quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Caminhadas


Há umas semanas descobri a caminhada e ando mais entusiasmada que nunca neste desígnio de melhorar a minha performance física e perder peso.

Desde o princípio de Julho já perdi quase 6 kgs e , embora não se note tanto quanto isso, pois o peso distribui-se pelo corpo todo, a facilidade com que me movo é bastante mais notória.

O meu filho aplicou software no meu i'Phone, de modo que posso medir os passos que dou, saber as calorias perdidas, kms percorridos, etc. Um gráfico dá-me a noção do progresso conseguido. É espectacular.



 O local onde mais gosto de caminhar é a marginal da Foz, na parte de baixo onde não se vêem carros e só há mar e esplanadas. O cheiro da maresia inebria. Não oiço música, limito-me a andar e a olhar para o mar, parando de vez em quando para descansar.

Foi assim que fiz no sábado passado e na 3ª feira, num dia do Castelo do Queijo - Matosinhos até à Rua do Farol e da outra ao contrário da praça do Império até à Rua do Molhe, onde apanhei o autocarro para casa. São cerca de 2km, 5. E 4500 passos...

Em locais lindos como a Foz, andar é um prazer, sobretudo quando não está muito calor, como hoje. Há uma neblina ligeira que empresta à paisagem um certo mistério e nostalgia.

Ontem fui a um restaurante que fica a uns 800m daqui e andei muito bem. Também comi muito bem, em quantidade pequena. O Madureira's é o antigo Shakesbeer, que fechou há uns anos. Este abriu há pouco e parece-me promissor, pois a localização é boa, junto às Faculdades de Letras, Ciências e Arquitectura no Campo Alegre onde há várias residências de estudantes. Encheu-se enquanto comíamos, pois fomos cedo. Só tem um defeito. Há demasiados plasmas a dar futebol, o que dispersa a atenção e cria desconforto quando se conversa.

Os lombinhos de vitela estavam divinais, grelhados com um molho tipo café, acompanhados de couves cozidas e batatas fritas às rodelas. A carne parecia manteiga, já há muito que não comia carne tão saborosa e tenra.  1/2 dose deu para as duas e ficou em 9 €. A minha filha ainda pediu um pudim, mas eu já nem consegui comer mais nada. Foi um jantar divinal com a vantagem de nos fazer andar antes e depois da refeição.

Gosto do verão por poder andar na rua, sair de casa já ao crepúsculo, ver pessoas e luzes.
Tudo isto faz bem à alma e ajuda a adquirir a forma. Todos os anos descubro novas formas de emagrecer, nem sempre consigo manter, mas enquanto me esforço, sinto que vale a pena...


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Voltar a Sintra

Para mim, o Botânico é mesmo um microcosmo da Sintra que conheci há mais de 60 anos.

Nele encontro pedacinhos da minha infância e adolescência, recantos que são mesmo iguais aos que percorri enquanto jovem.
Passei férias numa casa com mata que ficava na Correnteza e dava para a estrada da praia das Maçãs. Todos os dias andava por entre as árvores, sentava-me no musgo, deitava-me a sonhar e escrevia histórias em cadernos comprados numa tabacaria do centro.
Foi o ano mais feliz da minha adolescência, tinha eu 13 anos. Era a época de ouro da minha família, os meus pais foram ao Canadá e EU e nós ficámos com os meus Avós, que amávamos incondicionalmente.

A minha paixão por Sintra é tal que foi lá que festejei os meus 25 anos de casada, embora já nessa altura o meu casamento estivesse muito tremido. Só lá dormimos uma noite, mas foi bom para recordar um sítio que considero dos mais belos da nossa terra.

 A humidade existente em serras como a de Sintra acentua-se depois dum temporal ou chuvada, intensificando dum modo quase inebriante os cheiros da terra, das plantas e das flores. Também acontece o mesmo aqui neste jardim.

Por isso, quando cai uma chuvada, vou sempre passear para lá, mesmo que me aconteça molhar as calças como hoje ao sentar-me num banco cheio de musgo húmido.
Respiro fundo, oiço o barulho da VCI à distância e impregno-me eu também dos perfumes da floresta. Durante uma hora parece que nada me pode afectar.

Compreendo que Sophia se inspirasse aqui e que escrevesse alguns dos seus contos mais populares. Não aprecio muito o género, mas reconheço que neste local há uma mística especial e é impossível ficar-se impassível.

Quando oiço grupos de jovens e vozes altas, parece-me que alguém está a profanar o sagrado.

Num site dedicado a Sophia de Mello Breyner - http://purl.pt/19841/1/1920/1920-2.html - e editado por José Carlos de Vasconcelos, lêem-se várias respostas que ela deu em entrevistas.

Destaco este, talvez porque o compreendo melhor que alguma poesia:S



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Retrato de Sophia
desenhado por Julio,
(irmão de José Régio).
anos 40
As rosas
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
in Dia do Mar, 1947
Sabe, se quer que lhe diga, do que eu me lembro bem, e para mim o que é importante, é os sítios onde escrevi, as situações em que escrevi. Há um poema que diz: «Quando à noite desfolho e trinco as rosas». Isto é absolutamente verdade: eu ia para o jardim da minha avó colher rosas, a minha avó já tinha morrido e era um jardim semi-abandonado, colhia camélias no Inverno e rosas na Primavera. Trazia imensas rosas para casa, havia sempre uma grande jarra cheia delas em frente da janela, no meu quarto. E depois eu desfolhava e comia as rosas, mastigava-as... No fundo era a tentativa de captar qualquer coisa a que só posso chamar a alegria do universo, qualquer coisa que floresce. Resposta a JCV


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Quando menos se espera

surgem imprevistos, há um acidente, hospital, incapacidade e necessidade de auxílio.

Todos achamos que somos invencíveis, dispensamos as preocupações alheias, não educamos os nossos filhos para tratarem de nós quando envelhecemos, como dizia um artigo muito interessante que li no FB. O artigo é demasiado negro, de modo que só transcrevo aqui a tese, que é verdadeira.

É costume dizer-se que nada nos prepara para sermos pais, que são os filhos que nos ensinam a ser pais. Mas o que não nos ensinam mesmo é a sermos filhos de pais envelhecidos. Queremos salvá-los deles próprios, impedir que o corpo ceda mais rápido que a cabeça, ou que a cabeça ceda mais rápido que o corpo, mas não há como.

Os meus filhos insistem muito em que eu trate de mim, mas não consideram prioridade - pelo menos para já - saber se eu estou a 100%.
Confiam no meu bom senso em não me deixar abater pelo envelhecimento, adoram dizer-me que não pareço nada a idade que tenho na realidade, mas quando me vou abaixo, ficam um pouco perplexos como se tivéssemos a obrigação de durar eternamente, manter a adrenalina dos 30 anos, viver a vida com um enorme prazer, ajudando-os no que necessitam, olhar pelos netos, transmitir esperança, elogiá-los e apagarmo-nos perante os seus sucessos e vitórias.



Este fim de semana, o meu ex-marido teve um acidente  que poderia ter sido muito grave. Felizmente, conseguiu ligar para uma sobrinha que o levou ao hospital onde esperou 5 horas para que lhe fizessem os exames da praxe. Ontem estive em sua casa - que era a minha quando vivíamos juntos -  onde não ia há uns 5 anos. Levei-lhe o almoço, tudo feito por mim e ao seu gosto. Nunca vi uma pessoa comer com tanto prazer! Trouxe para casa toda a roupa suja que lá havia - a empregada está de férias e recusou-se a ir lá no fim de semana - , fiz-lhe a cama de lavado, deixei-lhe sopa e salada de frutas no frigorífico. Hoje a minha empregada que é uma jóia, passou oito camisas, três pijamas, 10 lenços e dois pares de calças a ferro. Paguei-lhe extra porque ela foi duma generosidade total. Levámos a roupa toda impecável lá a casa, apesar dos protestos dele !

Escusado será dizer que nenhum dos meus filhos seria capaz de fazer isto tudo. Não sabem como fazer. Nunca lidaram com a velhice.

Já foram fantásticos noutras ocasiões e quando eu fui operada o meu filho veio de Bragança passar a noite só para me ver. O meu filho mais velho também marcou as reuniões noutros dias e esteve lá na clínica durante a minha operação. Também já deram provas de solidariedade para com a irmã quando ela precisou de ajuda.

Pessoalmente, não tenho razão de queixa. Mas às vezes pergunto: Até quando?




quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O bikini

Quando eu era criança, ninguém usava bikini.




 O fato de banho  tinha de ser completo e mesmo os homens, tinham de tapar uma parte do torso, o que era ridículo.
Lembro-me dum filme que o meu Pai tirou em Carcavelos, onde se vê o meu irmão com uns 13 anos e um fato de banho esquisitíssimo em que as alças atrás estavam torcidas. Muito gozámos com ele por causa disso, coitado!

Usávamos muitas vezes calções, alguns bem giros que a minha Mãe comprava em Paris, mas que também deram azo a reparos da polícia de costumes em Paço de Arcos. O homem queria multar a minha mãe dizendo que os calções eram fatos de banho e que não
podíamos atravessar a rua naqueles preparos. A cena foi tão ridícula que, muito tempo depois, ainda nos metíamos com a nossa Mãe, dizendo-lhe: A senhora tem de ir especificar à Polícia que espécie de calções são estes!!

Lentamente, veio a libertação da mulher e dentro de uns anos , o bikini entrou em força nos hábitos de verão. Do bikini passou-se ao topless ou monokini, sem pestanejar. San Tropez deu o tiro de partida.

Este ano, viam-se muitas topless nas rochas da Calheta, mas as mulheres em bikini ficam bem mais belas, na minha opinião. O que interessa é a estética, embora na praia, tudo se permita. É talvez um dos locais mais permissivos à face da terra.

Nos países em que não há praias, há zonas dos parques que são para nudistas. Lembro-me de ver alguns no Englischer Garten de Munique. Aí parecia-me um tanto ou quanto grotesco, não sei porquê...

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Cenas das férias


Durante quase vinte dias nada escrevi no meu blogue sobre as minhas férias, nem o vou fazer agora. Foram tão boas que quero guardar as recordações no meu baú secreto, sem as partilhar com os leitores do blogue.





 Este ano, no entanto, contrariamente ao que aconteceu noutros anos em que oiço mais música ou leio, entretive-me a observar as pessoas nas rochas que circundam a prainha onde tomo banho.
Fica em frente de minha casa e nesta época, há muita gente que prefere instalar-se aí a ir para a praia grande.

Muitos estrangeiros passam horas estendidos nas rochas quentes, com ou sem chapéus de sol, que volta e meia, voam ao sabor do vento. Há crianças radiantes à procura dos caranguejos e camarões quase inexistentes nas pocinhas, outros limitam-se a ver os limos que se agregam às lapas e formam coloridos lindíssimos. Vê-se de tudo um pouco, como num filme daqueles que se faziam dantes sobre os amores de verão.

Este ano tirei muitas fotos que espelham bem as cenas de praia : casais  de namorados, velhotes felizes, adolescentes a exibirem-se nos mergulhos, tias a conversar com a água pela cintura, mergulhadores, turistas, tudo se vê do nosso relvado. Estar ali sentado de câmara na mão é uma tentação para quem gosta de fotografia.

Todas estas fotos foram tiradas com zoom, que é o melhor da Lumix. É melhor que um binóculo para ver pormenores. É claro que as pessoas não sabiam que estavam a ser fotografadas...

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Blog ou não blog?


Há pessoas que têm três e quatros blogs e que nunca se cansam de escrever, parece que não têm mais nada para fazer e nós sabemos que elas trabalham arduamente.

Há blogs super interessantes que não têm quaisquer comentários quando mereceriam feedback do melhor. É caso do blog O Livro na Areia, que nos brindou com uma reportagem sobre a região de Oxford, Gloucester e arredores que ainda hoje me faz sonhar. As fotos e o texto são de rara qualidade, mas parece que os leitores não aderem a esse tipo de leitura ou se o fazem abstêm-se de comentar.

Outros blogs há que são longos e fastidiosos, cheios de detalhes que só interessam a quem os escreve. Também há os que se auto-elogiam e desses já falei aqui em tempos. Cada vez tenho menos blogs nas minhas listas.

É claro que todos os blogs são permitidos e devem existir...nem todos gostamos de ler as mesmas coisas ou de fazer coisas iguais. Longe de mim criticá-los.Limito-me a não os ler.

Este meu blog tem muitos defeitos e um deles é ser espontâneo, nunca escrevo o texto avant-la-lettre e nunca o leio mais do que uma vez. às vezes corrijo algumas coisas já depois de o ter publicado. As fotos são sempre minhas - salvo raras excepções - de modo que não são obras de arte, nem dizem muito a muita gente. A mim, sim!
Outro defeito que este blog tem é o de não levantar demasiadas questões políticas, ainda que eu seja um pessoa interessada - agora menos do que há anos - em políticas, sobretudo nas da educação. Não gosto é de politiquices e ando cada vez mais desatenta ao que se passa no reino das geringonças, talvez porque todos dizem uma coisa e o seu contrário e nunca vi tantas contradições no discurso comum.

Há alturas em que penso em desistir do blog e ficar pelo Facebook, onde tenho cada vez mais pessoas interessadas no que lá posto. Aí, sim , há feedback de muitos Amigos, sobretudo estrangeiros dos diversos grupos a que pertenço. São pessoas interessantes, culturalmente superiores e com uma simpatia especial. A família quase que me ignora, salvo raras excepções, mas tb temos um grupo restrito onde só entram os membros deste enorme clan ( sem desprimor). Aí podemos postar fotos das crianças e felicitar-nos mutuamente quando alguém merece.

Não escrevi durante um dos periodos mais felizes da minha vida que foram estas férias de verão na praia da Luz com a minha família nuclear. Não senti a mínima necessidade de alardear a minha felicidade. Foi a primeira vez que tal aconteceu. O silêncio significou plenitude..

Agora que o meu filho já partiu para os Estados Unidos e os netos irão passar uns dias com os avós, já sinto a aproximação do outono e tenho necessidade de me sentar e escrever de novo.

domingo, 14 de agosto de 2016

O cheiro da maresia


Inebria-me.

Estou aqui na minha sala com uma janela só semi-aberta por causa dos mosquitos, mas é suficiente para sentir o cheiro da maresia, que chega sempre a esta hora, não sei se por causa do vento, se das marés...

Só sei que quando sinto este cheiro, o meu espírito eleva-se, fico mais perto da natureza - neste caso do mar - e tudo me parece mais belo.

Hoje passei parte do dia junto ao mar com a minha filha. Fomos almoçar ao edifício Transparente, onde comemos uma sopa de marisco e umas gambas ao alho divinais. Já tínhamos experimentado uma vez e ficámos fãs. O restaurante estava vazio ao meio dia, o que é raro ao fim de semana, vê-se que estamos em Agosto e em fim de semana prolongado. É o mês ideal para se estar aqui, onde as temperaturas são menos elevadas.


Depois do almoço, saímos para respirar o ar de mar que era bem mais fresco que o ar da cidade, onde estava bastante calor.


 Resolvemos andar a pé até onde o meu joelho aguentasse. E ele aguentou cerca de 3km, que é a distância entre Matosinhos e a Rua da Sra da Luz, no coração da Foz.

Viémos pela praia, torneámos o Castelo do Queijo, onde nunca tinha estado, e depois percorremos toda a passerelle até à praia do Homem do Leme, onde nos sentámos a tomar café. O ambiente era fantástico, havia pessoas na praia com aqueles paraventos aqui do norte, estendidas no chão a apanhar sol, muitas mulheres com os seus bikinis reduzidos, algumas suficientemente corajosas para se meter no mar, que me pareceu frio.

O sossego era total, quase que não se ouviam vozes nos areais vários por onde passámos. Não gosto da Foz para banhos, mas adoro as rochas e os contornos, a água a serpentear no meio delas. Sempre preferi praias com rochas a areais sem fim. Ofir é uma excepção.

Andámos até à praia de Gondarém, onde nos sentámos outra vez e bebemos uma caipirosca a meias. Não fiquei freguesa, achei que tinha um sabor desagradável e amargo, mas tirava a sede.
A esplanada tinha umas cadeiras de lona forradas dum tecido lindíssimo, que, segundo a empregada, fora comprado na Feira dos Tecidos. Adorava ter uma colcha daquelas cores no meu quarto. Cheira a verão.

Acabámos o passeio na Rua do Farol, onde apanhámos o 204 para casa. 10 minutos foi o tempo que ele levou até aqui.


Está uma noite límpida, a primeira desde que chegámos do Algarve e a lua parece quase cheia e brilhante.

Mas o cheiro a maresia já desapareceu tão depressa como chegou...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Suzi Dennis

Descobri esta artista por acaso no Facebook e estou fascinada pela sua criatividade e versatilidade na produção de papel pintado, aguarelas, técnicas mistas e juventude de espirito.

O site dela está aqui ao lado, mas visitar a página de FB é ainda mais interessante pois todos os dias nos conta das suas experiências com um entusiasmo contagioso. A última experiência foi com aguarelas que há muito não usava.


Hoje vou experimentar algumas das suas técnicas, estou morta por pintar, há séculos que não me dedico à Arte, a não ser dos outros, e o tempo está propício para estar no atelier bem mais fresquinho do que a sala, olhando para as árvores que me rodeiam e gozando da paz e solidão necessárias para me inspirar.

Ficam aqui um texto e alguns trabalhos de Suzi, assim como algumas referências a vídeos.

My name is Suzi Dennis and I am a self-taught, working artist who works and teaches out of my studio at my home in Hot Springs, Arkansas on beautiful Lake Hamilton.

When I began drawing and painting 
somewhere around age 10,I never 
dreamed I would someday make my 
living from my art. 
It didn’t come overnight and it’s 
nothing I’ve spent my life working 
toward.It was a gradual thing. 
I spent 25 years of my life working 
“real” jobs and raising children and it wasn’t until I was over forty that the process of being a working artist 
began for me.


 I officially retired 
in April 2012 and was on my way 
to creating online workshops, 
you tube videos, teaching in my 
studio, and exhibiting in galleries.


I am a Mixed Media artist who loves paper,paint and layers. My focus at this time is on using acrylics and other permanent media to paint papers and create collages. I also use these papers along with up-cycled materials in making handmade journals. I am actively teaching workshops online, in my Studio and traveling to other venues to teach as well as showing my art online and in galleries.

http://suzisart.blogspot.pt/p/about-suzi.html








quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Heranças

Podem ser excelentes, mas também podem destruir relações entre irmãos, sobrinhos, netos ou outros familiares.

Uma vez falecidos, o que sobra não é o amor que uniu durante décadas pais e filhos, mas muitas vezes invejas, tricas, mesquinhices e ambição. Todos estes sentimentos estão latentes nos indivíduos e vão crescendo com os anos, à medida que a família vai alargando, as gerações se multiplicam e os laços se esbatem.

Não sei como vou distribuir o que tenho pelos meus filhos. É tudo conseguido por mim sozinha, sem ajuda de nenhum conjuge. Pelo contrário. Tenho-os ajudado em vida da maneira mais concreta e positiva possível, não me preocupando demasiado em poupar para o futuro. Nenhum dos meus filhos se pode queixar de não o ter apoiado quando mais precisavam e isso traz-me conforto moral.


Constatei na minha família que as partilhas deram cabo das relações entre os 8 irmãos, que nunca mais fomos os mesmos, o verniz estalou e a mesquinhice veio ao de cimo. Felizmente, alheei-me de tudo e nem estive presente em algumas das reuniões em que se fez o sorteio de stocks e quejandos. Fiquei com algumas peças bonitas, nada de extraordinário, não tinha casa para arrumar quadros, mobiliário ou livros, limitei-me a guardar algumas loiças, copos, chávenas, etc que facilmente poderia meter nas estantes da sala e que me fariam recordar os meus avós ou pais. Só tive pena de não ter ficado com um relógio de pé alto, que na realidade, era a única peça que queria. A minha irmã que queria tudo e tudo teve, encarregou-se de ficar com ele por obra mágica.

As melhores recordações que deles tenho, aliás, não se cingem a objectos, mas a vivências. Todos os dias penso nelas e fico feliz de ter tão boas recordações dos meus anos em Lisboa, enquanto os meus avós e os meus Pais estavam vivos. Quando eles partiram, algo se quebrou e os laços familiares também. Perdi a vontade de ir a Lisboa, a minha cidade, e também a necessidade de estar com os familiares mais proximos, guardando apenas cumplicidade e verdadeiro amor a uma parte mínima dos meus irmãos.

É assim a vida....não estou a ser dramática, nem azeda. Penso que tudo isto acontece nas melhores famílias.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Beethoven


Ouvir a 7ª de Beethoven numa sala em silêncio, mesmo através do Mezzo, é uma experiência delirante quando tocada assim...

Emocionante. Mistica.

Beethoven genial tem o condão de me fazer passar da  mais amarga tristeza à mais empolgante explosão de alegria. Esta música é divinal.

Quem me dera ser música e poder tocar uma peça destas assim. Por muito esforço que leve a preparar tal performance, o momento da verdade está aqui e ninguém fica indiferente. Já há muito que não ouvia música "ao vivo" e sinto-me rejuvenescida.


Deixei para lá a beleza do meu mar e da minha praia ao pôr do sol, retomei o ritmo dos meus dias calmos, mas culturalmente ricos. Hoje sinto-me feliz por poder apreciar peças como esta, por sabê-las de cor e amar cada nota, cada movimento...

A Vida tem muita beleza ainda...esqueço-me dos incêndios, dos ataques, das misérias, da pobreza franciscana, das saudades...

Beethoven continua vivo. E nós com ele. Basta ouvir.