quinta-feira, 19 de maio de 2016

A Correspondência


Às vezes tenho receio de falar dos filmes que vejo, pois a minha reacção a eles varia de momento para momento e nem sempre o que escrevo corresponde exactamente ao que, dias depois, deles penso.
Tento em geral, não influenciar ninguém, mas gosto de expressar o que me vai na mente depois daquelas duas horas no escuro e no silêncio a assimilar uma história, uma situação ou um conflito, longe da realidade e do quotidiano, longe da minha vida e dos meus, imersa num mundo que é totalmente diferente e produto da imaginação de realizadores, argumentistas, actores e todos os outros que contribuem para nos proporcionar essa experiência única. São horas de evasão bendita.



Hoje fui sozinha, A minha filha foi ver outro filme à mesma hora, em que estava mais interessada. Na sala havia uma dezena de pessoas, todas elas já seniores.

Fui ver o filme principalmente por causa do actor Jeremy Irons, por quem tenho um fraquinho desde que o vi na série Brideshead Revisited, uma das séries mais maravilhosas que já vi. Gravei-a em vídeo, mas agora já nem tenho leitor. A música do genérico leva-me aos píncaros do sentimentalismo. O meu filho toca-a no piano...

Jeremy Irons é um actor carismático. A sua presença física, a voz, a classe são para mim de primeira água. Tem um "je ne sais quoi" que me atrai desde sempre. Vi os seus filmes todos, incluindo alguns mauzitos, como o Last Train to Lisbon, mas nunca me arrependi. E há algumas personagens que me ficaram na memória, como  o missionário em The Mission.

O filme A Correspondência é original e inverosímil, mas, por isso mesmo, mágico.
Fiquei presa a ele durante os 113 minutos que dura e, contrariamente ao que diz Luis Miguel Oliveira na sua arrogância crítica, não me aborreci nem um bocadinho.
Talvez encurtasse um pouco a história, mas o ritmo vagaroso ajuda a compreender o drama vivido por aquela jovem universitária - interpretada por Olga Kuryulenko - apaixonada por um professor muito mais velho e pela Astrofísica e as galáxias.

Pode haver um amor que sobreviva a tudo? Pode. Todos sabemos.
Pode haver imortalidade sem  presença física? Pode.
Pode haver comunicação depois da morte? Não sabemos.

Mas assim como se estudam as estrelas depois da sua morte, pode-se manter um grande amor depois do nosso desaparecimento.

É neste fenómeno que se inspira Tornatore - o realizador dum dos mais belos filmes que já se fez: "Cinema Paradiso".

E é nisso que acreditamos ao ver este filme tão dramático. Gostei muito....

11 comentários:

  1. Virgínia, parece uma adolescente a falar de certos actores, o que não é necessáriamente mau, evidentemente!

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  2. Isso é um elogio. Quem me dera preservar a inocência da adolescência. Lembro-me que me enamorava de todos os galãs, fossem eles loiros, morenos, mais velhos ou mais novos....
    Adoro cinema quando me faz apaixonar-me de novo, mesmo que seja só durante duas horas....

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  3. Eu sou demasiado racional e por isso já não me acontece!

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  4. Nunca se é demasiado racional...e um bom galã é sempre de apreciar... :)

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  5. Pelo que referes do filme estou com vontade de ir ver.
    Obrigada pela partilha
    Ab
    Regina

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    1. Eu também adorei, como a Virgínia diz e muito bem, só Jeremy para interpretar este filme, mais ninguém, ele foi a alma do filme....fez-me sonhar...

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  6. A forma como fala de certos filmes é contagiosa - dá-me logo vontade de os ir ver :) E a verdade é que gostei de todos os filmes que aqui recomendou. Por isso, faz muito bem em falar deles aqui.

    Um beijinho e um bom fim de semana :)

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    1. Coincidências....ou beaux esprits??
      Bjinho

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  7. Olá, Virgínia cá estou depois de de me ter ausentado na leitura de blogs...As vezes que venho ao computador é a correr. Ultimamente a minha vida não está fácil,nada mesmo...
    Já li os seus post todos em atraso e dois deles, este e um outro , evidenciam de forma tão compreensível, para mim ,a necessidade de, por vezes, ter o prazer de estar só...Enfim!
    Fui ver o filme que menciona. Ora bem, tal como afirma também me prendeu do princípio ao fim. Mais ou menos a meio ainda pensei que ia dar uma volta grande com aquelas mensagens de telemóvel, e-mails e telefonemas misteriosos. Não levou muito tempo para perceber a grande trabalheira obsessiva que teve o amante pela sua amada... Coloquei-me na pele daquela jovem, do seu sofrimento. Sou daquelas pessoas que vive as histórias de um filme e das suas personagens. Até sinto que estou para lá do ecrã (risos)Deve ser reflexos da tal paixão pela 7ª arte.Também constatei o que se pode fazer mesmo depois de morto com as nova tecnologias . Para além disso tenho imensa curiosidade pelos estudos astrofísicos. O pouco que descortinaram neste filme já me estava a interessar, mas esta parte não foi muito desenvolvida...Costumo seguir um programa no canal National Geographic com o astrofísico Neil Tyson que divaga em vários aspectos relacionados com os astros e assuntos do planeta Terra...
    Beijinhos.

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  8. Já tinha saudades dos seus comentários sempre tão interessantes. É pena que não tenha mais tempo para vir cá mais vezes. Gostei da sua crítica ao filme. Também vivo os dramas das personagens, sobretudo quando sofrem. Nas comédias, sinto-me mais distante e por vezes a mais. Não acredito que alguém se desse ao trabalho de deixar uma herança como a deste filme à sua amada - por muito que se esforçasse - mas gosto de uma pouco de inverosimilhança nas histórias ficcionadas.
    Sempre gostei do cosmos, lembro-me da série do Carl Sagan, que gravei religiosamente. Mas faz-me impressão pensar que o que vemos já morreu há muito...

    bjinho

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