domingo, 29 de junho de 2014

Cornerstones - Brass Wires Orchestra

É o primeiro album da banda, que tem tocado um pouco por todo o lado e até no estrangeiro. Destaco-a aqui porque dela fazem parte dois dos meus sobrinhos mais novos, ambos muito dotados para a música.


Em tempos ofereci a um deles uma guitarra eléctrica que era do meu filho. Mal eu sabia que um dia iriam ser conhecidos e viver da música. O album foi composto pela banda e "remastered" em Londres nos estúdios Abbey Road.
Ontem vieram ao Porto apresentar o álbum, que me parece bastante bom, no bar Plano B. Infelizmente, não tive coragem de ir e arriscar a ficar de pé assistindo ao concerto no meio de gente nova às 11 da noite. Acabei por desistir, mas estou um pouco triste porque gosto muito da música.

Estava mesmo cansada, foi um dia de anos muito concorrido, com a família.

Almoçámos nos Viveiros da Mauritânia em Leça, onde se está muito bem com uma vista fabulosa da praia. O arroz de tamboril e o cabrito estavam esmerados e o bolo de anos, de chocolate com morangos e manga, era delicioso.
Toda a família estava feliz e os meus netos ofereceram-me poesia, desenhos e pulseirinhas das que estão na moda.

Comoveu-me estar ali com todos os filhos, ex- e netos e ainda um amigo americano do meu filho, que é uma simpatia.
O meu ex- ofereceu-me rosas vermelhas e a minha nora três girassóis lindíssimos. Tenho a casa cheia de flores. A minha Luisa deu-me uma boneca Nancy ( já voltei à infância) porque sabe que adoro fazer fatos para bonecas :) .
Depois passámos parte da tarde a ver o excitante jogo do Brasil com parte da família. À noite comemos os restos do arroz de tamboril e bolo. Já há muito que não estava tanto tempo seguido com o meu filho mais novo, ocupadíssimo com o trabalho no tribunal.

No fim do dia comecei a pensar na partida dos filhos e netos dentro de um mês. Vai ser um choque enorme, um vazio muito difícil de preencher. Por enquanto, deixa-me gozar da sua presença física o melhor que sei. Ainda faltam uns dias...

Fica aqui um concerto ao vivo desta banda que promete:


quinta-feira, 26 de junho de 2014

A fotografia a preto e branco....e a cores

Há quem não goste de fotos a preto e branco porque lhes faltam as cores verdadeiras da Natureza, dos objectos ou até dos rostos.
Há quem as aprecie muitíssimo por achar que a categoria técnica da fotografia, a verdadeira arte de fotografar, fica muito mais valorizada a duas cores, sejam elas preto e branco ou sépia.
É uma questão de gosto e também de tema. O objectivo do fotógrafo pode ser realçar a beleza dum local pelos seus contrastes de luz-sombras, contra-luz ou silhuetas. Ou pode ser a de transmitir o máximo de esplendor, de realismo e de brilho que se coadunam mais com fotografia multicolor.

Como se sabe, é possível transformar uma foto digital a cores numa a preto e branco, mas não vice-versa. Uma vez modificada, não é possível voltar às cores primitivas, por isso aconselha-se sempre a gravação duma cópia antes da metamorfose.
Já fiz várias experiências destas. Já apresentei uma exposição só de fotos a preto e branco, que teve bastante sucesso. Nessas fotos jogava com a luz e as silhuetas.

Gosto de ambas as facetas, há fotos que não consigo transformar, são belas no original.

Vão aqui uns exemplos:

A foto de Ofir a preto e branco é mais majestosa, mais onírica e mais bela, na minha opinião. Mas a primeira tem as cores duma pintura maravilhosa.


Ofir
 Nesta foto abaixo, não havendo cor, falta um certo calor à fotografia, mas a primeira é mais artística e os contrastes mais nítidos.


Pai e filho
 Algumas fotos já são quase bi-cromáticas ao natural, como esta da Praia dos Ingleses.

Bar dos Ingleses


 Esta foto abaixo a cores é um verdadeiro quadro, tal a harmonia, a posição dos elementos no fundo azul da água do lago. É uma foto bem conseguida e totalmente natural. Nada foi movido. Era assim que as folhas e flores se quedavam na superfície da água.
A preto e branco fica baça e perde o encanto. Parece um desenho.



É claro que esta é a minha opinião. A vossa pode ser diferente.

Fica aqui um pequeno texto a condizer:

A fotografia é um milagre da tecnologia que aperfeiçoou o homem.
Ela reaviva a memória com detalhes, reactiva sons, cheiros, cores e sentimentos que a gente nem mesmo poderia imaginar fossem recordados.
Quando você vê uma foto sua com poucos dias, alguns meses, ou na tenra infância, tem a oportunidade única de pelo menos imaginar a felicidade dos seus entes queridos nessa época.
Pessoas, lugares, viagens e comemorações como que voltam com a visão de uma fotografia.
É como curtir de novo tudo o que foi muito bom.

Marinho Guzman

sábado, 21 de junho de 2014

The Fault In our Stars - A culpa está nas estrelas


O filme, extraído dum best-seller com o mesmo nome, poderá apresentar-se como uma lacrimejante história de amor e de perda e desapontar os espectadores....a não ser que, ao vê-lo, possamos conceber o que é uma situação de sofrimento permanentemente redimida pelo amor.

Acredito na redenção pelo amor em situações de crise, já as vivi e paradoxalmente, não foi o amor conjugal, mas o  filial e maternal que me conseguiram trazer de volta à Vida.

O cancro é uma doença terrível. Só pessoas muito fortes conseguem não se deixar levar pelo desespero; ultimamente, tenho visto muitos casos de superação e de coragem em pessoas que têm apoio familiar ou de amigos.
Este filme fez-me lembrar - e muito - o caso Manuel Forjaz, com uma concentração no que é bom da vida para lá de tudo o que é maligno.

Não o aconselho a quem considere que os americanos são sempre delico-doces ou pirosos. Porque o filme apresenta algumas cenas desse estilo, embora tenha outras que suplantam o cliché e nos lembram o enorme potencial do Amor entre adolescentes, em que acredito.

É preciso viver o filme sem preconceitos contra alguma lamechiche ou clichés.

E é preciso gostar de Amsterdão, local onde encontrei o amor de adolescente e da minha vida, há quase 50 anos, precisamente naqueles canais, naquela Casa de Anne Frank, naquelas ruas, naquele ambiente. Cidade linda. E propícia para a redenção.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Chico Buarque - 70 anos





Um ícone da Música e da Poesia...

Aqui fica a minha preferida, uma canção que redime o Amor envelhecido...



Um dia ele chegou tão diferente
Do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente
Do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto
Quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto
Pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita
Como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado
Cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços
Como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça
Foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança
Que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade
Que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz




Deus o conserve por muitos e muitos anos....em Paz!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pausa para viver

Já há dias que não escrevo no blogue.

A vida real, os eventos sociais e familiares assim como as emoções levaram à melhor.

Desde 6ª feira, em que cheguei a casa pelas 10 horas, que os dias se têm seguido cheios de peripécias e eventos importantes a que se aliam o amor pela família, a amizade, a religião e os costumes e até a união entre povos. Não estou a exagerar. :)

No sábado assisti à final do Torneio de futebol Mc Donalds, em que o meu neto Daniel tomava parte como jogador sub-12 da equipa do Brasil. Estava um calor insuportável, mas o entusiasmo era tão grande que fomos todos - família mais alargada - e sentámo-nos a apoiar, a gritar, bater palmas, etc. Infelizmente o Brasil perdeu 4-1, embora o meu neto tenha desferido um pontapé de livre que entrou na baliza como um raio....mas foi só!!
No domingo os meus meninos faziam a 1ª comunhão e a comunhão solene com o Colégio alemão. A cerimónia teve lugar na Igreja do Sº Sacramento aqui perto. Consegui um lugar mesmo à frente, onde vivi tudo plenamente e pude fotografar. Nunca mais me esqueço da carinha dos meus netos, vestidos de calções beiges e camisinha branca, muito simples. O coro foi dirigido pelo maestro do coro da Sé que também tinha um filho no grupo de crianças. Os meus filhos e netos tocaram o canon de Pachelbel durante o Ofertório e foi um momento extremamente comovente.
Depois fomos todos para casa do meu filho, onde decorreu um almoço excelente, caseiro, cheio de crianças entre netos, primos e sobrinhos meus.

Às 6 ocorreu o Concerto Final do Ano da Escola "A Pauta" na Casa da Música. Foi um dos concertos mais impressionantes a que tenho assistido - 50 e tal jovens a tocar violoncelo e violino - com música muito apelativa para todas as pessoas.
Não pude deixar de pensar que durante o próximo ano, não ouvirei os meus netos a tocar, a não ser pelo skype!! Fico com o coração apertado e só me apetece chorar....a vida é cheia de contrastes...

Ontem convidei uma família alemã que veio da Alemanha para assistir à Comunhão dos meus netos. É uma história longa de amizade entre estudantes e seus pais, que começou no Porto e continuou em Karlsruhe, onde o meu filho estudou durante três anos. É uma amizade que dura há mais de 20 anos. Gosto muito deles e a experiência dum jogo de claques repartidas foi inesquecível. Jantámos todos juntos aqui em casa - aproveitando os restos do almoço da véspera - .
 O resultado do jogo tinha sido desastroso, mas os miúdos e a amizade preencheram o vazio rapidamente e ainda nos rimos imenso com o meu neto a imitar o CR7 no seu melhor. Há muito que não recebia aqui em casa e é realmente fantástico juntar amigos à volta.

A minha amiga deu-me um livrinho sobre a Amizade. Transcrevo uma frase de Goethe que já conhecia e sempre transmiti aos meus alunos em dedicatórias que lhes escrevia por vezes nos livros ou em cadernos de autógrafos. Também é verdadeiro para as nossas amizades virtuais e relações nas redes sociais:

Conhecer Alguém que nos entende, apesar da distância, sem que seja necessário expressar o que sentimos. Eis o que faz da Terra um jardim.

Goethe / 1749-1832)



sábado, 14 de junho de 2014

As grutas mágicas

Não me canso de as visitar.

O passeio, que custa apenas 10 euros, vale milhões, não só pelo prazer de ver a costa do lado do mar, mas também pelo pormenor encantatório de uma das mais belas joias do país.
Há muito boa gente que vai ao Algarve todos os anos e nunca visitou a Ponta da Piedade, nem por terra. Ficam-se pelas Vilamouras, Albufeiras e Armação de Peras, desprezando um pouco o lado de Sagres que, quanto a mim, é o mais belo, mais genuíno e perfeito do Algarve. E nem sequer me estou a referir à Costa Vicentina, que é outra maravilha a visitar e que, desta vez, não pude revisitar.




Partimos pelas 2.30 num barquito pequeno, só com 4 pessoas. Levávamos coletes pois é obrigatório, não vá o diabo tecê-las. O mar estava muito calmo, fomos no dia ideal para ver bem as rochas, o rendilhado geológico e a transparência da água que dentro das grutas é simplesmente espantosa. Ainda passámos algum frisson quando o nosso barqueiro meteu por uma gruta tão baixinha que tivémos de nos encolher para não dar com a cabeça nas rochas!! Isso faz parte da aventura e já sabemos que não há acidentes.

São inúmeras as embarcações que encontramos pelas imediações e dezenas de praias pequeninas por que passamos, quase todas com escadarias íngremes de acesso e rochas no meio da areia, duma cor amarelada-laranja, a típica cor do Algarve. Não sei quantas fotos tirei, mas a tentação é enorme.

A água é límpida, apesar do óleo largado pelos barcos. Os apreciadores de caiaques e de pranchas deliciam-se a passear por ali.

Fica aqui um extracto da Wiki com informação sobre esta zona:

Considerado um dos locais mais belos da Europa, a Ponta de Piedade é um monumento natural turístico de Lagos, no Algarve em Portugal. É composta de várias formações rochosas do tipo falésia, com até 20 metros de altura aproximadamente, sendo um dos pontos turísticos de maior interesse fotográfico da região. No local, é possível visitar as diversas grutas existentes garantindo uma experiência turística agradável e única.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Despedida

Hoje é o meu último dia aqui para já. Volto em Agosto, mas não para esta casa, que estará ocupada com outros moradores da família.
Estou um pouco nostálgica, mas ao mesmo tempo sinto que é hora de voltar, ver os meus netos e filhos, O meu neto André faz a 1ª comunhão no domingo, o Daniel a Comunhão Solene e no sábado ainda vou ver o jogo da final McDonalds em que o meu neto grande vai participar. Um fim de semana em cheio.

Hoje partimos à noite pela Ryanair, de modo que ainda podemos gozar de parte do dia aqui. Não irei à praia pois está sueste a as ondas são muito fortes. Ontem fui, e à noite quase não me podia mexer...

Maneira original de ler na praia!!!
Aproveitei a noite maravilhosa que estava para admirar o luar aqui do jardim, que é indescritível, às vezes, parece-me estar a entrar num filme romântico piroso, daqueles em que os amantes se beijam ao luar e se vê a palavra END!

Lua de Junho
Ainda escreverei um post sobre a Ponta da Piedade, onde fomos na 4ª feira, um dos locais mais belos do mundo, sem dúvida nenhuma. Não conheço grutas mais excitantes, com a água mais verde e transparente e as formas geológicas mais apelativas. A rocha é suave e duma cor especial.

Mas isso fica para novo post.





terça-feira, 10 de junho de 2014

A praia grande

Designamos por praia grande a praia da Luz, por oposição à nossa praínha aqui em frente de casa, que se vai modificando todos os anos, com mais ou menos areia, mas sempre convidativa e um belo mergulho. Infelizmente para mim, este ano, não serve, pois as rochas estão altas e é preciso muito equilíbrio para não cair, dado que não há escadinhas, nem corrimões !!
No primeiro dia ainda lá fui com ajuda da Luisa, agora tenho ido à praia grande quando me apetece tomar um banho a sério. Ainda ontem fui pelas 4 e soube-me muito bem. O pior foi depois, tive de tomar dois brufens para me aguentar de pé, doía-me tudo. Hoje estou com medo, mas acho que não resisto a ir daqui a nada molhar os pés…

Muitas pessoas que vêm aqui em passeio, só para ver praias, acham esta pequena, sobretudo na maré cheia, mas desconhecem os kms de areia que se estendem por baixo das falésias douradas, onde muitos turistas fazem nudismo e passam o dia com miudos pequenos, que se entretém a apanhar rochinhas de todas as cores, conchinhas de madre pérola, cascas de mexilhão, a fazer castelos enormes ou a saltar as ondinhas no meio dos kayaks e surfistas.
Essa parte da praia é desconhecida dos passantes, mas é o local mais místico daqui da zona. As falésias são altíssimas – talvez uns 300m e as pessoas parecem minúsculas vistas de baixo. À frente a comandar ergue-se a Rocha Negra, de origem vulcânica, local quase inacessível, devido ao perigo da maré a subir e às rochas cheias de mexilhão e fosseis. Já lá fui , mesmo à ponta, mas noutros tempos, quando as minhas pernas ainda andavam ;-)

Dá um gozo danado, estar na água a olhar em volta para aqueles canyons portugueses, que se reflectem no espelho de água deixada pela maré cheia, majestosos e eternos. As riscas sedimentares são irisadas de rosa, verde, azul, cinzento , vermelho e amarelo, mas só lá bem perto é que notamos todas essas nuances …ou usando um zoom potente como o meu.


Cada grãozinho de areia daquela praia proveio destas falésias que se vão esboroando com o tempo – milhões de anos – até ficarem reduzidos a poalha. Isto dá-nos a dimensão da nossa insignificância.
Não há local que eu conheça onde me sinta mais feliz, mais livre, mais leve....mas também em nenhum outro local, me sinto mais consciente da pouca importância que temos no seio da Natureza.





segunda-feira, 9 de junho de 2014

A flora da Calheta...e não só.


Este local não é só mar e areia… há toda uma vida vegetal e animal a germinar, a desenvolver-se e a povoar as rochas e os caminhos.
Todos os anos fico extasiada com a flora que aqui encontro e que apresenta um misto de plantas silvestres, nascidas das pedras, literalmente, e um misto de plantas “finas”, cultivadas e tratadas pelos moradores da Luz,  que apreciam o verde ou as cores  variegadas das inúmeras flores que medram neste terreno seco e aparentemente estéril.

Tudo o que se semeia aqui cresce se for regado amiúde. Mas quando essa água falta, as plantas vão-na buscar ao fundo das rochas, água salgada que já dessalinizou ou mesmo água doce que se encontra na profundidade da terra.


Ontem tirei fotografias em especial para a minha amiga Regina, que já por aqui passou e adorou as buganvílias. As nossas este ano ainda não estão em flor, mas por esses jardins, há-as lindas como se pode ver na foto, juntamente com lantanas de todas as cores, hibiscos simples e duplos de cores maravilhosas, cevadilha, rododendros, malmequeres, etc.

É um mundo de cor e de beleza que rodeia estas casas brancas e bem caiadas, onde também não faltam as palmeiras tenazes, os aloés espontâneos e as piteiras suculentas.

As rochas que nos levam até ao mar aqui em frente estão cobertas de sal e algumas apresentam fósseis de moluscos, lapas às centenas, mexilhão a granel e algas, muitas algas de cores diversas. Também apresentam nomes escavados de dezenas de pessoas que por aqui passaram e quiseram deixar a sua marca.
Observar estes pormenores para além de ajudar a passar o tempo que aqui escorre lentamente nas nossas clepsidras, é um enriquecimento espiritual, a certeza de que poderemos partir como já partiram os  nossos pais que construiram estas casas e aqui foram muito felizes.

Este local permanecerá incólume para os vindouros e sera para eles cada vez mais acessível e mais belo.  


domingo, 8 de junho de 2014

DIA MUNDIAL DOS OCEANOS

Hoje é o Dia Mundial dos Oceanos.

Oceanos são toda essa massa azul extensa que quase enche o planeta Terra, abençoado por Deus, como diriam os nossos amigos cariocas.

 Quando se vê a Terra do Espaço, pasma-se com as proporções destes enormes lagos, que se estendem de norte a sul e de leste a oeste, recortando as costas  e os continentes, delineando as suas fronteiras, banhando as suas praias, formando crostas de gelo e enormes montanhas brancas nos polos.
Chamamos-lhe mar, uma palavra simples e curta em quase todas as língua e que em português é tão parecida com amar, que quase se confundem.

Quem não ama os oceanos? Quem não ama o mar? Quem consegue viver sem ele?
Parafraseando Sophia, depois de morrer voltarei para recuperar todas as horas que não passei junto ao mar....

Sento-me no jardim a contemplar o horizonte. O azul inunda-me o olhar. O sol salpica as ondas de prateado, como se inventasse estrelas a flutuar à superfície. ( há estrelas no mar, mas estão escondidas).

O mar é, ainda,  um mistério para mim, pois o que há lá para baixo me está vedado; é um mundo encantado, que só muito poucos ousam desvendar.

Foi sempre um sonho meu, mais do que vaguear no Espaço entre galáxias, gostaria de mergulhar por entre corais e recifes, descobrir plantas e animais submersos, grutas e tesouros infindáveis…

O meu filho queria levar-me à Austrália, onde ele está neste momento. Não consegui e confesso que, ao pensar nisso, me vêm lágrimas aos olhos…

O mar foi o tema que mais pintei na vida com todo o tipo de materiais…e sinto, aqui também, a falta de telas e pinceis. Não que tenha ilusões acerca das minhas capacidades artísticas, mas porque me sentiria realizada enquanto pintasse.






sábado, 7 de junho de 2014

O galo da Igreja Nossa Sra da Luz


Este galo é nosso Amigo...desde sempre.

Lembro-me de o ver desde os anos 60, altivo, no alto do campanário, oleado e bem coerente com a metereologia, ou melhor, com as direcções caprichosas do vento, aqui, no sul.

Nunca falhou este galo e com ele, aprendi termos como nortada, suestada, calmaria, borrasca, etc., assim como a prever o tempo atmosférico nos dias seguintes. Aqui nunca se fala de chuva como nos países anglófonos, só se fala do vento, pois é ele que comanda todas as operações!
Suestada era um dos nossos termos preferidos pois indicava água mais quente, ondas grandes e paródia na praia a saltar a rebentação ou a fazer carreirinhas. O problema era o peixe aranha, amigo das águas quentes e dos pés indefesos.
Nortada era a mais comum, fresca e forte como nas praias nortenhas, com a água transparente e límpida, o céu dum azul feroz e mar completamente chão.
Vento de sul ou oeste significava chuva, cheiro do mar, humidade e água mais turva...às vezes até suja...nunca gostei deste vento, mesmo quando sopra de mansinho.

( um melro pousou aqui na relva e está a olhar para mim com ar intrigado!!)


Ontem e hoje, o pobre do galo andou atarantado, tão depressa se virava para ocidente como para o sul, depois arrependia-se e virava a norte para, logo a seguir, indicar o sul de novo. E o céu tão depressa se toldava de nuvens escuras, lindíssimas, chuviscando levemente, como abria e deixava entrever algum sol tímido. A temperatura era constante, um calor abafado, muito agradável, semi-tropical. O cheiro da maresia era intenso, o que é raro aqui na Luz, onde identificamos o Algarve mais pelo cheiro das estevas que o vento do norte traz das serras...

as rochas cheias de sal que o mar vai deixando

Lembro-me das discussões bravas entre o meu Pai e os vizinhos. Ele tinha trazido para aqui um barómetro inglês lindíssimo que ainda hoje funciona ( deve ter uns 60 anos) para tirar teimas sobre o estado do tempo e saber sempre o que nos esperava.Ninguém se fiava no jornal ou nas notícias da rádio na altura bastante duvidosas. TV não havia. Nem houve até aos anos 80.

O nosso galo sabia-a toda!

Mar adentro

Hoje passeámos de barco, ou melhor, andámos a milhas da costa, na senda dos golfinhos. Uma verdadeira aventura que decidimos em cima da hora.
De manhã o dia estava cinzento, com nuvens lindas, mas bastante escuras, de modo que resolvemos ira Lagos na carreira. Chegadas lá pela hora de almoço, atravessámos a ponte pensil e fomos para a Marina, onde se aglomeram os restaurantes e esplanadas, no meio dos mastros de todos os tamanhos, iates,barquinhos, veleiros, kayaks, etc. Uma visão espectacular para quem gosta de mar e de embarcações, como é o meu caso.

A almoço não foi nada de especial, pelo que nos apetecia algo diferente. A Luisa sugeriu irmos ver os golfinhos, dado que a tarde parecia abrir. Meu dito, meu feito. Comprámos os bilhetes - seniores só pagam 15 euros, o que é francamente barato para um passeio de duas horas. Juntámo-
nos a outros turistas e lá seguimos pela passerelle para dentro do barco. Instalámo-nos no deck de cima, onde o ventinho sul já começava a soprar. Felizmente tinha levado o meu lenço anti-vento, que opera milagres nesse campo!


a marina de Lagos
Nunca pensei que iria ver golfinhos a sério, achava que aquilo era um embuste e que raras vezes se viam os cetáceos. Mas não é que os vimos mesmo? A minha filha viu melhor que eu pois fiquei na parte debaixo e não me atrevi a subir para a proa, donde se vê melhor. Na altura já estava um pouco tonta e a ideia de cair nas escadas ou no deck não era muito sorridente. Mas ainda consegui ver os animais a saltar no meio do mar. Só não consegui fotografá-los.

Praia da Luz
No caminho fomos percorrendo a costa toda- passando pela nossa Luz -  até à Praia da Salema, já perto de Sagres, depois o barco foi-se afastando cada vez mais pelo mar fora, paralelamente ao Cabo S. Vicente. O céu estava tenebroso, com nuvens baixas e escuras, o mar dum cinzento chumbo, muito fundo. Preferi não pensar o que aconteceria se tivéssemos algum acidente....a ideia de mergulhar naquele mar era um pesadelo!!

Mas nada aconteceu. E foi uma excitante experiência. Gostei de ver a Praia da Luz do lado do mar, a Rocha Negra, destacando-se de todas as falésias pela sua origem vulcânica e não sedimentar.

Lagos também estava animado com as novas tendas a vender tudo quanto há. É uma cidade cheia de vida e com uns doces muito especiais: os dons Rodrigos, glicose até dizer basta.

Soube-nos bem sair daqui....é preciso viver, ver gente e não só sonhar....

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A oeste nada de novo

Hoje dei um longo passeio em direcção a oeste, pela Rua da Calheta, que é a nossa e vai dar quase ao Burgau. Pode-se andar kms com uma vista de mar até ao horizonte.

Há uns anos toda esta estrada era péssima, cheia de calhaus , ervas daninhas, rochas e plantas silvestres, mas o passeio para quem gosta de andar imperdível. Meus pais gostavam de namorar ao fim da tarde, indo pelas rochas ou pela estrada propriamente dita. Era quase um ritual.

Todos os anos faço este passeio, em memória deles em direcção a oeste e cada vez descubro mais civilização no bom sentido da palavra.

Os ingleses e alemães que aqui habitam praticamente todo  ano tratam de si e do ambiente, cuidando de toda área à volta das suas casas, criando pequenos centros de jardinagem, canteiros de flores, palmeiras, árvores tropicais, tudo limpo e fotogénico e até relva bem verde, que tem de ser regada pois aqui não chove quase.

Dá gosto ver mais de um km de marginal ajardinada. Hoje até vi um grupo de turistas guiados a observar as flores, loucos com as buganvílias e as calhetas lá em baixo com o mar de um azul escuro e verde, grutinhas cheias de pedras, e água duma transparência quase irreal.

Deve ser bom terminar a vida num paraíso destes, onde todos se conhecem e entreajudam, fazendo encontros, promovendo concertos e exposições, sorrindo aos que passam e dando côr a esta terra...
aqui ( porquê? ) quase no fim da Europa.