terça-feira, 27 de setembro de 2016

Espiral





Decimas a mi muerte

He de morir de mi muerte,
de la que vivo pensando,
de la que estoy esperando
y en temor se me convierte.
Mi voz oculta me advierte
que la muerte con que muera
no puede venir de fuera,
sino que debe nacer
de la hondura de mi ser
donde crece prisionera.

Confésion

El poema íntimo, 
el que no escribo:
solo
lo cohabito contigo.

O círculo da vida






sábado, 24 de setembro de 2016

Imagens


Ontem fui ao Botânico, onde já não ia há semanas.

Estava um dia tristonho de acordo com o meu estado de espírito.

Não havia flores, parece que o verão desapareceu mesmo deste jardim e ainda não há notas outonais.

As árvores estão bem verdes e mesmo frondosas.






Limitei-me a fotografar mais uma vez as imagens mais originais que estes lagos, troncos e plantas me oferecem. Nada de novo, portanto.

Vem aqui um video de acordo com a tonalidade da entrada. Melancólico, outonal, belo.






quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Toi et Moi - Paul Geraldy


Foi-me oferecido pelo meu namorado aos 20 anos.
Antes de mo oferecer, anotou-o como fazia com todos os livros que lia.
O livro esteve na estante da sala durante anos. De repente, quando dei por ela, tinha desaparecido, talvez escondido no meio dos outros - tantos - que entretanto, fomos acumulando.
Nunca mais o vi, mas lembrava-me muitas vezes de algumas frases que citávamos na brincadeira.

Hoje encontrei o livro na Amazon.com e comprei-o na versão original em francês através do Kindle.
Tenho estado a lê-lo, num misto de tristeza e compensação.

Recordar é bom.
Tão bom quanto fazer projectos quando eles são possíveis.





Chance (original)

Et pourtant, nous pouvions ne jamais nous connaitre!
Mon amour, imaginez-vous
tout ce que le Sort dut permettre
pour qu’on soit là, qu’on s’aime, et pour que ce soit nous?
Tu dis: “Nous étions nés l’un pour l’autre.” Mais pense
à ce qu’il dut falloir de chances, de concours,
de causes, de coïncidences,
pour réaliser ça, simplement, notre amour!
Songe qu’avant d’unir nos têtes vagabondes,
nous avons vécu seuls, separes, égarés,
et que c’est long, le temps, et que c’est grand, le monde,
et que nous aurions pu ne pas nous rencontrer.

Dia Mundial da Paz


domingo, 18 de setembro de 2016

Memories

Há uns anos fui a S. Joao da Pesqueira festejar os anos do meu filho que estava lá colocado como Juiz
O meu ex-marido foi comigo e viémos de comboio os dois pela Ferradosa. É um dos locais mais lindos que conheço.

Escrevi, nessa altura, um texto que é interessante na íntegra, mas do qual destaco estas linhas:


O cais da Ferradosa é, simbolicamente,  como o meu casamento. Algo sublime que permanece intacto no que é essencial. Uma beleza intocável que nos ligará para toda a vida, mesmo que vivamos separados no nosso dia a dia.

Hoje continuo a pensar o mesmo.

Perante a doença do meu ex-cônjuge, que não escondo de ninguém porque é a minha preocupação maior,  esqueço tudo o que nos separa para só me lembrar dos momentos de alegria, dos nossos segredos, dos nossos sonhos...

Ando completamente abstraída de tudo. Este blogue ficará em stand by para já. Fico só no Facebook.
Até já.


sábado, 17 de setembro de 2016

Na ressaca

Voltei de Leeds há menos de 48 horas, mas parece-me que já foi há um século.
Aqueles dias fora de tudo - mas sempre com ligação ao Porto - fizeram-me bem.... e mal.

A minha filha está feliz no seu quartinho com vista para Woodhouse, um bairro de casinhas cor de tijolo e jardins. Decorou-o com algumas coisas que trouxera e outras que lhe ofereceram. Para já tem o essencial, mas não muitas coisas. O quarto é espaçoso e a cama de casal :).

Sei que ela vai ser feliz ali e isso basta-me para colmatar a falta que me faz cá. A minha casa parece vazia e, embora eu saiba que ela volta, sinto sempre um nó na garganta por não ouvir a chave na porta, nem a música dos seus auriculares, os passos no quarto, o sorriso a sugerir irmos jantar fora...

Hoje estive a arrumar o seu quarto cá e parece bem mais leve e bonito. Todos nós acumulamos coisas que nunca usamos, livros que não lemos, DVDs que nunca vemos...de vez em quando é preciso desbastar o supérfluo.

Leeds estava igual, alegre, cheio de cor e vida.
Os estudantes vem chegando aos poucos, as ruas enchem-se de jovens de todas as raças e religiões, misturam-se com os nativos sem qualquer problema. A universidade é um local sagrado, onde não se nota a competição existente nos EU, onde há um frenesim enervante.
Bem sei que a minha imagem é a dos filmes e estes nem sempre são muito credíveis.


     Leeds é uma cidade universitária por excelência. O nivel dos taxistas, por exemplo, é altíssimo. Muitos deles são paquistaneses e faladores, o que é muito agradável. Contrastam largamente com os nossos, que , em geral, estão sempre de pé atrás com tudo.


Apanhámos tempo maravilhoso, calor, temperaturas anormais para a época e também uma trovoada enorme. Felizmente tínhamos chegado há pouco ao hotel quando o temporal desabou. Tirei umas fotos engraçadas.


A viagem foi cansativa.
Stansted é sempre caótico e , embora conheça bem o aeroporto, custa-me sempre andar kms para apanhar o avião, esperar depois em pé à entrada, sobretudo depois duma viagem de 3 horas de comboio. Felizmente o meu filho foi buscar-me, sempre me deu bastante conforto.

As notícias sobre a saúde do meu ex-marido continuam más. Não há palavras.

Como diz Manel Forjaz no seu magnífico livro que estou a reler: É preciso nunca deixar de viver...