terça-feira, 1 de abril de 2014

Down memory lane - recordações

Hoje voltei ao Brasília, o shopping mais antigo da Península Ibérica, segundo reza a História.

 Quando vim viver para o Porto em 1979 era o único shopping que havia. Muito grande, com escadas rolantes - raras na cidade - lojas magníficas, tanto de roupas como de objectos de casa.

E a Caixa Geral de Depósitos, onde me depositaram o meu primeiro ordenado de professora aqui no Porto. A Brasília ficava a 15m de minha casa e era um passeio agradável pois aproveitava para estar um pouco na Rotunda da Boavista, o único espaço verde nas imediações.

Adorava ir lá, passava horas na Melody, a melhor loja de discos vinil ( e CDs depois) do Porto, onde chegava música clássica praticamente todos os dias. A loja pertencia a um casal de ex-alunos meus e tratavam-me muito bem, encomendando discos especialmente para mim. Fechou já há mais de dez anos quando o comércio da música praticamente faliu. Também passava muito tempo na Bertrand e na Nova Fronteira,

embora os empregados fossem extremamente antipáticos e os livros estivessem todos acumulados nas prateleiras com dificuldade de acesso. Depois ainda havia o cinema Charlot, onde vi belos filmes como The End of the Affair, o último, talvez, que ali vi. Foi num Domingo, sozinha a meio da tarde, nunca mais me esqueci.

Na Brasília, havia ainda a Ombambi, onde os meus filhos devoravam gelados em dias sim ( quando eu tinha dinheiro e os podia levar) de cone com sabores divinais. Eles ainda se lembram dessas saídas saborosas. E a Maconde, com roupa muito bem feita em Portugal a preços acessíveis. Faliu com muita pena nossa. Na parte nova, os meus encantos iam para uma fantástica loja de eletrodomésticos onde comprei a minha aparelhagem de som e leitor de CDs, o vídeo e um televisor.

Hoje fiquei pasmada com o tipo de produtos que se vendem no shopping. Parece uma feira com stands de bijuteria a granel. Era preciso que os milhares de pessoas que vivem no Porto usassem todas elas  centenas de peças e acessórios para escoar os milhares que se vêem por aí, hoje em dia, ao preço da chuva. Vi uns lenços muitos bonitos com incrustações de metal, faziam um efeito mesmo espectacular. Perguntei como se lavavam, pois os lenços de pescoço  se sujam com facilidade. O vendedor, sul-americano respondeu: Não se lavam, não é preciso!! :). Também há pefumarias em barda, com cremes a dar com um pau. Será que se vendem cosméticos assim a toda a hora?

O que me faz impressão é que as lojas de que nós precisamos por vezes - retrosarias, por exemplo - desapareceram completamente da cidade. Quer-se lãs, fio de crochet, agulhas ou linhos e não existem. É preciso ir à Baixa e não chegar lá à hora de almoço, pois todas elas fecham.Também já não há lojas de música em lado nenhum, a não ser a Fnac que tem um stock miserável de música clássica. É claro que se pode descarregar do I'Tunes, mas não é a mesma coisa....é como ler livros pelo Ipad.

A Caixa , em contrapartida está muito diferente. Já não ia lá há muito. Tinha combinado com a minha gestora de conta encontrarmo-nos as 2 e fui recebida imediatamente por uma rapariga competente, despachada e muito, muito simpática. estive a rever todas as minhas posses (!) e a conferir prazos e juros, que não param de descer. Fiquei contente porque tratamento deste não era habitual na CGD, nunca gostei de lá ir e tratava de tudo pela Internet.

Os tempos passam, as coisas mudam, umas para melhor outras para pior...não podemos ser saudosistas, mas as recordações ficam... e não voltam.

domingo, 30 de março de 2014

Nebraska - black & white



É um filme simples dum realizador americano que já deu provas mais do que suficientes. Nos seus filmes  mais populares como As Confissões de Schmidt, Os Descendentes ou Sideways, consegue retratar fielmente as difíceis relações humanas - familiares e não só - dum modo equilibrado, sensível, racional e emotivo.
Este filme parece antigo, out of date no tempo e no espaço, talvez devido ao uso do preto e branco, pouco luminoso, das panorâmicas vastas numa paisagem hostil, sem grandes atractivos, a não ser as estradas rectas sem fim que levam os carros dali para fora.
Por este filme se pode ver a importância que o automóvel tem na América profunda, onde as gentes nascem, vivem e morrem sem ter contacto com a civilização - ou aquilo que se considera como tal - em terras remotas, despovoadas e sem qualquer espécie de futuro.


A família existe para o melhor e para o pior nos filmes de Alexander Payne. Há disfunções , atitudes mesquinhas, invejas, rancores, manipulação...mas também há, subliminarmente, laivos de ternura para compensar os tons negativos que coloram as acções humanas. A família alargada é quase sempre cinzenta ou mesmo negra, a família nuclear, por contraste,  um ancoradouro onde é possível a paz e a redenção.

As interpretações - candidatas a dois óscares e ganhadoras dum prémio (de melhor actor para Bruce Dern) no Festival de Cannes - são convincentes, exímias tanto nas cenas de comédia como nas mais dramáticas. As segundas figuras apagam-se um pouco para as fazer brilhar, mas acabam por ser elas próprias os alicerces duma história credível e gratificante.

Não aconselho este filme a todos....embora no site Rotten Tomatoes ( o mais credenciado dos EU) lhe dêem 86% em 100..
Sei de muita gente que achará o filme "uma seca". Mas é um filme singular, tocante e profundo. Um filme que fica na retina e que nos fala dos grandes dramas que assolam orincipalmente os idosos deste mundo.

O filme leva-nos à conclusão de que nenhuma terra, seja ela qual for,  é... para velhos. 

sábado, 29 de março de 2014

Dança macabra

Hoje tenho andado numa dança macabra de sentimentos, numa autêntica paleta, que vai do mais soturno e mórbido até ao mais onírico e esplendoroso.

A realidade é, por vezes, cruel, dá-nos maravilhas com uma mão e tira-nos com a outra.
Contemplamos embevecidos espectáculos como estes e assistimos, quase logo a seguir, a cenas de puro horror e desgraça humana.

"É a vida", dirão os mais despreocupados,
"Deixa p´ra lá" aqueles que se estão nas tintas
"Como é que é possível?" perguntam-se os que realmente se doem por dentro como eu.
 "Que fazer?",  reagem aqueles que, de alma e coração querem remediar os males do mundo.

Mas não há respostas.

Estive umas três horas na Foz. Almocei na Tavi com a minha filha, estava-se bem, ainda que a comida tipo gourmet não me satisfaça assim muito. Saímos de lá para tomar café no bar dos Ingleses, que continuava igual a si próprio, o melhor sitio do mundo para se estar nesta cidade e gozar do mar, apanhando os salpicos, mas não a espuma das ondas que esbarram contra a rocha empedernida a que chamo de esfinge. O estrépito das ondas, hoje, era fulgurante e muitas pessoas hesitavam em se sentar nos belos sofás que agora têm na esplanada, onde nos podemos refastelar ( é o termo), lendo, olhando para o mar, dormitando, ouvindo música ou pura e simplesmente meditando na vida. Os sofás até dão para nos deitarmos com a cabeça apoiada a olhar para o céu ou para o mar.



Há meses, porém,  que não consigo desligar a minha mente da tragédia do Meco e, ao olhar para as ondas a rebentar na areia, vem-me uma angústia enorme, como aquela que senti quando o pianista Bernardo Sassetti caiu das falésias há uns anos. Durante meses não conseguia deixar de pensar no que se teria passado naquele dia e o porquê daquela morte estúpida.

A morte é sempre odiosa, mas há mortes que nos enraivecem, mesmo quando não conhecemos aqueles que ela levou duma modo hediondo e cruel.
 Não compreendo como é que seis jovens foram levados àquele limite e com que intenção, quero que aqueles pais sejam reconfortados com uma resposta plausível, quero que alguém seja culpabilizado, revolto-me com a atitude de quem se cala perante tanto sofrimento. Numa capa de revista  na tabacaria vi o sorriso do Dux, jovem bonito como tantos outros, cujo silêncio neste momento suscita toda a espécie de sentimentos até o ódio nas pessoas anónimas que acompanham as notícias.

Durante horas estive numa espécie de nirvana - em êxtase - em plena comunhão com a Natureza. Ouvir Vivaldi e Bach diante dum mar de prata e um céu salpicado de nuvens faz esquecer tudo, esvaziamos a nossa mente de pensamentos maus e cantamos hinos ao Criador: "Jauchzet Frohlocket"...

Até que a realidade nos chama de novo e nos diz que o nosso bem estar é um privilégio pois a vida é cruel.

No autocarro, onde muitos velhotes conversam sobre suas doenças, entra uma mulher com um filho ao colo e uma menina, uma miudinha. O miúdo grita : Não, não, mais de vinte vezes. Não sabemos o que é que ele NÃO quer. A filha olha para a mãe com olhos aterrorizados, a mãe berra para ela a ajudar. Diz-lhe exactamente isto : Porque tu és burra, és burra! Quem é que te disse para te levantares? Não vês que não é nesta paragem que saímos, que é no Lordelo? C............, não fazes p......dum c........., minha m........! ( sic). A menina terá uns dez anitos ( a idade do meu Daniel), é franzininha e parece assustada. Pudera! Saem do autocarro no Lordelo e os passageiros olham uns para os outros incrédulos. Ninguém diz nada, está tudo petrificado. Pergunto-me ainda agora: Como será a vida daquelas crianças?

Tanta beleza por um lado, tanta miséria por outro.....



sexta-feira, 28 de março de 2014

As árvores


Hoje deu-me para desenhar.

Passei parte da tarde - depois de o meu neto ter ido para a sua aula de violino e de me ter oferecido aqui um pequeno concerto - destaco a peça da Thais de Massenet que podem ouvir aqui e que me faz vir as lágrimas aos olhos - a desenhar árvores no inverno, sem folhas. A lápis de pau, como se diz na escola. Sem cores.

Oiçam o video abaixo e imaginem o que é ter um neto de dez anos de violino nas mãos com a sua camisolinha vermelha e calças de ganga a tocar isto para vós....é sublime e inspirador.

Ultimamente ando fascinada por Van Gogh cujo aniversário se comemora depois de amanhã. O livro que comprei Vincent's Trees é fascinante e quanto mais o leio , mais vontade tenho de desenhar: árvores, casas e até pessoas.

Outros pintores também pintaram árvores que me inspiram: Mondrian, Monet, etc.

Estou um pouco cansada de cores e do acrílico. A minha filha anda a pintar aguarelas num livro que comprou em Leeds, com desenhos de art nouveau. Ficam lindos com as cores que ela aplica da sua imaginação. Mas cansei-me de pintar a cor...e soube-me bem hoje só usar um lápis para delinear os troncos, ramos e pormenores das árvores no inverno.
Talvez me aventure a usar o pastel amanhã para tornar o desenho um pouco mais rico. Vamos a ver.

Hoje estava um fim de tarde fantasmagórico, a prometer grossa trovoada, que previ e aconteceu. Como ouvi a um velho num filme ontem: a artrite é o melhor boletim metereológico que existe! Sabia que ia trovejar e relampejar quando vi as nuvens a adensar-se no horizonte rosado do por do sol. Não levou mais de meia hora, caíu uma tempestade e chuva. Mas rapidamente sanou.

Fotografei a minha rua mais uma vez. Gosto dela nesta altura do ano, quando milhares de folhinhas brotam dos troncos negros e, dum dia para o outro, ou quase nos inundam de tons variegados de verde. Esta zona do Porto é talvez aquela em que se notam melhor as estações do ano, porque está rodeada de árvores e elas são a imagem viva da Natureza.

O mar tb reflete as estações do ano, encapelado ou mansinho, verde, cinzento ou azul, mas não é um ser vivo como estes áceres e carvalhos que vejo da minha varanda. Elas são a melhor companhia em momentos de solidão.
Se um dia for viver para um local sem árvores, acho que morro mais depressa...e não morro de pé.


quinta-feira, 27 de março de 2014

O vazio

Há dias em que, ao acordar, temos a sensação de que não vale a pena tanto esforço....

Apetece-nos fechar os olhos de novo, não sair debaixo do edredon, encostarmos a cabeça à nossa almofada ( tão diferente das que encontramos nos hoteis).

Recusamo-nos a abrir as persianas, mais vale nem ver se o céu está cinzento...

Nada nos faz mover....é mesmo o vazio.

Ultimamente, tenho receio de viver. São momentos de pânico levezinho, não chega a ser pânico a sério. Começo a pensar na vida, nos anos que me faltam, não consigo senão antever um futuro nebuloso e um pouco assustador, que passa pela doença, pela solidão, pela inquietação e ausências.

É só de manhã que me sinto assim e atribuo este estado de espírito à minha condição de incapacidade relativa, não poder andar livremente como dantes, não poder meter-me no autocarro e ir até à Baixa ver duas ou três lojas para me animar, ir até ao Pingo Doce fazer umas compras ou até ao Lordelo ao Chinês ou à florista. Tudo coisas simples que fazia ainda há um ano.

Este inverno deu cabo de mim...e pior, deu cabo da minha disposição. Trabalhei muito de Maio para cá, demasiada pressão, muitos desentendimentos com a equipa, um desânimo total em relação ao valor pedagógico do que já fazia há 30 anos. Estou com a ressaca, amarga e com vontade de escrever barbaridades contra o sistema editorial em que estou inserida. Mas não posso.


Para o ano nada terei para fazer...pelo menos não terei de dar contas do meu tempo.
A ninguém.
Ninguém exigirá nada de mim.
Ninguém precisará de mim. Mesmo ninguém. O que me assusta muito.

Oiço as notícias. Exactamente as mesmas que transmitiram ontem no telejornal. As mesmas imagens, os mesmos depoimentos, enchem o tempo de antena com a repetição de blocos iguais, repetitivos e depressivos. Só más notícias, cortes nas pensões, doentes que morrem sem ser socorridos, catástrofes naturais, corrupção, misérias humanas....um panorama mais negro ainda do que o céu que antevejo da minha janela.

terça-feira, 25 de março de 2014

40.000 visitas

Atingimos hoje as 40.000 visitas, o que me deixa muito feliz. Mudei o visual pondo uma fotografia que tirei na exposição de Serralves dedicada a  Alberto Carneiro. Ainda não consegui o tamanho ideal, mas enfim...

Tenho constatado que não há dia em que não venha aqui algum leitor.

Infelizmente, não sei as razões que os trazem.

Pois vêm da China, da Rússia ( imaginem lá) e da Alemanha, do Brasil, de Inglaterra...mas nunca escrevem comentários, de modo que deduzo terem vindo por acaso...

Agradeço a persistência de outros, que já considero meus amigos, que comentam, apoiam, opinam, acompanham e são-me muito queridos.

Sabe tão bem ler comentários ao fim do dia!

Espero continuar este blogue com optimismo e alegria de viver, apesar de as "minhas" cores nem sempre estarem em movimento :)

Happiness is looking forward to!




domingo, 23 de março de 2014

La solitude



Hoje estou na mó de baixo, o que é natural, depois da euforia de Leeds, a chegada, a visita dos meus netos ontem, a vinda rápida do meu filho mais novo, o jantar na Máscara....enfim, foi uma sucessão de bons momentos, que me deixaram vazia horas depois.


Todo o dia de hoje me assolou uma sensação de abandono e uma tristeza nostálgica.

O meu filho mais velho regressou dos EU e nem sequer me telefonou a dizer que tinha chegado. Propositadamente também não tentei contactar com ele e só agora umas horas  largas depois dele chegar,  é que o meu neto me telefonou, perguntando se eu tinha comido o pastel de Belém que ele me trouxe de Lisboa. Claro que o comi, quanto mais não seja em memória de tantos que devorei em adolescente. Morava a 10m deles e íamos lá por vezes, depois da missa do meio-dia. Mas ontem não o comi quando ele mo trouxe pois eram quase horas do jantar e não queria perder o apetite para a fondue.

A minha filha está sorridente e querida, mas saiu durante toda a tarde para se distrair e fazer a sua meditação habitual. Nada de novo. É excelente que ela o faça.

Estive a pintar e a arrumar algumas coisas no meu atelier e encontrei uma série de livros que me entreterei a ler quando já estiver só de todo a partir de Setembro. É isso é que me anda a deprimir,  ficar sem os netos ( nos EU durante um ano), sem a filha ( em Leeds) e sem o filho mais novo ( numa terriola qualquer por aí).

Vou sentir na pela o que é solidão. Não consigo encará-la com optimismo, já ando há meses a acordar de noite e a pensar como vai ser.

Os ateliers, os encontros culturais, os spas não substituem a família. E eu não tenho família aqui no Porto a não ser os meus. A música, a pintura, os concertos, os cinemas não substituem os sorrisos, os abraços, as meiguices dos meus netos.

Mas a vida continua...e eu já vivi o meu quinhão.

Continuarei a ir ao Botanico - onde tirei estas fotos ontem -  e a viajar para ver os meus meninos....isto se conseguir andar o que é muito duvidoso!

sábado, 22 de março de 2014

A Primavera chegou


sem ruído, com um ventinho gélido, sol enganador, ela aí está no jardim das maravilhas, que vejo daqui da minha janela da sala. Está uma luz estranha, rolos de nuvens negras acumulam-se no céu, prometendo uma noite de chuva.
Uma gaivota passou agora rente à Casa Andresen, como que a fugir do mau tempo. O vento parou. As nuvens mais baixas ficam douradas ao sol poente.

Hoje voltei ao Botânico. Já lá não ia há umas semanas. Uma parte está agora vedada ao público, o que torna o espaço mais reduzido. O café japonês fechou até Outubro. É preciso reparar as estufas e revitalizar uma parte deste espólio precioso. Mas custa muito, nesta época do ano, não poder percorrer as áleas todas...ver as folhinhas a nascer, o jacarandá florido! Cortaram as glicíneas quase todas e já não se veem as grinaldas arroxeadas, tão leves quanto os brincos duma princesa asiática, que adornavam as colunas de pedra e o banco de azulejos.

As camélias estavam lindas, mas, como sempre, havia mais flores pelo chão do que nas árvores. Enquanto vivas, uma perfeição. Depois de mortas , atapetam os caminhos para a noiva passar!

Fui ao meu local de eleição....sim, esse mesmo, o lago dos nenúfares. Ali estive sentada durante tempos infindos pois os ossos continuam a doer até dizer basta e não me permitem grandes veleidades
Esta união com as plantas e as árvores de grande porte - hoje não se ouviam os pássaros - enche-me de paz melancólica. Compreendo os artistas românticos e impressionistas que consideravam o contacto com a natureza algo de divino e pintavam o que viam, ou melhor, o que sentiam.

Transcrevo aqui umas frases do livro que comprei em Leeds sobre Van Gogh "Vincent's Trees". Estou a lê-lo aos poucos e cada vez me identifico mais com este pintor, cujas cartas ao irmão Theo se podem ler na íntegra na Internet.
Em dez anos, produziu uma obra admirável, quadros que nos deixam sem fala. Muitos deles , cerca de 45% retratam árvores e mesmo quando pinta figuras humanas, baseia-se em troncos, raízes, ramos esguios e ondulados. A Natureza em Van Gogh é algo de esplendoroso, é um hino ao Criador. Não se compreende o seu sentimento permanente de perda e pouca auto-estima..

Nature for Vincent, possessed a strong, emotional significance, he singled out trees as having a particular dynamic force and spiritual essence- an "expressions and a soul". "What I think is the best life, oh without even the slightest shadow of doubt, is a life made up of long years of being in touch with nature out of doors".








sexta-feira, 21 de março de 2014

A memória dos bons momentos


Há quem diga que o melhor das viagens é a recordação das mesmas...
Não concordo inteiramente com esta afirmação, mas acredito nela em parte.
Há momentos que se vivem na hora, naqueles precisos minutos... que uma ou mais fotografias nunca nos devolverão do mesmo modo...

Esta viagem a Leeds foi um bálsamo, quase uma catarse. Não, não estou a ser dramática.
Atravessava um período cinzento da minha vida, sem grandes expectativas para o futuro e, sem elas, a vida para mim, não tem encanto.

Por alguma razão, o meu lema de vida é Happiness is looking forward to, que traduzo por A Felicidade está no anseio por algo ou alguém, frase que li uma vez numa revista como tendo sido proferida pelo guitarrista dos Dire Straits, Mark Knopfler, uma banda mítica dos anos 80.

Ele acrescentava ironicamente: Há quem só anseie pelo almoço do dia seguinte...

Antes de fazer o check-in online na 3ª feira, perguntei à minha filha que tal se adiássemos a viagem para Maio. A expressão do seu rosto disse-me tudo. Imediatamente me arrependi de ter sugerido tal coisa. Só lhe disse: Vamos, vamos...mas vais ter que me aturar, pois estou com muita dificuldade em andar, para mais com malas...deu-me um abraço e os olhos luziam.

Aguentei esta viagem por ela. Porque sabia que voltar a Leeds é uma espécie de ritual que a mantém estável. Não me arrependo nada de ter ido. Foi muito especial também para mim.


Há locais onde volto sempre como o Hyde Park, a Headrow, avenida principal, a Briggate , rua pedonal com lojas maravilhosas,  aos cinemas do The Light, ao The Grand, teatro antigo do século XIX, ao Museu e ao Moore Institute.
Descubro sempre novos quadros, cada um deles uma pequena obra-prima que observo de novo, novas esculturas de Moore cheias de força e vigor,

Também há restaurantes que nunca falham, como o Nando's, cadeia portuguesa, espalhada em todo o mundo, o Bella Italia, o Red Hot e ao Le Rouge, com comida francesa.
Os pequenos almoços no Café Nero ficam na nossa memória gustativa,  logo pela manhã, assim como o shortbread com caramelo, delícia das delícias. da Bagel, confeitariazinha junto ao hotel.

Ontem quando saí no Porto, senti uma angústia enorme.

Mas cheguei a casa e tudo estava limpo e arrumado pela minha querida Sandra, cheirava a limpeza, até os sofás ela tinha lavado!! Havia sopa fresca no frigorífico, que me soube pela vida. Num dia só, limpou-me a casa, como se não houvesse amanhã....

Como não me sentir feliz?

Ainda por cima recebi uma mensagem de que o meu neto tinha arrancado o 1º Prémio em violino da sua categoria na 2ª fase do concurso, em Lisboa e tocava ontem no concerto dos Laureados no Coliseu da capital!!

 A vida é curta.....mas tão bela....!!


quinta-feira, 20 de março de 2014

No aeroporto de Stansted

Conheço este local como as minhas mãos...ou talvez melhor ainda, já que no outro dia me queimei violentamente numa delas e a pele caiu toda, ainda está a sarar, vermelha e sensível.

Gosto destes letreiros luminosos, destes placards com viagens que nunca farei e mile e uns posters de comidas, pratos, joias, acessórios, roupas, eletronica, etc. É o mergulho no mundo do consumismo, este baratinho, pois a Ryanair é praticamente dona deste aeroporto e só andam nela os menos abastados. Não tem 1ª classe, nem executiva - mas agora já tem lugares marcados dentro do avião o que é excelente.

Arranjei um sofá no Starbucks com cadeiras para pôr os pés ( hábito meu) e estou como nunca....

Deixaram aqui um jornal que diz que a Maddie foi raptada por um homem que atacou 5 raparigas inglesas. Espero que não estejam a arranjar um bode expiatório português para ilibar os McCann!!! :) Ainda não li a notícia!

Hoje foi mesmo a depedida, nada fizémos a não ser comprar uma tampinha para a lente da minha máquina que perdi no botanico. Esta tem um elástico que se agarra à máquina e não sai.

Vou ter saudades do belo hotel e sobretudo da educação das pessoas com quem se convive nas lojas, ruas, museu, restaurantes . São duma delicadeza impar aqui em Leeds, o mesmo não acontecerá em Londres, mundo cão!!

Bom, vou ver se me alimento, pois só comi meia sande de atu há quatro horas e estou a precisar dum brufen para ver se aguento a entrada para o avião. Para já não me doi nada....

See you in Porto!!!