sexta-feira, 9 de junho de 2017
terça-feira, 6 de junho de 2017
Sonhos
Aos vinte anos, o meu M. dizia que eu vivia a sonhar.
Antes e depois de casarmos, mas sobretudo nos primeiros anos de namoro, em que o futuro nos parecia estar no "cabo do mundo", vivia de sonhos.
Mal eu sabia que esse cabo existia aqui não muito longe do Porto!!
Sempre fui uma lírica, segundo ele, e muitas vezes não conseguia pôr os pés assentes na terra, encarar a realidade friamente.
É verdade , vivia de esperança e só de quando em vez, desesperava perante os factos, a ausência constante, as complicações e as dificuldades da vida.
A verdade é que esses sonhos me mantinham a Fé, algo que já perdi há muito. Ou então era a Fé que me alimentava os sonhos. Não sei. Endureci em poucos anos, deixei de ser menina para me tornar Mulher e como tal, enfrentei o Adamastor, sem medos. Nunca me faltou coragem. Faltaram-me talvez apoios.
Nunca teria sido quem sou agora, senão tivesse descido à terra. Por força das circunstâncias, durante quase 30 anos, tive mesmo de pensar na minha vida e nas dos meus filhos sem sonhos, aguentando o peso da realidade que, às vezes, era grotesca e insuportável.
Não estou arrependida das decisões que tomei, mas tenho pena. Pena de ter perdido aquela pureza de sentir, aquela persistência no optimismo, aquela centelha que me fazia andar pra frente contra tudo e contra todos. Cada dia era uma aventura e gostava da adrenalina depois de dar aulas ou de apresentar manuais, o desconhecido que surgia de não se sabe onde, a descoberta dum mundo novo, a certeza de que poderia vencer apesar de tudo...mantive esse espírito até bem tarde. Um Amigo meu dizia que eu não parava e que tinha um restless mind, uma inquietação permanente.
Hoje, depois do almoço, fui para o jardim da Casa das Artes.
Um oásis verde nesta cidade cada vez mais embetumada. Esta zona é a mais linda da cidade e sinto-me feliz de poder passear em locais como este, a dois passos de casa.

Acredito que nunca mais mudarei de casa depois de ter feito dez mudanças ou mais em quarenta e cinco anos.
Olhar pela janela da minha sala e ver dezenas de cambiantes de verde enche-me a alma.
Os áceres estão na sua máxima pujança, o jacarandá do botânico lindíssimo, os nenúfares incólumes depois da chuvada, as buganvílias magníficas. O tulipeiro da Casa das Artes parece uma escultura com os seus ramos entrelaçados em posições inimagináveis.
Ainda hoje levei os meus netos ao Botânico para eles verem o jacarandá em flor.
Perante toda esta beleza e pujança da Natureza, eis que, sem dar por isso, recomeço a sonhar...
I will run, I will climb, I will soar
I'm undefeated
Jumping out of my skin, pull the chord
Yeah I'd believe it
The past, is everything we were, don't make us who we are
So I'll dream, until I make it real, and all I see is stars
It's not until you fall that you fly
[Chorus]
When your dreams come alive you're unstoppable
Take the shot, chase the sun, find the beautiful
We will glow in the dark turning dust to gold
And we'll dream it possible
I'm undefeated
Jumping out of my skin, pull the chord
Yeah I'd believe it
The past, is everything we were, don't make us who we are
So I'll dream, until I make it real, and all I see is stars
It's not until you fall that you fly
[Chorus]
When your dreams come alive you're unstoppable
Take the shot, chase the sun, find the beautiful
We will glow in the dark turning dust to gold
And we'll dream it possible
domingo, 4 de junho de 2017
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
Tom Jobim
quinta-feira, 1 de junho de 2017
terça-feira, 30 de maio de 2017
Carta ao M.
Mais um escape até ao “nosso” jardim. Nunca vim cá contigo,
mas sinto te aqui mais presente do que nunca.
Cada dia que passa me custa mais saber da tua ausência.
É este o mistério do amor e da morte, e também da eternidade
daqueles que amamos. Estão vivos na nossa memória, como estes pássaros a cantar
aqui, indiferentes ao ruído da VCI.
Isto é tão lindo, tão doce, como os teus
beijos quando nos namorávamos. Apaixonados, sim, mas contidos. Sempre receosos do futuro que nos parecia longínquo.
Quem me dera
poder ainda beijar-te assim "perdidamente como quem sente que o teu sorriso vai
acabar..."
domingo, 28 de maio de 2017
Ersatz
Em alemão quer dizer substituto, sucedâneo, substituiçãoO português não abarca o significado total da palavra alemã. Eu traduziria esta por compensação moral e até consolação em certos casos.
Ir à Foz e ao Botânico tornou-se para mim um hábito desde que o meu marido morreu. Ir a qualquer destes sítios traz-me paz, ainda que não supere o desgosto da sua perda.
Todos os dias tenho-lhe escrito uma carta, como o fazia quando éramos jovens. Falo-lhe do que sinto, do que faço,extravazo o meu sentir, Sei que ele já não está cá, mas não consigo aceitar que o perdi e que nunca mais vou ouvir a sua voz. Todos os dias acordo para a realidade.
Ontem encontrei numa pen que ele deixou umas quadras que ele escreveu para mim em 2007, já nos tínhamos separado há cinco anos. Fiquei surpreendida, porque estavam no meio de muitos outros poemas sarcásticos e até chocarreiros sobre a situação na Justiça e no país.
As quadras não têm nada de especial e até poderiam ter sido escritas por ele aos 20 anos quando se dizia perdidamente apaixonado e lamentava estarmos sempre longe um do outro.
Mas pelo facto de terem sido escritos em 2007, senti uma emoção indescritível.
Aqui ficam estas quadras tão singelas.
NA CONCHA DO TEU OUVIDO
Na
concha do teu ouvido
hei-de deixar um recado :
sinto-me mal, sózinho,
por tu não estares a meu lado.
Na concha do teu ouvido
hei-de dizer a verdade :
como tu não estás comigo
dou-me
mal com a saudade.
Na concha do teu ouvido
vai ficar esta mensagem :
sem ti sou barco ancorado
que nunca parte em viagem.
Na concha do teu ouvido
hei-de deixar um segredo :
não me sinto bem sózinho :
eu, sózinho, tenho medo.
Na concha do teu ouvido
hei-de beijar-te ao de leve
com pena de ter-te amor
e do teu amor ter sede.
28/3/2007
quinta-feira, 18 de maio de 2017
Foz
Oceano Nox
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o vôo do pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente...
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente...
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão, onde se esconde
O inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...
O inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...
segunda-feira, 15 de maio de 2017
domingo, 14 de maio de 2017
Pobre país
Este embandeiramento em arco pelo Benfica ( se fosse outro clube a ganhar o campeonato, deixávamos de ser progressistas e realizados?) , pela vitória no Festival da Eurovisão ( por muitos considerado até aqui um fraco exemplo da Música a sério) ou pelo fenómeno de Fátima ( explorando a crendice mais baixa e a ignorância de todo um povo no tempo da outra senhora), deixa-me um travo amargo.
A Educação, a Saúde, a Ciência, a alfabetização ainda não chegaram a todos...para não falar do emprego, da realização pessoal e solidariedade social. Acho que um país que embandeira em arco com o futebol e um festival da Canção não é senão uma triste imagem de subdesenvolvimento.
Já a vinda do Papa tem outros contornos e muita sombra nos bastidores, que não ouso mencionar. E não me importo de ser considerada reaccionária ou pessimista ou lá o que seja, pois sempre lutei e trabalhei por um país melhor e dei o corpo ao manifesto em alturas cruciais.
Felizmente há luar....ou glosando o Luis Stau Monteiro....felizmente há o mar, esse é que é o nosso verdadeiro património civilizacional.
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