quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Cubismo home made


Dia da Mãe


                           
Isso era dantes.  Agora já não.

Mas os meus filhos lembraram-se e convidaram-me para ir almoçar a Leça.

Num dia esplendoroso como todos os que têm estado ultimamente, oferecendo-nos espectáculos inolvidáveis, panoramas de céus que parecem nunca mais acabar...






Hoje Leça estava vazia. Anda tudo a fazer compras, mas os meus netos deliram com a praia, as rochas, trepar e olhar lá de cima felizes.

Ainda estão na idade do amor ao espaço aberto, do prazer simples, da família aconchegada, Deus os conserve assim.


Vê-los a correr para mim pela areia a fora ou a ajudar-me a subir às rochas, a fazer caretas para as fotografias ou a contemplar o mar é uma benesse.

Adoro-os e só queria que esta felicidade se mantivesse durante longos anos.

Nada é melhor para nos animar.








Agora em casa, descarrego as fotos poucas que tirei com i'Phone e saboreio o silêncio da música coheniana, embalo-me neste swing e quase adormeço.




( foto do google)      placa com quadra de António Nobre

Na praia lá da Boa Nova , um dia
Edifiquei ( esse foi o grande mal)
Alto Castello, o que é a phantasia,
 todo de lápis lazzuli e de coral.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Gincko biloba - a árvore que a tudo sobreviveu


Há uns anos que nesta época do ano visito a parte mais funda do jardim botânico , onde se vê a maldita VCI e se ouve o ruído infernal dos veículos que a toda a hora por ali circulam.

Tudo por causa destas árvores que me supreendem sempre no outono - já no finzinho - com as suas folhas tipo pétalas douradas.

A delicadeza destas árvores é indescritível, parecem rendas que se espreguiçam nos seus ramos escuros e contrastantes.

Uma beleza que não dispenso, esta semana já lá fui três vezes e hoje levei os meus netos para eles as verem.




Por um sobrinho que trabalha na mata do Vidago - mais propriamente no campo de golfe - fiquei a saber que o seu nome em português é avenca. Conhecia as avencas de casa e tive várias. Eram lindíssimas, mas com sol quente murchavam. Não sabia que estas árvores se chamavam assim e lá no local só está o nome em chinês.

Transcrevo aqui um excerto da wiki, que me parece interessante. Fica aqui também o poema que Goethe dedicou a esta bela árvore e uma outra em espanhol de Elena Martin Vivaldi.

Ginkgo biloba, de origem chinesa, é uma árvore considerada um fóssil vivo, pois existia já no tempo dos dinossauros, há mais de 150 milhões de anos. 
É símbolo de paz e longevidade por ter sobrevivido às explosões atômicas no Japão.






Foi descrita pela primeira vez pelo médico alemão Engelbert Kaempfer por volta de 1690, mas só despertou o interesse de pesquisadores após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando perceberam que a planta tinha sobrevivido à radiação em Hiroshima, brotando no solo da cidade devastada. 
São árvores caducas, isto é, que perdem todas as folhas no inverno. Atingem uma altura de 20 a 35 metros (alguns espécimes, na China, chegam a atingir os 50 metros). Foram, durante muito tempo, consideradas extintas no meio natural, mas, posteriormente verificou-se que duas pequenas zonas na província de Zhejiang, na República Popular da China, albergavam exemplares da espécie. Hoje, a planta existe em praticamente todos os continentes e no Brasil há exemplares produzidos de sementes.
Goethe, famoso cientista, filósofo, poeta e botânico alemão, escreveu um poema sobre ele em 1815 falando da unidade-dualidade simbolizada na folha do ginkgo.



GINKGO BILOBA 
[ÁRBOL MILENARIO]
Un árbol. Bien. Amarillo
de otoño. Y esplendoroso
se abre al cielo, codicioso
de más luz. Grita su brillo
hacia el jardín. Y sencillo,
libre, su color derrama
frente al azul. Como llama
crece, arde, se ilumina
su sangre antigua. Domina
todo el aire rama a rama.
Todo el aire, rama a rama,
se enciende por la amarilla
plenitud del árbol. Brilla
lo que, sólo azul, se inflama
de un fuego de oro: oriflama.
No bandera. Alegre fuente
de color: Clava ascendente
su áureo mástil hacia el cielo.
De tantos siglos su anhelo
nos alcanza. Luz de oriente.
Amarillo. Aún no imagina
el viento, la desbandada
de sus hojas, ya apagada
su claridad. Se avecina
la tarde gris. Ni adivina
su soledad, esa tristeza
de sus ramas.
                                          Fue certeza,
alegria – ¡otoño ! - . Faro
de abierta luz.
                                        Desamparo
después. ¿Dónde tu belleza ?
                              Elena Martín Vivaldi

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Inspiração a guache



Apesar de não ter recebido nenhuns comentários sobre as minhas ultimas entradas, continuo a "expôr" aqui os quadros que vou fazendo ou encontrando pelas inúmeras pastas e armários da minha casa.

Hoje encontrei este guache que fiz ainda na Paleta, o meu primeiro atelier. Já nem me lembrava de o ter feito e foi uma agradável surpresa.

Também encontro alguns de que não gosto, mas enfim, são experiências que, na altura, me ensinaram o que é belo e o que não é.

O guache tem umas cores e um brilho que as aguarelas não têm. Quanto a mim é um dos materiais mais bonitos de usar.

Pena é nas escolas nunca usarmos estes materiais com criatividade, lembro-me de odiar as aulas de Desenho e de esborratar tudo!!


domingo, 4 de dezembro de 2016

Em veia bucólica


Sempre gostei de pintar paisagens, desde o início.

Vi muitos quadros figurativos em Inglaterra e em França quando era jovem pelos museus onde havia Constables, Turners, Manets, Monets, Van Goghs, etc.etc.  Em Leeds descobri o maravilhoso John Atkinson Grimshaw, que quse ninguem conhece.

durante os primeiros anos comprava revistas caríssimas de aguarelas e pintura em geral, livros de capa dura e olhava mais para as fotografias do que para o texto. Fiz alguns quadros baseados nas fotos que via....mas nunca coasguia - nem queria - copiar exatamente o que lá estava.


No outro dia o meu neto pediu-me que lhe oferecesse um quadro pelo Natal. Tem 13 anos e dorme num quarto onde estão dois quadros dos primeiros que fiz em pastel de óleo e que estiveram expostos na Utopia. Até há pouco tempo, ele não sabia que os quadros eram meus, pensava que teriam sido pintados por uma amiga alemã dos pais que já lhes ofereceu e vendeu muitos quadros.
Acrescentou que adora estar na cama a olhar para um dos quadros que tem uma paisagem de neve, muito simples...e que fiz para que o meu filho recordasse a "sua" Alemanha...


Também me disse que preferia quadros figurativos aos abstractos que lhes ofereci e que os pais têm por cima do piano. Gosto muito deles.

Este fim de semana fiz mais quadrinhos pelo processo que descrevi na última entrada. São paralelos, mas existem em separado! As fotos não estão famosas por causa dos reflexos.




 Aqui ficam juntamente com poemas de Alberto Caeiro, o poeta que, para mim,  melhor apreciou e interpretou a Natureza.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Alberto Caeiro - Cancioneiro

Criações artísticas

Esta semana andei a experimentar novas técnicas pictóricas, sem grande ciência nem estudo, apenas com a intuição e espontaneidade...

Fiz três quadrinhos todos eles a partir dum quadro maior pintado a aguarela que sacrifiquei.

Cortei um quadrado de (10x10), um rectângulo (10x15) e um pedaço aleatório que escortinhei em pedacinhos.

Montei três quadros com esses pedaços do quadro maior e gostei do efeito. Não sei se gostam , mas tenciono continuar, ainda há muito a fazer :)

Bom Domingo!




sábado, 3 de dezembro de 2016

Pela cidade



O Outono e o Natal não se conjugam muito bem.

O Natal exige muito frio, neve se possível, cachecois, árvores despidas com luzes penduradas, ruas mais escuras e tristonhas.






O Outono, este ano, resolveu brincar ao Natal. A cidade nunca esteve tão linda - que eu me lembre - como nesta semana, em que as árvores resolveram manter as suas folhas, quais delas mais coloridas e mais belas. O Natal está aí, mas ainda estamos nas castanhas e nos tapetes de folhas secas.

Hoje estive no Botânico com o meu neto de treze anos e ele estava maravilhado com a beleza das árvores em abóbada tipo catedral.

Ver isto a três dimensões é de tirar o fôlego.


Depois fui aos Clérigos para comprar tintas e materiais para fazer prendas de Natal. A minha loja de eleição é a Sousa Ribeiro, que durante anos morou na Rua Sá da Bandeira e há pouco mudou para junto da Leitaria da Quinta do Paço, uma loja moderna, com tudo, mas sem o caché, a história, o charme da anterior.


Fiquei triste e as empregadas também estavam muito saudosas do espaço antigo.











Vim de autocarro, disfrutando da vista outonal da cidade ao fim da tarde. Nada melhor para nos manter à tona.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O Porto em fogo


OUTONO

O barulho das folhas secas 
carregadas pelo vento 
sem rumo nenhum 
não me afecta mais.

O meu corpo também
um dia se deixou levar
pelo vento
como se fosse folha
caída fora de estação.

Ademir Antonio Bacca


Praça da Liberdade

acer no botânico

acer no botanico
Avenida dos Aliados

Rua do Campo Alegre em frente à minha casa


Rotunda da Boavista ( tirada do autocarro)
portão Jardim Botânico





segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Há mar e mar



mas  o efeito deste elemento na nossa psique será sempre benéfico.




Viver junto ao mar, poder disfrutar desta maravilhosa paisagem sempre que se quer, é um privilégio extraordinário. Nunca me canso de o afirmar. 

Ontem tive um dia difícil e não dormi quase nada. Resolvi ir até ao mar, não sabendo bem onde encontrar consolo para a minha "depressão".



Nada melhor. Tive a sorte de encontrar uma cadeira livre, mesmo no extremo mais perto da praia e aí estive cerca de 3 horas, sem que tivesse consumido mais que uma água das pedras. O tempo estava magnífico, penso que não vi uma nuvem durante as horas que ali estive. Desta vez assisti mesmo ao pôr do sol, que não foi dramático como nos dias nublados, suave, belo, com o mar e a areia a reflectir os raios dourados. Fotos technicolor daquelas que se usam nos filmes românticos dos anos 50.




As ondas estavam altas e como sempre, atacavam o forte rochedo empedernido que fica mesmo em frente à esplanada. Parece um filme e quem quer faz um vídeo muito sugestivo. Eu fiz, mas ainda não percebi como o descarregar aqui.

O pôr do sol indescritível...

A beleza deste cantinho é impar. O site Porto Photography traz todos os dias imagens espantosas do Porto. Vale a pena conhecer o grupo.

https://www.facebook.com/groups/portophotography/?fref=ts

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Perde-se na chuva

Um Poema Que Se Perdeu





Hoje o dia é um 

dia chuvoso e 

triste 

amortalhado 
naquela monotonia doente dos grandes dias. 

Hoje o dia... 
(a pena caiu-me das mãos) 

Acabou-se o poema no papel. 
Cá por dentro 
Continua... 

Oh! este marulhar das almas no silêncio! 


Fernando Namora, in 'Relevos'