terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Novo visual

Para entrar em 2018, modifiquei o cabeçalho do blogue. Coloquei a foto dum quadro meu como é costume.


Este quadro que ofereci ao meu neto, no dia dos seus anos, foi pintado em pastel de óleo em 2010 no atelier Utopia, que frequentava na altura.
Fez parte duma exposição de quadros a pastel. Gosto dele pelas formas imprecisas das árvores e o colorido alegre das mesmas.

                                                        Bom 2018 aos meus leitores!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Venha 2018



Dois quadros novos para festejar o novo ano. E um Blessing de John Donahue:



Blessing - Poem by John O'Donahue







On the day when
the weight deadens
on your shoulders
and you stumble,
may the clay dance
to balance you.
And when your eyes
freeze behind
the grey window
and the ghost of loss
gets in to you,
may a flock of colours,
indigo, red, green,
and azure blue
come to awaken in you
a meadow of delight.

When the canvas frays
in the currach of thought
and a stain of ocean
blackens beneath you,
may there come across the waters
a path of yellow moonlight
to bring you safely home.

May the nourishment of the earth be yours,
may the clarity of light be yours,
may the fluency of the ocean be yours,
may the protection of the ancestors be yours.
And so may a slow
wind work these words
of love around you,
an invisible cloak
to mind your life. 

John Donahue

domingo, 31 de dezembro de 2017

The world of Steve McCurry


Há cerca de 30 anos foi publicada na National Geographic Magazine uma fotografia que impressionou o mundo inteiro. Tratava-se de uma rapariga afegã, apanhada de surpresa por um fotógrafo inglês, que visitava a sua escola. A expressão do seu olhar, semi-incrédula, semi assustada correu mundo e catapultou o autor para a fama, que já era alguma.

Ontem fui ver a Exposição na Alfândega do Porto. É impossível descrever as sensações que me assaltaram naquelas duas horas. O local é magnífico, a apresentação brilhante, a luz adequada, o ambiente óptimo.

As fotos são o que são. Entram por nós adentro, deixa-nos sem fala, desejosos de saber mais. Isso é possível com algumas, se tivermos um controle remoto que nos narra a história da fotografia pelo próprio autor. Fascinante.

Há muito tempo que não tinha experiência cultural deste calibre. A exposição acaba hoje, mas gostaria de a ter visto mais duma vez. Vale bem a pena.

Nos anos 90 comprei um livro Portraits de Steve McCurry da Phaidon e ontem estive a rever as fotos. Muitas não estão nesta exposição que abarca outros temas como a guerra, os refugiados, a religião, os costumes, a família, a pobreza dos países mais variados.  São rostos que ficam, imagens eternas.

Ficam aqui algumas das fotos que tirei.










A minha filha foi comigo. Aqui está ela no décor da exposição.  Apetecia-me fotografar :)



quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A ausência



Poema de Natal
Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.



segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Hoje de manhã






Hoje de Manhã Saí Muito Cedo


Hoje de manhã saí muito cedo, 
Por ter acordado ainda mais cedo 
E não ter nada que quisesse fazer... 

Não sabia por caminho tomar 
Mas o vento soprava forte, varria para um lado, 
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas. 

Assim tem sido sempre a minha vida, e 
assim quero que possa ser sempre — 
Vou onde o vento me leva e não me 
Sinto pensar. 

Alberto Caeiro

domingo, 19 de novembro de 2017

Finalmente outono II


Já tinha desesperado de ver as árvores vestidas de outono. Fui várias vezes ao Botânico, andei no parque da cidade, passava pelas ruas que habitualmente ostentam as cores maravilhosas e quentes desta estação e... nada.
Esta semana, parece que passou por aqui uma fada e a juntar ao tempo estival, temperaturas amenas e falta de chuva, veio o outono finalmente.


O jardim Botânico às 5 da tarde, com o sol já a por-se , mas a iluminar as copas das árvores e a permitir contrastes sol-sombra mais agressivos, oferecia um espectáculo inolvidável. 

Julguei estar no Brasil ou na Madeira, um lugar exótico, tal a profusão de cores e a beleza das espécies que fazem deste jardim algo muito especial.
  




Sophia de Mello Breyner escreveu uma carta ao seu querido Primo Rúben Andersen Leitão, vulgo Ruben A., na ocasião da sua morte, que fala desta casa e deste jardim. Eles melhores que ninguém saberiam apreciar estas cores e momentos.

Aqui fica a carta com as fotos que hoje tive a sorte de tirar. Também fica a música maravilhosa do islandês Olafur Arnalds, uma peça que considero genial.



Carta a Ruben A.

Que tenhas morrido é ainda uma notícia
Desencontrada e longínqua e não a entendo bem
Quando — pela última vez — bateste à porta da casa e te sentaste à mesa
Trazias contigo como sempre alvoroço e início
Tudo se passou em planos e projectos
E ninguém poderia pensar em despedida
Mas sempre trouxeste contigo o desconexo
De um viver que nos funda e nos renega
— Poderei procurar o reencontro verso a verso
E buscar — como oferta — a infância antiga
A casa enorme vermelha e desmedida
Com seus átrios de pasmo e ressonância
O mundo dos adultos nos cercava
E dos jardins subia a transbordância
De rododendros délias e camélias
De frutos roseirais musgos e tílias
As tílias eram como catedrais
Percorridas por brisas vagabundas
As rosas eram vermelhas e profundas
E o mar quebrava ao longe entre os pinhais
Morangos e muguet e cerejeiras
Enormes ramos batendo nas janelas
Havia o vaguear tardes inteiras
E a mão roçando pelas folhas de heras
Havia o ar brilhante e perfumado
Saturado de apelos e de esperas
Desgarrada era a voz das primaveras
Buscarei como oferta a infância antiga
Que mesmo tão distante e tão perdida
Guarda em si a semente que renasce


Junho de 1976
in O Nome das Coisas, 1977

sábado, 18 de novembro de 2017

Finalmente outono

colagem de fotografias tiradas da minha varanda


QUANDO

QUANDO O MEU CORPO APODRECER E EU FOR MORTA
CONTINUARÁ O JARDIM, O CÉU E O MAR,
E COMO HOJE IGUALMENTE HÁO-DE BAILAR
AS QUATRO ESTAÇÕES À MINHA PORTA.

SERÁ O MESMO BRILHO, A MESMA FESTA,
SERÁ O MESMO JARDIM À MINHA PORTA,
E OS CABELOS DOIRADOS DA FLORESTA,
COMO SE EU NÃO ESTIVESSE MORTA.




SOPHIA DE MELLO BREYNER

domingo, 5 de novembro de 2017

Waiting for the rain


You will say that everybody has seen landscapes and figures from childhood on. The question is: has everybody also been reflective as a child, has everybody who has seen them loved also heath, fields, meadows, woods, and the snow and the rain and the storm? Not everybody has done that like you and I, it is a peculiar kind of surroundings and circumstances that must contribute to it, it is a peculiar kind of temperament and character too, which must help to make it take root . . .  

Van Gogh, Vincent.  / letters