quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Alma do Porto

É o nome dum grupo do Facebook, a que pertenço há uns meses.
Há mais grupos dedicados ao Porto, mas este, não sei porquê, tem-me cativado dum modo especial. Talvez seja pelas pessoas que dialogam entre si, pelos comentários e respostas, pela alma que transparece nas fotografias magníficas da Invicta.

https://www.facebook.com/groups/893858460681548/

Se alguém gosta desta cidade e aprecia os pormenores que ela contém na sua especificidade e cultura histórica, não deve deixar de consultar este tipo de sites, onde os fotógrafos, amadores ou não, nos alegram todos os dias com fotografias indescritíveis, mensagens amistosas, humor à Porto, poesia mais ou menos elaborada e um encanto muito nortenho e familiar.

Penso que a criadora do site é Nídia Sequeira, cujas fotografias nos deixam sem palavras.
Coloco aqui algumas - com assinatura - para os leitores verem.



Também aparecem outras fotografias igualmente belas. Como as de Alberto Costa Pinto:



ou as de Laurinda Teixeira, uma verdadeira artista, cujas fotografias parecem poemas.




É nestas alturas que me sinto extremamente inapta. As minhas fotos são belas para mim porque me recordam momentos únicos, mas em termos de técnica, nunca foram extraordinárias. Ultimamente uso só o Huawei, pois é leve e prático. Já há meses que nem sequer levo a Lumix quando saio.

Conhecer estes fotógrafos é uma honra. Mencioná-los neste blogue um dever.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A netflix: séries policiais de qualidade.




Aderi à Netflix, há uns meses e já vi muitas séries excelentes ao ritmo que quero, quando quero, com a adrenalina e o suspense necessários para que as histórias nos envolvam, as personagens deixem a sua marca, os temas fiquem a bailar na nossa mente.
Gosto de ler as reviews, os foruns de discussão, biografias de actores, depois de ter visto bem a série. É completamente diferente de ver episódio atrás de episódio durante semanas na Fox.



A Netflix contém séries, filmes, documentários, entrevistas, concertos, etc. e serve para crianças, jovens e adultos, podendo seleccionar-se segundo o perfil do utente. Pago, 9,99 $D por mês.




Já vi séries francesas, como Marseille, mas na sua maioria são americanas ou inglesas. A melhor que vi foi Broadchurch, mas há muitas excepcionais, como The Killing, American Justice, How to get away with Murder, The Good Wife, House of Cards, etc.

Estou cansada da Fox Crime, que acaba por ser repetitiva, ainda que transmita as melhores séries criminais do panorama britânico. Canso-me dos detectives sempre muito originais, dos ambientes rurais ou da cidade de Oxford, muito posh e rebuscada.

Ultimamente comecei a ver uma série que é quase um documentário sobre a Justiça americana, o sistema judicial, as condenações injustas, as confissões forçadas, as comunidades desprotegidas e ignorantes, etc.
Fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que , desconhecendo os seus direitos, são manipulados pelos agentes  da Polícia, de modo a confessar crimes que não cometeram, convencidos de que se verão livres do pesadelo que enfrentam nos calabouços dos xerifes. Muitas vezes essas confissões gravadas são as únicas provas apresentadas em tribunal, ignorando os procuradores outras provas que poderiam levar a novas e verosímeis pistas.


A ânsia de encontrar culpados, a ambição dos agentes em subir nas carreiras, a vulnerabilidade dos suspeitos, acabam por conduzir a uma condenação pesada por 12 jurados mal informados.
Revolta-me que isso aconteça, mas estes casos são reais, e em geral, fazendo uma pesquisa na net, leio mais sobre o assunto e chego à conclusão de que foi mesmo assim.

Não há invenção, nem parcialidade, apenas factos reais e entrevistas com pessoas antes e depois do crime. Mesmo quando se prova que houve um mau serviço da Lei, não voltam atrás e os presos continuam presos sem direito a liberdade condicional.

Este sistema tem sido muito criticado por escritores como John Grisham, por exemplo, mas não suficientemente exposto. Há séries como a fabulosa Rectify, que descreve a experiência de um condenado que é libertado 20 anos mais tarde por se provar a sua inocência.

Nada disto é muito uplifting, nem deixa a pessoa muito bem disposta como séries de humor, mas faz-nos pensar na vida e na injustiça a que as pessoas mais pobres ou mais vulneráveis estão sujeitas por incúria ou ganância de quem está no poder.

Deixo-vos aqui com o genérico de Broadchurch, música fabulosa e inquietante de Olafdur Arnalds.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Take my leave of you


Walk down to the water
Stare out across the blue
Look to where our love was stolen
I take my leave of you.


What I'd give to be unbroken
Find again the love we knew
But now with our past around you
I take my leave of you.


Shall we meet in the sunrise
Stand one last time as two
I'll look deep into your eyes
Can I take my leave of you?



                                                    Olafur Arnalds - Take My Leave Of You 




quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Há sete anos


Escrevi esta entrada do meu blogue antigo ( 2009-2012). Porque gosto dela e ainda penso e sinto exactamente o mesmo , transcrevo-a aqui e anexo a fotografia que tirei nessa altura nas rochas da Calheta onde passava férias em Junho.

Pode-se explorar nas cidades, nas casas, nas ruas, nos jardins, nos becos mais antigos, nos recantos escondidos, nas calçadas, nas escadinhas, nos sótãos ou em salões. Numa cidade, encontra-se sempre alguma coisa de novo, uma inscrição, um grafitti, um nome, um vestígio, traços , pegadas, riscos ou desenhos. Uma cidade é feita pelos homens e tem a beleza, a variedade e a fealdade dos que a habitam e a construíram. 



A Natureza, a verdadeira, tem dificuldade em respirar no meio de uma grande cidade. Ninguém apanha cardos, rosas bravas ou espigas. Compram-se flores a sério, cortadas ou em vaso, semeiam-se bolbos, plantam-se cactos, colocam-se-se árvores dentro de casa para simular aquilo que se não tem: a Natureza.
Saímos da cidade e encontramos uma explosão de maravilhas. A Natureza é pródiga em nos oferecer os seus encantos, prendas, simples ou sofisticadas, mas sempre produzidas por ela, sem recurso a nenhum artifício...os anos, os meses, os dias encarregam-se de moldar estas ofertas, a chuva, os ventos e o sol são os seus artistas privilegiados. Há esculturas na pedra que parecem feitas pelos homens, mas não são. Há plantas duma variedade infinita que nascem entre as rochas mais fustigadas pelo mar e onde se diria que nem os cardos poderiam alguma vez medrar, há arranjos florais lindíssimos na terra a céu aberto que nenhum de nós conseguiria inventar. É só preciso olhar, observar e admirar.
Nesta colagem vão os resultados da minha exploração de hoje à tarde, aqui a dois passos do jardim. 
Foi só descer as escadas...e a exploração começou. 
Bem haja a Natureza. É bom viver.



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ser eu









Não cobiço nem disputo os teus olhos
Não estou sequer à espera que me deixes ver através dos teus olhos
Nem sei tão pouco se quero ver o que vêem e do modo como vêem os teus olhos
Nada do que possas ver me levará a ver e a pensar contigo
Se eu não for capaz de aprender a ver pelos meus olhos e a pensar comigo.

Não me digas como se caminha e por onde é o caminho.
Deixa-me simplesmente acompanhar-te quando eu quiser.
Se o caminho dos teus passos estiver iluminado
Pela mais cintilante das estrelas que espreitam as noites e os dias
Mesmo que tu me percas e eu te perca
Algures na caminhada certamente nos reencontraremos


Ademar Santos

domingo, 3 de setembro de 2017

Anda comigo ver os aviões


É uma canção que me enternece, sempre gostei dela, embora não seja fã da banda.

Hoje fui sozinha não ver os aviões, pois não era essa a minha intenção, mas à Feira do Livro numa tarde cheia de sol, a convidar a passeio. Tinha pensado em ficar em casa à espera do jogo da selecção que se está a desenrolar agora, mas depois de ter ido almoçar fora com o meu filho, não me apeteceu voltar para casa. Ele deixou-me junto ao Palácio, onde gosto de passear, mesmo quando está cheio de gente. Já uma vez lá estive num S. João a ouvir um concerto e achei graça às pessoas sentadas e deitadas na relva, os picnics, o ambiente de festa que os portuenses amam.

A primeira vez que fui ao Palácio não conhecia o Porto, tinha 21 anos e namorava o M., que pacientemente, me mostrou a cidade a pé. Lembro-me muito bem do beijo que ele me deu às escondidas, num canto do  jardim.








 Hoje havia muitas mais pessoas todas na esperança de ver os aviões da Red Bull Air Race, ao vivo. Fiquei curiosa e aproximei-me dos locais donde se disfrutava a vista do rio, sempre belo, sempre azul lá em baixo.

Nas margens as pessoas apinhavam-se e em Gaia, viam-se formigas circulando dum lado para o outro. Consegui fotografar dois aviões em posições estratégicas, embora eu estivesse numa zona pouco propícia e não ousasse meter-me no meio da multidão.

Sentei-me num banco, donde se entrevia o rio por entre as árvores e só esse cenário sem aviões já valia a pena.

Por fim dirigi-me a uma espécie de morro, subi-o e sentei-me no meio das pessoas.



Infelizmente, já só passaram caças ruidosos a marcar o final da corrida.




As pessoas perguntavam-se se aquilo era tudo, pareciam um pouco admiradas, umas turistas francesas não percebiam nada do que se estava a passar e ainda lhes expliquei, mas elas acabaram por se ir embora.



Vim pela Feira do Livro que entretanto, estava pejada de gente. Mesmo assim consegui comprar dois livros, um que andava há muito à procura e que tive a sorte de comprar por 7 euros, a Nave do Loucos, do qual foi realizado um filme nos anos 60 que nos impressionou imenso, a mim e ao M. Discutimos por cartas as personagens todas, identificando-nos com duas delas. Estava morta por ler o romance, procurei-o no Kindle , mas não consegui. Já tenho que ler por semanas.

Foi uma tarde com o "povo" como dizia uma tia minha muito castiça. Ás vezes sentimo-nos bem acompanhados por pessoas anónimas.


sábado, 2 de setembro de 2017

Um oásis de paz

Se fosse a contar as entradas neste blogue que já escrevi sobre o jardim botânico do Porto, as dezenas de fotografias que já lá tirei, os momentos maravilhosos que aqui experimentei e conseguisse exprimir plenamente o que sinto quando lá estou, seria uma pessoa completa.



Podia fazer um livro sobre este local maravilhoso, que tenho a sorte de ver do outro lado da rua.

Não me contento com a contemplação das magníficas árvores da minha varanda, que vão mudando de cor segundo as horas do dia e as estações do ano.

Não, eu conheço-as de cor, visito-as constantemente, "falo" com elas mais do que com os meus filhos, oiço-lhes as mágoas da secura, da falta de cuidado, da falta de respeito a que são sujeitas.

Eu amo estas plantas e ficaria extremamente triste se um dia tivesse de me privar deste prazer espiritual que é passear pelas áleas iluminadas pelo sol ou sombrias devido aos enormes ramos que escondem o astro-rei. 

Como conseguiria passar sem me sentar durante horas naqueles muretes cheios de musgo em frente aos lagos de nenúfares, olhando o arco íris dos reflexos na água, sempre diferentes conforme o vento?

Descer as escadinhas com cuidado para não escorregar no musgo que atapeta os degraus, sentar-me num tronco das dezenas que lá há, respirar o cheiro do eucalipto gigante - agora circundado por uma vedação que nos proíbe de chegar perto - apanhar folhas das magnólias ou pétalas de camélias, extasiar-me diante da glicínea que cobre o banco de azulejos, tão antigo como os antepassados de Sophia, fotografar as flores, as rosas, as dálias, os hibiscos, os lírios, a lantana, as tulipas, os gladíolos, tantas e tantas cores e cheiros diferentes, tudo isto é um culto, uma religião. A minha.




Deixo-vos com a música que ultimamente oiço pelos auriculares enquanto passeio ou medito. Ela complementa o cenário na perfeição.








segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Back home

De regresso das férias na Praia da Luz, retomo o meu blogue que tem sido abandonado por várias razões:

1. Pouca gente comenta , mesmo muitas que o lêem e nunca sei muito bem se lhes agradou ou não o que leram.

2. Acho que hoje em dia com o FB as pessoas se desabituaram de ler blogues, acham chatos e desinteressantes.

3, Ando a escrever o meu diário desde que o M. morreu e já vou na pág. 204. Lá extravazo tudo o que me vai na alma, comento o que se passa, algumas cartas nossas que vou relendo e sobretudo descrevo os meus estados de alma. É um espaço completamente vedado aos outros, só para mim e para eu própria ir relendo com o tempo. Faz-me bem. Junto fotos a propósito que ficam bonitas com o texto.

Vir de férias é sempre uma sensação agradável. A casa parece-me mais cosy, tenho aqui tudo o que é meu, a minha Música, os meus quadros, os meus materiais, os meus livros, a minha almofada ( não menos importante....). A minha cama ontem com uma capa de edredão nova que comprei na Zara, toda florida, parecia de revista...


Sinto-me sempre um pouco só, mas com o Netflix e a música, a tristeza passa.

Hoje voltei ao centro do Porto, ao Bom Sucesso, que fica aqui a 10m de autocarro.
É uma zona moderna, gira, com pessoas e muita vida. Não me importava de morar por ali, embora aqui tenha muito mais árvores e espaços verdes.

Fui também ao cabeleireiro, pois a água do mar dá-me cabo do cabelo, fica seco como palha. Gosto do ambiente do Sanjam e já lá vou há anos.











Ando um pouco mal do meu joelho, fruto do esforço físico que fiz na praia, andava todos os dias 3km para cima e para baixo, calcorreava as rochas todas, subia e descia com alguma dificuldade, mas tomei banhos que me souberam para a vida. A água esteve quase sempre linda e transparente -à excepção de três dias de sueste, que muda por completo a fisionomia do mar. Nesses dias contemplo mais do que aproveito. Tenho receio de ondas grandes e que puxam, já uma vez caí e não é agradável. Os meus netos é que se divertiram com as carreirinhas, as pranchas e os mergulhos. Estar com eles foi uma benesse. Entendemo-nos às mil maravilhas e eles gostaram muito da experiência.

Tenho lido algumas cartas que escrevi há precisamente 50 anos da praia da Luz. Nunca consegui que o M. fosse lá enquanto nos namorávamos, mas escrevia-lhe todos os dias, sentada nas rochas que ainda ontem percorria....estão iguais, sempre lisas e quentes, feitas para uma pessoa mais nova se estender e apanhar sol, que é o que fazem os meus filhos. Os netos preferem andar aos saltos :).



A minha filha vem no dia 9 e já estou a preparar a vinda dela. Irei a Leeds levá-la e antes disso vamos as duas a Edimburgo, onde nunca fui. Estou com muita vontade de conhecer  a cidade, embora o meu joelho não esteja muito propício a grandes aventuras.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

De novo em férias



Já vim outra vez para a Luz.

Aqui está-se bem...é o paraíso.

Vou-me deixando embalar neste doce rimanço com os netos e filho, tudo calmo, tudo belo, tudo Zen.

Sou uma pessoa com sorte.


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Rimas?!


Não me Importo com as Rimas

Não me importo com as rimas. Raras vezes 
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra. 
Penso e escrevo como as flores têm cor 
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me 
Porque me falta a simplicidade divina 
De ser todo só o meu exterior 
Olho e comovo-me, 
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado, 
E a minha poesia é natural como o levantar-se vento... 



Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XIV" 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Floating II

O M. dizia que não podíamos ficar a "boiar" na vida.

Tínhamos de nadar contra a maré ou contra a corrente para poder chegar a terra firme.
Ria-se das minhas ilusões e idealismos e censurava o que ele considerava a minha "passividade".

Apesar de afirmar e escrever muitas vezes que eu lhe transmitia uma calma e paz que ele não encontrava em mais ninguém.



Tudo isto aconteceu quando nos namorávamos. Tentei, against all odds, provar-lhe que estava errado. Que não nascera para estar sentada, que era activa q.b., mas que precisava de momentos anti-stress, se não ia-me abaixo, não aguentava aquele ritmo infernal de Lisboa, casa enorme com família grande, viagens de autocarro de hora e meia para a faculdade, Instituto Alemão, catequese, explicações que dava a alunos fracos, etc. etc.
Estudando em Coimbra, ele não tinha a noção do que era estudar na capital. Mas quando vinha a Lisboa ficava derreado em dois dias :) .


Nos últimos anos da Faculdade, enquanto fazia a tese de licenciatura e as Pedagógicas - cinco cadeiras obrigatórias para quem queria leccionar - trabalhei num escritório das motos Honda e num lar de 3ª idade para expatriados. Mesmo assim consegui uma nota boa na tese, que defendi em 1971, e que. uns anos depois, foi abolida pelo governo socialista pós 25 de Abril. Entrei logo no mesmo ano em que a defendi para o estágio no melhor liceu de Lisboa - o Pedro Nunes - e no ano seguinte como professora agregada para o MªAmália, outro liceu excelente onde tinha andado. Não se pode dizer que me tivesse encostado à espera que o sucesso me caísse em cima. Tinha lutado muito para chegar ali. Sem ajudas nenhumas, pois a minha família não era propriamente encorajadora, pelo contrário. Tive de arcar com as despesas de livros e da tese propriamente dita do meu bolso. Não fui uma filha "grata" como alguns dos meus irmãos mais novos.

Anos depois, o M. reconheceu todo o meu esforço e capacidade de vencer na vida, testada a toda a hora, não só como Mãe, mas também como profissional. Censurava, então, veladamente a minha obsessão de dar o máximo, de pôr toda a energia ao serviço dos outros e de mim própria. Achava que eu "fazia demais".  Como ele o fizera sempre em Coimbra e continuava a fazer noutro domínio completamente diferente, a magistratura.

No Porto, comecei a trabalhar para a Editora aos 36 anos e colaborei em manuais escolares de Inglês do 5º ao 12º anos durante 30 anos, até 2013, ano em que dei a minha autoria por finalizada.  Para alem disso, fui professora efectiva da Escola Carolina Michaelis e ainda dei aulas de Inglês na Escola Profissional de Música, que fechou cinco anos depois de eu sair e no ISAI.

Nunca estive parada, adorava dar aulas, preparava-as à minha maneira com muita improvisação, com uso das tecnologias do tempo, criatividade, experimentação constante e até risco. Orientei mais de 50 professores estagiários, que se lembrarão de mim, espero eu, ao dar as suas aulas.

Não tenho vaidade nisso. Fui sempre assim. Muito teimosa e persistente no que me interessava.

Infelizmente, acabei por ter de pedir reforma antecipada por razões familiares ( doença da minha filha) e deixei as aulas após 37 anos de ensino, continuando a trabalhar em projectos escolares.

Nunca "boiei" na vida. Também nunca me afundei, creio eu.

Mas agora, desde que o M. faleceu,  só me apetece boiar,  recordar o passado, deitar-me a olhar para as estrelas, contemplar da janela as árvores a agitar-se com a brisa, ver as ondas desdobrando-se em rolos de espuma na Foz e ouvir música minimalista.

Deixo-vos aqui um vídeo espectacular. A música do compositor islandês Olafur Arnald é um extracto do soundtrack da série Broadchurch da BBC, uma das séries mais brilhantes que vi ultimamente.

Só assim me consigo aguentar ( mal) à tona.





quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Floating

Here I am
Floating in emerald sea
Keep me dancing
Keep me as still as can be
And I try to keep the balance right
And I try but it feels like wasted time

But these heavy hands
They're pulling me down on my chest
Latching on, coloring all of my flesh
Quietly, you hover over me
And I fight but it feels like wasted time

Say goodnight
I know that I'm swallowed in sea
We collide, colors that devour me
Just say goodnight
I'm already down
I cry
Already down

Already down
And I cry
Already down

And I try
And I try
But it feels like wasted




terça-feira, 8 de agosto de 2017



Eu não Quero o Presente, Quero a Realidade

Vive, dizes, no presente, 
Vive só no presente. 

Mas eu não quero o presente, quero a realidade; 
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede. 
O que é o presente? 
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro. 
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem. 
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente. 

Não quero incluir o tempo no meu esquema. 
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas 
                         como cousas. 

Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes. 

Eu nem por reais as devia tratar. 
Eu não as devia tratar por nada. 

Eu devia vê-las, apenas vê-las; 
Vê-las até não poder pensar nelas, 
Vê-las sem tempo, nem espaço, 
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê. 
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.


Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 

   Música do outro mundo. De Olafur Arnalds.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Foz, espaço zen
















Ir à Foz todos os dias.  Poucas vezes tenho feito esta rotina com regularidade mas, este ano, por razões de saúde ( mental) resolvi levá-la a cabo.

Vou todos os dias, quer faça chuva ( raras vezes) quer sol, quer esteja nublado, quer  esteja nevoeiro ( hoje cerrado até às 3, depois sol límpido), quer me levante cedo ou tarde., quer esteja deprimida, quer bem disposta...saio já munida do que preciso: óculos de sol, creme, Huawei, garrafa de água e auriculares.

Passo três a quatro horas junto ao mar e só não tomo banho porque não gosto da areia movediça que se escoa debaixo dos pés. Também já não consigo estar muito tempo deitada numa toalha ou sentada nas rochas,  o que faço na Luz com frequência.

Sento-me nas maravilhosas deck-chairs da esplanada dos Ingleses, com almofadas confortáveis, junto uma mesinha para poder almoçar, estendo as pernas e pouso as sapatilhas na rede em frente. Ali estou horas infindas, a ouvir música ( hoje os Alan Parson's Project, uma das bandas que mais ouvia nos anos 90) , a olhar para o mar, a tirar fotos caricatas, a mandá-las aos meus filhos com comentários jocosos e vice-versa.

 Reflicto muito e venho de lá completamente restaurada, como se tivesse estado num spa a cuidar de mim. Gasto 10 euros a almoçar ( hoje um prego no prato), não lancho nem bebo cafés. Só água, muita água fresquinha.


O que me leva a cumprir esta rotina, não é a minha paixão pelo mar, que a tenho desde que me conheço. É o ambiente sensacional daquela esplanada, a alegria da praia, as lojinhas da Rua Senhora da Luz, a pontualidade do autocarro 204.

É tudo tranquilo, sem sufoco, sem stress, sem discussões. Não se ouve um choro de criança ( é incrível, mas é verdade), um ladrar de cães, apenas os pios das gaivotas, as vozes discretas dos turistas, as rabujices veladas dos velhos, os risos dos jovens na areia, as brincadeiras junto à orla do mar, que hoje, rugia bem forte.

Naqueles momentos esqueço-me de mim quase. E esqueço-me dos meus desgostos e solidão. Fico feliz por ver tanta gente contente, despreocupada, sem problemas aparentes.











O M. dizia que eu ignorava os problemas, que lhes fugia sempre e que encarava o futuro dum modo demasiado optimista, idealista, como se nunca previsse vir a ter dramas. E se os tive! Mais do que esperava certamente quando era jovem e me apaixonei por ele. Ele receava a minha falta de preparação para a vida. Eu confiava na minha capacidade de dar a volta por cima.  Nem tudo deu certo, mas sobrevivi.

Neste momento ando na fase de projectar as férias e isso entusiasma-me. Vou à Escócia no fim de Setembro, a Edimburgo e depois a Leeds. Já há muito que queria conhecer essa cidade e resolvi fazê-lo quando a minha filha voltar depois das férias. Vamos de comboio de Stansted para Edimburgo, são umas 5.30, mas percorre-se todo o East Yorkshire que é lindo de morrer.

Na Escócia quero ir ao Loch Lomond um dos lagos mais bonitos do país. E ver Edimburgo bem. Já há muito que não vou a outra cidade britânica que não Leeds.

Hoje marquei hotel, ontem aviões, os comboios ficam para depois. Não é barato, mas são férias...

Happiness is looking forward to...o meu velho lema que já voltou.



Oiçam esta maravilha e entrem em modo Zen... :)