É uma cidade linda, aconchegante, romântica, maravilhosa...sinto-me bem aqui.
Vim de Lisboa depois dum plériplo de cinco anos pela província. Não gostei da cidade nos anos 80, mas adaptei-me e entranhei a ideia de que era bem melhor que a capital.
Não tinha saudades de Lisboa, embora sentisse que este meio era mais estreito, mais tacanho em certos aspectos. Vivia numa zona feiinha, mas trabalhava tanto que nem tinha tempo para passear. Ignorei a Foz durante mais de 20 anos, quando queria ver o mar, o meu marido levava-me a Leça, que ele adorava. Eu achava tudo um pouco triste, comparado com as zonas chiques onde vivera durante 25 anos em Lisboa. Só tinha saudades da Linha, de Cascais e do Guincho, onde fora feliz na minha adolescência. As viagens de autocarro mataram-me o gosto de viver na capital. Tudo era longe demais.
A pouco e pouco enamorei-me desta cidade. Não propriamente das pessoas, que continuo a estranhar, pela sua rudeza e boçalidade em geral.
Apaixonei-me pela beleza do rio, a monumentalidade dos seus jardins, a originalidade da Foz, a proximidade do mar.
Não conseguiria agora sair daqui, a não ser que fosse para Inglaterra numas condições muito especiais, o que nunca acontecerá.
Ontem confirmei a beleza destas margens de sonho. Não há palavras para as descrever.
Curiosamente, o grupo Porto Photography que é bastante exigente, escolheu a foto com que inicio o post para capa do site. É uma honra.
Fui visitar a expo de Sophia, patente na Casa Andresen.
Adorei voltar àquela casa lindíssima com a luz do sol a entrar pelas janelas altas , iluminando as paredes buriladas em Art Nouveau.
A Casa é única e vale a pena ver mesmo sem exposições. Já lá entrei e até fui à clarabóia que tem uma vista soberba do jardim.
A expo é mais uma listagem de livros e pessoas que a amaram e admiraram, dezenas de escritores e personalidades que lhe dedicaram livros, escreveram cartas ou a pintaram. Nada tem de muito pessoal, deveria ter cartas, poemas, fotos que relembrassem quem ela foi enquanto Mulher, Mãe e jovem.
O esqueleto de baleia, que segundo Sophia, estava encaixotado na cave da casa está montado no átrio enorme e faz um efeito incrível como se pode ver nas fotos. Mesmo assim não enche todo o espaço.
Contrasta com a delicadeza dos desenhos nas paredes e nos tectos. Para já é um dos ítems da Exposição sobre a Biodiversidade que também está patente na Casa, mas que não fui visitar hoje.
Depois da visita, andei pelos jardins iluminados pelo sol. As camélias começam agora a inundar o espaço principal. São centenas de focos rosa, branco, mescladas a sobressair na folhagem verde forte. Uma beleza.
Há cerca de um ano, descobri os Calema, uma banda de S. Tomé e Príncipe, radicado em Portugal, que a pouco e pouco, através de telenovelas e programas de TV se tornou bem conhecida dos jovens, incluindo os meus netos.
Comecei a ouvir e as letras das canções diziam-muito , eram realista e verdadeiras. Acompanhadas dum instrumental de grande nível, fizeram os meus encantos durante meses. Os vídeoclips também me atraíram: paisagens das ilhas, passeios, mar, tudo muito belo e comovente. Ouvia-os continuamente quando passeava no Botânico e fazia luto pelo meu M. Ainda agora sinto um nó na garganta ao ouvi-las.
Ontem soube que os Calema apresentaram uma canção no Festival da Canção que não vi. Não tenho paciência , nem grande interesse por canções de festival. A canção deste grupo não foge à regra, não me parece ser nada de especial. Desejo~lhes sorte, pois me parecem ser muito talentosos, ainda que não ganhem.
Deixo aqui duas das canções deles que mais gosto : Casa de madeira e Vai
Inventas tanta coisa boa
Eu inocente caio à toa
Sem ter noção
Prometes me dar uma casa, de madeira
Lá na lua em frente ao sol
É tão fácil
Me iludires quando
Sabes que eu
Só tenho olhos pra ti
Teu silêncio
É o juiz quanto mais
Me condena mais
Quero te ver
Outra vez
Por mais que a vida desista de mim
O meu castigo é viver preso a ti
Mesmo que eu morra ao tentar
Te mudar farei mesmo assim
Porque tu
És só tu
Porque tu
Farei mesmo assim
Porque és tu
É tão fácil
Me iludires quando sabes que eu só tenho olhos pra ti
Ontem puseram no Facebook um aviso de que o fim de semana ia ser de muito frio e chuva. Nada de mais enganador. Quem desistiu de ir passear, fez uma grande asneira. Que me lembre, este deve ter sido um dos dias mais quentes deste inverno, com céu azul e sol quente, sem vento nenhum. Uma maravilha.
Fui à Foz porque não resisti. Apetecia-me sentir o cheiro a maresia - e havia-o - a frescura das ondas, olhar o mar de prata, que agora no inverno se espraia do lado do rio e que torna os contornos do farol e do pontão fantasmagóricos.
Sentei-me mesmo na ponta da esplanada , na última cadeira disponível e pedi uma salada de atum. O homem enganou-se e trouxe-me uma sande de atum que tinha mais pão que uma francesinha. Só comi um pouco do atum e da salada. O pão teve outro destino bastante mais útil do que aumentar a minha barriga: as gaivotas.
Andavam por ali saltitando de rocha em rocha. Atirei um bocadinho de pão e apareceram logo umas seis a querer apanhá-lo. Então comecei a atirar mais bocadinhos e num minuto tinha 40 gaivotas à bulha por um pedacinho de pão. Os pios e restolhada de asas eram engraçadissimos, outras pessoas fizeram o mesmo. Como estávamos na esplanada, elas não nos incomodavam, pois o pão caía na areia junto o mar. Gosto muito de gaivotas, são animais livres...
Havia também umas miúdas a brincar na água até um pouco perigosamente. Fotografei as suas coreografias.
Estar assim duas horas diante do mar é-me mais útil do que tomar medicamentos. Fico como nova.
O Manel faria hoje 73 anos. Festejaríamos todos juntos num restaurante bom e ele estaria feliz com os seus filhos e netos reunidos. Seria domingo, o dia da Família.
Infelizmente só estará presente na nossa memória, que essa não esquece.
" - Um dia vi o sol a pôr-se quarenta e quatro vezes! ...Você sabe....quando se está triste, é bom ver o pôr do sol...E estavas assim tão triste, meu homenzinho? "
A neblina caía sobre o mar e a praia de Matosinhos, dando a todo o cenário um tom pastel, que Turner saberia retratar, mas eu não! Sendo assim, fotografei e fiz um vídeo para mais tarde recordar...
O Jardim Botânico é uma espécie de oásis no meio citadino.
Embora o Porto não seja das cidades com mais betão, sobretudo nesta zona que seria nos planos ideais destinada a vivendas de altos muros e jardins apalaçados, estes espaços verdes são jóias a preservar, cada vez mais necessárias para compensar o CO2 expelido pelos automóveis que descem o Campo Alegre vertiginosamente, como se fossem cavalos ou búfalos do faroeste.
Quando vim morar para aqui, em 2006, em parte devido à doença da minha filha, senti a falta de convívio, as conversas nas lojecas mal afamadas da Ramada Alta, os passeios estreitos e cheios de estudantes da escola, as casas de tamanhos diversos, velhas e mal amadas.
Estranhei porque era, na minha óptica, trocar o povo pela pseudo aristocracia que considera esta zona da cidade a mais fina do Porto, quiçá queque, ainda mais do a da Foz.
Também estranhei porque as pessoas do prédio em que moro, nem sequer me davam os bons dias quando nos encontrávamos no elevador e parecia que levavam a mal nós termos ousado comprar um apartamento a uma família muito querida do resto dos condóminos.
Nunca liguei muito a esses pruridos sociais, habituada que fui pelos meus pais a considerar que somos todos iguais e, para mais, tendo vivido em mais de dez locais diferentes do país. A vida ensinou-me que devemos ser amáveis para todos e que um sorriso não custa nada...
Hoje estou plenamente integrada neste bairro, sou talvez uma das pessoas que mais aprecia o ambiente à volta, almoço na Confeitaria Botânica, um café modesto aqui da esquina, faço fisio na clínica por baixo da minha casa, converso com as senhoras do Spazo Zen, todos me conhecem e aos meus netos. Não fiz amizades, nem gozo de boas vizinhanças, mal conheço as pessoas que moram ao lado. Mas não me sinto mal e adoro passear nestas ruas largas, com árvores centenárias, lindíssimas, trazidas para cá por famílias das quais já só restam o nome, as casas e os jardins.
Hoje fui dar o meu passeio pós-prandium ( a seguir ao almoço) ao Botânico como é habitual nos dias de sol.
A diferença da semana passada para esta é abissal. A Primavera chegou com as malas todas: já ontem falei das magnólias, hoje falo das camélias que surgem nos cantos mais remotos do jardim, dos jacintos amarelos, das folhas de nenúfar que começam a emergir do fundo do lago e do verde que fere a vista por entre os ramos esguios das árvores de folha caduca.
Dá impressão que as gentes do Porto descobriram este ano o jardim botânico. Nunca vi tanta gente por aqui, são camionetas de estudantes, turistas de mapa na mão, jovens namorados, velhotes como eu, contemplativos...dantes estava vazio.
Gosto de silêncio, mas contraponho ao barulho dos adolescentes uma banda sonora minha que oiço com auriculares.
Hoje foi Morricone, que vos deixo aqui para acompanhar com um vídeo inspirador.
O meu neto André tocou esta peça em violoncelo no concurso Jugend Musiziert e ganhou um 2º Prémio. :)
Quando se alia a música à Natureza, descobrimos o Paraíso.
Não sei se as há noutras cidades do país. Provavelmente sim.
Hoje dei por elas num dos meus passeios favoritos pelos jardins da Casa Allen.
Estas árvores são as primeiras a florir. Em Fevereiro, já se vêem aqui na cidade, lindas, encorpadas, perfeitas na sua alvura.
As magnólias cor de rosa parecem coloridas para um casamento de princesa.
Conservam-se assim durante muitos dias, sem esmorecer nem um bocadinho. A petalas caem incólumes e espalham-se pela terra molhada.
Encontrei no blogue Vício da Poesia um poema de Luíza Neto Jorge dedicado a esta bela flor.
A Magnólia
A exaltação do mínimo,
e o magnifico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.
Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria — na metáfora —
necessária, e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.
A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,
um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.
Transcrito de Luiza Neto Jorge,poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001.
Adoro a noite, o espaço entre a meia noite e as 3 da manhã.
Há silêncio, fecho a TV e entrego-me ao prazer intelectual, que vai da simples contemplação de alguma pintura especial à leitura de poemas, entrevistas ou pensamentos de autores, cientistas ou meros mortais. Também escrevo no meu diário, leio cartas antigas, blogues, algo que me faça pensar na vida.
Gosto de ler no silêncio. Não preciso de música. Cada vez me fixo mais em citações que me dizem algo.
Esta semana li duas particularmente significativas:
Kahlil Gibran :
Sophia Mello Breyner :
A regra a seguir é esta: uma casa para todos e beleza para todos. E a beleza não é cara. É geralmente menos cara do que a fealdade que quase sempre se chama luxo, monumentalismo, pretensão. A beleza é simplicidade, verdade, proporção. Coisas que dependem muito mais da cultura e da dignidade do que do dinheiro.
Tão verdadeira é a primeira como a segunda.
O conhecimento de nós próprios até ao mais ínfimo pormenor é essencial para que possamos gerir os nossos passos e atingirmos alguma perfeição.
Podemos ser felizes com menos do que imaginamos ou ambicionamos. A beleza das coisas está no equilíbrio das mesmas e na empatia que sentimos por elas.
Talvez por que me obrigava a ir à Missa com a família, ainda que fosse crente. A caminhada para os Jerónimos, a cerimónia, os cânticos, anos e anos de rotina sempre igual, marcaram-me muito pela negativa e depois de casar com um anti-clerical ferrenho, abandonei por completo a minha militância.
Já nem sei em que acredito, não é certamente na Igreja Católica e nos seus faustos pomposos, que abomino. Também não é nas cliques sociais de gente bem, com quem sempre convivi na minha adolescência, pessoas que consideravam a caridade como algo que aliviava a consciência e ajudava os mais carenciados, mantendo o seu status e privilégios. Se não tivesse filhos e netos, dedicava grande parte daquilo que possuo a causas humanitárias. Faço o que posso, mas tenho sempre que contar com a doença da minha filha e com o futuro dos meus. Isso coíbe-me de fazer mais.
Não consigo compreender o que faz as pessoas dizerem que acreditar em Deus dá um sentido à vida, como ainda há dias li no FB.
Onde está o sentido da vida, se Deus permite todas as catástrofes e dramas que acontecem todos os dias em qualquer lugar do mundo?
Que sentido tem corruptos , ladrões, ricos e abastados viverem uma vida de nababos e de luxo quando 2/3 da humanidade sofrem as agruras da pobreza, da fome, da guerra e da injustiça?
Que Deus é este que permite tudo isto?
Penso como Sartre que o Homem é responsável por tudo o que faz: Man is condemned to be free; because once thrown into the world, he is responsible for everything he does.
Acredito na Natureza. Cada vez mais e só peço que a conservem para que possamos sempre disfrutar da sua beleza e paz. É a única riqueza que ambiciono. Mas exijo-a. Sem ela não posso viver. Não passa uma semana sem ver o mar. Tenho a sorte de o ter a 15 minutos de casa. O autocarro já me conhece!!
Hoje fui à Foz sozinha, pois os meus filhos iam ao Bessa ver o Boavista-Santa Clara. Pôs-se um dia de sol, tudo contrário ao que dizia o Yahoo weather que deva chuva para o Porto. Não caíu um pingo que que eu desse por isso, pelo contrario o céu está azul...
Na esplanada estava frio, mas o sol era quentinho. Comi um cachorro e bebi umas pedras de limão. Não tinha grande fome.
Depois fui ao Pingo Doce comprar ameijoas, pois quero fazer umas à bulhão pato, que ficam boas, em geral. Estava vazio, como eu gosto.
Vim de taxi, o autocarro esteve 3/4 horas sem vir e já estava cansada de esperar...sabe-me sempre bem vir para casa, deitar-me um pouco e respirar.
Resolvi recomeçar, não porque mo tenham pedido - esporadicamente talvez alguns amigos o tenham feito - mas porque ao relê-lo, achei que era um espaço meu, cheio de boas e más recordações, tal como uma casa onde se viveu durante algum tempo e onde ficaram pedaços de nós, pequenas memórias, muitas fotos e sobretudo comentários de pessoas que enriqueceram em muito aquilo que eu escrevi sem formalidade. E achei que devia voltar. Por mim e por eles.
Há 2 anos que escrevo o meu diário todos os dias ou quase e nele registo tudo com inteira abertura e confiança, pois é só meu, está protegido com password e ninguém - nem mesmo os familiares - podem aceder a esse cofre secreto.
Este ano dediquei-me mais ao FB, mas cada vez mais me convenço que não são esses posts fugazes e trocas ou partilhas que me dão satisfação. Servem - e bem - para conectarmos com o mundo à volta, encontrar pessoas que estão longe - familiares e amigos que não víamos há mais de 50 anos - alunos antigos ou colegas que nos querem bem. Também são óptimos para nos associarmos a grupos que apreciam fotografia ou artes. Aprende-se muito sobre coisas que nem sonhamos. Mas é só isso.
Num blogue abrimos a nossa alma. Escrevemos o que nos enche o "envelope".
Comprei um novo telemóvel que custou tanto como uma máquina fotográfica. É um Huawei com 4 lentes Leica, que se gaba de substituir qualquer máquina digital de topo. Isso não sei, só sei que me dá muito gozo andar com um objecto que pesa pouquíssimo e que me dá um enorme conforto e possibilidades criativas. Ando entusiasmada com o brinquedo.
Transponho para aqui um pedaço do que escrevi no meu diário há dias. Pode ser que interesse.
"Fui ao botânico e entretive-me a tirar fotos
em fisheye, muito giras. Já tirei várias da minha rua e achei graça ao formato.
Ficam
espectaculares, parecem de um conto de fadas...
Gosto de pôr aqui as fotos, dizem mais que
palavras....
Por hoje é tudo. Estou em frente à lareira....está-se bem aqui em casa. Á bientôt.