho de novo, com novos colegas, funcionários e casa arrendada para onde leva o essencial. Nunca sabe para onde vai ao certo, depende das listas e da antiguidade.

Pergunto-me como é que uma pessoa nesta situação pode constituir família, aspirar a estabilidade e paz de espírito. Os processos são aos milhares, os dramas familiares tiram-lhe o sono ( literalmente), as crianças institucionalizadas, as abusadas, as negligenciadas preenchem-lhe a mente ainda jovem.

Fala-me disso ao de leve quando nos encontramos aos sábados. Nesse dia procura lavar a alma e descobrir algo de bom que ainda persista em existir. Rimo-nos de pequenas coisas. Entendemo-nos bem. Ele foi sempre o meu filho mais próximo.


Hoje pensei nisto tudo enquanto deambulava pelo Botânico. Nem sequer levei a máquina fotográfica, tinha necessidade de espairecer.
O jardim botanico está, também ele, abandonado, parece que acabaram as obras, mas esqueceram as plantas, que são razão de ser deste local.
O jacarandá já começou a florir e talvez lá vá um destes dias fotografá-lo, é uma das minhas árvores favoritas. A árvore-chama estava linda, vermelha no meio do verde quase tropical das palmeiras e bananeiras. Esta foto foi tirada em 2012.

Senti a minha angústia projectada nas rosas sequiosas...

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O outro lado do Douro

Ontem fui ao outro lado do Douro, donde se disfruta da vista mais maravilhosa da cidade Invicta.

E é , sem dúvida, embora os navios da Douro Azul agora ocupem demasiado espaço do rio e o façam perder um pouco de magia.

Fui jantar ao cais com o meu filho que adora comida indiana. O Real Indiana estava vazio e ficámos numa janela aberta sobre o rio, ainda a tarde estava clara. A pouco e pouco o sol foi-se pondo, o rosa tornou-se roxo e o rio cada vez mais escuro. As luzes acenderam-se aos poucos e a cidade cinzenta tornou-se mágica com as suas torres quais silhuetas recortadas num céu rosado de sonho. A neblina aumentava a sensação de mistério.

Do Yeatman, onde fomos tomar um chá de menta, a vista ainda é mais bela, vendo-se os telhados das caves de vinho do Porto cor de tijolo escuro numa área considerável e em baixo o rio espelhado. O hotel é de luxo mas qualquer pessoa pode lá entrar, dirigir-se ao bar que tem uma varanda espectacular com  sofás, donde se disfruta do panorama à vontade. Ficámos ali quase uma hora, o meu filho e eu, encantados com aquele momento de mother and son  quality time!


No meio de tanto trabalho e stress, este meu filho consegue sempre proporcionar-me algumas horas de prazer renovado e vê-lo cheio de ânimo dá-me imensa vontade de viver para aproveitar todos os minutos da melhor maneira.


Ficam aqui fotos deste belo fim de tarde. Não me canso desta cidade e há sempre algo de novo que descobrimos ao fim de tantos anos....








terça-feira, 26 de maio de 2015

Fins de tarde no Douro


Já há bastante tempo que não ia à Ribeira. No ano passado, fui lá várias vezes com a minha filha em pleno verão e encantaram-me  a vista, o bulício e os turistas que se apinhavam junto aos restaurantes e no cais.


Ontem voltei lá com o meu filho. Fomos a um restaurante muito bom, chamado "O Bacalhau". Muito pitoresco e popular, este restaurante tem um menu bastante selectivo, mas com pratos tipicamente portugueses, como ovos verdes com alheira e açorda de camarão. Ambos estavam uma delícia, há muito que não comia nada tão bem confeccionado.


 Depois passeámos um pouco por ali a admirar o final da tarde, meio nevoenta.

Falámos da vida, coisa que já raras vezes acontece, visto que os kms que nos separam são muitos e ele não tem tempo para se dedicar à família como quereria. Uns contratempos obrigaram-no a ficar mais uns dias aqui no Porto, mas amanhã já partirá de novo rumo aos EU.


O Porto é Só...

O Porto é só uma certa maneira de me refugiar na tarde, forrar-me de silêncio e procurar trazer à tona algumas palavras, sem outro fito que não seja o de opor ao corpo espesso destes muros a insurreição do olhar. 
O Porto é só esta atenção empenhada em escutar osPASSOS dos velhos, que a certas horas atravessam a rua para passarem os dias no café em frente, os olhos vazios, as lágrimas todas das crianças de S. Victor correndo nos sulcos da sua melancolia.



     EUGÉNIO DE ANDRADE

domingo, 24 de maio de 2015

100.000 visitas



Halleluja! 

Bem hajam todos os que por aqui passam e deixam o seu perfume em palavra, em empatia ou no silêncio.

Fica aqui a minha gratidão em fotografia e em música.